Category Archives: Artigo

Ver um filme através de um livro

 

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Sempre gostei de ler um livro e depois ver o respetivo filme, quando o há. Agrada-me comparar o que visualizei ao longo da leitura com a visualização formada pelo realizador e pela sua equipa. Quase nunca bate certo e eu fico invariavelmente a perder na comparação, mas é um exercício divertido. E, depois, há os raros momentos de glória que me levam a pensar: «Foi mesmo assim que eu imaginei a cena!»
Houve, no entanto, um caso em que ler o livro foi mesmo a minha única opção. E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, estreou em Portugal em dezembro de 1982 numa altura em que, por motivos de saúde, fiquei uns meses acamado. Fascinado com filmes como Encontros Imediatos do 3.º Grau ou Os Salteadores da Arca Perdida, uma nova obra de Spielberg só por si já seria o suficiente para me deixar desesperado. Mas, com a agravante de abordar um tema que me era querido (ETs amigos) a ansiedade redobrou. Na primária até ganhei um prémio de BD com uma história de aliens que chegam em paz à Terra, mas diga-se que terá sido mais pelo argumento do que pelos desenhos.
Como à época os filmes demoravam o seu tempo a cruzar o Atlântico (E.T. estreou em junho de 1982 nos EUA), muito se foi escrevendo por cá sobre Elliot e o seu amigo de outro mundo. Li, recortei e guardei tudo o que pude e fui formando o filme na minha cabeça, sem saber se daí a uns meses ainda o apanharia nos cinemas. Depois, socorri-me da melhor ferramenta possível para conhecer a história do E.T. A adaptação literária do filme, editada na saudosa coleção de livros bolso da Europa-América dedicada à ficção científica. É o número 44, logo a seguir a Blade Runner e antes de Batalha no Espaço – Os Jovens Guerreiros, para quem não sabe, a Galáctica original. E li o livro, que sendo uma adaptação direta do filme era fiel ao mesmo. Socorrendo-me das fotos já conhecidas, montei o filme na minha mente. E li o livro outra vez, pois sobrava-me o tempo e faltava-me a sala de cinema.
O escritor norte-americano William Kotzwinkle, que hoje se dedica essencialmente à literatura infantil, sem ser publicado em Portugal, foi o meu herói da altura, o meu escritor preferido, pois deu-me a possibilidade de «ver» o filme que eu tanto queria ver e que não sabia se alguma dia o veria – talvez num futuro distante num dos dois canais de televisão que havia à época. Em 1982 não tínhamos a garantia de um dia podermos ver um filme perdido, pois os videoclubes e as cassetes de vídeo eram à data algo ainda distante de um comum português. Até hoje, naturalmente, já vi o filme várias vezes em vídeo, e até na versão dobrada em português. Mas, na altura, isso era algo tão distante como assistir ao vivo a uma corrida de Fórmula 1 ou um dia vir a ser jornalista ou andar de avião.
Semanas a passar, formando meses, eu em casa, o E. T. ainda nas salas de cinema. Na época o tempo de vida de um filme nas salas era bem maior, mas se saísse de exibição a minha única esperança seria uma matinée de domingo na sociedade recreativa local, com uma fita gasta cheia de cortes devido ao uso constante. Foi assim, aliás, que vi pela primeira vez no cinema um filme de 007, no caso Moonraker – Aventura no Espaço, numa sala mal escurecida, em cadeiras duras, num piso sem inclinação e com excelente vista para as cabeças da frente, tudo envolto numa cortina de fumo de tabaco.
Mas não foi preciso chegar a esse ponto. Assim que regressei ao ativo, algo que tratei de fazer quase de imediato foi rumar ao agora encerrado cinema Berna, em Lisboa, sozinho, porque tinha a impressão de que eu seria a única pessoa que conhecia que ainda não tinha visto o filme.
E se valeu a pena! Ainda hoje E.T. é o filme da minha vida e, diga-se, era exatamente como eu o imaginara com o recurso ao livro, enriquecido pelos meus recortes. Por isso, nunca esquecerei E.T. – O Extraterrestre, de Kotzwinkle, um dos livros da minha vida. Não é, visto ao fim de todos estes anos, a pérola literária que me pareceu na inocência da adolescência, mas ajudou-me a imaginar algo que eu temia não poder alcançar, levou-me lá, e é para isso mesmo que serve um livro, ou não é?

