Monthly Archives: Janeiro 2010

Bizâncio lança “A Reciclagem de Jimmy” e mais um volume de Gossip Girl

A Bizâncio lançou em Janeiro o romance A Reciclagem de Jimmy, de Andy Tilley, assim como uma obra sobre Dvořák e mais um volume (o sexto) da série Gossip Girl.

A Reciclagem de Jimmy – Andy Tilley
Sobre o livro: «Depois de uma frustrada (e hilariante) tentativa de suicídio, depois da estada no hospital para recuperação, a vida de Jimmy toma um rumo inesperado. Com o seu novo amigo, o divertido Kevin, decide montar um negócio para apoio aos que desejam suicidar-se mas que, como ele, não conseguem ter êxito à primeira. Depois de várias peripécias infrutíferas, Jimmy decide colocar o seu conhecimento sobre o sofrimento humano ao serviço das almas desesperadas, ajudando, em lugar de explorar, os que querem acabar com as suas vidas. Uma perspectiva delirante dos aspectos mais sombrios da alma humana, com um notável humor, constituindo um imenso tributo à vida.»

Dvořák – Vida e Obra – Neil Wenborn
Sobre o livro: «Dvořák é um dos gigantes da música do século XIX. A sua sinfonia “Novo Mundo” é uma das obras mais apreciadas do repertório clássico, e a sua produção rica e variada continua a ser essencial nos concertos que se realizam em todo o mundo. Catapultado para a fama pelo tremendo êxito das suas Danças Eslavas, Dvořák era, no fim da vida, um dos mais célebres compositores do mundo. No entanto, orgulhava-se de ser apenas um «simples músico checo», tão inspirado pelas tradições populares da sua terra natal como pelas obras-primas de Mozart, de Beethoven e de Wagner. Este livro traça o percurso de uma extraordinária carreira criativa que incluiu a música tocada por aldeãos na Boémia rural, as grandiosas recepções da Inglaterra vitoriana e o dinamismo da Nova Iorque fin-de-siécle 

 Justiça e Recordação – Introdução à espiritualidade do Imam ‘AliReza Shah-Kazemi
Sobre o livro.  ‘Alī b. Abī Ṭālib, genro e primo do Profeta, primeiro Imam Shi‘i e quarto califa da emergente comunidade Islâmica, é, indiscutivelmente, depois do próprio Profeta, a autoridade espiritual e intelectual mais importante do Islão. Esta obra introduz-nos nalguns dos mais relevantes princípios morais e intelectuais pelos quais ‘Alī é amplamente reconhecido no Islão. O livro é composto por três partes: a primeira apresenta a personalidade de ‘Alī, a sua espiritualidade em geral; a segunda avalia «a concepção sagrada de justiça» de ‘Alī; a terceira aborda o tema da realização espiritual através da evocação de Deus, dhikru’llāh, a prática mística essencial dos Sufis. Este livro é não só uma importante introdução ao pensamento de uma das figuras fulcrais da fé Islâmica mas também uma elucidação valiosa e intemporal sobre a espiritualidade que subjaz ao discurso e à prática ética no Islão.

Gossip Girl 6 – Só te quero a ti! – Cecily von Ziegesar
«“Bem-vindos a Nova Iorque, à Upper East Side, onde eu e os meus amigos vivemos em lindos apartamentos, frequentamos colégios privados de excepção e fazemos de Manhattan o nosso «recreio» muito exclusivo. Pode parecer difícil sermos assim tão fabulosos, mas para nós é tão fácil como dormir com o namorado da nossa melhor amiga. Entrem no mundo da Gossip Girl — um mundo de ciumeira, traição e sandálias Christian Louboutin de 600 Euros! As cartas de admissão à universidade estão a chegar. Os que se saíram bem vão fingir-se surpreendidos e cheios de modéstia; os que falharam miseravelmente a admissão vão dar pouca importância ao facto, embora secretamente se sintam desmoralizados. Hum, cheira-me que vem aí briga… Mas, depois de tudo resolvido, é preciso voltar ao que interessa: as nossas vidas amorosas! Estou desejosa de que esta fase passe para nos começarmos a divertir à grande! Boa sorte para todos!»”

