Monthly Archives: Agosto 2009

“O Sangue da Terra”, de Sofia Marrecas Ferreira, lançado a 3 de Setembro pela Porto Editora

pe-sangueA 3 de Setembro é lançado o novo livro de Sofia Marrecas Ferreira, “O Sangue da Terra”, uma história que a autora oferece às mulheres sobre o alento daquele que muitos identificam como o verdadeiro e único sexo forte. O livro é apresentado pela Porto Editora como “um hino às mulheres, à força com que se entregam ao amor e às suas paixões, à coragem com que assumem as suas escolhas e a sua liberdade”. São características presentes na escrita de Sofia Marrecas Ferreira, influenciada também pelo ar, pelo calor e pela imensidão da planície alentejana.
Neste romance Tomasa (mãe) e Catarina (filha) ilustram entre Lisboa, o Alentejo e Paris duas gerações de mulheres em busca da felicidade e de sentido para as suas vidas; são duas mulheres que, através do trabalho, das suas opções e do seu talento, tentam ultrapassar a solidão, a loucura e a morte.
Sofia Marrecas Ferreira já editou antes de “O Sangue da Terra” quatro romances, nomeadamente “Mulheres de Sombra” (Prémio Máxima de Revelação), “Uma História de Família”, “Da Cor dos Seus Olhos” e “Só por Amor”.

“A Música da Fome” – J.M.G. Le Clézio

dq-A Música da Fome“A Música da Fome”, obra de J.M.G. Le Clézio editada pouco antes do escritor francês receber o Nobel da Literatura de 2008, chegou há pouco ao mercado português por mão da Dom Quixote. É um livro belíssimo cheio de sentimento sobre sonhos perdidos, inspirado na vida da mãe do autor, que serviu da base à construção da personagem principal, Ethel Brun. Através da sua vida regressamos a um período conturbado da História de França. Através de histórias pessoais (e aparentemente simples) Le Clézio conseguiu traçar um perfeito retrato da sociedade francesa numa época onde o egoísmo e a indiferença eram dominantes. Bem escrito e bem estruturado, “A Música da Fome” dá-nos um soco no estômago sem que nos apercebamos, pois o que nos revela é tudo menos inocente.
No romance, Ethel Brun é a filha de um casal de exilados, Justine e Alexandre, proveniente da ilha Maurícia, cuja vida acompanhamos a partir da década de 20 em Paris até ao pós-Segunda Guerra Mundial.
Ethel sente uma grande afeição por Samuel Soliman, o seu tio-avô, que tem o sonho de ir viver para o pavilhão da Índia Francesa que foi construído para Exposição Colonial. Assim, a sua infância é passada entre os passeios por Paris com o avô e a vida caseira, estabelecendo uma forte ligação com Samuel, até porque o pai passa muito tempo entretido com negócios duvidosos que destroem a riqueza da família e com uma antiga namorada que teima em fazer parte da sua vida. Samuel morre antes de concretizar o seu sonho e cabe a Ethel (que torna sua herdeira) levá-lo por diante. Esta tenta não desiludir o falecido tio, mas os sonhos desmedidos do pai acabam por contaminar irremediavelmente toda a gente, arrastando-os para o abismo.
Já na adolescência, Ethel vive uma história de amizade com Xénia, uma refugiada e vítima da Revolução Russa, que está na miséria depois de ter vivido anos dourados no seu país de origem – mal sabia Ethel que estava destinada a um futuro semelhante.
É um livro sobre sonhos perdidos porque a dada altura todos vão vendo os seus sonhos desfeitos. Samuel não consegue em vida montar a sua casa no pavilhão, Alexandre anseia por uma existência grandiosa mas nada mais consegue para além de desperdiçar dinheiro e levar a família gradualmente à ruína, afastando-se cada vez mais dos tempos gloriosos na ilha Maurícia. Paralelamente, Hitler começa a impor-se e França está no seu caminho. Quem lá vive não lhe fica indiferente, mas não lhe faltam admiradores em Paris. Assim, este é também um livro sobre pessoas que vivem alheadas do mundo que os rodeia. Nos salões da casa de Alexandre em Paris “assistimos” à chegada do nazismo, perante a indiferença e até a admiração de muitos convivas que frequentam as reuniões sociais promovidas pelo pai de Ethel. Este é um dos aspectos mais marcantes do romance de Le Clézio, a ingenuidade com que encararam a ascensão nazi. Quase ninguém se importou com o anti-semitismo cada vez mais evidente, já que cada um se importava era consigo próprio – mais à frente, já perto do final do romance, Le Clézio, pelos olhos de Ethel, constata e demonstra que muitos do que foram colaboracionistas já se desenrascavam após a chegada dos Aliados a Paris.
O autor faz assim quase imperceptivelmente um retrato muito cáustico e sombrio de certas franjas (pelos vistos bem grandes) da sociedade francesa durante a ocupação nazi.
Outro retrato impressionante é o da vida em Nice, cidade onde se refugiou a família de Ethel durante a ocupação de Paris pelos nazis. A descrição da fome, da decadência e da necessidade de levar, fosse como fosse, a vida por diante constitui outro dos pontos fortes deste romance, pois mostra que em situações extremas as relações entre as pessoas mudam radicalmente, permitindo esquecer traumas do passado e perdoar, porque agora as necessidades são outras, chocantes de tão básicas. Curiosamente, é também em Nice que Ethel inicia a sua vida amorosa, com um inglês que a levará de volta à Paris já liberta pelos Aliados.
“A Música da Fome” é, nota-se sem dificuldade, um projecto muito pessoal de J.M.G. Le Clézio que encheu de emoções e sentimentos um romance que em apenas 190 páginas alberga vidas tão preenchidas e tantas histórias cativantes.