(Texto e foto originalmente publicados no blogue O Et(h)er dos Dias) http://www.etherlive71.com

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Nova Iorque é maior vista de cima

DSC_0311.jpgSempre achei que ao pisar Nova Iorque iria ficar assoberbado com a altura dos arranha-céus. São impressionantes, é verdade. O céu azul praticamente só se vê em frinchas, as sombras dominam a paisagem, e o sol fica reservado para os telhados dos mais altos edifícios. Mas, ainda assim, quando me livrei do trânsito infernal e finalmente pus os pés em Nova Iorque fiquei com sensação de que os prédios não eram tão altos como os imaginara com a ajuda de tantos filmes, fotos e livros. Altíssimos, sem dúvida! Mas pensei que iria ficar mais esmagado.
Precisei de ir «lá acima» para sentir o que esperava viver «lá em baixo». A grandiosidade nova-iorquina em termos de betão é mais palpável do alto, não de um avião, mas sim de um dos edifícios mais imponentes, porque com som e sem o isolamento total de uma janela toda a experiência se intensifica. As sirenes constantes da polícia e bombeiros, uma realidade omnipresente e não uma ficção cinematográfica, ironicamente alimentam de vida a cidade, já que os sons individuais das pessoas não sobem tão alto. Ao longe veem-se os aviões a circular de e para os aeroportos que servem Nova Iorque e é inevitável pensar que um dia dois houve que se aproximaram demasiado.
Bem aconselhado por um nova-iorquino residente em Portugal, o escritor Richard Zimler, a escolha recaiu sobre o observatório do Top of the Rock, no Rockfeller Center, onde se evitam as longas filas do Empire State Building e, além disso, se tem vista privilegiada sobre este último.
Foi assim no alto do Top of the Rock que finalmente me senti esmagado por Nova Iorque, onde a noite me comprovou que se há uma cidade-luz, esta será a cidade das luzes. Aqui senti-me no centro do nosso mundo, e soube bem, e isso fica para sempre.
Depois, desci, não vi o Jimmy Fallon e mergulhei naquele zumbido constante de motores, conversas, risos, música, entre luzes e néons e passei a ser uma partícula de uma paisagem deslumbrante observada por alguém que se terá cruzado comigo no outro elevador.

(Texto e fotos originalmente publicados no blogue O Et(h)er dos Dias) http://www.etherlive71.com

Eu e os comics e o Rocket Raccoon

m-rr1Estranhamente, sempre tive uma relação complicada com os comics. Sempre gostei de banda desenhada, principalmente franco-belga, mas nunca consegui abraçar em definitivo os comics. E tenho constantemente a perceção de que ando a perder algo de muito bom. A ideia com que fico é que nunca quis apanhar um comboio em andamento e com destinos múltiplos, porque a verdade é que nos comics as histórias são essencialmente em continuação e eu nunca sabia por onde lhes pegar. Depois, são invariavelmente universos complexos, desdobrados em várias latitudes, onde quase era preciso um guia para um leitor se orientar.
Assim, fui deixando os comics de parte, com umas tentativas esporádicas de me lançar nesse mundo que ao mesmo tempo me atraía para logo me rechaçar. Confesso que todos aqueles universos de super-heróis me «assustavam».
Mas resolvi fazer mais uma tentativa e socorri-me de uma muleta: Star Wars. Comecei a ler aqueles livros que têm saído com coleções completas e a experiência está a valer bem a pena.
Assim sendo, resolvi dar um novo passo e iniciar-me numa coleção que estivesse a começar agora. Precisava de um pretexto e encontrei-o. A 28 de dezembro de 2016 começaram a sair na Marvel as novas histórias do Rocket Raccoon (personagem de Os Guardiões da Galáxia) desenhadas pelo português Jorge Coelho. Comprei o primeiro número e fiquei bastante satisfeito. Com a história, com o humor da mesma e o rumo que pode tomar e também (o que para mim é essencial) com os desenhos. São mesmo do tipo que eu aprecio, com cor e vida e traços bem definidos. Assim, fiquei cliente e aguardo a saída do próximo número, na esperança de confirmar se este será o pontapé de saída para começar a lançar-me definitivamente no universo fantástico dos comics.
E já que está na moda dizer que se deve dar prioridade aos produtos portugueses, imitem-me. Apanhem o comboio comigo. O Jorge Coelho é mesmo bom. Também se não fosse não estaria na Marvel, certo?

