Monthly Archives: Fevereiro 2010

“O Terceiro Reich”, de Roberto Bolaño, já nas livrarias

Está à venda desde 26 de Fevereiro mais um título do escritor chileno Roberto Bolaño, intitulado O Terceiro Reich, editado pela Quetzal, que em 2009 lançara o consagrado 2666. Já antes haviam sido editados em Portugal Os Detectives Selvagens e Estrela Distante, mas pela Teorema, e Nocturno Chileno, na Gótica.

Sobre o livro (retirado do blog da editora Quetzal): «Há uma espécie de detective literário, personagens peculiares e um sem-fim de referências literárias – que darão muito gozo ao leitor. A saber: Udo Berger, que sempre quis ser um grande escritor, mas que tem de se conformar em ser o campeão de “jogos de & estratégia guerra em Stuttgart”, decide ir ao Hotel del Mar, na Costa Brava catalã, com a sua nova namorada, Ingeborg (nome de uma das personagens de 2666). O objectivo é treinar-se para participar num novo jogo de estratégia, justamente Terceiro Reich, e preparar-se para ganhar um torneio internacional. Eles compartilham suas férias com um outro casal alemão, Charlie e Hanna, até que o primeiro destes desaparece misteriosamente depois de se cruzar com dois sinistros personagens que também levantam suspeitas nas autoridades locais: «O Lobo» e «O Cordeiro». Entretanto, Udo Berger é perseguido por um detective estranho e sombrio e, atormentado por essa perseguição sem sentido, acaba por entrar em delírio com a “paisagem surreal da Costa Brava”. Tudo isto acontece quando entra num jogo de vida ou morte com um personagem enigmático e de rosto desfigurado, El Quemado. Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.»

Presença abre portas à Sociedade Secreta dos Mestres do Engate, com “The Game”

A Editorial Presença lançou na segunda quinzena de Fevereiro The Game, de Neil Strauss, onde o leitor é convidado a penetrar na Sociedade Secreta dos Mestres do Engate, e o thriller psicológico O Rapaz Que Falava Com o Diabo, de Justin Evans,

The Game – Neil Strauss
Sinopse: «Neil era um homem cuja vida sob todos os pontos de vista, incluindo o amoroso e o sexual, não tinha qualquer relevância. Um dia descobriu na internet um site onde homens de todo o mundo partilhavam as suas dicas sobre os métodos para conquistar mulheres e, através dele, decide inscrever-se num workshop. De um momento para o outro, toda a sua perspectiva sobre as relações se viu transformada e agora é a sua vez de partilhar com os leitores as descobertas que fez na sua nova encarnação de macho alfa. Os segredos da arte da sedução poderão deixar alguns homens cépticos e algumas mulheres indignadas, mas não deixarão ninguém indiferente.»

O Rapaz Que Falava Com o Diabo – Justin Evans
Sinopse: «George Davis jamais pensou que no dia em que tivesse um filho fosse incapaz de lhe pegar ou sequer de se aproximar dele, como lhe veio a acontecer. Por isso decide consultar uma psiquiatra, onde a pouco a pouco vai revelando episódios traumáticos da sua infância, relacionados com a morte misteriosa do pai. George lembra-se de em criança ser visitado por uma estranha aparição, um rapaz que lhe conta factos muito perturbadores acerca do seu pai. Mas este rapaz existirá mesmo ou será tudo produto de uma imaginação transtornada? Um thriller psicológico com todos os ingredientes que o deixarão agarrado às páginas do princípio ao fim.»

Parentonomics – Joshua Gans
Sinopse: «Quando o autor desta obra foi pai pela primeira vez, sentiu, como qualquer outro pai estreante, um misto de alegria e ansiedade. Mas, sendo economista, cedo se começou a aperceber das analogias existentes entre os dois universos – o da economia e o da educação -, e decidiu aplicar os princípios e as estratégias básicas da economia à educação dos próprios filhos. Assim, ao longo da obra, somos convidados a pensar na actividade parental em termos de incentivos, recompensas, pensamento estratégico, direitos de propriedade, teoria dos jogos, castigos e ameaças, entre outros conceitos económicos, numa abordagem que é, simultaneamente, plena de humor e insight, e que reflecte sobre as questões quotidianas essenciais no processo educativo de uma criança. Esclarecedor e divertido, Parentonomics é um relato autobiográfico que nos traz o olhar de um economista sobre o papel do educador.»

