Quid Novi lançou “Portugal e a Grande Guerra”

A Quid Novi lançou recentemente o álbum Portugal e a Grande Guerra, de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, que foca, numa perspectiva nacional, a Armada Portuguesa, a mobilização militar, o belicismo, o papel da imprensa, os balanços estatísticos e o pós-guerra.

 

Sobre o livro: «Num registo único da participação portuguesa na I Guerra Mundial, Portugal e a Grande Guerra é da autoria de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes. O livro conta ainda com o testemunho de especialistas em história militar: António José Telo, António Ventura, David Martelo, Ernesto Castro Leal, Hipólito de la Torre Gómez, João Vieira Borges, Luís Alves de Fraga, Marília Guerreiro e Nuno Santa Clara Gomes, os quais focam diferentes aspectos do nosso país neste conflito bélico: a Armada Portuguesa, a mobilização militar, o belicismo, o papel da imprensa, os balanços estatísticos, o pós-guerra. Outros temas são ainda abordados, além do enquadramento histórico-político nacional e mundial que se vivia na época.
Portugal e a Grande Guerra é um álbum detalhado, que dá a conhecer ao leitor os acontecimentos não só através de textos, mas de cronologias, tabelas, imagens e infografia.»

“Titus – O Herdeiro de Gormenghast”, de Mervyn Peake, sai em Maio

A Camões & Companhia, chancela da Saída de Emergência, edita em Maio Titus – O Herdeiro de Gormenghast, obra de Mervyn Peake originalmente publicada em 1946.

Sobre o livro: «o castelo de Gormenghast, uma vasta construção labiríntica e grotesca, nasce Titus, o filho herdeiro de Lorde Sepulchrave. O mundo de Gormenghast é predeterminado por rituais obscurecidos pela passagem do tempo e, ao longo dos corredores sombrios do castelo, a criança encontra algumas das estranhas personagens que irão moldar a sua vida: o taciturno e cadavérico Mr. Flay, o vulgar e obeso Swelter, mas, acima de todos, o ambicioso Steerpike que irá marcar a diferença na sociedade estagnada de Gormenghast com a sua mente maquiavélica e talento para manipulação.
Prepare-se para uma história de vingança, conspiração e violência, mas também lágrimas e risos, sonhos e desencanto contidos no surreal labirinto de pedra que encerra a vida de Titus.»

“Orgulho e Preconceito e Zombies” chega a 11 de Maio

Orgulho e Preconceito e Zombies, uma das maiores apostas da Gailivro para 2010, estará à venda a 11 de Maio. O livro, da autoria de Seth Grahame-Smith, revisita o clássico Orgulho e Preconceito de Jane Austen numa perspectiva completamente inovadora.

Sobre o livro: «“É uma verdade universalmente aceite que um zombie que consiga deitar a mão a um cérebro tem necessidade de mais cérebros.»
É assim que começa Orgulho e Preconceito e Zombies, uma versão alargada do bem amado romance de Jane Austen. Apresenta cenas completamente novas, com a violência capaz de esmagar ossos, ao ser introduzida a presença dos zombies. A destemida heroína Elizabeth Bennet está decidida a varrer a ameaça dos zombies, mas rapidamente se vê afastada desse objectivo com a chegada do altivo e arrogante Mr. Darcy.
Segue-se uma encantadora comédia de costume, com inúmeras lutas civilizadas entre os dois apaixonados e com lutas muito mais violentas, em campos de batalha ensopados de sangue.
Munido de relações amorosas, corações despedaçados, lutas com espadas, canibalismo e milhares de cadáveres putrefactos, Orgulho e Preconceito e Zombies transforma uma obra-prima da literatura mundial em algo que o leitor não vai querer perder.»

Veja aqui o booktrailer da obra.

Oficina do Livro lança “Santa Maria do Circo”, de David Toscana

A Oficina do Livro vai lançar Santa Maria do Circo, romance do mexicano David Toscana, autor de O Último Leitor e vencedor do Prémio Antonin Artaud e do Prémio Casa das Américas.

