Monthly Archives: Outubro 2016

«Yoro», de Marina Perezagua, editado pela Elsinore

yoroYoro, romance de 2015 da espanhola Marina Perezagua, é uma nova proposta da Elsinore. A autora, que vive em Nova Iorque e é licenciada em História da Arte e doutorada em Filologia, tinha escrito antes dois livros de contos, Criaturas Abisales e Leche. Nas palavras de Salman Rushdie, «Marina Perezagua é uma entusiasmante nova voz, uma das melhores na mais recente geração de escritores espanhóis».

Sobre o livro: «“Concluí que, se tivesse de escolher um nome para nós, escolheria ‘os que trazemos a bomba dentro de nós’, dado que a manhã em que um bombardeiro B-29 lançou o Little Boy em Hiroxima foi só o início da detonação. Noventa por cento de todo o mal que sofreríamos, nós, os sobreviventes, iria sendo doseado minuto a minuto, mês a mês, ano a ano, emprenhando-nos desse mal que, se fosse abortado, seria só para nos abortarmos com ele.”
Yoro é uma odisseia assombrosa pelos lugares mais profundos e negros da mente humana. Ecoando Dom Quixote, Wim Wenders e Herzog na sua tensão narrativa, este romance, o primeiro de Marina Perezagua, é a busca de uma mulher por identidade, justiça, compaixão e maternidade.
H, a narradora e protagonista, confessa um crime nas primeiras páginas. E, em tom desafiante, continua, pedindo ao leitor que se atreva a ler a sua história, a sua confissão. H nasce em 1945, no momento da explosão da Little Boy sobre Hiroxima. Anos depois, H conhece Jim, um soldado norte-americano que procura, desde a guerra, uma criança que lhe foi entregue e depois retirada: Yoro. Apaixonados, percorrem o mundo seguindo as mais ténues pistas, até que, na viagem final, a verdade – complexa e perturbadora – revela o crime de H e a sua razão.
Torrencial, cru, pendendo entre polos opostos – amor e desespero, encontro e confusão, descoberta e prisão -, Yoro carrega nas suas páginas o caos pós-Segunda Guerra Mundial, o encontro frontal com a sexualidade e o mundo, a violência da linguagem e da lógica.»

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Madalena Santos, Filipe Faria e Nuno Caravela na Comic Con Portugal em dezembro

madalenaff caravelaA Comic Con Portugal, que vai ter lugar na Exponor (Matosinhos) entre 8 e 11 de dezembro, tem também um espaço reservado para a literatura e já foram anunciados alguns nomes que vão estar presentes.
Assim, estão já confirmadas as presenças, em termos de literatura fantástica, de Madalena Santos (em cima), autora da saga Terras de Corza (O Décimo Terceiro Poder, A Coroa de Sangue, As Tribos do Sul e Os Doze Reinos), Filipe Faria (ao meio), autor da série Crónicas de Allarya e de obras como O Andersenal e A Alvorada dos Deuses, e Nuno Caravela (em baixo), mais voltado para a literatura infantil, com a sua série de O Bando das Cavernas, que vai já no 14.º volume.

Mário Augusto em tom revivalista em «A Sebenta do Tempo»

capa_a-sebenta-do-tempoO jornalista Mário Augusto, conhecido do público pelo seu trabalho relacionado com o mundo do cinema, apresenta a 5 de novembro (sábado), no Centro Multimeios de Espinho (a sua cidade), o livro A Sebenta do Tempo – Manual de Memória Para Esquecidos. Trata-se de uma viagem saudosista e revivalista até aos anos 60 e 70 do século XX que será editada pela Bertrand.