Gailivro inicia a 23 de Fevereiro Série Cassandra Palmer com “O Despertar das Trevas”

A Gailivro vai lançar a 23 de Fevereiro O Despertar das Trevas, romance assinado pela norte-americana Karen Chance, mais uma obra destinada ao público jovem-adulto, desta feita abordando temas paranormais. Inicia, assim, a Série Cassandra Palmer.

Sinopse: «Cassandra Palmer consegue ver o futuro e comunicar com espíritos – dons que a tornam atraente para os mortos e os mortos-vivos. Os fantasmas dos mortos não costumam ser perigosos; apenas gostam de conversar… e muito. Os mortos-vivos já são outra conversa.
Tal como qualquer rapariga sensata, Cassie tenta evitar os vampiros. Mas, quando o mafioso sugador de sangue a quem fugira há três anos a reencontra com intuitos de vingança, Cassie é obrigada a recorrer ao Senado dos vampiros em busca de protecção.
Os senadores dos mortos-vivos não irão ajudá-la sem contrapartidas. Cassie terá de colaborar com um dos seus membros mais poderosos, um vampiro mestre perigosamente sedutor. E o preço que ele exige poderá ser superior ao que Cassie está disposta a pagar…»

Pode ler aqui os primeiros capítulos.

Porto Editora lança versão ilustrada de “História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar”

A Porto Editora lança a 4 de Fevereiro uma edição ilustrada do livro História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, do chileno Luis Sepúlveda, obra incluída no Plano Nacional de Leitura. Para comemorar o lançamento desta edição especial, a Porto Editora, a 6 de Fevereiro, às 16h00, terá na FNAC do CC Vasco da Gama, em Lisboa, um espectáculo de marionetas alusivo à obra, da autoria da Companhia Teatro e Marionetas de Mandrágora.

Sobre o livro: «História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar conta a história de Zorbas, um gato grande, preto e gordo. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr.
Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que nesse momento dramático lhe é obrigado a fazer: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota…»

“Nova” Sextante mantém aposta em DeLillo e John Cheever

A Sextante, agora integrada no grupo Porto Editora, apresentou o seu plano para os primeiros meses de 2010, sendo de destacar a presença de contos de John Cheever e de romances do norte-americano Don DeLillo e do argentino Guillermo Martínez. De lembrar, por curiosidade, que a Sextante inicialmente se chamava Sudoeste, designação que foi obrigado a mudar pois exista uma colecção com o mesmo nome na… Porto Editora.

Contos completos II – John Cheever
«Estes contos parecem por vezes a história de um mundo há muito desaparecido, quando a cidade de Nova Iorque era ainda inundada pela luz do rio, quando se ouvia Benny Goodman no rádio da papelaria da esquina e quando quase toda a gente usava chapéu.» John Cheever, no prefácio.
«Narrativas fascinantes de ler, sobre uma determinada espécie de pessoas num determinado espaço e tempo – no nosso espaço e tempo – as histórias de John Cheever são, simplesmente, as melhores de todas.» The Washington Post

Submundo – Don DeLillo
«Crónica de vidas ordinárias inseridas na grande História, Submundo cobre o último meio século da história americana. No imenso palco do romance, cruzam-se figuras que marcaram a época – J. Edgar Hoover, Frank Sinatra, entre outras. De Lillo faz surgir uma obra de arte deslumbrante do outro lado, obscuro e escondido, da humanidade contemporânea.»

Acerca de Roderer – Guillermo Martínez
«Acerca de Roderer narra o confronto vital e intelectual entre dois jovens de inteligência privilegiada. O primeiro usa esta inteligência de forma prática para se adaptar ao mundo, o segundo na busca de um conhecimento absoluto que lhe permita compreender o mundo, deslizando perigosamente até aos limites da loucura e do suicídio.
Esta incursão narrativa brilhante nos meandros da rivalidade e da inteligência oferece-nos um romance inquietante, de suspense e ambiguidade.
A estas virtudes pouco comuns, Martínez acrescenta um talento narrativo especial, tanto no emprego da língua (sempre sóbrio e bem trabalhado), como no uso dos silêncios e detalhes descritivos. Acerca de Roderer é um romance excelente em que Martínez soube conjugar com brilho os seus vários interesses intelectuais, artísticos e literários.»