Sobre o livro: «Depois de uma grande discussão, os irmãos don Alejo e don Ernesto decidem desfazer a companhia de circo Mantecón Hermanos. Após a partilha do espólio da companhia, don Alejo fica apenas com a tenda, oito artistas e um marrano. Ainda assim, decidem continuar o caminho e fazer uma apresentação na aldeia mais próxima, sem saberem que o lugar está… desabitado. Surge, então, a ideia de ficar e de criar uma comunidade, sendo dessa maneira fundada a Cidade Metropolitana de Santa Maria do Circo.
Catarse do Homem ao analisar o essencial e o acessório do mundo em que vivemos, Santa Maria do Circo constitui uma brilhante sátira social que utiliza o circo e os seus elementos como metáfora.»

Daniela Oliveira escreveu “69 Contos Urbanos de Vícios Privados”

69 Contos Urbanos de Vícios Privados, editado pela Guerra & Paz, é livro de estreia da jornalista Daniela Oliveira – a obra será apresentado a 9 de Maio às 15h00, pelo actor Luís Aleluia e pelo sexólogo Gabriel Frada no Auditório da Feira do Livro de Lisboa. Daniela Oliveira já passou pela revista Maria e Maria, e foi directora da Mulher Erótica.

Sobre o livro: «As histórias contadas falam das vivências, femininas e masculinas, de uma sexualidade livre, sem tabus ou preconceitos. A autora partiu de casos reais para levar ao leitor um livro arrojado, com atitude positiva.
Com prefácio escrito pelo sexólogo Dr. Gabriel Frada, este é o livro ideal para ler no metro, na sala de espera de um consultório, num banco de jardim ou em qualquer outro sítio, desde que seja de forma descontraída. São 69 contos do dia-a-dia, confissões narradas abertamente em que o mote é, quase sempre, a sexualidade.»

“Depois da Luz”, de Susan Lewis, chega a 6 de Maio

A Porto Editora vai publicar a 6 de Maio um novo romance de Susan Lewis, intitulado Depois da Luz, que sucede a Desaparecido e Um Amor Inesperado.

Enredo: «Desde que o marido de Susannah Cates foi preso, a vida tem sido uma luta constante para ela e a filha adolescente. Entre azares e receios do passado que teimam em reaparecer, tudo o que ela deseja é que o mundo volte a girar no seu eixo.
Preocupada com a infelicidade da mãe, Neve, de treze anos, decide tomar uma atitude. Não há como saber o que o destino lhes reserva, mas, com a ajuda de Neve, o futuro parece risonho.
Contudo, a ameaça da tragédia volta a espreitar e nem nos seus piores pesadelos Susannah poderia imaginar que a sua felicidade pudesse causar tanto sofrimento a alguém que ama…»

João Ferreira conta “Histórias Rocambolescas” da História de Portugal

A Esfera dos Livros lança em Abril Histórias Rocambolescas, um livro do jornalista João Ferreira sobre o outro lado da História de Portugal, ou seja, onde são relatados episódios que não constam dos manuais. Ainda em Abril sai Cativa na Arábia, de Cristina Morató, onde é contada a vida da aventureira condessa d’Andurain

Histórias Rocambolescas – João Ferreira
«Milagres que nunca existiram, um filho que bate na mãe, um irmão que bate noutro irmão, execuções e assassinatos num país de brandos costumes, heróis que afinal não foram assim tão bonzinhos, reis loucos num país de loucuras, aliados piores que o pior dos inimigos, batalhas vitoriosas com uma mãozinha divina ou grandes desastres militares, traições e conspirações de vão de escada, um rei com gosto por freiras, outro impotente que não conseguia satisfazer a mulher, um governo que nem cinco minutos durou, um atentado onde tudo correu mal e o visado saiu ileso, um ditador temível que resistiu 40 anos no poder até cair de uma cadeira de lona…
Sabia por exemplo que nunca existiu uma escola náutica em Sagres, que frei Miguel Contreiras nunca existiu? Que D. Pedro, além de D. Inês, amou também o seu escudeiro? Que a morte dos Távora envolve sexo, mentiras e política? Sabia que Vasco da Gama, herói das Descobertas, era temido por ser um homem cruel? Que Palma Inácio foi o primeiro pirata do ar?»

