Monthly Archives: Maio 2009

“Filho da Guerra”, história de criança soldado do Sudão, sai a 12 de Junho

pe-filhoA Albatroz (chancela da Porto Editora) lança a 12 de Junho “Filho da Guerra”, a história verídica de Emmanuel Jal, um músico que, em criança, participou na Guerra do Sudão.
Jal, um dos Meninos Perdidos do Sudão, testemunhou e praticou actos de extrema brutalidade, no contexto da guerra civil que se desenvolvia no país. Memórias de terror surgem nesta autobiografia, que revela a fúria que a guerra lhe ensinou, mas também a forma como conseguiu superá-la.
Inspirado por Mahatma Ghandi, Martin Luther King e Nelson Mandela, Jal, segundo a sinopse da obra, “socorreu-se da música como instrumento para o seu próprio processo de cura e incentivo à paz no seu país, tornando-se um dos mais promissores cantores rap africanos, reconhecido internacionalmente.”
pe-jalEmmanuel Jal é um artista rap que conquistou notoriedade internacional com os seus temas de hip-hop com mensagens de paz e reconciliação, inspiradas nas suas experiências de guerra.
Em 2005, editou o seu primeiro álbum musical, “Gua” (“paz” na sua língua nativa – o nuer), e, em 2008, lançou um novo álbum, “War Child”, que é também o nome de um documentário sobre a sua vida, vencedor do Tribeca Film Festival Cadillac Audience Award em 2008.
A sua música integrou a banda sonora do filme “Blood Diamond” (“Diamante de Sangue”), o documentário “God Grew Tired of Us” e três episódios da série “Serviço de Urgência”.

 As primeiras páginas de “Filho da Guerra” estão disponíveis em http://recursos.portoeditora.pt/recurso?&id=1118996

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“Casas Contadas”, de Leonor Xavier, apresentado a 4 de Junho, em Lisboa

asa-casas c“Casas Contadas”, obra da autoria de Leonor Xavier editada pela ASA, será apresentada a 4 de Junho (quinta-feira), às 19h00, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa. A apresentação estará a cargo de Helena Matos.
Nesta obra temos uma vida, a da autora, contada através de treze casas, onde Leonor Xavier viveu experiências marcantes, para ela e para toda uma geração.
Oriunda de uma família da média-alta burguesia, casada com um jurista, com três filhos pequenos, passa do ambiente protegido de uma família tradicional numa casa da Lapa, para São Paulo, no Brasil, quando, em 1975, ela e o marido decidem começar uma nova vida fora de Portugal.

Robin Cook em Portugal a 8 de Junho

ea-Robin_CookO escritor norte-americano Robin Cook, autor de bestsellers como “Estado Crítico”, “Marcador” ou “O Corpo Estranho”, vai estar em Portugal a 8 de Junho (segunda-feira), onde irá protagonizar uma conferência de imprensa e participar numa sessão de autógrafos promovida pela sua editora, as Publicações Europa-América.
Robin Cook, conhecido como criador do “thriller médico”, vai estar a partir das 18h30 na Livraria (Piso 0) do Corte Inglês de Lisboa.
Nascido na década de 40, em Nova Iorque, Robin Cook formou-se em Medicina (especialização em Oftalmologia) pela Universidade da Columbia e fez pós-gradução em Harvard. As suas histórias têm como pano de fundo os hospitais e os seus protagonistas. Alguns dos seus livros foram adaptados para telefilmes: “Coma” (1978), “Intenção Criminosa” (1993), “Medo Mortal” (1994), “Vírus” (1995), “Terminal” (1996) e “Invasão” (1997).