É verdade, vem aí o novo Astérix, mas há muito mais para ler em outubro

AstérixTêm saído, ou estão para sair, alguns livros de autores estrangeiros que me parecem interessantes e que acho que merecem algum destaque.
Não poderia deixar de realçar o regresso de Astérix, que a 22 de outubro tem uma nova aventura aí pelas livrarias, chamada O Papiro de César. O herói da BD criado por Uderzo e Goscinny, e editado entre nós pela ASA, ganha de novo vida pela mão de Jean-Yves Ferri (argumentista) e Didier Conrad (desenhador), que já foram os responsáveis por Astérix entre os Pictos, que de certa forma reanimou esta série clássica da 9.ª Arte. O criador Albert Uderzo e Anne Goscinny (filha de René Goscinny) continuam a supervisionar a obra para que respeite o espírito de Astérix e companhia.
Segundo a ASA, O Papiro de César trata-se de «uma aventura na linha da mais pura tradição dos álbuns de Astérix», que tem por pano de fundo a Gália, que será visitada por Júlio César. Já se sabe também que haverá um novo vilão, Bónus Vendetudus, um conselheiro de César que será «uma sábia mistura de personagens incontornáveis do nosso mundo atual».  Fiquei ainda a saber aqui no Público que há uma personagem inspirada em Julian Assange, fundador da Wikileaks.
CAPA CARAVAGGIOMas há mais novidades em termos de BD, nomeadamente com o surgimento de uma nova chancela, A Arte de Autor, que arranca, a 14 de outubro, com uma obra do consagrado Milo Manara, Caravaggio – 1ª parte – O pincel e a espada. Aqui fica a sinopse: «Outono de 1592. O jovem Michelangelo Merisi da Caravaggio, que ficará conhecido como Caravaggio, chega a Roma com a intenção de se converter no maior pintor de Itália. Inspirando-se nas sombras e nas cores de uma cidade que se debate entre a grandeza e a decadência – bem como nas personagens que nela habitam – tornar-se-á rapidamente admirado pelo seu talento ao mesmo tempo que alguns lhe criticam a liberdade artística, nomeadamente no que refere aos modelos a que recorre (frequentemente mendigos e prostitutas) para pintar temas religiosos.»


Capa O Que Vemos Quando Lemos
Dose dupla da Elsinore
A Elsinore, a nova chancela da 20|20 Editora, pôs por estes dias à venda O Que Vemos Quando Lemos, do conceituado designer Peter Mendelsund, que pretende responder à pergunta «como visualizamos imagens a partir da leitura de obras literárias?» Fica aqui um excerto da sinopse para «visualizarmos» melhor o que nos propõe esta obra: «O conjunto de imagens fragmentadas numa página — uma orelha elegante ali, uma madeixa rebelde acolá, um chapéu posicionado de determinada maneira — e outras pistas e significantes ajudam-nos a imaginar uma personagem. Mas, na verdade, a sensação de conhecermos intimamente uma personagem tem pouco que ver com a nossa capacidade de imaginarmos as figuras literárias que amamos (ou odiamos).»
Capa Arranha-CéusAinda na Elsinore há outra obra, esta de ficção, que me desperta (e muito) a curiosidade; de tal maneira que o livro já está ali pousado para eu lhe pegar não tarda nada. Trata-se de Arranha-Céus, de J.G. Ballard – Lembram-se daquele rapazinho maluco por aviões que protagoniza o filme O Império do Sol, de Steven Spielberg? Pois bem, esse rapazinho é precisamente este Ballard escritor.  Fiquem aqui com a sinopse e digam lá se não parece prometedor: «Num imponente edifício de quarenta andares, o último grito da arquitetura contemporânea, vive Robert Laing, um bem-sucedido professor de medicina, e duas mil pessoas. Para desfrutarem desta vida luxuosa, não precisam sequer de sair do prédio: ginásio, piscina, supermercado, tudo se encontra à distância de um elevador. Mas alguma coisa estranha borbulha por baixo desta superfície de rotina. Primeiro vandalizam-se os automóveis do parque de estacionamento, depois assaltam-se os habitantes. Um incidente conduz a outro e, acossados, os habitantes separam-se por pisos. Quando aparecem as primeiras vítimas, a festa mal começou. O realizador de documentários Richard Wilder resolve avançar, de câmara em punho, numa viagem por esta inexplicável orgia de destruição, testemunhando o colapso do que nos torna humanos.
Entre a alucinação e a anarquia, a visão futurista de J. G. Ballard oferece-nos o retrato demencial, lógico de como a vida moderna nos pode empurrar, não para um estádio mais avançado na evolução, mas para as mais primitivas formas de sociedade.»

Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito NoitesSalman Rushdie e as lendas do Oriente
Outra nota de destaque na ficção teria de ser dedicada a Salman Rushdie, cujo romance Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites acaba de ser lançado pela Dom Quixote. Segundo a editora é uma obra inspirado nas tradicionais «lendas maravilhosas» do Oriente, «que combina História, mitologia e uma narrativa de amor intemporal». Indica ainda a sinopse: «No futuro próximo, depois de Nova Iorque ser assolada por uma tempestade, principiam os estranhos acontecimentos: um jardineiro descobre que os seus pés já não tocam no chão; um autor de banda desenhada acorda no seu quarto e vê uma misteriosa entidade que se assemelha à personagem dos seus livros; uma bebé identifica a corrupção apenas com a sua presença, marcando os culpados com manchas e pústulas; uma sedutora mulher é recrutada para combater forças que ultrapassam a imaginação…»

pe-usbequeDo Chile ao Usbequistão
A venturosa história do usbeque mudo
é o novo romance do chileno Luis Sepúlveda, que chega às livrarias a 22 de outubro numa edição Porto Editora. Aqui, neste conjunto de histórias, são narradas muitas das peripécias clandestinas dos jovens militantes chilenos da Juventude Comunista e da Federação Juvenil Socialista. Regressamos ao Chile dos anos sessenta, quando os jovens do país começaram a lutar para derrubar o regime. O texto que dá nome ao livro surge na sequência da promessa feita por Sepúlveda de contar a aventura de um amigo peruano que se fez passar por mudo para sair do Usbequistão e regressar a Moscovo.

Transformacao_de_Steve_JobsAcha que já conhece Steve Jobs? Olhe que não…
Regressemos à não-ficção, agora para referir a edição de uma biografia de Steve Jobs pela Saída de Emergência, intitulada A Transformação de Steve Jobs – De Jovem Rebelde a Líder Visionário. A obra vem assinada pelos jornalistas Brent Schlender e Rick Tetzeli, e por este livro ponho eu as mãos no fogo. Já o li, pois fui eu o tradutor, e cativou-me imenso, pois sendo exaustivo nunca cai no fútil ou desnecessário e tem uma estrutura bem montada que prende o leitor, com histórias já conhecidas e outras por conhecer, algumas mais parecendo ficção. Mas, na verdade, quem é que quer ler biografias de pessoas banais? Não se trata de um recital de elogios, pois os muitos defeitos de Jobs vêm aqui bem aprofundados. E estejam atentos à capa holográfica, vale bem a pena brincar com ela.

fisicaFísica para todos
Ainda pela não-ficção, retenham este título: Sete Breves Lições de Física, de Carlo Rovelli, uma edição Objectiva. Uma matéria complexa como a Física é aqui abordada de uma forma clara e simples, mas sem perder precisão e exatidão. Uma espécie de Física para Totós, escrita com qualidade e gosto por um físico que nos quis facilitar a vida explicando-nos de forma «fácil» coisas como a Teoria da Relatividade de Einstein, a mecânica quântica, buracos negros, etc. Já comecei a ler e, até ver, Rovelli está a cumprir muito bem a sua missão.