Cativa na Arábia – Cristina Morató
«A vida da condessa Marga d’Andurain é um autêntico livro de aventuras. Drama, aventura, intriga, acção, exotismo são alguns dos ingredientes de Cativa na Arábia.
Nascida no seio de uma família da burguesia basca francesa, foi uma mulher à frente do seu tempo. Rebelde, transgressora e apaixonada, viajou da sua Baiona natal até cidades lendárias como o Cairo, Beirute, Damasco ou Tânger, onde protagonizou façanhas incríveis que lhe valeram títulos como “A Mata Hari do deserto”, “A condessa dos vinte crimes” ou “A amante de Lawrence da Arábia”.
Marga d’Andurain espiou para os britânicos, dirigiu juntamente com o marido um hotel no deserto sírio e propôs-se ser a primeira ocidental a entrar em Meca. Para isso, já divorciada, casou-se com um beduíno e converteu-se ao Islão. A sua viagem ao coração da Arábia foi um autêntico pesadelo, ao ser fechada num harém e mais tarde encarcerada na terrível prisão de Yidda. Ao abandonar o Próximo Oriente, dedicou-se ao tráfico de ópio em Paris, ocupada pelos nazis, acabando por ser assassinada em Tânger.
Mas quem era na realidade esta mulher? Uma perigosa espia, uma assassina ou apenas uma audaciosa viajante? Cristina Morató conseguiu responder a estas perguntas ao localizar o seu filho mais novo, Jacques d’Andurain, herói da Resistência francesa e testemunha directa das aventuras da sua mãe. Graças à sua colaboração, a autora pôde reconstruir a vida de uma mulher marcada pelo escândalo e esquecida pela História, que encontrou na aventura a sua razão de existir.»

História dos Papas – Juan María Laboa Gallego
«Uma narrativa de grandeza, de religiosidade e de pecado. Em História dos Papas, Juan María Laboa Gallego, especialista em História da Igreja, traça o retrato de 265 papas que ocuparam a cadeira de São Pedro, discípulos directos que herdaram os poderes de Jesus Cristo e mantêm, há vinte séculos, a autoridade sobre a Igreja Católica.
Pela cidade de Roma passaram homens santos como Leão I, o Magno, que enfrentou Átila, e reformadores como Gregório VII, grande defensor da Igreja face ao poder laico, guerreiros como Urbano II, que convocou a primeira cruzada, mecenas de arte como Júlio II, a quem se deve a decoração da Capela Sistina. Mas também se sentaram na cadeira do poder papas considerados hereges como João XXII, Alexandre VI, que favorecia de forma escandalosa a sua família, Pio VII, prisioneiro de Napoleão, ou João Paulo I, que apareceu morto na sua cama depois de trinta e três dias de pontificado. Uma crónica completa que conta a história de João XXI, o único papa português que morreu esmagado por um tecto, para uns castigo divino pela sua falta de apreço pelos religiosos dominicanos. E ainda, a história dos dois últimos papas: o carismático e universal João Paulo II, um dos artesãos da queda do comunismo, e o seu sucessor, Bento XVI.»