Bute daí, Zé – Filomena Marona Beja
«Lisboa, nas últimas décadas do século. Clama-se pelo direito à opinião. À Liberdade. 25 de Abril: solta-se a Utopia. Todos na rua, a cantar. Fim de Festa. Sobe a violência social. Cruza-se com racismo. Com agressão política. “Vais ficar assim, caído ao fundo de um beco?” “Bute daí, Zé!”»

Cinco de Outubro – Lourenço Pereira Coutinho
«Junho de 1910: D. Manuel II enfrentava nova crise governamental, após a queda do ministério Veiga Beirão. Entretanto, revolucionários e carbonários organizavam reuniões desencontradas, para o derrube da monarquia. Cinco de Outubro acompanha os percursos dos principais protagonistas da época – D. Manuel II, Teixeira de Sousa, Paiva Couceiro, Afonso Costa, Machado Santos –, que se cruzam com personagens ficcionados, numa narrativa de intensidade crescente que culmina nos dias da revolução republicana: 3, 4 e 5 de Outubro.»

João na terra do jaze – José Duarte
«Segundo volume da colecção José Duarte: uma colectânea de textos e artigos do autor, publicados em várias revistas e jornais ou proferidos na rádio, entre 1958 e 1979. Prefácio de José Mário Branco. A Sextante Editora publicou em Junho de 2009 o primeiro volume da colecção, História do Jazz, livro a cores, profusamente ilustrado.

Representação Política em Portugal – O Caso Português em Perspectiva Comparada – André Freire e José Manuel Leite Viegas (coord.)
«O livro estuda, de uma forma pioneira em Portugal, a representação política entendida como a congruência entre as preferências políticas (sobre políticas públicas, ideologia, reforma institucional, integração europeia, deliberação democrática, etc.) dos eleitores e dos 4 deputados. Para tanto, recorre-se sobretudo a dois inquéritos realizados em 2008: um aos deputados, outro aos cidadãos.»

Representação Política em Portugal – Inquéritos e Bases de Dados – André Freire, José Manuel Leite Viegas e Filipa Seiceira (coord.)
«Este livro torna acessível à sociedade portuguesa a matéria-prima (inquéritos e bases de dados) de um significativo manancial de estudos sobre a representação política em Portugal, que assim fica disponível para quem quiser desenvolver pesquisas ulteriores sobre este tema.»

Guillermo Martínez – Entrevista a propósito de “Crimes Imperceptíveis”

O escritor argentino Guillermo Martínez esteve em Portugal em 2004 para apresentar o seu título Crimes Imperceptíveis, edição da Ambar. Com Oxford por cenário, trata-se de um policial clássico, com a particularidade de ser vivido no mundo da matemática. Martínez descreveu assim a sua obra: “Crimes Imperceptíveis é um policial com enredo quase clássico, onde um dos detectives é um lógico matemático que tem de estabelecer a ligação entre uma série de crimes e uma série de símbolos lógicos que aparecem em cada crime”.

Crimes Imperceptíveis, apesar de ter um autor argentino, exibe as características de uma obra britânica. Concorda?
Apesar do enredo do romance corresponder à tradição do romance inglês, o facto de uma das personagens ser argentina e o modo como vê o mundo inglês, somado a que outra das personagens é um mestre argentino, creio que lhe dá um aspecto diferente do romance policial clássico. Para além disso, o mundo inglês é observado pela perspectiva de um estudante argentino e ilumina de um modo argentino o cenário e os acontecimentos. O facto de ser argentino está também relacionado com a decisão final de retirar-se de cena sem intervir.

É uma característica dos argentinos?
Não. Mas aproveitei o facto de ser estrangeiro para que se pudesse retirar do local dos acontecimentos sem interferir.

De qualquer forma é um policial do tipo clássico, dentro do estilo dos anos 30 e 40.
Isso é, de certa forma, o que leitor pensa ao princípio. Depara-se com um romance que lhe parece clássico. Neste momento há um doutoramento em literatura, na Argentina, que fala da desconstrução do relato policial clássico neste romance. Se se observar com mais atenção percebe-se que a figura do detective, do investigador e da vítima (três figuras típicas das novelas policiais) estão modificadas. E há outros elementos em que distorce o enredo aparentemente clássico. Sobretudo, o ponto de vista de um lógico matemático sobre a criminalística, e acho que é isso que dá uma certa originalidade ao livro.