História da União Europeia – Nuno Valério
Sinopse: «Esta é uma obra muito documentada e exaustiva, de grande actualidade, incontornável para compreender o espaço europeu e todos os aspectos da sua articulação e protagonismo mundial. O processo de integração europeia é analisado em grande profundidade desde longínquos antecedentes históricos até aos mais recentes, já no século XX, a partir do pós-guerra. As várias fases do processo de integração são aqui perspectivadas até à efectiva existência da União Europeia, com a entrada em vigor do Tratado de Maastricht. A terceira parte do livro ocupa-se da evolução mais recente e das perspectivas para o futuro da União Europeia no século XXI.»

Como Ganhar Uma Pipa de Massa na Sua Pequena Empresa – Jeffrey J. Fox
Sinopse: «Sonha abrir o seu próprio negócio? A sua própria empresa? Talvez até já se tenha estabelecido como empresário. Qualquer que seja o seu caso ou a posição que ocupa na escada que conduz ao sucesso, Jeffrey J. Fox é o homem que o pode ajudar a chegar ao topo, aconselhando-o sobre o modo mais eficaz de implementar, desenvolver, alcançar e manter o sucesso comercial no mundo dos negócios. Em capítulos breves, que abordam um vasto espectro de temáticas, o autor salienta o que é importante num negócio e o que não é, o que o faz florescer e o que lhe causa a ruína. São regras, estratégias e orientações de natureza económica, simples, lógicas e directas que nos ajudam a competir no mercado e a fazer uma pipa de massa na nossa pequena empresa.»

Cavalo de Ferro relança “O Tesouro” (Selma Lagerlöf) e Contos de Amor, Loucura e Morte (Horacio Quiroga)

A Cavalo de Ferro lançou em Fevereiro mais dois volumes da colecção Gente Independente, recuperando, para tal, as edições de O Tesouro, da sueca Selma Lagerlöf, e Contos de Amor, Loucura e Morte, do uruguaio Horacio Quiroga.

O Tesouro – Selma Lagerlöf
«Numa pequena cidade costeira, os habitantes perguntam-se o que se passa com a natureza: é quase Verão e o mar continua gelado. Três soldados, nobres escoceses, aguardam que o seu barco desencalhe para partirem com um misterioso baú. Um deles, um homem elegante e bem vestido, reconhece a jovem Elsalill, que trabalha na estalagem após ter escapado aos assassinos que mataram toda a sua família. Elsalill não se lembra deste homem e dentro dela nascem emoções fortes que colocam a sua vida em risco.» 

Contos de Amor, Loucura e Morte – Horacio Quiroga
«Quiroga é consensualmente considerado o fundador do conto sul-americano. Nestes pedaços de narrativa, ilustra de forma esmagadora a luta do homem contra o destino, as batalhas contra a natureza e a solidão incomensurável dos personagens, a presença totémica da morte, da doença, do lado negro da realidade; tudo nestas histórias segue um percurso de decadência que, contudo, estabelece uma espécie de catarse que exorciza a esperança.»

José Sócrates e presidente de Moçambique entregam Prémio Leya a João Paulo Borges Coelho a 4 de Março, em Maputo

O escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho recebe a 4 de Março, em Maputo, das mãos do presidente de Moçambique, Armando Guebuza, e do primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, o Prémio Leya 2009, conquistado com o seu livro O Olho de Hertzog. A cerimonia terá lugar às 19h00 na Embaixada de Portugal em Maputo. O livro chega às livrarias portuguesas a 5 de Março, com a chancela Leya, e na mesma altura às livrarias moçambicanas, com a chancela da editora Ndjira.