Guerra é Guerra – Miguel Costa Barreto
«…este não é um livro de instrução, ou de doutrina militar, nem um relatório final de missão. Este relato biográfico conta-nos a experiência pessoal de um homem, mostra-nos a dureza da separação da família, a camaradagem entre irmãos de armas, a preocupação de um oficial com os homens sob o seu comando, a austeridade das condições num teatro de guerra, a história das terras e das populações encontradas.» Paulo Portas, in Prefácio
«Na verdade, só quem em campanha sentiu ter nas suas decisões o domínio da vida dos seus homens, sabe o que isso significa…». O major Miguel Costa Barreto, segundo comandante do contingente português no Iraque, teve nas suas mãos a vida dos 128 militares do sub-agrupamento Alfa da GNR destacado em 2003 para um dos mais violentos cenários de guerra da actualidade.
Quando viu os escombros do quartel-general das forças italianas em Nassíria, alvo de um ataque terrorista que vitimou 17 militares italianos de entre 28 mortos e 109 feridos, deparou-se com um cenário de horror e de total destruição. Um prenúncio do que seriam os seus quatro meses no Iraque.
Numa obra original, escrita na primeira pessoa, o major Miguel Costa Barreto relata o seu dia-a-dia naquele teatro de guerra. Descreve-nos as condições em que viviam, os momentos de tensão quando saiam em patrulha, o receio perante um presumível carro-bomba, a ansiedade sentida segundos antes de se dar a ordem para disparar, as saudades sentidas. Episódios caricatos, como o do médico português que dormiu com o colete à prova de bala vestido, ou uma refeição no Burger King montado em pleno deserto pelos norte-americanos. Momentos dramáticos como o de um militar que recebeu a notícia de ter sido traído a milhares de quilómetros pela mulher ou os vividos aquando do ataque a jornalistas portugueses, no qual a repórter Maria João Ruela foi baleada.
Guerra é Guerra. 24 sobre 24 horas Miguel Costa Barreto esteve alerta para lidar com todas estas situações. Coragem, perseverança, espírito de camaradagem, união, foram alguns dos ingredientes que tornaram a missão portuguesa no Iraque um sucesso.

Dormir Tranquilo – Mário Cordeiro
«O seu filho não quer dormir sozinho? O seu bebé só adormece ao colo e mal o deita ele acorda e exige mais colo? Não consegue tirar os seus filhos da sua cama? Não percebe porque é que ele chora horas a fio? A sua filha acorda de madrugada e volta a adormecer? O seu filho tem sonhos maus, acorda a chorar e a chamar por si?
Estes são alguns dos problemas com que se confrontam os pais, cansados de noites e noites mal dormidas. Mário Cordeiro, o pediatra mais lido em Portugal, traz-nos um livro indispensável com conselhos e dicas práticas que pretendem ajudar os pais a resolver os problemas de sono dos seus filhos.
– O seu bebé precisa de se sentir seguro para dormir.
– Estabeleça rotinas para que a hora de dormir seja mais calma e tenha uma maior probabilidade de sucesso.
– Se a criança chorar, deve ir ter com ela com o mínimo de rebuliço, de luz e de estímulos tácteis.
– Se a criança quiser colo, experimente sentar-se ao lado da cama dela e numa voz baixa e monocórdica repita frases como «bebé ó-ó».
– Crie um ambiente seguro e tranquilo para a criança se sentir bem no seu quarto.
Não há soluções mágicas, nem normas rígidas, até porque os bebés não são todos iguais e os pais não devem cair em desespero ou em alarmismos. Mas se não é possível obrigar um bebé a dormir, muito se pode fazer para o ajudar a dormir tranquilo… ele e os pais!»

“O Legado de Mandela” nas livrarias

A Planeta lançou a 26 de Abril O Legado de Mandela – Quinze lições de vida, amor e coragem, uma obra da autoria de Richard Stengel, editor da revista Time, que resulta das longas conversas que manteve com Nelson Mandela.

Sobre o livro: «Durante 3 anos, Richard Stengel acompanhou Mandela para todo o lado, assistiu a várias conferências do líder mundial, viajou com ele, comeu ao seu lado, ouviu-o pensar em voz alta, ajudou-o na sua biografia. Como resultado das longas conversas do autor com esta enigmática figura, da profunda amizade e conhecimento mútuo, eis o livro O Legado de Mandela.
Na obra, que reúne quinze lições de vida, amor e coragem, Stengel revela os princípios que nortearam a vida do maior líder africano de todos os tempos e que, de resto, lhe deram a notabilidade e reconhecimento mundial e relata vários momentos (em sociedade e em família) da vida de Mandela.
Profundamente inspirador, o livro capta a essência deste homem extraordinário, estimula o leitor a olhar para o seu interior, a repensar as coisas que são tomadas como certas e, claro, a contemplar o seu próprio legado.»

