«Medo – Trump na Casa Branca» chega a Portugal em Novembro

MedoNos Estados Unidos, já chegou às livrarias, mas por cá também não falta muito. Medo – Trump na Casa Branca, livro do consagrado jornalista norte-americano Bob Woodward (para quem não sabe um dos responsáveis pela investigação jornalística ao caso Watergate), será editado na primeira quinzena de novembro pela Dom Quixote.

Sobre o livro:
«Tendo acompanhado e investigado a fundo oito presidências, de Nixon a Barack Obama, Bob Woodward revela em primeira mão, num relato sem precedentes e com detalhes nunca antes contados, a vida brutal dentro da Casa Branca de Donald Trump, e como ele decide sobre as grandes questões da atualidade política nacional e internacional.
Woodward baseia-se em centenas de horas de entrevistas com fontes de informação em primeira-mão, e também em notas de reuniões, diários pessoais, ficheiros e documentos oficiais. Medo conta ainda os debates explosivos e as tomadas de decisão na Sala Oval, na Situation Room, no Air Force One e na residência oficial da Casa Branca e é o retrato mais íntimo de um presidente norte-americano em funções alguma vez publicado durante os seus primeiros anos no cargo.»

Anúncios

Porto Editora lança «Três Coroas Negras», de Kendare Blake, na Comic Con Portugal

Três Coroas NegrasTrês Coroas Negras, da sul-coreana Kendare Blake, marca o início de uma nova série literária que chega a Portugal a 6 de setembro, numa edição Porto Editora. O primeiro volume desta tetralogia de fantasia será apresentado na Comic Con Portugal (Passeio Marítimo de Algés) no próximo dia 9, às 12h45, num painel moderado pela radialista Ana Galvão, onde Kendare Blake participa através de um vídeo. Será discutida a literatura fantástica no feminino, o universo criado para esta obra de fantasia e a influência de outras autoras e livros nesta saga épica.
Na ocasião será lançada uma edição exclusiva de Três Coroas Negras, um livro autografado com uma capa especial e três capítulos extra.

Sinopse
«A CADA GERAÇÃO, NA OBSCURA ILHA DE FENNBIRN, NASCEM TRÊS IRMÃS GÉMEAS.
Três rainhas herdeiras de um só trono, cada uma possuindo um poder mágico muito cobiçado. Mirabella é capaz de inflamar o incêndio mais violento ou a tempestade mais terrível. Katharine consegue ingerir um veneno mortal sem sentir os seus efeitos. De Arsinoe diz-se capaz de fazer florir a rosa mais vermelha e controlar o leão mais feroz.
Mas para uma delas ser coroada rainha, não basta ter a linhagem certa. As trigémeas terão de conquistar o seu direito à coroa, lutando por ele… até à morte.
Na noite em que as irmãs completam 16 anos, a batalha começa. E a rainha que sobreviver, conquistará a coroa!»

Feira do Livro do Porto abre portas nos Jardins do Palácio no dia 7 de setembro

A Feira do Livro do Porto (nos jardins do Palácio de Cristal) começa no próximo dia 7 de setembro (sexta-feira) e o programa já foi apresentado, podendo ser consultado/descarregado aqui na sua versão em PDF. O homenageado da edição deste ano da Feira (que dura até 23 de setembro) é o cantor/compositor José Mário Branco, escolha apropriada num evento em que se debate as ligações entre a literatura e a música.
Mas, José Mário Branco vai estar acompanhado nesta Feira do Livro por outros nomes cativantes, sendo talvez o mais conceituado a nível internacional o da escritora francesa de origem marroquina Leila Slimani, cujo seu romance que adequadamente se intitula Canção Doce ganhou em 2016 o Prémio Goncourt. Outros nomes presentes serão Mia Couto, Afonso Cruz, Mario de Carvalho, Bernardo Carvalho, José Riço Direitinho, Filipa Martins, etc.
Haverá ainda lugar a uma evocação das manifestações estudantis do Maio de 68. Terá lugar no dia 14, às 19h00, e conta com a presença, nada mais nada menos, do próprio Daniel Cohn-Bendit. A sessão, moderada por Rui Tavares, terá por título As Revoluções Imprescindíveis.
Mas, isto é só uma amostra do que há para ver. Tudo em pormenor no programa disponibilizado umas linhas ali acima. Vão ser servidos debates, filmes, música, exposições, um curso de literatura e livros, muitos livros, nas dezenas de bancas espalhadas pelos jardins do Palácio.