Sobre o livro: «O Olho de Hertzog é um romance policial que conta a aventura do oficial alemão Hans Marenholz, em 1919, no Moçambique do pós-Grande Guerra. História de heroísmo e de esperança, foi descrito pelo júri do Prémio Leya como um romance “de grande intensidade” e “que nos restitui o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânderes e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do Jornalista João Albasini”.

João Paulo Borges Coelho, nascido no Porto em 1955 mas desde criança a viver em Moçambique, é um dos mais destacados escritores moçambicanos, tendo sido já galardoado com o Prémio José Craveirinha com o seu romance As Visitas do Dr. Valdez.

Academia do livro “ensina” a “Trabalhar Pouco e Bem”

A Academia do Livro lançou Trabalhar Pouco e Bem, de Jurgen Wolff, especialista em gestão de tempo e criatividade, que defende que o segredo do sucesso está na concentração.

Sobre o livro: «Sentir frustração por se saber que não se está a atingir o máximo é frequente, assim como ter um objectivo específico mas não saber como lá chegar. Neste livro, Jurgen Wolff mostra como a concentração é a chave para alcançar objectivos e revela técnicas essenciais para aplicar num ambiente cada vez mais confuso, em que estamos a receber constantes estímulos.

O autor explica como aplicar algumas teorias no dia-a-dia, qual a armadilha que condena a maior parte dos objectivos ao fracasso e como evitá-la, assim como descobrir padrões de tempo que se ajustam a cada um.
Trabalhar Pouco e Bem ajuda a identificar o que é mais importante e como direccionar toda a energia, sem distracções, para as tarefas que o propulsionam para o sucesso. É por isso um guia indispensável para todos os que pretendem fazer mais com menos esforço.»

Quarto Arcano, de Florencia Bonelli, chega ao fim com “O Porto das Tormentas”, lançado pela Porto Editora

A Porto Editora lançou no final de Fevereiro o aguardado segundo e último volume de Quarto Arcano, intitulado O Porto das Tormentas, que assim sucede a O Anjo Negro, obras assinadas pela escritora Florencia Bonelli

Sobre o livro: «O Porto das Tormentas dá continuidade à história de Roger Blackraven e Melody Maguire (…) Depois de abandonar Buenos Aires, Blackraven chega às costas brasileiras com os seus primos Marie e Luís Carlos, filhos de Luís XVI e Maria Antonieta, cujas vidas estão em perigo. Aí irá encontrar velhos companheiros de aventuras: o padre jesuíta Malagrida e Adriano Távora, sempre disponíveis para o ajudar nas situações mais difíceis. O domínio de Napoleão sobre a Europa é cada vez mais apertado e obriga os ingleses a procurar na América do Sul novos mercados – comandada pelo general Beresford, a invasão inglesa está iminente…
Novos personagens e novos cenários acompanham as aventuras do Escorpião Negro desde a costa americana até à velha Europa. O Porto das Tormentas é um romance repleto de acção: conspirações, assassinatos e abordagens em alto mar fazem desta leitura uma experiência quase cinematográfica.»

Anthony de Sá – Entrevista a propósito de “Terra Nova”

Anthony de Sá, que viu recentemente editado em Portugal pela Dom Quixote o seu romance Terra Nova, é um descendente de imigrantes açorianos no Canadá. As suas raízes inspiraram-no a escrever uma estimulante obra de estreia e nesta entrevista ao Porta-Livros fala-nos, em simultâneo, de Terra Nova e da comunidade portuguesa no Canadá, dois temas naturalmente indissociáveis. Veja aqui a crítica ao livro.

Como lhe surgiu a ideia de escrever Terra Nova?
Terra Nova é o resultado de uma redescoberta. Depois de vários anos a renegar as minhas raízes culturais teve lugar uma série de eventos que me forçaram a reconsiderar os meus laços a uma cultura que amo profundamente. Foi assim que nasceu Terra Nova.