II Volume das Obras Completas de Urbano Tavares Rodrigues apresentado a 29 de Maio na Bulhosa de Entrecampos

DQ-Obras_Completas_UTR_Volume_IIO II Volume das Obras Completas de Urbano Tavares Rodrigues (uma edição da Dom Quixote) será apresentado a 29 de Maio (sexta-feira) pelas 18h30, na Livraria Bulhosa de Entrecampos, em Lisboa. O livro será apresentado por Manuel Gusmão, autor do prefácio da obra.
Este II Volume das Obras Completas de Urbano Tavares Rodrigues inclui “Uma Pedrada no Charco”, “As Aves da Madrugada”, “Bastardos do Sol” e “Nus e Suplicantes”, títulos que surgiram por esta ordem entre 1958 e 1960.
“Bastardos do Sol”, lançado em 1959, é na realidade o primeiro romance de Urbano Tavares Rodrigues, enquanto “As Aves da Madrugada” se trata de uma recolha de contos e novelas. “Uma Pedrado no Charco” e “Nus e Suplicantes” aglomeram mais novelas do escritor nascido em 1923. 
O prefácio de Manuel Gusmão, segundo a editora Dom Quixote, “desmonta todos os processos narrativos do autor de ‘Bastardos do Sol’ e ilumina os caminhos da solidariedade que tornam estes seus livros em comovedoras obras de resistência.”

dq-utr1Biografia disponibilizada pela Dom Quixote
Urbano Tavares Rodrigues não é apenas o grande escritor do Alentejo, das suas gentes e das suas paisagens, é também o romancista e contista de Lisboa e de outras atmosferas cosmopolitas que, como jornalista e professor universitário, bem conheceu, viajando por todo o mundo.
Catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa, membro da Academia das Ciências (Secção de Letras), tem uma vasta obra literária e ensaística traduzida em inúmeros idiomas, do francês e do espanhol ao russo, ao grego, ao romeno, ao búlgaro, ao checo, ao alemão, ao inglês, ao catalão, ao ucraniano, ao croata, ao japonês, ao italiano, ao holandês e ao chinês.
Obteve diversos prémios, entre eles o de Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Fernando Namora e o Ricardo Malheiros da Academia das Ciências.
De entre os seus maiores êxitos de crítica e de público, lembramos “A Noite Roxa”, “Bastardos do Sol”, “Os Insubmissos”, “Imitação da Felicidade”, “Fuga Imóvel”, “Violeta e a Noite”, “O Supremo Interdito”, “Nunca Diremos Quem Sois”, “A Estação Dourada”, “O Eterno Efémero”, “Ao Contrário das Ondas”, “Os Cadernos Secretos do Prior do Crato”. “A Última Colina”, livro de contos, é a sua mais recente obra.
Urbano Tavares Rodrigues, que foi afastado do ensino universitário durante a ditadura de Salazar e Caetano, participou activamente na resistência e foi preso e encarcerado várias vezes nos anos 60.

“Grandes Batalhas Navais Portuguesas” apresentado a 28 de Maio no Museu da Marinha

el-batalhas navaisO Pavilhão das Galeotas, no Museu da Marinha, em Lisboa, acolhe a 28 de Maio (quinta-feira) a apresentação da obra “Grandes Batalhas Navais Portuguesas – Os combates que marcaram a História de Portugal”.
A obra, assinada por José António Rodrigues (actual director do Museu da Marinha) e editada pela Esfera dos Livros, será apresentada a partir das 18h30 pelo contra-almirante José Luís Leiria Pinto.
Neste livro, António Rodrigues Pereira traça um retrato detalhado de 39 grandes combates navais que marcaram a nossa história.
O livro, com cerca de 400 paginas, tem mais de 50 mapas, esquemas de batalhas e uma colecção rica de imagens e, segundo a sinopse, relata com precisão e rigor histórico o desenvolvimento marítimo português, os conhecimentos científicos das artes de navegação adquiridos ao longo de séculos, o domínio dos ventos e dos mares, a evolução da nossa construção naval e das nossas embarcações e a bravura dos nossos navegadores e estrategos militares.

José Afonso Furtado – Entrevista a propósito de “A Edição de Livros e a Gestão Estratégica” (1.ª parte)

bt-furtado_foto_completaJosé Afonso Furtado, a propósito do seu livro  “A Edição de Livros e a Gestão Estratégica” (uma edição Booktailors), deu uma extensa entrevista ao blog Porta-livros, da qual apresentamos aqui a primeira parte. O autor traça aqui um detalhado exame ao panorama da edição em Portugal, onde, entre outros pontos, faz o contraponto entre gestão e emoção na hora de lançar um livro e manifesta a sua estranheza relativamente à falta de dados sobre o mercado, uma situação de secretismo que não entende e para a qual não encontra justificação.   