Senhor Palomar muda de casa

Senhor Palomar, blogue sobre livros, autores, leitura e edição, mudou de endereço e agora está alojado no Sapo, podendo ser visitado em http://senhorpalomar.com  E vale bem a pena a visita, pois com muito humor, inteligência e actualidade o Senhor Palomar leva-nos numa instrutiva viagem pelo mundo dos livros.  Vão lá visitá-lo, mas depois não se esqueçam de regressar aqui ao Porta-Livros.

Rentrée da Planeta traz Mário Zambujal e a sequela oficial de Drácula

pla.draculapla.zamO grande destaque da Planeta na rentrée de Setembro vai para o regresso de Mário Zambujal, com o seu romance “Uma Noite não são Dias”, mas até ao final de 2009 a editora tem muito mais para oferecer, nomeadamente a sequela oficial de Drácula, de Bram Stoker, intitulada “Drácula, o Morto Vivo”.
Em “Uma Noite não são Dias”, Mário Zambujal leva o leitor até ao ano 2044, mais especificamente até à Avenida Vertical, uma torre habitacional de 98 andares onde ocorrem dois misteriosos assaltos. Ali nascem paixões, intrigas e descobertas surpreendentes.
Ainda quanto a autores portugueses a Planeta vai editar o novo romance histórico de Sérgio Luís de Carvalho, “O Destino do Capitão Blanc”, que relata a história tumultuosa e apaixonada de um militar português que presencia um massacre em França, no final da Primeira Guerra Mundial. Trata-se de uma obra baseada em factos reais que retrata a dura vida nas trincheiras, as batalhas, as revoltas e o quotidiano de homens em luta, bem como o sofrimento das mulheres e as esperanças perdidas de toda uma geração.
A nível de autores brasileiros, a Planeta aposta agora em Zuenir Ventura, de quem reedita o clássico “Inveja – Um Mal Secreto”. Ao investigar o mundo da inveja, Ventura deparou-se com histórias fascinantes de amor, medo e morte.
“Drácula, o Morto Vivo” é a sequela oficial de “Drácula”, de Bram Stoker, que a Planeta irá fazer chegar ainda este ano ao mercado português. “Drácula, o Morto Vivo” foi escrito a partir das notas descobertas acidentalmente pelo sobrinho do escritor, Dacre Stoker, e reconhecidas pelos seus documentaristas oficiais, e vai ser adaptado ao cinema. Esta nova obra retoma a história 25 anos depois e segue os passos de Quincey Harker, filho de Jonathan e Mina.
A nível de policiais, a editora aposta em Alan Bradley, autor que já venceu o prémio Crime Writer’s Association Debut Dagger. “A Talentosa Flávia de Luce” tem como personagem principal uma menina de onze anos. Esta original detective, com habilidade para fabricar venenos no seu laboratório caseiro e desvendar segredos de família, é, segundo a Planeta, um sucesso internacional que já inspirou um clube de fãs na Internet.