Terra Nova parece ser uma obra muito pessoal. Viveu muitas das situações lá contadas ou inspirou-se em conversas, relatos, entrevistas?
Terra Nova é ficção, mas um escritor deve escrever sobre o que conhece. Eu conhecia a comunidade onde cresci. Compreendo os apertados laços familiares que nos unem, tanto do lado da minha mãe como do meu pai. Muito do que eu escrevo é tomado emprestado de histórias que ouvi da minha família, especialmente da minha avó. Muitas das situações que aplico às personagens principais são inspiradas em outras pessoas que influenciaram a minha vida. Manuel, Georgina, Terezinha e António são a combinação de muitas pessoas que integraram partes da minha vida mas que se juntaram para formar novas personagens.

A religião e as tradições portuguesas estão muito presentes nesta obra, nomeadamente no que toca às “cenas” açorianas. Que tipo de pesquisas fez para retratar de forma tão fiel e certeira estas vertentes tão importantes da sociedade portuguesa?
A pesquisa é fundamental para “fazer as coisas direito”. Muitas das tradições que os açorianos trouxeram das ilhas para o Canadá sobreviveram e, até, desenvolveram-se. Festivais e tradições eram bastante ricos. A igreja em Toronto celebrava como se estivesse em casa; era um laço importante com o mundo que tinham deixado para trás. Através do diálogo como elementos da família e informações de arquivo relativas a eventos históricos, como a Frota Branca ou a oferenda dos pescadores à Terra Nova nos anos 50, tudo isso foi encontrado em museus em St. John’s, na Terra Nova. Mas uma grande parte da pesquisa resultou de caminhadas pelas ruas de Lomba da Maia num Verão, com indicações das personagens e dos tons culturais deste lugar de onde vieram os meus antepassados.

Escrever sobre emigração surgiu naturalmente ou tratou-se de algo premeditado?
Terra Nova arrancou com a escrita de The Shoeshine Boy. O interesse gerado por essa história conquistou um grande nível de atenção. Foi em conversas com o meu editor que descobrimos que a história da imigração portuguesa, relativamente nova no Canadá, ainda tinha de ser contada. É por aí que começo – com a ideia premeditada de que quero representar a travessia do Atlântico com uma personagem como Manuel. Ele torna-se representativo dos homens que desejam algo mais. O sonho de Manuel é construir um futuro para si num mundo que ele encara como insular e sufocante. Mas o processo é orgânico e a história evolui naturalmente, sem forçar as cenas.

Pretende que este livro seja uma espécie de homenagem aos imigrantes portugueses no Canadá?
É demasiado ambiciosa a ideia de sugerir que esta história representa todas os imigrantes portugueses no Canadá. Terra Nova é inegavelmente “português”, mas como um crítico no Canadá tão eloquentemente referiu “incapaz, tanto de se integrar como de se manter à parte, ele [Manuel] é qualquer imigrante, todo o imigrante, sempre à procura de um sonho que não pode ter, e nunca em casa.”
Tanta gente partiu de Portugal para o Canadá por diferentes razões. No entanto, há algumas semelhanças notórias: muitos deixaram a família parta trás, vieram para um local sobre o qual pouco sabiam e sabiam também que, assim que partissem, não havia regresso possível. A vida nunca mais seria a mesma. Acho que esta é a realização mais impressionante para muitos que chegaram ao Canadá com um sonho. Nunca se tornaram inteiramente canadianos e nunca poderiam regressar ao mesmo lugar, porque tudo tinha mudado. Infelizmente, era uma espécie de limbo, viver num mundo onde o lar poderá ter parecido uma ilusão.

Há interesse no Canadá por uma obra sobre a comunidade portuguesa aí radicada?
Terra Nova recolheu uma grande dose de atenções no Canadá, mas devo dizer que essa atenção pode ter sido estimulada pela tremenda resposta que o livro obteve na comunicação social generalista. Tanto quanto sei, a comunidade portuguesa respondeu maioritariamente de forma positiva. Nomeadamente, fui convidado para ser o orador principal em algumas conferências internacionais dedicadas a questões da identidade e da diáspora.