Nomeados para os Galardões BD 2018

GBDA 8 de setembro vão ser conhecidos os vencedores dos Galardões de BD 2018, numa cerimónia integrada na edição deste ano da Comic Con Portugal, a decorrer no Passeio Marítimo de Algés de 6 a 9 deste mês.
Os vencedores sairão das cinco categorias selecionadas pelos 21 elementos do Grande Júri, onde eu (Rui Azeredo) me incluo enquanto blogger.
A lista de candidatos é a seguinte, dividida pelas cinco categorias.

Galardão Anual BD Comic Con (para o melhor álbum)
Comer/Beber, de Filipe Melo e Juan Cavia (Tinta da China)
Man Plus, de André Lima Araújo (Kingpin Books)
Olimpo Tropical, de André Diniz e Laudo Ferreira (Polvo)
Os Regressos, de Pedro Moura e Marta Teives (Polvo)

Galardão Melhor Argumento
André Lima Araújo, em Man Plus (Kingpin Books)
Fernando Dordio, em O Elixir da Eterna Juventude (Kingpin Books)
Filipe Melo, em Comer/Beber (Tinta da China)
Pedro Moura, em Os Regressos (Polvo)

Galardão Melhor Desenho
André Lima Araújo, em Man Plus (Kingpin Books)
Fábio Veras, em Jardim dos Espectros (Escorpião Azul)
Manuel Morgado, em Dragomante (G-Floy/ComicHeart)
Marta Teives, em Os Regressos (Polvo)

Galardão Melhor Curta
Fränzi ou A Ponte Destroçada de Um Ilustrador, de Nuno Saraiva (da antologia Viagens, da Comic Heart/G-Floy)
Monte Morte, de André Oliveira e Jorge Coelho (da antologia Silêncio, da Comic Heart/G-Floy)
Monstros, de Filipe Pina e Nuno Lourenço Rodrigues (da antologia Silêncio, da Comic Heart/G-Floy)
Nem Todos Os Cactos Têm Picos, de Mosi (Polvo)

Galardão Melhor BD de Autor Estrangeiro
Afirma Pereira, de Pierre-Henry Gomont, baseado na obra de Antonio Tabucchi (G-Floy)
Bouncer: Hell and Back, de Alexandro Jodorowsky e François Boucq (Arte de Autor)
Ecos Invisíveis, de Tony Sandoval e Grazia La Padula (Kingpin Books)
O Legado de Júpiter vol.1, de Mark Millar e Frank Quitely (G-Floy)

Autores de topo presentes na Comic Con 
Aproveitando a deixa, refira-se que vão estar presentes na Comic Con 2018 vários autores de topo de BD, provenientes desde os comics norte-americanos à banda desenhada europeia, entre outros a géneros. A lista de convidados inclui nomes como Batem, Chris Claremont, Yves Sente, Mark Waid, Mauricio de Sousa, Joe Prado, Tony Sandoval e Miguelanxo Prado, entre outros.

drago.jpgFilipe Faria fala na Comic Con sobre Dragomante no dia 9
No último dia da Comic Con (domingo, 9), o escritor Filipe Faria, responsável pelo argumento da BD Dragomante – Fogo de Dragão (ilustrada por Manuel Morgado), vai estar presente às 16h30 num painel (moderado por mim, Rui Azeredo) para conversar precisamente sobre esta sua obra. Filipe Faria ganhou notoriedade como escritor  do género fantástico, com obras como a série As Crónicas de Allarya.
O autor, que já antes trabalhara com Manuel Morgado em Talismã, vai marcar também presença em duas sessões de autógrafos, nos dias 8 e 9. Manuel Morgado também estará presente para autógrafos no dia 8.