A quem serve o seu livro e a quem pretende chegar com ele?
Inicialmente eu não tinha previsto escrever este livro, pelo menos na forma que acabou por assumir. A sua génese prende-se com a necessidade de me deter para reflectir sobre a adequação e o rigor de alguns pressupostos e conceitos vulgarizados no sector editorial, e que eu mesmo utilizava em boa medida em diversas circunstâncias. Neste sentido, começou por consistir num conjunto de leituras e apontamentos que me serviam essencialmente como base de trabalho pessoal. A dado momento, a Booktailors convidou-me para elaborar um texto, que faria parte de uma obra colectiva, com que pretendiam inaugurar uma nova área de intervenção, uma série de obras dedicadas em exclusivo ao sector do livro e da leitura. Esse foi o pretexto próximo para passar a uma outra lógica, para a transformação de todo o material e anotações entretanto acumulados num texto destinado a publicação. Como essa tarefa acabou por exceder os limites tradicionais de um artigo ou ensaio, acabámos por optar pela edição de uma monografia que, pela sua dimensão, permitia desenvolver e aprofundar as preocupações que tinham estado na sua origem. Assim, embora a sua génese surja em boa parte ligada à formação na área dos estudos editoriais, a maioria dos temas abordados vão além desse objectivo imediato, apontando para um público de profissionais, investigadores ou, pelo menos, interessados no sector do livro e da edição.

Há a tendência para afirmar que o negócio dos livros é muito específico, muito diferente dos outros, que é preciso uma sensibilidade especial porque os livros são um produto especial. Isso é mesmo assim ou hoje em dia tal imagem já não passa de um mito?
Sim e não. Por um lado, não é possível ignorar que o livro ocupa um lugar central na nossa civilização de origem greco-judaica, um estatuto de excepção pelo seu carácter simbólico, por uma quase sacralidade que, como referiu Derrida, terá pontuado toda a história das técnicas de inscrição e de arquivo, toda a história dos suportes e modos de impressão. Da palavra de Deus à palavra do homem, o livro foi garantia da memória, da existência da ordem e da lei, parecendo ter recolhido da Bíblia esse suplemento que lhe confere um claro privilégio de autoridade. A nossa relação simbólica com a escrita terá assim presidido a toda a nossa cultura, a que Patrick Bazin chamou “cultura do livro”, e que configurou todo um campo simultaneamente cognitivo, cultural e político. O peso deste lastro histórico terá contribuído decisivamente para que a actividade de edição de livros fosse considerada como eminentemente cultural, mesmo criativa, e regida por regras próprias, onde não havia lugar para abordagens de carácter económico, tidas por tecnocráticas e redutoras. O facto de, no sector, o conhecimento “tácito” ter, até há pouco, prevalecido sobre o “explícito”, poderá ainda ajudar a compreender porque as casas editoras de livros eram consideradas como parte de um segmento com limites bem definidos e caracterizadas por lógicas específicas de gestão, e frequentemente pouco atentas às consequências das opções empresariais. Mas, é igualmento certo que Lucien Febvre e Henri-Jean Martin chamaram a um dos capítulos de L’Apparition du Livre (1958), “O livro, essa mercadoria”, onde escreveram sem ambiguidades que, desde a sua origem, “a impressão surgiu como uma indústria regida pelas mesmas leis que as outras indústrias e o livro como uma mercadoria que os homens fabricavam, antes do mais, para ganhar a sua vida (…); o mercado do livro foi, pois, sempre semelhante a todos os outros mercados (…)” Livro que era assim, simultaneamente, comércio de ideias e comércio de mercadorias. Ou seja, uma editora apresenta todas as dinâmicas de uma qualquer empresa (económicas, organizacionais, financeiras, fiscais) e, além disso, as dinâmicas cultural e social. Se, no início dos anos 80, o olhar económico se vai tornar não só irrenunciável como legítimo, os analistas vão verificar que, sob o perfil económico, o livro é um objecto híbrido, estranho: por exemplo, Marco Gambaro, ao tentar especificar as características económicas do bem livro, não vai muito além de o caracterizar simultaneamente como bem privado e bem público; como bem de consumo e bem instrumental; como produto de massas e produto especializado e como bem banal e bem problemático, reconhecendo mesmo que determinadas práticas, como a conservação dos livros, tem provavelmente também razões de ordem simbólica ou fetichista, dificilmente analisáveis com o recurso aos instrumentos puramente económicos. 
Isso não obvia a que seja inevitável a ênfase nos aspectos de gestão, pois a remuneração do capital investido tornou-se também, naturalmente, um objectivo para e as editoras. Como refere Paola Dubini, se uma empresa editora não for capaz de gerar recursos económicos suficientes para financiar o seu próprio crescimento, não poderá, no longo prazo, prosseguir as suas próprias finalidades culturais e estará condenada a ter um mercado cada vez mais exíguo e a desaparecer. Por isso, uma maior sensibilidade aos aspectos económicos é fundamental, não necessariamente porque se queira mercantilizar ou banalizar o livro, mas para encontrar os meios para que os produtos ‘de cultura’ possam continuir a ocupar o seu lugar insubstituível de sensibilização e estímulo para a circulação de ideias. Assim, uma escassa sensibilidade aos aspectos gestionais e económicos por parte dos editores pode afinal equivaler a um signo de miopia, e contribuir para favorecer o processo de massificação de ideias e de nivelamento cultural por baixo que tanto se pretende combater.
Em conclusão, se o livro como produto de consumo tem naturais analogias com qualquer outro produto de consumo, conserva apesar de tudo alguns atributos que o tornam relativamente singular, mas de modo a semelhante a outros produtos culturais. Nesse sentido, eles podem ser considerados como bens informacionais (information goods), integrando-se com óbvias vantagens analíticas na nova economia da informação no sentido de Carl Shapiro e Hal Varian, aspecto a que confiro particular atenção neste meu livro.