Literatura espanhola
De Espanha chega “Paraíso Inabitado”, o mais recente livro de Ana Maria Matute, consagrada com os prémios Nadal e Planeta nos anos 50. Após oito anos de ausência a escritora assina a sua obra mais autobiográfica, uma ode à infância e à fantasia, num mundo frio e em ruptura.
“O Mapa do Tempo” é assinado por Félix J. Palma, considerado um dos escritores mais surpreendentes da nova geração em Espanha. Proporciona aos leitores a possibilidade de viajar no tempo através de uma história de amor, mistério e suspense que cruza várias épocas, entre a Inglaterra vitoriana, a Londres sombria de Jack, o Estripador e o globalizado século XXI. Nesta aventura, o inventor das viagens no tempo, o escritor HG Wells, é uma das personagens.

Não-Ficção
Na não-ficção a Planeta edita “Do Meu Bairro da Lata a Hollywood”, a história de vida de Rubina Ali, a menina de 9 anos que nasceu num bairro pobre de Bombaim e se viu no centro do glamour de Hollywood, ao protagonizar Latika no filme “Quem Quer Ser Bilionário?” O livro é assinado pela jornalista francesa Anne Berthod. Outro lançamento é “Um Arco-Iris na Noite”, de Dominique Lapierre, que nos traz a história épica da construção de uma nação, a África do Sul, desde o século XVII, até aos nossos dias. Vai sair também “O Crash de 2010”, de Santiago Niño Becerra.
Na literatura juvenil, a Planeta publica o terceiro livro da série Crónicas Vampíricas, “Fúria”, de L. J. Smith, enquanto na literatura fantástica se destaca “A Cidade dos Ossos”, de Cassandra Clare, o primeiro volume da série Caçadores de Sombras, dirigida a um público urbano e adulto.

“Infecção”, de Scott Siegler, lançado pela Gailivro em Setembro

gai-infecA Gailivro lança em Setembro “Infecção”, de Scott Siegler, uma obra que mistura géneros como o terror, o thriller tecnológico e o suspense.
Na América uma misteriosa doença está a transformar pessoas normais em assassinos delirantes e paranóicos, que cometem atrocidades brutais em estranhos, em si próprios e até mesmo nos seus familiares.
Um operacional da CIA, Dew Phillips, cruza o país para tentar encontrar uma vítima viva. Entretanto, a epidemiologista do CDC, Margaret Montoya, corre contra o tempo para analisar as evidências científicas, descobrindo, através da análise de corpos em decomposição, que os assassinos têm algo em comum: foram contaminados por um parasita criado por bio-engenharia, cuja complexidade vai muito além dos limites da ciência. Por seu lado, Perry Dawsey, antiga estrela de futebol americano que agora trabalha num escritório, acorda uma manhã e descobre que tem várias tumefacções a crescerem-lhe no corpo. Em breve, dará consigo a agir e a pensar de forma estranha e a ouvir vozes… está infectado. O destino da Humanidade pode depender da guerra sangrenta que Perry terá de travar com o seu corpo.
Scott Sigler é o autor de narrativas para podcasts mais bem sucedido do mundo e “Infecção” é a sua primeira grande publicação impressa. As suas publicações áudio, destinadas apenas a podcasts, originaram mais de três milhões downloads.

Sveva Casati Modignani – Entrevista a propósito de “6 de Abril’96”

asa-sveva2A escritora italiana Sveva Casati Modignani é um fenómeno de vendas em Portugal e no Mundo. Em Julho de 2004, por ocasião do lançamento de “6 de Abril ‘96” (Edições ASA), a autora passou por Portugal, onde se disponibilizou, como sempre faz nestas ocasiões, para contactar com os seus leitores. Na sessão de autógrafos que deu na altura na Feira do Livro do Porto os admiradores esperaram horas por uma dedicatória sempre com direito a uma palavra especial e única para cada um. Nada de mecanismos, tudo natural, de quem gosta do que faz e dos que gostam do que faz. A própria Sveva (de verdadeiro nome Bice Cairati) pode ser considerada uma personagem, mas tão bem fabricada que se torna real como qualquer escritor. E depois escreve de forma simples, mas correcta, sobre o que preocupa as mulheres, desde o amor ao trabalho, pelo que há uma perfeita identificação entre autora e leitora.

 Alguma vez pensou que iria ter o sucesso que tem actualmente?
Claro que não. Quando faço um novo romance tenho a certeza que não vai vender. Agrada-me, mas encontro muitos erros, não de escrita, mas no enredo, nas situações e digo… este livro não vai vender. Mas, de livro para livro, os leitores aumentam.