Amesterdão – Moco Museum, à vontade entre gigantes

dsc_0162.jpgO Moco Museum, em Amesterdão, está cercado por gigantes. Arrojadamente situado na Museumplein (a ampla Praça do Museus), é, por isso, vizinho dos gigantes Rijksmuseum (A Ronda Noturna de Rembrandt, entre muitas, muitas outras obras), do Museu Van Gogh (a maior coleção de Van Gogh do mundo) e do Stedelijk Museu (arte contemporânea).
Mas o Moco Museum, inaugurado em 2016, tem os seus próprios atrativos, e não são poucos, começando pelo edifício, a Villa Alsber, projetada em 1904 por Eduard Cuypers (sobrinho de Pierre Cuypers, que desenhou o Rijksmuseu). Serviu como residência até 1939, altura em que foi entregue aos sacerdotes que lecionavam na escola de São Nicolau. Antes de ser museu serviu ainda como sede de uma firma de advogados. Já agora, uma explicação para o nome, Moco: vem de Modern Contemporary.
DSC_0088 (2)Mas a cereja no topo do bolo é o facto de presentemente, e até 15 Janeiro de 2109, ter patente uma completa exposição de Banksy, depois de já ter recebido mostras dedicadas a Andy Warhol, Salvador Dali e Roy Lichtenstein. O «anónimo» Banksy, artista britânico famoso pela sua streetart, tem aqui expostas algumas das suas obras mais conhecidas, trazidas das ruas. DSC_0070Mas, essencialmente, as obras expostas no Moco foram concebidas para interiores, entre as quais algumas telas, como beanfield, mas como não reparar em the Girl with the Ballon, ou Laugh now and, entre tantas outras?

Icy e Sot, do Irão para Nova Iorque

 

Mas Banksy não está sozinho no Moco Museu, antes pelo contrário, está muito bem acompanhado, pois também se encontra patente uma interessante mostra dos certeiros e implacáveis irmãos iranianos Icy e Sot, conhecidos por «Banksy do Irão», dado que também se dedicam à streetart. Com obras suas banidas no Irão, por serem consideradas controversas, mudaram-se para Nova Iorque, onde continuaram a apostar em temas como opressão, fama, liberdade, guerra e sonhos. Parte do resultado está patente no Moco Museum e ninguém sai de lá indiferente, seja pela temática, seja pela estética e valor das obras.

Van Gogh segundo Liechtenstein
DSC_0155.JPGE, na cave, há ainda uma belíssima reprodução em 3D de uma obra de Liechtenstein, que por sua vez se inspirou em Van Gogh. Explicando melhor: foi montado um quarto baseado no quadro de Liechtenstein Quarto em Arles, que ele pintou segundo um postal da famosa obra de Van Gogh O Quarto do Pintor em Arles.  O visitante pode circular pela divisão e sentir em simultâneo a «presença» de dois consagrados artistas.

No jardim, à vista de todos

Mas não é tudo. No jardim envolvente à casa, também há arte, esta com a vantagem de poder ser apreciada desde o exterior, sem pagar bilhete. Mas o melhor mesmo é entrar, pois é possível tocar e usar algumas das obras, de artistas como WhIsBe (especializado em «gomas de ursinhos»), Banksy, Fidia Falaschetti e Marcel Wander.