Toda a gente diz que se edita de mais, mas a verdade é que ninguém trava essa tendência e os novos títulos canibalizam-se nas prateleiras das novidades. Como se explica tal fenómeno? Qual a viabilidade de uma edição de 1500 exemplares, por exemplo?
Penso que há aqui dois aspectos distintos. Um, terá a ver com novas configurações que surgem neste momento de mudança de paradigma a nível social, económico e cultural. O outro com características específicas do sector da edição. A situação é bem sintetizada por Gabriel Zaid, na sua obra Livros de mais, cuja tradução (de Miguel Graça Moura) foi recentemente publicada entre nós pela Temas e Debates: “a leitura de livros crece aritmeticamente, a escrita de livros cresce exponencialmente. Se a nossa paixão pela escrita não for controlada, num futuro próximo haverá mais gente a escrever livros do que a lê-los.” A este fenómeno chama Zaid a grafomania universal e, também por causa dele, se publica neste início de século mais de um milhão de títulos por ano. Mas outras razões se podem detectar. Se a sociedade oriunda da Revolução Industrial se consolidou como uma sociedade de produtores, correspondendo à fase sólida da modernidade, para Zygmunt Bauman a sociedade actual pode ser definida como uma sociedade de consumidores, já específica de um novo momento da modernidade, que designa como fase líquida. Este consumismo líquido, cujo síndrome engloba a velocidade, o excesso e o desperdício, caracteriza-se antes de mais por uma nova relação com o tempo, fenómeno que tem sido salientado, entre outros, por Manuel Castells, para quem vivemos uma época de aceleração da temporalidade, em que valores como a simultaneidade, a sensação do imediato, a mistura de tempos no mesmo canal de comunicação, cria uma colagem temporal ou, de outro modo, uma espécie de eterno presente que tende a elidir a história. Essa elisão da história é o contexto privilegiado de uma sociedade de hiperconsumo (o termo é de Gilles Lipovetsky), em que se salientam fenómenos como o êxtase (depressivo) da novidade perpétua, a febre do tempo curto, o zapping visual como correlato da saturação de mensagens, uma bulimia despreocupada, uma oscilação paradoxal entre a hipersensibilidade e a total insensibilidade.
Alguns destes factos têm já a ver com a emergência e vertiginosa difusão da Internet e das novas tecnologias. Na verdade, a grafomania de que fala Zaid, só se pode concretizar, bem como o seu equivalente, a “information overload”, num ambiente de rede e digital. A facilidade em divulgar toda a sorte de textos na net, tem a ver com a diminuição drástica das barreiras à entrada numa plataforma de publicação que permite evitar a tradicional mediação e gatekeeping das empresas editoras. A passagem para a chamada Web 2.0, vem potenciar em definitivo esta tendência, devido à facilidade técnica de criar e utilizar aplicações amigáveis para expressão pessoal, como os blogues ou o twitter. Por outro lado, com os wikis e as redes sociais, os consumidores podem transformar-se também em produtores e surgem os prosumers (termo de Don Tapscott) e que procura dar conta da intervenção activa e decisiva dos consumidores e utilizadores no desenvolvimento de produtos como a Wikipedia ou o Second Life, por um lado, e da importância vital que, para o futuro das empresas, supõe a incorporação dos clientes no próprio proceso de produção, como assinalam Manuel Gil e Francisco Javier Jiménez.
Se soubermos que numa rede social como a Second Life, um ambiente virtual e tridimensional, foram transacionados 450 milhões de dólares em 2008, naquilo que poderíamos classificar como uma “inworld economy”, podemos ter uma ideia do que aqui se joga.
Se observarmos agora o que se passa no mercado do livro, poderemos encontrar algumas explicações para esta situação de sobreprodução de títulos. Desde logo, uma herança de práticas tradicionais no sector que, apesar da alterações introduzidas a partir daquela década de 80 já referida, ainda mantêm algum peso. Assim, como salientou ainda Paola Dubini, a escassa sensibilidade às dimensões económicas e de mercado, em conjunto com a tendência para elaborar estratégias viradas para o produto, levou à difusão no interior do sector de comportamentos como a concentração na planificação e na produção dos livros e a um projecto editorial sustentado principalmente no catálogo. Desse modo, o enriquecimento do sistema de produto passa pelo aumento das colecções e dos títulos (e não por uma reinterpretação das necessidades dos leitores) e pelo desenvolvimento de novos produtos ou soluções editoriais ditado pela vontade de reduzir os custos marginais através da reutilização parcial do património informativo, mais do que pela identificação de novos segmentos de mercado. Ora, estes procedimentos levaram a uma mórbida lentidão do sistema face à crescente velocidade e obsolescência dos produtos, a uma abundância paralizante de uma oferta impossível de absorver por uma procura cada vez mais restrita e concentrada, e à debilidade ou ausência de uma informação tempestiva e de uma comunicação eficaz.