Nascente edita «Coragem – Ultrapassar o Medo e Promover a Autoconfiança», de Debbie Ford

Capa Coragem - Ultrapassar o medo e promover a autoconfiançaAcaba de ser editado Coragem: Ultrapassar o Medo e Promover a Autoconfiança, da norte-americana Debbie Ford, primeiro livro que traduzi para a Nascente, da editora 20|20.
Debbie Ford, autora bestseller de desenvolvimento pessoal, partilha nesta obra pormenores íntimos da sua vida, nomeadamente a dependência de drogas, uma traição dolorosa, um divórcio e um diagnóstico de cancro.
Ao longo da sua jornada para superar tais problemas, revelando, como explica, a coragem que sempre residiu dentro dela, a autora descobriu sete princípios poderosos, que decidiu partilhar com os seus leitores. Segundo a própria, «estes princípios irão revelar a sua coragem e mudar a sua vida, permitindo que confie em si mesma e se expresse sem medo».

Assim, o livro propõe ao leitor que:

• Descubra como aceitar e vencer as suas falhas, dúvidas, fraquezas e medos.
• Aprenda a ser confiante e a sentir-se bem com a sua vida.
• Encontre a sua verdadeira força, explorando a parte de si que tem o poder de concretizar tudo.

Em suma, Debbie Ford apela: «Liberte-se dos seus medos e inseguranças. Converta-os em poder, força e confiança.»
É possível ler os primeiros capítulos da obra em www.nascente.pt.
Coragem: Ultrapassar o Medo e Promover a Autoconfiança tem 256 paginas e está à venda por 16,59€

n-dfBiografia cedida pela Nascente
«Debbie Ford é conferencista, formadora e especialista em transformação pessoal. Durante mais de 20 anos, orientou dezenas de milhares de pessoas no processo de aprenderem a amar, a confiar e a reconhecer como são.
Pioneira na inclusão do estudo e da integração da sombra humana na psicologia moderna e nas práticas espirituais, foi produtora executiva do filme The Shadow Effect, um documentário transformacional apaixonante e visualmente empolgante com a participação de Deepak Chopra e Marianne Williamson. Fundadora do Ford Institute for Transformational Training, organização de formação emocional e espiritual, recebeu o prémio Alumni pela sua contribuição nos campos da Psicologia e da Espiritualidade.»

Rui Azeredo

O Porta-Livros faz hoje cinco anos – Parabéns a todos!

DSC_1793O Porta-Livros completa hoje, 15 de dezembro de 2013, cinco anos. 1 043 459 visualizações depois, continua a ser um prazer estar aqui na blogosfera e espero que gostem tanto de ler o que escrevo como eu gosto de escrever o que leem.
O que começou por ser (inocentemente) uma espécie de arquivo público de textos acabou por se tornar num blogue visitado diariamente por centenas de pessoas, maioritariamente de Portugal, mas também em grande parte do Brasil. Por exemplo, nestes últimos 365 dias houve 112 708 visualizações com origem em Portugal, 54 554 do Brasil, 3635 dos Estados Unidos, 1131 de Espanha e 819 de França. Reino Unido (707), Angola (653), Alemanha (578), Suíça (501) e Moçambique (475) encerram o top 10, mas tenho recebido visitas de todo o mundo, inclusive do Irão, Ilhas Virgens, Síria, Barbados, Egito, Iraque, Haiti, Israel, Porto Rico, Omã e Austrália, entre muitos outros.
E o que procuram todos estes leitores? A minha opinião sobre o romance Nómada, de Stephenie Meyer, foi neste último ano o post mais procurado (2231 Visualizações), o que não é de estranhar dado que continua a ser o preferido ao fim destes cinco anos (17 423).
Mas vamos aos números:

Top 10 geral

1.º Nómada – Stephenie Meyer 17 423
2.º No Teu Deserto – Miguel Sousa Tavares 15 945
3.º Marina – Carlos Ruiz Zafón 14 913
4.º A Invenção de Hugo Cabret  – Brian Selznick 14 088
5.º Margarida Rebelo Pinto apresenta O dia em que te esqueci a 25 de Novembro 13 143
6.º História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar  – Luis Sepúlveda, com ilustrações de Sabine Wilharm 12 857
7.º Gailivro ataca 2010 com zombies e Christopher Paolini 7 089
8.º O Coração das Trevas – Joseph Conrad 6 246
9.º O Planalto e a Estepe – Pepetela 5 977
10.º About Rui Azeredo 4 885