Mais informações em: https://mocomuseum.com/

 

 

 

 

Umas luzes sobre tradução e revisão

IMG_1159.JPGDado que a minha formação profissional foi outra, jornalismo, até poderia não ser a pessoa mais indicada para estar a dar aqui umas luzes sobre o que é a tradução e também a revisão literária. No entanto, já levo uns anos de experiência, com umas boas dezenas de traduções e revisões na «mala», e, por isso, acho que podem ficar minimamente descansados.
Para quem não sabe, ou nunca pensou, como funciona o processo de tradução de uma obra literária, aqui ficam então algumas luzes; da revisão «falarei» mais à frente neste texto, dado que se trata de uma fase posterior no processo de elaboração de um livro.
Uma editora, por norma, tem uma carteira de tradutores (trabalhadores independentes) com quem trabalha habitualmente e a quem encomenda as suas traduções. Para isso, pode ter em conta, quando possível, o facto de o tradutor já conhecer a obra do escritor em causa (pode ter trabalhado outros livros do autor), por já haver uma útil familiaridade, ou de estar habituado ao género literário do livro em causa. Havendo disponibilidade e interesse da parte do tradutor, é-lhe enviado o original. Hoje em dia, este original, por norma, é em PDF, sendo cada vez mais raro haver traduções feitas a partir de livros em papel – nem queiram saber o estado em que por norma ficam esses livros, às vezes até com blocos de páginas arrancados para serem mais fáceis de manusear. E, então, o tradutor começa a trabalhar no Word (ou outro processador de texto), por norma pressionado por um prazo apertado.
Um tradutor deve ter sempre em conta a «casa» para quem trabalha, pois entre as editoras há sempre pequenas «divergências» em termos de estilo. Por exemplo, que tipos de aspas usar, deve seguir o artigo antes do nome nos diálogos (ou até na própria narrativa, especialmente nas obras para públicos mais jovens), respeitar ou não o novo acordo ortográfico, os nomes das personagens devem ser traduzidos, 8th Avenue ou Oitava Avenida ou 8.ª Avenida, etc.
Depois, há situações e dúvidas com que nos vamos deparando a cada passo e que, às vezes, é preciso resolver na hora. Aí, sigo a regra que me ensinaram no dia em que comecei a trabalhar nesta área: «Rui, usa o bom senso.» É uma boa regra para se fugir ao aperto do formalismo que tende a afetar quem teve formação na própria área da tradução. Eu, enquanto tradutor, perdi muito (nem sei bem quanto) por não ter estudado na área, mas ganhei alguma liberdade para tornar as «coisas» menos formais, o que em certos casos é vantajoso. A falta de formação específica também me permite nunca tomar nada por garantido, o que me leva a fazer inúmeras consultas antes de me decidir. Nem imaginam quantas vezes eu estava errado em relação a algo.
Um dos maiores tropeções que um tradutor pode dar é traduzir à letra algo que tem outro sentido subjacente. Traduzido à letra até pode fazer sentido, mas perde-se o requinte da ideia original do escritor, com prejuízo para o próprio mas, principalmente, para o leitor. Uma frase, ou ideia, vulgar pode afinal ser uma preciosidade, que não deve permanecer oculta.

As «outras» línguas
O mais comum é traduzir do inglês para português, seguido pelo castelhano e pelo francês, mas também se faz, naturalmente, a partir de outras línguas menos comuns em Portugal, como o árabe, o hebraico, o polaco, o sueco, etc. A dificuldade, aqui, reside em encontrar quem tenha conhecimentos para traduzir essa língua para português. Há uma alternativa, na qual os leitores mais atentos já poderão ter reparado por vir referida na ficha técnica de um livro: «Traduzido a partir da edição inglesa/francesa/espanhola por…» Não é a solução ideal (uma tradução de uma tradução perde sempre algo pelo caminho), mas por vezes pode ser o próprio escritor a recomendar uma tradução por ser aquela que no seu entender mais respeita o original.
Outra dúvida que poderá afetar os leitores é saber como é possível uma obra em língua estrangeira ter edição simultânea em Portugal e no seu país de origem. Por exemplo, é o caso, por norma, dos livros de Dan Brown. Na verdade, é simples de explicar e de perceber. A obra é entregue antecipadamente ao editor que, quando o tempo escasseia, a distribui por vários tradutores em simultâneo. Cada um trabalha a sua parcela de livro, que depois serão reunidas, idealmente supervisionados por uma única pessoa, para tratar da uniformização de estilo e linguagem. Por norma, os envolvidos neste tipo de trabalho assinam um acordo de confidencialidade, para evitar que algo transpire antes do tempo para o exterior.