Tem medo de um fracasso?
Sim. Mas o que me espanta é como os leitores se podem identificar tanto com a história que, no fundo, escrevo para mim. Escrevo uma história que me agrada e espanta-me que depois agrade aos outros. É sempre uma surpresa.

Então não consegue explicar seu próprio sucesso?
Só posso dizer que estou abençoada, não sei.

Não pensa no público quando escreve, só pensa em si?
Sim, porque desejo, dado que não gosto de mim, tentar inventar personagens que não sou eu e à volta das quais fantasio para mim. Assim, ao fim de tantos anos, não sei se estou a viver a minha vida ou a das mulheres que conto.

Então vive o sonho dos sonhos de muitas pessoas?
Gostaria que a vida de cada um nós fosse como o conteúdo dos livros, onde é possível intervir e corrigir, cancelar as coisas, mas como isto não se pode fazer inventei o jogo de contar histórias para o poder fazer.

Fiquei surpreendido com a recepção que teve na Feira do Livro do Porto. É sempre assim?
Sinto que à minha volta há leitores que me amam. Quantas vezes acontece haver um grande escritor que é dificilmente interpretável para quem lê? O leitor sente que não compreende. A minha escrita é plana que qualquer um, rapaz ou rapariga, a pode perceber, mesmo as pessoas com menos cultura.

“6 de Abril ‘96” é um livro essencialmente vocacionado para um público feminino?
De início, quando há 23 anos comecei a publicar, tinha principalmente leitoras, mas com o passar dos anos descobri que tinha muitos leitores masculinos.

Mas a sua intenção é escrever para mulheres ou homens?
Para mim.

Então é para mulheres?!
Sim… (hesitação), mas para mim.

Pretende fazer passar alguma mensagem nos seus livros?
Não. Eu, sim, estou à espera de mensagens e de quem mas dê. Cada livro é um confronto com o mundo feminino, o que sucede à minha volta, o que acontece à volta das mulheres. Agrada-me imaginar que no sentido dos homens as mulheres são muito difíceis de interpretar e os homens nem sempre as entendem. Gosto de pensar que há leitores curiosos que se deixam fascinar por estes mistérios do universo feminino.

No livro há uma bela história, mas com muito sofrimento pelo meio.
Sim, porque a vida das mulheres não é nada fácil. Desde o início da História sempre foram consideradas seres humanos de segunda classe. Na civilização grega, os gregos descobriram tudo, inventaram a democracia. Estas pessoas tão evoluídas intelectualmente inventaram uma divisão da casa para onde relegavam as mulheres, que não podiam de forma alguma intervir na vida social. Os homens serviam-se delas unicamente para preservar a espécie. Se queriam fazer amor, não precisavam das mulheres. Na civilização romana, quando numa família nascia uma menina, esta era posta aos pés do pai. Se o pai a recolhesse, era aceite, mas se a deixasse era rejeitada. Desde sempre foram ofendidas e humilhadas e carregaram sobre os ombros o peso da família e da sociedade. Sempre fizeram duplo trabalho, em casa e fora. Sinto que teria matéria suficiente para continuar a falar desta grande injustiça do mundo das mulheres. Hoje há uma guerra terrível que afecta todo o mundo. Não é estranho que todas estas decisões sejam tomadas exclusivamente por homens? Não será que o poder do mundo poderia ser partilhado entre homem e mulher? Há 2000 anos houve um milagre e nasceu na Terra uma pessoa chamado Jesus. Pela primeira vez na História do Mundo Jesus pregou uma religião feminista. Rodeou-se de mulheres e que melhor novidade poderia trazer do que a palavra perdão, que no mundo antigo era desconhecida? Ora o perdão é uma prerrogativa exclusiva das mulheres. Tanto assim que quem acolhe o verbo e a doutrina cristã foram principalmente as mulheres. E foram elas a converter o Homem ao cristianismo. Quando é que o cristianismo se tornou numa religião machista? Quando o Homem percebeu que disso podia fazer negócio. Em nome de Cristo, levando a cruz ao Mundo, começaram a fazer as coisas mais assustadoras. Começaram com as Cruzadas, onde massacraram muita gente. Entretanto, enquanto iam combater, deixavam as cidades, as aldeias e os campos nas mãos das mulheres e viveram-se momentos de grande serenidade e paz. Os homens, levando a cruz, destruíram a população americana, inventaram a Santa Inquisição.
Parece-me que chegou o momento em que as mulheres poderiam dar-se conta de quão belas e fortes são e encontrem a coragem de dizer estamos aqui e vamos dar uma ajuda. Pode ser que as coisas corram melhor.