Quando se começa a assistir a uma afirmação da ideologia eficientista nas organizações empresariais em conjugação com o fenómeno de injecção de capitais exteriores ao tradicional mundo da edição por investidores financeiros, as editoras passam a constituir um segmento de uma empresa ou de um grupo mais vasto, que impõe lógicas económicas e financeiras estranhas à tradição do mercado do livro. É neste contexto que começam a surgir os processos de concentração editorial e empresarial, com sucessivas mudanças de propriedade e com constituições e reconstituições de maiorias accionistas, o que acabou por determinar uma política maciça de aquisições, de fusões, de joint ventures e a criação de redes editoriais e de cadeias de distribuição.
Nesse sentido, pode dizer-se que a prioridade é concedida a uma lógica de financiarização da empresa. Sob a pressão de poderosos accionistas, os dirigentes aplicam normas gerais de rendibilidade, frequentemente à custa da saúde da empresa no longo prazo e do mero bom senso. Assim, estabelecem-se objectivos como, por exemplo, 15% de return over equity, a partir do que se aplicam de maneira mecânica as vias e meios supostamente adequados a esse desiderato, adoptando-se usualmente técnicas que têm mais a ver com a procura do aumento da eficiência operacional do que com uma verdadeira reflexão estratégica. Na verdade, os grandes grupos multimédia são fortemente capitalizados, directa ou indirectamente, pelo mercado financeiro global. A sua preocupação maior consiste na rendibilidade de curto prazo e encontra-se focalizado numa front-list baseada nos mass-paperback e em acordos negociados por agentes literários altamente eficazes, frequentemente sob a forma de «pacotes» multimédia – livros, edição electrónica, filme, rádio/tv, –  com  royalties à cabeça, e com tiragens frequentemente  em proporções blockbuster.
A par do recrudescimento da concentração, verifica-se um recrudescimento da concorrência. Para isso, muito contribui o facto de a edição ser um sector em que os custos fixos são elevados e muito superiores aos custos variáveis, pelo que um sucesso de mercado se traduz nas contas de maneira muito significativa. Face a esta importância dos custos fixos e à parte de risco inerente ao lançamento de um produto cultural – num ambiente de estagnação do mercado final – os editores desmultiplicam-se em receitas para conseguir best sellers e, sobretudo, lançam cada vez mais títulos. Ou seja, face a uma procura que não cresce ou cresce pouco, cresce o número dos editores e cresce a dimensão do catálogo; por outro, verifica-se cada vez mais a utilização de preemptive strategies com o objectivo de controlar a distribuição; por fim, a necessidade de estimular a compra de impulso por parte dos leitores leva as editoras a uma intensificação da concorrência no ponto de venda. Não admira assim que Claude Rakovsky afirme que, na edição, “a concorrência se exerce essencialmente a dois níveis: no acesso aos expositores das livrarias e (o que lhe está ligado) no acesso ao ‘conteúdo’, ou seja, aos autores que de modo recorrente asseguram as melhores vendas”.
O que sucede é que o mercado em boa medida está ainda a funcionar num paradigma que assenta numa cadeia do livro dominada pelos fluxos físicos que o suporte impõe e que apresenta alguns problemas estruturais. Em primeiro lugar, como referiu Dubini, verificam-se fortíssimas assimetrias de informação, quer entre editores e leitores, quer entre editores e pontos de venda, quer entre as próprias empresas em concorrência. De seguida, a escassa proximidade entre produtor e consumidor e a especificidade de uma economia de information goods determina geralmente um processo conjunto de hiperprodução e de hipo-segmentação. Por fim, as tiragens iniciais são frequentemente superiores às dimensões do mercado potencial já que, na ausência de informações suficientemente credíveis sobre o número, as características e a distribuição geográfica dos hipotéticos leitores, julga-se necessário ocupar fisicamente o maior número possível de expositores para maximizar a probabilidade de dar a conhecer o livro. No que se refere à hiperprodução, ela poderá encontrar justificação na necessidade de ocupar novos mercados potenciais através de estratégias de antecipação e de captar a atenção dos clientes potenciais ocupando os expositores nos pontos de venda, fenómeno