Monthly Archives: Agosto 2014

«Confissão», de Tolstoi, chega pela mão da Alêtheia

ale-confissaoConfissão, de Lev Tolstoi, acaba de ser editado na Alêtheia Editores, integrando a sua coleção de clássicos da literatura mundial, que também já integra Coração de Cão, de Mikhail Bulgakov, e Cartas de Inglaterra, de Eça de Queiroz.
O prefácio de Confissão é da autoria de José Milhazes.

Sobre o livro: «Confrontado com a crise existencial que o acompanhou durante grande parte da vida, Tolstoi, imortalizado Guerra e Paz e Ana Karenina, refugiou-se na escrita produzindo este testemunho premente sobre a sua infância, fé, filosofia e posição social. Em Confissão, uma súmula do pensamento de Tolstoi, o leitor pode conhecer os conflitos do homem e a arte do escritor.
Na minha busca por respostas às questões da vida senti o mesmo que um homem perdido numa floresta.
Lev Tolstoi, in Confissão»

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«O Marciano»/«Perdido em Marte» – Andy Weir

marcianoA ficção científica muitas vezes é menosprezada como género literário, mas que livros como este (O Marciano) sirvam para, aos poucos, ir desconstruindo essa ideia feita. Na verdade, O Marciano é, antes de tudo, um bom livro, ou melhor, um excelente livro, que «por acaso» é de ficção científica.
De início pode afigurar-se complexa a adaptação do leitor à obra – há muitos pormenores técnicos de difícil compreensão aos leigos, mas com o tempo habituamo-nos à companhia deles e percebemos que são parte fundamental da estrutura do livro, tal como qualquer personagem.
Toda a história roda em torno do astronauta Mark Watney, que no meio do caos gerado por uma inesperada tempestade em Marte é deixado para trás no planeta vermelho, com os seus colegas de missão a julgarem-no morto e a partirem na única nave presente no planeta, a Hermes.
Completamente sozinho no planeta, é graças ao apego ao pormenor e ao detalhe que consegue manter-se vivo, alimentado pela esperança de que um dia alguém o resgate; um dia, sim, porque uma missão a Marte demora meses a ser concluída, entre preparativos e a própria viagem. E a nave que o abandonou não pode simplesmente fazer inversão de marcha. Assim, para se manter vivo o máximo de tempo possível, Watney tem de preparar minuciosamente todos os passos dados, pois a mínima falha pode revelar-se fatal. Permanentemente na corda bamba, o abandonado vai assim passando os seus imensos dias de solidão entretido em idealizar e concretizar soluções para o seu complexo quotidiano marciano. Improvisando com o que tem à mão, vai encontrando soluções para o seu dia a dia, mas, dado que se encontra num ambiente «hostil», são inúmeros os contratempos com que se depara.
Entretanto, e como não se trata de um livro de um homem só, pontualmente acompanhamos o que se passa na Terra e na nave Hermes, onde todos conjugam esforços para planear uma missão impossível de resgate.
Andy Weir estruturou muito bem o enredo e, ao contrário do que possa parecer, a solidão forçada do protagonista e os detalhes técnicos não implicam um romance monótono e pouco dinâmico. Muito pelo contrário, Weir consegue imprimir uma dinâmica que pareceria improvável num livro com tais características. Também ajuda o facto de a personagem principal, Mark Watney, ter um sentido de humor fantástico.
O livro aborda com sagacidade o drama da solidão e é com interesse que acompanhamos os esforços do «marciano» para se manter ativo e consequentemente física e mentalmente são. O retrato psicológico de Watney e a respetiva evolução ao longo dos dias de solidão são-nos facultados pelas suas vivências e experiências diárias, sem necessitar de ser declaradamente descrito pelo autor, o que dá uma outra intensidade e vida à obra.
O facto de Ridley Scott, recorrendo ao ator Matt Damon para protagonista, ter realizado a adaptação cinematográfica desta obra (que estreia a 1 de outubro de 2015 com o título Perdido em Marte) pode valer-lhe uma renovada e reforçada atenção, que, note-se, é mais do que merecida. Mas o meu conselho é que não espere pelo filme para encetar a viagem a Marte, parta já com Andy Weir e depois regresse lá na companhia de Ridley Scott e Matt Damon.