O melhor amigo dos tradutores
O revisor, papel muitas vezes ignorado que com frequência nem sequer é referido na ficha técnica, é o melhor amigo do tradutor. É o revisor que aperfeiçoa o texto, apanha as gralhas, descola o texto do original (está mais distante e tem mais facilidade em fazê-lo), corrige erros e interpretações mal feitas. A verdade é que quando um leitor lê um livro e aprecia a tradução não consegue perceber até que ponto foi a intervenção do revisor. Por exemplo, sei de um caso ocorrido há uns anos de uma tradução premiada que, na verdade, não era mais do que mediana. A revisão sim, fora excelente, mas o mérito foi todo para a tradutora. Para a revisora? Nem um agradecimento.
O ideal (possível e viável) é fazer duas revisões à tradução, podendo uma ser feita ainda em Word e outra já em papel, ou PDF, e paginado. Há quem defenda que deverá ser a mesma pessoa a fazer as duas, para limar o que deixou escapar na primeira (há sempre algo que escapa), mas também há quem opte por revisores diferentes para que, com outros olhos, um veja o que escapou ao primeiro. Ao contrário do que acontece com as traduções, há editoras que fazem as revisões internamente, socorrendo-se apenas ocasionalmente de revisores externos. Depende muito do fluxo de trabalho com que se deparem na altura.
Agora, sempre que ler um livro traduzido, já vai saber parte daquilo por que ele passou antes de lhe chegar às mãos.

(Texto originalmente publicado no blogue O Et(h)er dos Dias)
http://www.etherlive71.com

 

Nunca pensei, mas hoje digo com convicção «Ich Bin Ein Berliner»

DSC_0132 (2).JPGNunca imaginaria, há uns anos, que um dia pudesse vir a proferir com convicção a famosa frase de JFK, mas hoje em dia a verdade é que a digo com muito gosto e toda a convicção. Assim sendo, aqui vai: «Ich bin ein berliner.»
Tendo crescido a ler livrinhos de BD do Major Alvega e outros de guerra, especialmente da II Guerra Mundial, habituei-me, injustamente, é certo, a associar a Alemanha a nazis. «Achtung» e «schnell» eram das poucas palavras que conhecia em alemão, aprendidas em balões de BD saídos de bocas de malvados e carrancudos soldados germânicos. Assim sendo, sem querer fui pondo de parte a cultura germânica, ligando-me mais a influências inglesas, francesas e americanas.
Do lado de lá do Muro de Berlim também não vinha nada de bom, pois apesar de todo o secretismo tinha-se a perfeita noção de que ali, na República Democrática Alemã, não se vivia nada bem… exceto alguns privilegiados.
Dessa forma, nunca me ocorreu pensar numas férias na Alemanha. Até um dia, impulsionado pelos voos low-cost. E, meramente por uma questão de preços, Berlim foi o destino eleito. E que bela surpresa se revelou. Por norma, encontro pontos de interesse em praticamente todos os locais que visito, mas Berlim foi daquelas cidades em que, sem falsidade nem exagero, pude dizer: «Moraria aqui com gosto.»