que François  Rouet sublinha igualmente, ao referir-se a uma tripla evolução, que passa por um aumento da produção, com tiragens cada vez menores e com tempos de valorização notoriamente reduzidos. E se a “pressão produtiva” ou aquilo a que chama “sobreoferta” é de algum modo inerente à economia do livro, verificam-se taxas de devolução cada vez mais elevadas, tanto mais que o crescimento da produção em número de títulos e de exemplares parece estar em parte relacionada com a redução da dimensão do mercado e com a redução do tempo de vida das obras. Dubini fala de comportamentos míopes, de uma invasão do mercado por títulos que não tem em conta uma análise da evolução do sector e que, se permite ao editor obter momentaneamente disponibilidade financeira, provoca uma desnaturação do papel tradicional da livraria que, assoberbada por problemas de liquidez, atrasa os pagamentos, recorre maciçamente às devoluções (inclusivamente de títulos com potencialidades comerciais não esgotadas) e privilegiam os best-sellers ou os livros propostos por editoras com maior poder contratual, penalizando assim inevitavelmente as empresas de menor dimensão. Por outro lado, a hipo-segmentação, que é o resultado de uma percepção demasiado genérica das necessidades ou oportunidades do mercado por parte dos editores, em conjugação com um conhecimento muito escasso sobre o perfil e localização do consumidor final. Uma das consequência óbvias deste facto, a concorrência feroz numa escassíssima gama de segmentos, com particular atracção pelo trade, originando uma verdadeira asfixia resultante da sua desenfreada sobreexploração.
Refira-se a propósito que, num inquérito realizado junto dos editores presente na edição do corrente ano da London Book Fair, apenas 23% dos editores manifestaram intenção de diminuir o número de títulos publicados anualmente.
O equívoco que por aqui paira é que se continua a funcionar na lógica daquele paradigma que se encontra no seu ocaso. Continua-se a agir segundo a lógica dos mercados de massas quando esta tem agora que enfrentar a emergência de mercados de nicho e de subnicho, o fenómeno de fragmentação generalizada, a economia long-tail, a disseminação de microculturas e novos modelos de leitor/consumidor. E, como sempre, esta transição é particularmente complexa, pois o novo paradigma não substitui sem mais o anterior mas antes convive e articula-se com ele, pelo que iremos assistir, como refere Chris Anderson, a uma mescla de mercados, em que os êxitos comerciais coabitam com as obras de nicho, em que não se pode já falar de um só mercado mas de múltiplos mercados, que tentarão dar resposta a configurações de «tribos», efémeras, voláteis, menos aglutinadas pela proximidade física e mais pela partilha de interesses.
Quanto à segunda parte da pergunta, mal estaríamos nós se uma edição de 1500 exemplares não fosse viável. Desde logo, este livro não teria sido publicado… O cálculo da dimensão da primeira tiragem é de facto uma decisão crítica na gestão editorial, mas que tanto diz respeito às de menor expressão como aos grandes números. Na verdade, tem a ver com características próprias dos bens informacionais, como sejam os já mencionados custos fixos de produção e baixos custos marginais ou custos variáveis de reprodução ou com o facto de serem frequentemente“experience goods”. As pequenas tiragens podem ter os seus encantos: Gomorra, de Saviano, teve uma primeira impressão de 4 500 exemplares para atingir, só em Itália, os 2 milhões e 250 mil cópias, enquanto o livro de Paolo Giordano, com uma primeira tiragem ainda menor, já vendeu 1 milhão e 360 mil. Esta situação parece bem menos arriscada do que a de alguns supostos best-sellers, cujos autores conseguiram avanços de oito milhões de dólares ou mais, o que obriga desde logo a uma primeira impressão faraónica para tentar recuperar o investimento na aquisição dos direitos, a que se acrescentam enormes custos de distribuição para assegurar a presença em todos os pontos de venda possíveis. Já muitas cabeças rolaram nos grupos editoriais por expectativas não cumpridas. Por outro lado, o crescente sucesso da impressão a pedido (print on demand) oferece novas oportunidades para toda a cadeia de valor da produção impressa e por isso muitos a consideram, mais do que uma tecnologia, uma estratégia empresarial. Ainda há dias, dados preliminares de R.R. Bowker revelaram que, nos Estados Unidos, entre 2002 e 2007, a produção tradicional de títulos cresceu 29%, enquanto o segmento on-demand teve um incremento de 313%, e que, em 2007, o número de títulos cresceu 1%, atingindo 276.649 novas edições, mas os resultados no sector on-demand e short run passou de 21.936 em 2006 para 134.773 nesse ano.