Sobre o livro: «Por que é que aos 15 anos o verão nos parecia mais azul? Como se relacionam uma cassete de áudio e uma caneta BIC? E que recordações associamos ao Hotel California, dos Eagles?
Mário Augusto viaja no tempo para recordar os bons velhos tempos, em A Sebenta do Tempo», que chega às livrarias a 4 de novembro. Este Manual de Memórias para Esquecidos compila as mais queridas recordações de infância daqueles que a viveram entre as décadas de 60 e 70, prometendo momentos saudosistas e revivalistas aos que acarinham memórias da meninice: entre Lambarices e GuloseimasLeituras e BDGira-Discos e Cassetes Piratas no Parque de Diversões, o autor guiará os leitores numa autêntica expedição ao passado.
Mário Augusto, uma figura acarinhada pelo público devido ao seu trabalho em Cinema, desafia todos os leitores a imergir no passado e a partilhar as suas memórias neste livro que, com um grafismo muito original, que lembra um diário de recortes, proporcionará verdadeiros momentos de nostalgia e de lembrança.»

As palavras do próprio: «Ainda se lembram de quando o aparelho se passava dos carretos? Os carretos rolavam, a fita aquecia e lá se ia o sincronismo daquela geringonça. Era a fita a desenrolar-se por todo o lado e os cantores a arrastarem a voz até pararem de vez.
Confesso que esfregava as mãos de contente quando isso acontecia a uma cassete do meu pai. Quando eram as minhas, a recuperação da peça exigia um verdadeiro exercício de paciência e muita minúcia. Quantas cassetes salvei, para logo a seguir limpar cirurgicamente os carretos, com álcool, tentando evitar que a gracinha se repetisse? Perdi muitas e boas músicas, mas salvei também muitas cassetes.
Para arranjar uma cassete sem trilhar a fita, era preciso ter mãozinhas. Equipados com uma caneta BIC e com muita calma, puxávamos a fita toda para dentro, girando lentamente a caneta entretanto encaixada numa das rodas dentadas da cassete.»

 

Dom Quixote edita «Quando Ela Era Boa», de Philip Roth

quando-ela-era-boaQuando Ela Era Boa, único romance do norte-americano Philip Roth protagonizado por uma mulher, chega às livrarias a 8 de novembro numa edição Dom Quixote. Este livro é um original de 1967, que assim engrossa a lista de obras editadas entre nós do consagrado autor de A Mancha Humana, O Complexo de Portnoy, A Humilhação e Pastoral Americana.

Sinopse: «Quando era pequena, Lucy Nelson viu o pai, falhado e alcoólico, ir para a prisão. Desde então, tenta regenerar os homens que a rodeiam, mesmo que isso signifique, em última análise, a sua própria destruição. Com os retratos certeiros que traça de Lucy Nelson e de Roy, seu marido infeliz e infantil, Roth criou uma obra implacável de realismo ficcional, uma visão simultaneamente impiedosa e compreensiva de uma certa América provinciana, com a sua religiosidade, a sua nostalgia e o seu desencanto.
Neste romance fascinante, divertido, arrepiante, o cenário é uma cidadezinha do Centro Oeste americano, o tema, o coração de uma mulher jovem, ferida e ferozmente moralista.»

Está aí o quinto «thriller» de M.J. Arlidge, «Na Boca do Lobo»

ts-loboNa Toca do Lobo é o quinto thriller do autor inglês M. J. Arlidge editado pela Topseller e, na minha opinião, um dos melhores, e eu sei do que faço porque, felizmente, os traduzi a todos:Um, Dó, Li, Tá, À Morte Ninguém Escapa, A Casa de Bonecas e A Vingança Serve-se Quente. Em breve publicarei aqui no Porta-Livros a minha opinião mais detalhada sobre Na Toca do Lobo, mas até lá fiquem com a sinopse desta nova aventura protagonizada pela detetive Helen Grace.