Rosa Aneiros – Entrevista a propósito de “Resistência”

Rosa Aneiros, uma jornalista e escritora galega nascida em 1976, ficou apaixonada pela história dos resistentes portugueses ao regime ditatorial que vigorou até ao 25 de Abril de 1974. Tudo aconteceu durante uma visita ao Museu de Peniche. Logo aí decidiu que o seu primeiro romance (Resistência – Publicações Dom Quixote) seria sobre estas pessoas que lutaram contra o regime e conseguiu escrever um livro de fazer inveja (no bom sentido) a autores portugueses que nunca arriscaram a escrever sobre um tema tão próximo de nós. A ajuda de Álvaro Cunhal acabou por ser preciosa.

 Cmo é que uma escritora galega, tão jovem, escolhe um tema como a resistência portuguesa à ditadura como pano de fundo para romance de estreia?
Não fui eu que escolhi a ideia, ela é que me escolheu a mim. Não houve uma intenção prévia. Numa viagem de férias entrei no Museu de Peniche sem saber o que era, mas fiquei impressionada. Descobri que um acontecimento histórico tão recente (25 de Abril de 74) tinha uma exposição com nomes e apelidos das pessoas que nele participaram. Algumas dessas pessoas podem ainda estar vivas. Em Espanha ainda não conseguimos que se formasse a associação pela recuperação da memória histórica para recuperar coisas, por exemplo, da Guerra Civil. Em Portugal recupera-se essa memória, não existe essa negação do passado. Estava de férias e comecei a escrever o romance logo nessa altura. Percebi de repente: “Aqui há uma história que quer ser contada”. Entretanto, tive de regressar a Portugal para construir as personagens e tive de conhecer a História do país para que tivesse um mínimo de credibilidade.
Foi também um trabalho muito jornalístico e aprendi muito de um país que está tão próximo, mas às vezes tão longe da Galiza. A nível de conhecimento ainda há muito que temos de conhecer uns dos outros.

O pormenor com que está escrito Resistência leva a crer que é uma obra feita por um português…
Curiosamente, o Manuel Jorge Marmelo (foi o primeiro autor português a quem enviei o romance) disse-me que este era um tema que nunca seria escrito por um novo autor português. E perguntei porquê? “Porque é demasiado recente, muito chegado a nós”. Isso deu-me mais ânimo, porque era uma história que tinha o atractivo do distante, de algo que nunca vivi. Sobretudo nos espaços sabia que ia ser muito atractiva para o público galego.
Uma dos “problemas”da literatura galega é que é muito egocêntrica, é tudo ambientado muito na Galiza. Os galegos têm muito interesse por Portugal.

Como é que os portugueses poderão aceitar um livro escrito por uma galega sobre um tema que tanto diz respeito a Portugal?
Tenho um bocado de medo. Uma coisa são os dados históricos, onde podes deixar passar algum erro, mas o mais difícil é recolher o ambiente, captar o que se viveu, até porque muita gente está viva. Dependerá muito, também, de cada leitor.

Como decorreu o processo de investigação?
Recorri essencialmente a documentação escrita, à Internet, ao Centro de Documentação do 25 de Abril e Álvaro Cunhal enviou-me os seus livros e aí consegui absorver a sensação do medo, de estar sempre a ser observado.
Os livros de Manuel Tiago (pseudónimo de Álvaro Cunhal) são muito frios, estão muito próximos da realidade e o facto de lê-los serviu-me para me ambientar.

Ao escrever este livro já havia a intenção de publicá-lo em Portugal?
Nem sequer tinha a intenção de publicá-lo. Era uma história que me deixava muito insegura. Era o meu primeiro romance e não tinha a noção do que valia.
Enviei o livro a alguns amigos e eles gostaram muito. Acabou por ser rápida a publicação.