Top 10 do último ano

1.º Nómada – Stephenie Meyer 2231
2.º O Coração das Trevas – Joseph Conrad 2029
3.º No Teu Deserto – Miguel Sousa Tavares 1932
4.º Deus não gosta de nós – Hank Moody 1356
5.º José Rodrigues dos Santos romanceia vida de Calouste Gulbenkian em O Homem de Constantinopla, a sair a 19 de setembro 1343
6.º A Invenção de Hugo Cabret – Brian Selznick 1331
7.º História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar – Luis Sepúlveda, com ilustrações de Sabine Wilharm 1235
8.º O Corsário Negro – Emilio Salgari 1223
9.º Marina – Carlos Ruiz Zafón 1010
10.º Inferno, novo romance de Dan Brown, chega a Portugal em Julho 989

Perante estes números, resta-me agradecer as vossas visitas, naturalmente, assim como todo o apoio das editoras, desde os editores aos sempre prestáveis elementos dos departamentos de comunicação, sem esquecer, claro, os escritores, pois sem eles não haveria livros nem Porta-Livros.

Obrigado a todos e venha o sexto!

Rui Azeredo

Sugestão de Natal para os mais novos (dos 0 aos 17)

Deixo-vos agora umas quantas sugestões de Natal para os mais jovens e mais pequenos, grupo a que se entendeu chamar de infanto-juvenil, nome demasiado técnico para livros com tanta vida e cor.

ts-MRComeço pelos mais velhos de entre os novos, para quem sugiro uma boa história de aventuras escrita pelo «enérgico» James Patterson. Maximum Ride – Salvar o Mundo é o terceiro volume desta coleção, mas pode ser lido de forma independente. Está garantida muita ação, muita imaginação e nada de momentos mortos. Combates, viagens, reviravoltas, há de tudo neste livro (e na coleção) que entre nós é editada pela Topseller.
Sinopse: «Alerta! Um grupo de seis jovens com poderes extraordinários está em fuga. O seu líder é Maximum Ride, ou Max, uma rapariga de 14 anos que consegue voar. Deve ser considerada perigosa. Max e o seu bando estão destinados a grandes voos. Vivem em condições difíceis e não podem dar muito nas vistas. Afinal, seis miúdos com asas a atravessar os céus não passam despercebidos…
Nesta aventura o grupo vai ter de escapar ao terrível plano genocida criado por cientistas maléficos, os batas-brancas. E como se não bastasse, há um traidor entre eles. A união entre todos os elementos vai ser posta à prova enquanto enfrentam os inimigos mais poderosos de todos os tempos.
Será que um romance insuspeito, um blogue seguido por milhões de fãs e algumas revelações vão contribuir para que a missão de salvar o mundo seja realmente possível? Os leitores de James Patterson não vão descansar enquanto não tiverem a resposta certa. Mas cuidado: estas páginas são completamente viciantes.»

Como Treinar Teu DragaoTambém trepidante, enérgico e emotivo é sem dúvida Como Treinares o Teu Dragão, de Cressida Cowell, que foi editado pela Bertrand. Este livro dirige-se a um público um bocadinho mais jovem do que o de Maximum Ride, mas o prazer da leitura será idêntico. Recorde-se que esta obra deu origem a um dos melhores filmes de animação dos últimos anos, com o mesmo nome; presentemente passa na SIC aos sábados e domingos de manhã a série Dragões – O Esquadrão de Berk, que dá seguimento à história.
Sinopse: «Como Treinares o teu Dragão conta a atribulada aventura que Hiccup Hadoque Horrendo Terceiro tem para se tornar membro da tribo e tudo começa por passar no Programa de Iniciação aos Dragões. Ele tem de arranjar o seu próprio dragão e treiná-lo.
Será que o dragão que conseguiu apanhar se vai revelar o companheiro de que o Hiccup precisa, ajudando-o a tornar-se o Herói que o filho do Chefe da tribo deve ser? Para pôr o Hiccup e o Desdentado à prova, nada como um gigantesco dragão-marinho, que aparece na ilha de Berk para devorar todos os vikings!»