Capa O MarcianoAutor: Andy Weir
Título Original: The Martian
Editora: Topseller
Tradução: Miguel Romeira
Ano de Edição: 2014
Páginas: 384

Sinopse: «Uma Missão a Marte. Um acidente aparatoso. A luta de um homem pela sobrevivência.
Há exatamente seis dias, o astronauta Mark Watney tornou-se uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Agora, ele tem a certeza de que vai ser a primeira pessoa a morrer ali.
Depois de uma tempestade de areia ter obrigado a sua tripulação a evacuar o planeta, e de esta o ter deixado para trás por julgá-lo morto, Mark encontra-se preso em Marte, completamente sozinho, sem perspetivas de conseguir comunicar com a Terra para dizer que está vivo.
E mesmo que o conseguisse fazer, os seus mantimentos esgotar-se-iam muito antes de uma equipa de salvamento o encontrar.
De qualquer modo, Mark não terá tempo para morrer de fome. A maquinaria danificada, o meio ambiente implacável e o simples “erro humano” irão, muito provavelmente, matá-lo primeiro.
Apoiando-se nas suas enormes capacidades técnicas, no domínio da engenharia e na determinada recusa em desistir — e num surpreendente sentido de humor a que vai buscar a força para sobreviver —, ele embarca numa missão obstinada para se manter vivo. Será que a sua mestria vai ser suficiente para superar todas as adversidades impossíveis que se erguem contra si?
Fundamentado com referências científicas atualizadas e impulsionado por uma trama engenhosa e brilhante que agarra o leitor desde a primeira à última página, O Marciano é um romance verdadeiramente notável, que se lê como uma história de sobrevivência da vida real.»

Depois de «Ferrugem Americana» Philipp Meyer apresenta-nos «O Filho»

O FilhoPhilipp Meyer, autor de Ferrugem Americana, regressa às livrarias portuguesas a 5 de setembro com O Filho, romance que foi finalista do Pulitzer. A obra será edita pela Bertrand.

Sobre o livro: «Um épico do Oeste americano e uma saga que atravessa várias gerações de uma família e mais de um século de história. Uma história de poder, sangue, terra e petróleo que acompanha a ascensão de uma inesquecível família texana, desde os ataques dos Comanches em inícios do século XIX até à explosão do petróleo no século XX.Apaixonante, abrangente e evocativo, O Filho é uma obra-prima inesquecível na grande tradição do cânone americano.»

Teorema aposta em «As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia», de António Tavares, finalista do Prémio Leya 2013

teo-As Palavras Que Me Deverão Guiar Um DiaAs Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia, obra de António Tavares que foi finalista do Prémio Leya em 2103, chega às livrarias a 2 de setembro numa edição Teorema. Segundo a editora do Grupo Leya,e sta obra trata-se de «um romance de formação tão enternecedor como Cinema Paraíso, só que com livros em vez de filmes».

Sinopse: «Olhar para trás, para os anos mais importantes das nossas vidas – aqueles que nos tornaram o que hoje somos – nem sempre se revela tarefa fácil; mas o narrador deste romance terno e deslumbrante tem, desde pequeno, um companheiro inseparável que, até certo ponto, facilita as coisas: um caderno de papel pardo com linhas, comprado, ainda nos anos 1960, em Moçâmedes, no qual foi registando – com palavras, desenhos, fios de cabelo, pétalas, sangue, sémen – os episódios que marcaram decisivamente a sua história.»