«Um homicídio num clube noturno.
Uma vida asfixiada até à morte.
E o jogo perverso ainda agora começou?
Quando a detetive Helen Grace encontra a vítima no chão, presa a uma cadeira, percebe que não se trata apenas de um jogo sexual que terminou mal – as provas demonstram que o agressor dispusera dos meios para libertar o seu refém, mas decidira não o fazer. Ao remover a fita adesiva do rosto da vítima, Grace reconhece-a: trata-se de alguém com quem mantinha um relacionamento de que ninguém pode saber.
Helen inicia uma autêntica caça ao assassino, ao mesmo tempo que luta por manter a sua vida privada em segredo. Contudo, as várias pistas seguidas revelam-se infrutíferas, e surge um novo homicídio.
Travando uma batalha contra o tempo, Helen enfrenta uma escolha impossível: confessar os seus segredos mais obscuros e perder o controlo do caso, ou ocultar a verdade e arriscar-se a cair numa armadilha.»

«Sonetos de Shakespeare», com tradução de Vasco Graça Moura, numa edição Quetzal

capa_sonetos-de-shakespeareA versão integral dos Sonetos de Shakespeare, com tradução de Vasco Graça Moura, está desde hoje nas livrarias, numa edição Quetzal que pretende assim assinalar os 400 anos da morte do poeta e dramaturgo inglês. Trata-se de uma edição bilingue e completa.

Sinopse: «É provável que o principal pilar do cânone da literatura ocidental seja a obra de William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-upon-Avon, cidade onde terá morrido em 1616. Além da sua obra dramática e de alguns poemas dispersos, os seus Sonetos constituem um monumento de composição e beleza, um atlas sobre a representação do amor, da passagem do tempo e da sua finitude, da paixão erótica, do desejo ou da solidão.
A meticulosa tradução de Vasco Graça Moura transporta para a nossa língua todo o génio do poeta inglês; é Shakespeare que escreve e ecoa na nossa língua, ora com exuberância e ironia, ora com melancolia, ora com notável visão de um génio que sobrevive ao tempo e à morte. Só um tão notável poeta poderia traduzir Shakespeare desta forma.

De que poder tens força tão temível,
que o coração em falha me desvia,
que me faz dar mentira no visível,
jurar que a luz não favorece o dia?
De onde tens tal fazer, de mal, agrado,
que até o refugo dos teus actos vem
em força e grantia tão dotado
que o teu pior, em mim, é sumo bem?
Quem te ensinou a pôr-me a amar-te mais,
se causa de ódio mais escuto e vejo?
Se eu amo o que detestam outros tais,
não deves detestar-me em tal cotejo.
Se na baixeza meu amor levantas,
mais valho de que tu me ames às tantas.
»

«Essa Puta Tão Distinta» é o novo romance de Juan Marsé

essa-puta-tao-distintaA Dom Quixote acaba de lançar em Portugal Essa Puta Tão Distinta, o novo livro do catalão Juan Marsé, um «romance magnífico», assegura a editora, «que nos conduz pelos caminhos da memória e do esquecimento, com a consciência de que, por vezes, as recordações são bombons envenenados».

Sinopse: «Numa tarde de Janeiro de 1941, Carol dirige-se, sem grande vontade, ao cinema Delicias. Usa saltos altos, meias pretas e veste uma gabardina meio desapertada. A sala está a abarrotar: os cartazes anunciam a reposição de Gilda e faz-se fila para ver esse corpo de mulher feito de curvas e sorrisos, mas a Carol isso é-lhe indiferente. Em vez de se juntar ao público, sobe até à cabina de projeção. Ali, espera-a Fermín Sicart, o operador que, a troco de umas moedas e de um triste lanche, vai desfrutar dos seus encantos, mas hoje algo corre mal e Carol não sairá com vida desse encontro.
Mais de trinta anos depois, no verão de 1982, alguém decide fazer um filme a partir desses factos escabrosos. O processo judicial é claríssimo: houve um crime, uma vítima e um assassino… Fermín, réu confesso, lembra-se perfeitamente de ter estrangulado a sua amada Carol com uma tira de película de filme, só não sabe porque o fez.»