As editoras nacionais procuram saber com rigor as necessidades do mercado ou são levadas pela intuição em relação ao que acham que vende?
Naturalmente que as editoras nacionais tentarão avaliar com rigor as necessidades do mercado. Só que tenho dúvidas que seja fácil, no nosso caso, possuir e utilizar as ferramentas indispensáveis para que essa tentativa seja levada a bom termo. Se exceptuarmos segmentos muito específicos (edição escolar, profisssional, venda directa…) em que a própria natureza do negócio e do canal vai gerando informação fiável sobre a base de clientes, ou casos de integração vertical, o mercado não disponibiliza aos seus players a informação indispensável para uma actuação consistente. Na verdade, se alguma coisa caracteriza o nosso mercado é justamente a sua escassíssima transparência. Em comparação com os mercados dos países da área cultural e económica em que nos incluímos ou dos países onde a indústria editorial é tradicionalmente mais forte, a nossa situação é deprimente. O sintoma mais evidente dessa falta de transparência é a inexistência de estatísticas do sector há cerca de uma dezena de anos e o secretismo paroquial que, com a desculpa do “segredo do negócio”, é a marca de grande parte das empresas do sector. Ora, isso impede que numa situação de feroz concorrência, as editoras possam conhecer, como sucede em qualquer outra indústria, as performances dos seus concorrentes, a evolução dos resultados de exporação, de modo a avaliar a evolução das empresas, a caracterização dos segmentos em que operam e o mercado na sua globalidade. Para se ter a noção da dimensão do fenómeno, basta consultar, por exemplo, as páginas na Internet dos maiores grupos editoriais e livreiros (Hachette, Pearson, Bertelsmann, Amazon, etc.) onde encontramos com grande facilidade o relatório detalhado dos resultados anuais. Por bizarro que pareça, sabemos infinitamente mais do mercado do livro americano, britânico, francês, espanhol e italiano do que sobre o do nosso país. Como, de igual modo, não estão suficientemente cartografadas as mudanças quer nas práticas culturais ou de lazer do consumidor quer nas suas práticas de leitura e de compra de livros, como a informação que circula entre a produção e o retalho é lenta e ineficiente e como a interacção com o consumidor final é seguramente escassa, as editoras terão do “seu” mercado um conhecimento essencialmente empírico. Por isso, por mais “boas práticas” que tentem implementar, as empresas baseiam verosimilmente as suas decisões quer nos resultados dos títulos noutros mercados (numa actuação fortemente mimetista) quer na sua experiência anterior. Em ambos os casos é pouco, é arriscado e pressupõe, nos termos da pergunta, uma boa dose de intuição.
Mas tão preocupante como saber ou não as necessidades do mercado, será a incapacidade de antecipar as necessidades do mercado, atitude proactiva e indispensável, no ambiente em que nos movemos, para alcançar e manter uma vantagem competitiva.