Qual é o papel da comunidade portuguesa no Canadá hoje em dia, e como são aceites e integrados os imigrantes portugueses e seus descendentes na sociedade canadiana?
O Canadá tem uma saudável e vibrante comunidade portuguesa. A parte sul de Ontário tem uma vasta população de 300 000 luso-canadianos. Dessa forma, há vários jornais, rádios e estações de televisão que abordam os assuntos da comunidade e a informam sobre o seu lugar no mundo.
Contudo, o grande teste social de assimilação, tanto quanto me é dado ver, foi relativamente mal sucedido. As gerações posteriores já funcionaram muito melhor, mas muitos dos primeiros imigrantes não se adaptaram por completo. Ainda tenho tias que não sabem inglês, mesmo vivendo neste país há 40 anos. É incrível como se desenrascaram, mas é também um testemunho do espírito humano e dos vários níveis de comunicação que nos permitem avançar.

Que tipo de reacções teve de portugueses, ou seus descendentes, residentes no Canadá?
Em geral, a reacção tem sido esmagadoramente positiva. As pessoas têm muito orgulho no facto de “um dos seus” ter sucesso em qualquer área que seja. Há sempre uma facção de pessoas na comunidade que tentará contrariar as palavras escritas em Terra Nova, considerando-as um estereotipo, algo de que gostariam de se distanciar. Eu compreendo isso, mas está na hora de abrirmos as portas e as janelas e de deixar as nossas casas respirarem.

E dos Açores, já recebeu alguma indicação de como terá sido recebido o livro?
Na véspera de Natal do último ano estive em casa do meu tio, onde toda a gente se junta. Estavam tremendamente orgulhosos porque o padre de Lomba da Maia se referiu à publicação do meu livro e ao quanto necessitávamos da “nossa” história. Foi algo muito belo de ouvir.
Também fui convidado para participar numa conferência, em Outubro passado, que teve lugar na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada. Mais uma vez, fui muito bem acolhido e houve um genuíno interesse na minha obra. Acabou por originar novos convites para falar no Brazil, em Santa Catarina, e na Casa dos Açores, em Toronto, assim como no consulado. Foi complicado tentar lidar com toda esta atenção porque tenho mulher e três filhos pequenos e sou um pedagogo a tempo inteiro que estava a escrever um novo livro. O meu prato está cheio. Visto assim, nem parece trabalho e ver a reacção das pessoas a Terra Nova é tocante e avassalador.

O que tem para oferecer a seguir aos seus leitores? Em que projectos literários está envolvido, além do já conhecido Carnival of Desire?
Estou actualmente a escrever o meu novo romance Carnival of Desire. O livro revisita a família Rebelo e segue-os de perto através do tempestuoso período na história da nossa cidade e da comunidade portuguesa em que ocorreu a brutal violação e assassínio de Emanuel Jaques, em 1977. O livro já foi vendido para o Canadá e Estados Unidos, mesmo estando ainda incompleto. Há uma grande dose de entusiasmo à volta do novo livro. Espero vê-lo também em Portugal.
Estou a fazer pesquisa para outros dois livros, mas são ainda ideias muito cruas. Devem resultar em algo mais.

Não teme ser rotulado de escritor da comunidade portuguesa, dado que tem optado por escrever apenas sobre os portugueses no Canadá?
Não sou um escritor português. Sou simplesmente um escritor, sem ligações a nenhum grupo em particular. As complexidades em múltiplas escalas das personagens e das histórias interessam-me enquanto escritor e os romances que desenvolvo podem levar-me para além do limitado âmbito de ser definido pela minha etnicidade.

O que conhece da literatura portuguesa e quais são as suas preferências e referências?
Infelizmente, não sou grande especialista no trabalho dos escritores portugueses, para lá dos grandes nomes – Lobo Antunes e José Saramago. Acrescento a esta lista o mais recente fascínio, pelo menos na América do Norte, com Fernando Pessoa. Recentemente, travei conhecimento com José Luis Peixoto e tive a oportunidade de ler Blank Gaze – é lindamente poético. Tanto quanto me é dado ver, o futuro da literatura portuguesa é bastante promissor.