Aventuras de João Sem MedoAposta segura para adolescentes (e adultos) é o livro de José Gomes Ferreira, Aventuras de João Sem Medo, reeditado este ano pela Dom Quixote para assinalar o 50.º aniversário da obra. Incluído no Plano Nacional de Leitura, vai já na 37.ª edição, pelo que, se ainda não o fez, já estará na hora de o ler ou oferecer.
Sinopse: «João Sem Medo habita na aldeia Chora-Que-Logo-Bebes, cujos habitantes vivem presos à tradição de que tanto se orgulham: chorar de manhã à noite. Um dia, o nosso herói decide saltar o Muro que protege a aldeia da Floresta Branca, local onde “os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam estalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos”. Tem assim início uma viagem surpreendente, na qual João Sem Medo se irá cruzar com bichas de sete cabeças, gigantes de cinco braços, fadas, bruxas, animais que falam e ainda com o mítico Príncipe das Orelhas de Burro.
História fantástica que recorre ao imaginário mágico, por vezes de inspiração surrealista, este romance de José Gomes Ferreira é um prodígio de efabulação e engenho narrativo.»

gatoJames Joyce, autor de Ulisses, não se tornou conhecido pelos seus contos infantis, mas não custa espreitar este O Gato e o Diabo, que foi entre nós editado pela Nova Vega. O livro, escrito em 1936 sobre forma de carta para o seu neto Stephen Joyce, foi ilustrado pelo croata Tomislav Torjanac.
Sinopse: «Havia em França uma cidade dividida por um grande rio que só podia ser atravessado de barco, o que dificultava a comunicação entre os habitantes. Um dia, o Diabo, sempre atento aos anseios das pessoas, visitou o Presidente da Câmara dessa cidade e propôs-lhe construir uma ponte que ligasse as duas margens do rio, a título quase, quase gratuito. Só queria mesmo levar para o Inferno a primeira pessoa que atravessasse a ponte. Mas o Presidente da Câmara, que era um político muito hábil, arranjou uma maneira de enganar o Diabo…»

Capa_450_piadasEste livro que se segue é para os mais pequenos, mas pode e deve ser lido por todos, pois não há quem não goste de uma boa anedota. Neste caso são 450 as propostas nesta obra da Booksmile, intitulada 450 Piadas = 1 Milhão de Risadas.
Sinopse: «As anedotas são uma excelente ferramenta para estimular o relacionamento social nas crianças, ajudam a enriquecer o vocabulário, e proporcionam momentos de bom humor.  E é do conhecimento comum que rir (o principal objetivo da piada) é um ato saudável, pois liberta endorfinas que nos proporcionam momentos de bem-estar e aliviam a tensão.
Com anedotas hiperanimadas e ilustrações mega-engraçadas, o resultado só poderia ser 1 milhão de risadas!
Um livro indispensável que todas as crianças deviam ter em casa para ler, e colocarem o sentido de humor dos pais à prova!»

pe-alfaJá para um público mais pequeno a sugestão é As Canções do Alfa, com todas os temas que Luísa Ducla Soares escreveu para esta personagem reunidas em livro e CD. O Alfa é o protagonista de um projeto criado pela Porto Editora, em 2009, para o 1.º ano do Ciclo do Ensino Básico. Trata-se de um extraterrestre amarelo, do planeta Maquineta, que chegou à Terra para aprender, ajudar a aprender e fazer amigos.
Sinopse: «Esta obra oferece uma forma divertida e original de aprender as letras, os números e as formas geométricas. Com ela, crianças dos 4 aos 6 anos podem ler e ouvir os poemas ou acompanhar a leitura com a música.
As Canções do Alfa é um livro que estimula a leitura, o canto e a dança, de forma divertida.»

os primeiros 5 anos - Flores_peqA sugestão que se segue destina-se a ser oferecida a bebés, embora caiba aos pais tomar as rédeas da situação. Falo de Os Meus Primeiros Cinco Anos, da fotógrafa Anne Geddes, já um verdadeiro clássico. Editado pela Bertrand, surge com três capas distintas, embora o interior seja igual para todos.
Sinopse: «O clássico de Anne Geddes é um diário que incentiva os pais a registar os momentos especiais dos filhos, do nascimento aos cinco anos de idade, incluindo espaços para inserir fotos, o primeiro aniversário, a primeira mecha de cabelo cortado, o primeiro dente caído, a impressão do pezinho e todos os pormenores a que a fotógrafa já nos habituou.»

os primeiros 5 anos - bolotas_peqos primeiros 5 anos - abelhinhas