Category Archives: BD

Eu e os comics e o Rocket Raccoon

m-rr1Estranhamente, sempre tive uma relação complicada com os comics. Sempre gostei de banda desenhada, principalmente franco-belga, mas nunca consegui abraçar em definitivo os comics. E tenho constantemente a perceção de que ando a perder algo de muito bom. A ideia com que fico é que nunca quis apanhar um comboio em andamento e com destinos múltiplos, porque a verdade é que nos comics as histórias são essencialmente em continuação e eu nunca sabia por onde lhes pegar. Depois, são invariavelmente universos complexos, desdobrados em várias latitudes, onde quase era preciso um guia para um leitor se orientar.
Assim, fui deixando os comics de parte, com umas tentativas esporádicas de me lançar nesse mundo que ao mesmo tempo me atraía para logo me rechaçar. Confesso que todos aqueles universos de super-heróis me «assustavam».
Mas resolvi fazer mais uma tentativa e socorri-me de uma muleta: Star Wars. Comecei a ler aqueles livros que têm saído com coleções completas e a experiência está a valer bem a pena.
Assim sendo, resolvi dar um novo passo e iniciar-me numa coleção que estivesse a começar agora. Precisava de um pretexto e encontrei-o. A 28 de dezembro de 2016 começaram a sair na Marvel as novas histórias do Rocket Raccoon (personagem de Os Guardiões da Galáxia) desenhadas pelo português Jorge Coelho. Comprei o primeiro número e fiquei bastante satisfeito. Com a história, com o humor da mesma e o rumo que pode tomar e também (o que para mim é essencial) com os desenhos. São mesmo do tipo que eu aprecio, com cor e vida e traços bem definidos. Assim, fiquei cliente e aguardo a saída do próximo número, na esperança de confirmar se este será o pontapé de saída para começar a lançar-me definitivamente no universo fantástico dos comics.
E já que está na moda dizer que se deve dar prioridade aos produtos portugueses, imitem-me. Apanhem o comboio comigo. O Jorge Coelho é mesmo bom. Também se não fosse não estaria na Marvel, certo?

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«Lucky Luke – A Terra Prometida» é lançado amanhã a nível mundial

lucky-lukeA Terra Prometida, novo álbum de Lucky Luke, herói de banda desenhada criado por Goscinny, será amanhã (4 de novembro) lançado a nível mundial e a apresentação da edição portuguesa ocorre no Amadora BD, às 18h30. O livro, da autoria de Jules (um novo argumentista) e Achdé (ilustrador), e editado pela ASA, será apresentado por António José Simões e João Miguel Lameiras.

Sobre o livro: «Quem haveria de imaginar um encontro entre Lucky Luke e as tradições judaicas? Para o regresso, muito esperado, de uma das séries míticas da banda desenhada mundial, os autores Jul e Achdé atribuíram ao eterno justiceiro uma missão algo rocambolesca: escoltar toda uma família judia proveniente da Europa de Leste e acabada de sair de uma travessia marítima, até ao Oeste selvagem!
O cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra já se tinha cruzado com várias personagens singulares: um príncipe russo em O Grão-Duque, um aristocrata inglês em O Tenrinho, um psicólogo vienense em Os Dalton e o Psicólogo… Por isso, quando o seu amigo Jack Malapata lhe pede para ele acompanhar a sua família (a quem não tinha tido coragem de confessar que era um cowboy e que o julgam, portanto, um advogado em Nova Iorque), Lucky Luke não hesita.
Com um avô religioso obcecado pelo shabat, uma mãe decidida a empanturrar Lucky Luke de carpa recheada, uma jovem pudica e virtuosa que procura o marido ideal (advogado ou médico, de preferência, mas se for cowboy também serve!), e um garoto traquinas mais interessado no Faroeste do que no seu Bar-Mitzvá, a viagem promete ser longa e agitada…
Salteadores, jogadores de póquer, ataques de índios ferozes (a tribo dos Blackfoot, de péssima reputação), todo o universo de Lucky Luke vai ser confrontado com este choque de culturas. Mas, no final da viagem, será o nosso cowboy solitário e a sua nova família de adoção quem terão aprendido a ultrapassar os obstáculos e os preconceitos.»