Porque resolveu envolver a matemática no enredo?
Aparece de um modo quase instrumental. É a maneira como um matemático observaria os acontecimentos. O que me interessava no romance era mostrar até que ponto o que é uma conjectura, uma hipótese, pode sobrepor-se à realidade e determinar uma segunda realidade com consequências trágicas

Tem formação matemática?
Tenho um doutoramento em matemática e um pós-doutoramento em lógica matemática.

Conseguiu incluir a matemática de um modo simples.
Sim, é um romance que não requer nenhum conhecimento prévio dos leitores e, para além disso, não é o único elemento do romance. Há partidas de ténis, histórias de amor, conversas sobre outros temas, sobre o que é um crime perfeito… Acho que os leitores não têm de se assustar por encontrar demasiada matemática no livro.

Não há o perigo de retirar alguma emoção?
Nunca pensei que a matemática estivesse divorciada do emocional. Quem ler o meu livro pode aperceber-se dos elementos do romantismo e da aventura que pode encontrar também na investigação matemática. Por exemplo, há um capítulo inteiro sobre o último Teorema de Fermat que foi um problema que os matemáticos tentaram resolver durante trezentos anos e que se chamava o Moby Dick dos matemáticos.
De certa forma, o épico é o mesmo: capturar a baleia branca ou demonstrar um teorema muito difícil. Há pessoas que dedicam a vida inteira a isto.

As equações matemáticas têm semelhanças à resolução de um crime?
Não necessariamente, mas neste caso há um vínculo. A série lógica propõe um problema de abstracto para resolver e parte do interesse do romance é que o leitor pode tentar adivinhar ao mesmo tempo que os investigadores qual é o símbolo que virá a seguir, ou seja, qual será o próximo crime.

Como é que alguém que estudou matemática se transfere para a escrita?
Foi ao contrário. A literatura esteve sempre em primeiro lugar na minha vida. O meu pai foi um escritor amador muito prolífico. Na minha família sempre houve interesse pela literatura e desde criança li muitos livros. A matemática foi um acidente muito posterior, na época de universidade, mas sempre me considerei um escritor. O meu primeiro livro foi escrito quando tinha 14 anos. O primeiro livro de contos surgiu aos 25 anos. A carreira matemática foi algo paralelo, mas posterior.

Então reformulo a questão. Estando ligado à escrita, como decidiu estudar matemática?
Dentro da matemática encontrei alguns temas que me interessavam por terem uma costela filosófica: há temas da lógica, alguns paradoxos lógicos, a discussão dos infinitos. Esse mundo está muito aproximado da literatura. Interessou-me esse aspecto e por isso comecei a estudar dentro da matemática a parte relacionada com lógica matemática.

Aproveita sempre os conhecimentos em matemática nas suas obras?
Nem sempre. Tenho um livro de contos com temas muito variados. Também sou conhecido no meu país pelos contos eróticos. Só no caso de Crimes Imperceptíveis me aproveitei dos meus conhecimentos do mundo académico e do mundo dos matemáticos.

As viagens que faz para promover os seus livros são aproveitadas para retirar ideias?
Sim, sim. Não será impossível que num futuro policial algum momento do enredo decorra no Porto. É uma cidade maravilhosa, do tipo que eu gosto, onde o passado persiste no presente. Há uma convivência entre o passado e o presente e foi por isso que escolhi Oxford como cenário de Crimes Imperceptíveis. Há muitas outras cidades na Europa que conservam o peso dos séculos.

E na Argentina?
Nem tanto. Até porque lá é difícil do ponto de vista policial separar a intriga das ligações com a corrupção e as ligações à política. Assim, é difícil pensar na figura de um investigador independente, que é uma das regras do jogo do policial clássico.

Viveu em Inglaterra durante dois anos. Aproveitou algo dessa sua experiência?^
Sim, claro. O ponto de vista sobre Oxford é o mesmo que eu tive quando estive lá.