Agora já acha que é um bom livro?
O tempo leva as coisas ao sítio. Ainda o vejo com demasiada proximidade. Há partes que mudaria, mas apenas na maneira de contar a história.

Deve ser um bocado assustador lançar uma primeira obra?
Passou-se com Resistência o que os meus editores chamam o efeito-Resistência. Eu era praticamente uma desconhecida e este romance fez-me ganhar mais público. Esgotou a primeira edição na Galiza. Antes, quando escrevia, era algo muito mais individual, agora as pessoas falam comigo sobre a minha obra. Nota-se mais a presença do público.
É uma fase mais bonita, porque te mostra a verdadeira literatura. Não o tempo que passas a escrever, mas o momento em que partilhas as histórias e as personagens.

Agora vai começar a receber a reacção de portugueses…
Isso assusta-me bastante. É complicado contarem-nos uma história sobre nós, mas contada de fora é mais asséptica e mais livre de pressões. Não gostava que ninguém se sentisse ofendido, porque não era a minha intenção.

Já está trabalhar noutro romance?
Sim… Mas na Galiza digo sempre que não (risos). Sou uma escritora que acredita muito pouco em mim. As histórias atrapalham-me muito e sou pouco objectiva com elas e nunca sei se as vou acabar. Já tenho umas páginas manuscritas, mas digo sempre não. Estou a escrever a história de uma mulher, de 34 anos, que está passar uma fase difícil da sua vida em que todas as coisas em que acreditava de repente se desmoronam. Passa-se durante a época da maré negra do “Prestige” na Galiza. Vivemos essa fase muito como um conjunto, colectivamente. Temos de deixar passar algum tempo para perceber como nos afectou individualmente, como interiorizamos. Esta é uma história nada colectiva, é muito intimista. Afundou-se o barco no momento em que ela se afundou e uniram-se as duas coisas.

Deve ser difícil fazer uma segunda obra, depois de uma primeira tão bem sucedida?
O problema que tenho é que histórias como Resistência surgem uma vez na vida. É difícil que todas as histórias te consigam agarrar da mesma maneira. É uma história fascinante, de um povo que um dia se revolta e derruba uma ditadura. Em Espanha deixou-se o ditador morrer na cama

(Entrevista realizada em 2004)

O LIVRO

Resistência, livro escrito pela galega Rosa Aneiros e editado pela Dom Quixote, mais parece obra de um romancista português, tal o detalhe, a emoção, a paixão e o conhecimento que emprega ao descrever histórias que tanto nos dizem respeito. De São Pedro de Moel a Lisboa leva-nos a seguir os passos daqueles que, principalmente na década de 60, lutaram pela liberdade. Rosa Aneiros mistura estas causas políticas com dramas pessoais, daí resultando um livro bastante atraente, humano e equilibrado. Nem é um panfleto político, nem um simples drama humano, e nota-se ainda uma constante presença da esperança, como que prenunciando a revolução que aí vinha.
Mas Resistência traz tudo ao leitor: a guerra colonial, as dúvidas instaladas em quem lá estava, os abusos de poder, assim como o desejo de mudança e as diversas formas de luta.
Dinis e Filipa, protagonistas de um amor incompreendido, representam o motor que faz/fez funcionar a Resistência.

Caminho lança “O 5 de Outubro e a Primeira República”

A Editorial Caminho lançou O 5 de Outubro e a Primeira República, de António Reis, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada – a sessão de lançamento vai ser a 27 de Abril (18h30) no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, com a presença dos autores.

Sobre o livro: «O 5 de Outubro e a Primeira República é uma obra de divulgação sobre um período crucial da História de Portugal – a instauração da República e o regime republicano até 1926. Aliando rigor científico e clareza de exposição, os autores colocam à disposição do público uma síntese, que é também uma chave para entender este agitado e complexo período da nossa História.
O presente volume faz parte de uma colecção de divulgação da História de Portugal que Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada têm vindo a publicar, em colaboração com prestigiados historiadores.»