Acha que essas mudanças podem acontecer num curto espaço de tempo?
Oh, não! Porque as primeiras a não ter confiança são as próprias mulheres. Não se apercebem das suas potencialidades.

Porque acontece dessa forma?
Houve sempre uma grande discriminação, as mulheres têm ainda um grande caminho a percorrer porque na verdade não têm os mesmos direitos do homem. Em Itália, num emprego uma mulher ganha sempre menos do que um homem. Nas multinacionais, quando há uma promoção entre uma mulher muito cotada e um homem, é sempre este o promovido.

Um livro como o seu é um pequeno empurrão para fomentar essas alterações?
Gostaria de acreditar nisso, mas não penso que seja assim. As coisas que eu conto são as que eu gosto de pensar e raciocinar. As mulheres que as lêem, entendem-nas com tanto coração, com tanto envolvimento, com tanta paixão, mas o homem, afinal, teme as nossas qualidades, as nossas inteligência e faz de tudo para nos manter na cozinha.

Tem milhões de leitores, o que é uma grande responsabilidade. Tem medo dessa responsabilidade?
Não, porque como já disse escrevo para mim.

Tem muito sucesso junto do público. Como funcionam as coisas junto da crítica literária?
Não conheço um crítico que possa falar mal das minhas histórias. Acho que têm muito respeito por este romance, no sentido em que do ponto de vista linguístico sou absolutamente correcta e do ponto de vista do enredo narrativo não há outro autor em Itália que arrisque a escrever uma história com um mosaico tão bem urdido. Esta Sveva é uma autora outsider, absolutamente exterior à actual corrente literária, pelo que me respeitam muito.

Mas ao mesmo tempo algumas pessoas podem invejar o seu sucesso?
Se a inveja existe eu não a vejo. Isso não é importante. O que é belo e surpreendente é encontrar leitores que me dizem: obrigado por ter escrito uma história que me faz companhia, que me faz pensar, que me faz descobrir o mundo. Isto é muito gratificante.

(Entrevista realizada em 2004)

asa-6abrilSinopse de “6 de abril’96”
«Numa manhã de Verão, na igreja milanesa de San Marco, uma jovem e belíssima mulher é brutalmente atacada. Quando desperta da delicada cirurgia a que foi entretanto submetida tem perante si a difícil tarefa de recuperar a sua própria identidade, já que a violência de que foi vítima lhe provocou a perda da memória. As recordações avivam-se pouco a pouco e é penosamente que ela recompõe a sua história e a da sua família. Mas é um processo doloroso, pois Irene Cordero – é este o seu nome – carrega consigo uma pesada herança. Já a mãe e a avó haviam pago caro as tentativas de seguir os ditames do seu coração, violando a moral, as convenções e a cultura de um mundo rural que as obrigava à submissão e à obediência; um doloroso estigma que tão-pouco poupa Irene que, com apenas dezoito anos, abandona o campo e parte em busca do seu próprio caminho. Porém, não obstante o sucesso profissional e o bem-estar económico, Irene não consegue encontrar o equilíbrio emocional. Será necessária uma crise profunda para que ela encontre forças para se renovar, para fazer as pazes com o passado e para aguardar o amanhã com serenidade e confiança.»

“O Jogo da Verdade”, de Sveva Casati Modignani, chega a 11 de Setembro

pe-svevaA Porto Editora lança a 11 de Setembro o novo romance da escritora italiana Sveva Casati Modignani, intitulado “O Jogo da Verdade”.
Autora de diversos bestsellers, grande parte deles publicados em Portugal, Sveva Casati Modignani conta desta vez a história de uma jovem livreira (Roberta) que atravessa uma crise existencial e conjugal. O seu marido, Oscar, com quem casou contra a opinião de toda a gente, revela-se incapaz de responder às suas necessidades e de assumir as responsabilidades de uma família.
Assim, Roberta, efectua uma dolorosa reflexão que a leva percorrer o passado e a descobrir as raízes do seu mal-estar, que remontam à infância, passada entre os afectos envolventes da família paterna – a mãe, Malvina, estava sempre ausente. Feminista convicta no período turbulento de 68, Malvina escolhera viver de acordo com os seus princípios e confia a filha ao companheiro. Desta situação vão surgir, ao longo do tempo, dramas, mal-entendidos, conflitos mal resolvidos e também duradouros segredos. Só quando afastar estes fantasmas é que Roberta vai conseguir superar a crise e reconciliar-se consigo mesma.