«O Azul É Uma Cor Quente» e «S.O.S. – Meteorologia» são mais duas novidades BD da Arte de Autor

sosazulA Arte de Autor tem estado muito ativa nos últimos dias a apresentar novidades de BD e os dois últimos casos são O Azul É Uma Cor Quente, de Julie Maroh (argumento e desenhos), e As Aventuras de Philip & Francis – S.O.S. – Meteorologia (argumento de Pierre Veys e desenho de Nicolas Barral).
O Azul É Uma Cor Quente foi a obra que inspirou o filme A Vida de Adéle, de Abdellatif Kechiche, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2013. Quanto a S.O.S. – Meteorologia é uma paródia à série Blake e Mortimer. Trata-se do terceiro volume da série, estando os outros dois já editados em Portugal.

Sinopse de O Azul É Uma Cor Quente: «O livro conta-nos a história de Clementine, uma adolescente de 15 anos que, um dia se cruza na rua com um par de raparigas. Uma delas tem o cabelo pintado de azul e sorri-lhe. A partir desse preciso momento, tudo muda na vida de Clementine: a sua relação com os amigos na escola, a sua relação com a família, as suas prioridades… e sobretudo a sua sexualidade.»

BD: Druuna regressa com «Anima» para nos contar as suas origens

druunaA Arte de Autor traz de volta às livrarias uma heroína que há muito andava desaparecida, Druuna. Ao que parece já há uns vinte anos que esta BD de adultos se encontrava esgotada em Portugal.
Neste álbum, Anima, o tomo 0, Druuna, criada pelo italiano Paolo Eleuteri Serpieri, revela as suas origens numa história sem palavras, que marca o regresso da heroína 13 anos após a sua última aparição. Serpieri retoma assim as aventuras que misturam ficção científica com fantasia, num ambiente erótico.
O álbum agora editado tem 96 páginas, incluindo um caderno de 18 com esboços e uma história inédita de sete páginas datada de 1981.

Sobre Serpieri (informação da editora): «Nasceu em 1944, em Veneza. Começa a sua carreira profissional como pintor em 1966, antes de se virar para a banda desenhada, o que acontece em 1975. Grande apaixonado por Westerns, co-escreve L’Histoire du Far-West, série sobre o oeste americano com argumento de Raffaele Ambrosio, a qual é publicada em França pelas edições Larousse.

A partir de 1980 trabalha para diferentes projectos, tais como Découvrir la Bible, também para a Larousse, e numa série de histórias curtas para diferentes revistas.

Em 1985 cria a série Druuna, a qual é constituída por 8 volumes publicados originalmente entre 1985 e 2003.»

«Como Viaja a Água» é a estreia a solo de Juan Díaz Canales

aguaA Arte de Autor editou em setembro o álbum de BD Como Viaja a Água, com argumento e desenhos de Juan Díaz Canales, guionista da série Blacksad. Esta é a estreia a «solo» do espanhol Canalaes.

Sinopse: «Aos 83 anos, Aniceto tem muito poucos incentivos para se levantar todas as manhãs. Com o seu pequeno grupo de amigos octogenários, decide animar um pouco a sua rotineira existência dedicando‐se à venda e tráfico de artigos roubados. O que começa quase como um passatempo torna‐se inesperadamente numa tragédia quando os companheiros de Aniceto começam a aparecer mortos em estranhas e violentas circunstâncias.»

«O Estrangeiro», de Albert Camus, adaptado à BD por Jacques Ferrandez

estrangeiroO Estrangeiro, de Albert Camus, foi adaptado ao formato de banda desenhada por Jacques Ferrandez e o álbum que daí resultou será editado em Portugal, em novembro, pela Arcádia, do grupo Babel.
Ferrandez nasceu, ele próprio em Argel, onde decorre a ação do romance da Camus. Estudou e vive em França, onde construiu a sua carreira, tendo-se especializado na questão argelina. Em 1987 deu início aos Carnets d’Orient, sobre a presença francesa na Argélia, obra que manteve ao longo de vinte anos. Em 2009 adaptou à BD O Hóspede, também de Camus.

Sinopse: «Num dia quente, Meursault apanha o autocarro que o conduz de Argel ao asilo, onde vai ao enterro da mãe. Mais tarde, no velório, aceita um café que lhe oferecem, tem vontade de fumar um cigarro e não chora. Encontra Marie com quem se envolve porque a deseja. Num dia quente, Raymond – um amigo que se envolveu numa quezília com o irmão de uma amante –, Mersault e Marie vão à praia. E é nesse cenário que Mersault se desnorteia com o calor, puxa do gatilho e dispara cinco tiros que se revelam fatais para outro homem. É de imediato acusado de assassinato e preso.
Nesta obra, Camus apresenta-nos um homem estrangeiro a si próprio e que assiste, indiferente, ao seu próprio julgamento e condenação à morte.»