Mesmo na construção das personagens?
Não, as personagens são todas fictícias. O investigador (Arthur Seldom) já aparecia num livro anterior. O narrador também é, de certo modo, a continuação dessa personagem de Acerca de Roderer.

 (Entrevista realizada em 2004)

Oficina do Livro lançou novo romance da autora de Sexo e a Cidade

A Oficina do Livro lançou Quinta Avenida, romance de Candace Bushnell que, segundo a editora, trata de «ambição, poder, guerra dos sexos e muito glamour» . Candace Bushnell criou no New York Observer a crónica «Sexo e a Cidade», que se transformou num best-seller literário, numa série televisiva de sucesso e num filme com êxito mundial.

Sobre o livro: «O n.º 1 da Quinta Avenida – magnífico edifício Art Déco de um dos mais elegantes bairros de Manhattan – é um endereço único e essencial para as vidas que Schiffer Diamond, Lola, Annalisa, Mindy e Enid conquistaram… ou esperam conquistar.
Impiedosa, perspicaz e espirituosa, esta é uma história moderna sobre novos-ricos e velhas fortunas. Os nova-iorquinos retratados por Bushnell experimentam – à semelhança do que acontecia na obra de F. Scott Fitzgerald – as mesmas paixões: ânsia de poder, notoriedade social e casamentos de sucesso.»

“Terra Nova” – Anthony de Sá

Terra Nova, romance de Anthony de Sá recentemente editado pela Dom Quixote, é uma promissora obra de estreia que aborda as difíceis condições de vida dos emigrantes açorianos no Canadá, vistas a partir da relação entre pai (Manuel) e filho (António).
Manuel, sufocado na para si pequena ilha de São Miguel e pela obsessão da mãe em fazer de si um homem de sucesso, aceita um trabalho de pescador na Terra Nova, para desgosto da mãe, que já assim perdera o marido. Mas Manuel não aguentava mais a opressão da ilha e da mãe, que tinha feito dele o eleito da família para ser alguém de sucesso – os próprios irmão tinham de se sacrificar para que ele tivesse as melhores condições de vida, situação que lhe desagradava profundamente. Problemas com o pároco local, surgidos na meninice, eram outra das razões que levaram Manuel a querer escapar. Assim, parte para a Terra Nova e um dia, na pesca do bacalhau, vê aí a oportunidade da sua vida… sozinho, num pequeno barco, afasta-se do pesqueiro principal e rema com todas as forças para terra, na esperança de ser dado como morto… e de renascer. É recolhido na costa por uma família, que o salva, já muito débil, mas depois deixa-os e vai construir a sua própria vida, longe do seu passado, longe de São Miguel. Mais adiante no livro, e já sob a perspectiva do filho de Manuel, António, vemos no que deu a sua vida. Casa, tem dois filhos e luta arduamente (embora algo ingloriamente) por fazer parte da sociedade canadiana.
É um livro duro, este de Anthony de Sá, cru, por vezes, como as vidas que retrata, tanto nos meios rurais dos Açores como nos meios urbanos de Toronto. Em ambos os casos as condições de vida são difíceis, com reflexos indeléveis nas vidas das pessoas. Terra Nova é um livro de personagens, personagens fortes, dominantes. É um romance cru, duro, afinal como a vida destes emigrantes que partiram cheios de sonhos, mas que se deparam, afinal, com uma vida bastante complexa, tudo fazendo o protagonista, Manuel, para se misturar na sociedade canadiana – por exemplo faz questão de memorizar o hino canadiano como sinal da sua absorção da cultura da terra que escolheu como sua. Não abdica dos seus sonhos, o que lhe vale uma série de dificuldades no relacionamento com os filhos. O filho, mais chegado a si, mais compreensivo, a filha, mais realista, sabedora que o sonho do pai é impossível de materializar.
Anthony, que cresceu na comunidade portuguesa de Toronto, faz um colorido retrato da vida e das ruas do bairro português da cidade, descrevendo o seu quotidiano, as suas tradições, as suas festas, com um realismo que nos transporta para aquele meio. Também as descrições de São Miguel são muito bem conseguidas, proporcionado um excelente retrato social da comunidade.
Terra Nova é, portanto, um belo romance e um excelente «documentário» sobre a emigração portuguesa.