«Olhai os Lírios do Campo», de Erico Verissimo, regressa às livrarias com prefácio de Alice Vieira

ca-Olhai os lírios do campo_CA partir de hoje, 28 de agosto, há nas livrarias uma nova edição do clássico Olhai os Lírios do Campo, obra lançada em 1938 pelo escritor brasileiro Erico Verissimo. Trata-se de uma escolha de Alice Vieira para integrar a coleção Os Livros da Minha Vida, do Clube do Autor.
No prefácio, Alice Vieira destaca a «sempre presente valorização do pormenor, a importância dada às coisas aparentemente simples ou banais, o acordar da madrugada com os primeiros ruídos da casa, as tardes douradas pelo sol, o brilhar dos açudes no bosque de eucaliptos…»
Por seu turno, já em 1966 Erico Verissimo dizia sobre a sua obra: «Se a história deu prazer a tanta gente (a julgar pelas milhares de cartas que até hoje venho recebendo e por manifestações pessoais de viva voz da parte de incontáveis leitores), não vejo razão para impedir que continue a sua carreira.»

 Sobre o livro: «No livro, Eugênio Fontes recebe uma chamada do hospital que o alerta para o estado de saúde grave de Olívia. Na viagem até ao hospital evoca o seu passado: a infância infeliz e pobre, os traumas vividos na escola e em casa, o desejo de se tornar um homem rico…
É graças aos sacrifícios dos pais que acede a uma educação de excelência e entra na Faculdade de Medicina, onde conhece o amor da sua vida, Olívia.
Incapaz de assumir a relação com a colega de turma, Eugênio casa com a filha de um grande empresário, passa a viver de aparências, adultérios e eternas contradições. Mas será que o passado ficará para sempre lá atrás?»

Elite soviética dos anos 1940 retratada em «Uma Noite de Inverno», de Simon Sebag Montefiore

dq-Uma Noite de InvernoUma Noite de Inverno, do inglês Simon Sebag Montefiore, será lançado a 9 de setembro pela Dom Quixote. Trata-se de uma história protagonizado por algumas das mais marcantes figuras históricas do século XX, proporcionando uma viagem única aos meandros da vida privada da elite soviética na década de 1940.

Sinopse: «Moscovo, 1945. Enquanto Estaline celebra a vitória sobre Hitler, ouvem-se tiros ao longe. Numa ponte da cidade são encontrados os corpos sem vida de um casal de adolescentes. É uma tragédia de contornos invulgares. Rosa e Nikolai eram filhos de dois líderes do Kremlin, estudavam numa escola de elite, eram modelos de virtude.
Estamos perante um crime? Um pacto suicida? Ou uma conspiração?
A investigação, conduzida pelo próprio Estaline, estende-se ao círculo restrito das famílias mais poderosas do império. Várias crianças são feitas prisioneiras e obrigadas a testemunhar contra os pais e amigos. A pouco e pouco, são revelados os amores ilícitos e os segredos da alta sociedade de Moscovo, cruelmente exposta no seu esplendor e decadência.»

Teorema edita «Os Interessantes», de Meg Wolitzer

teo-Os InteressantesA Teorema, do grupo Leya, lança a 2 de setembro Os Interessantes, da norte-americana Meg Wolitzer, autora de A Mulher, já editado entre nós.

Sinopse: «Numa noite de verão de 1974, seis adolescentes encontram-se num campo de férias e planeiam uma amizade para toda a vida. Jules, Cathy, Jonah, Goodman, Ethan e Ash ensaiam a atitude cool que (esperam) os defina como adultos. Fumam erva, bebem vodka, partilham os seus sonhos. E, juram, serão sempre Os Interessantes.
Décadas mais tarde, a amizade mantém-se embora tudo o resto tenha mudado. Jules, que planeava ser atriz, resignou-se a ser terapeuta. Cathy abandonou a dança. Jonah pôs de lado a guitarra para se dedicar à engenharia mecânica. Goodman desapareceu. Apenas Ethan e Ash se mantiveram fiéis aos seus planos de adolescência. Ethan criou uma série de televisão de sucesso e Ash é uma encenadora aclamada. Não são apenas famosos e bem-sucedidos, têm também dinheiro e influência suficientes para concretizar todos os seus sonhos.
Mas qual é o futuro de uma amizade tão profundamente desigual? O que acontece quando uns atingem um extraordinário patamar de sucesso e riqueza, e outros são obrigados a conformar-se com a normalidade?»