Grande, mas sossegado
DSC_0212.JPGVale bem a pena desfrutar da cidade ao ar livre, sentir a rua, percorrer as avenidas amplas e ordenadas, entre edifícios majestosos, mas nada intimidantes, aproveitar os jardins e os muitos canais que ajudam a cidade a respirar. Esplanadas não faltam, nem cafés de requinte, ou restaurantes de todos os pontos do globo, sendo obrigatório provar a cerveja local.
O ambiente é calmo e sossegado, exemplificado no trânsito, apesar da grande dimensão da cidade, pois tudo tem o seu espaço e o seu ritmo, sem sufocos, sem pressas.
A cada passo, surge a inevitável presença do que resta do Muro de Berlim, alguns troços ainda intactos, outros em escombros por ação dos caçadores de relíquias, ou então demarcado no chão em todo o seu comprimento, uma mera recordação de uma linha que chegou a dividir não só uma cidade, mas grande parte do mundo. Nos pontos mais importantes, há explicações, enquadramentos e evocações do que se foi passando junto ao mais famoso muro do mundo.
DSC_0230.JPGBerlim foi uma cidade desunida que agora representa unidade e um dos locais onde isso será mais visível e palpável será a famosíssima Alexanderplatz. Esteticamente, não é das praças mais bonitas do mundo, mas a variedade de gente e de culturas que a «habita», sendo um ponto de encontro de locais e visitantes, poderá ser um belo resumo do que representa hoje Berlim.  Toda a gente lá passa e para, conversa-se, olha-se, respira-se.

Aceitar o passado
O modo como os alemães enfrentam o passado, sem o renegarem, é uma lição para todos, nomeadamente para os portugueses que, passados tantos anos, ainda sentem tanta dificuldade em encontrar a melhor forma de lidar com os seus quase cinquenta anos de ditadura. Esta abertura a discutir o passado, em vez de o varrer para debaixo do tapete, foi uma coisas que mais me seduziu nos alemães.
Em Berlim, o passado nazi não é apagado, basta ver, por exemplo, a bela e recheada ala dedicada a esta época no museu de história da Alemanha, o Deutsches Historisches Museum.
DSC_0054.JPGE o que dizer da RDA? O museu da DDR junto ao rio Spree, do outro lado da Berliner Dom, é um excelente espaço, bem equipado e recheado, traçando um retrato bem conseguido sobre como era a vida na Alemanha Oriental nos tempos da influência soviética, sem esquecer o devido enquadramento político e social. Educativo, formativo, mas também descontraído, reproduz o ambiente doméstico, exibe um Trabant, jornais da época e material diverso.
DSC_0307.JPGSaindo um pouco mais do centro da cidade, e para quem tiver mais estômago, é de visitar o Berlin-Hohenschönhausen Memorial, onde funcionava, nomeadamente, a antiga prisão da STASI, polícia secreta da RDA, para onde eram sorrateiramente levados, e depois muito maltratados (no mínimo), todos aqueles de quem o regime desconfiava, com ou sem razão.
IMG_0825Mais ligeiro, mas igualmente bem montado e cativante, o moderno museu dos espiões, Deutsches Spionage Museu (no centro, na Leipziger Platz), exibe toda a parafernália dos espiões ao longo dos anos, mais parecendo a sala de equipamentos de James Bond. Por falar de 007, este também tem direito a uma pequena ala, na única zona dedicada à espionagem de ficção. Sendo Berlim uma das capitais mundiais da espionagem, não terá sido complicado montar este espaço, e isso, aliado a uma boa dose de imaginação, permitiu engendrar um «pequeno» museu capaz de cativar todos os públicos, com algumas bem conseguidas atividades para os mais jovens.

O que sobra do Leste
IMG_0814.JPGBerlim, desde a reunificação (anexação?) alemã, está constantemente em remodelação, com novos prédios a substituir a cinzenta arquitetura da RDA. Pouco restará do que pertenceu em tempos à Alemanha de Leste, mas ainda há nas ruas uns vestígios, que funcionam mais como curiosidades turísticas do passado. É possível, por exemplo, circular num velho Trabant, que emana do seu escape um fedor que levará os mais velhos a recordar, sem saudades, os seus carros poluentes dos anos 70 e 80. Já não achava possível ver sair tanto fumo de um único escape.
E nas passadeiras é impossível não sorrir diante do simpático Ampelmann. Quem é ele? O bonequinho, vermelho ou verde, que nos semáforos dá instruções aos peões e que é hoje um símbolo da Berlim unida.DSC_0455.JPG(Texto e algumas fotos originalmente publicados no blogue O Et(h)er dos Dias) http://www.etherlive71.com