José Afonso Furtado – Entrevista a propósito de “A Edição de Livros e a Gestão Estratégica” (2.ª Parte)

edicaoNesta segunda parte da entrevista concedida ao Porta-Livros a propósito de “A Edição de Livros e a Gestão Estratégica” (edição Booktailors), José Afonso Furtado fala de marketing, do preço dos livros (é ou não determinanate para haver mais ou menos  leitores?) e das novas plataformas digitais que poderão substituir o “livro de papel”. 

O lucro é compatível com a qualidade ou basta uma boa capa e um bom marketing para obter resultados?
Parto do princípio de que estamos a entender “lucro” em sentido genérico, como o retorno positivo de um investimento, e “qualidade” como referida a um conteúdo que não se limita a repetir receitas requentadas ou a seguir os ditames conjunturais do mainstream. A questão da qualidade vs. dimensão das vendas tem sido objecto de alguns equívocos e de não menor controvérsia, como se o sucesso de uma obra representasse uma espécie de Capitis Deminutio. Ora, se olharmos, por exemplo, para o Top 20 da Ficção no Reino Unido (dados da Bookseller), encontramos as mais recentes obras de autores como Kazuo Ishiguro, A. S. Byatt ou Colm Toibin. Mas, para sermos mais específicos, também convirá clarificar o que se considera um best-seller. Ainda recentemente, na Feira do Livro de Torino, Gian Arturo Ferrari, director-geral da Divisione Libri do Gruppo Mondadori, distinguia os mega-sellers – obras que vendem cerca de um milhão de exemplares, como os romances de Paolo Giordano, Stieg Larsson, Roberto Saviano, Stephenie Meyer ou de Khaled Hosseini – dos best-sellers, que se “limitam” a tiragens de cerca de 100 000 exemplares. Convém não perder de vista que temos como referência o mercado italiano… Mas a situação pode ser aprofundada, e verificamos que existem desde sucessos de vendas num período limitado até obras que escoam números impressivos durante três a quatro anos, caso de Khaled Hosseini e da seu primeira obra Il cacciatore di aquiloni (The Kite Runner) ou casos em que um só título assegura enormes vendas (Gomorra, de Saviano, já escoou só naquele país 2 milhões e 250 mil exemplares) enquanto, por outro lado, as somas agregadas dos títulos de Andrea Camilleri não são menos significativas. Penso assim que a “qualidade” é, nalguns casos, naturalmente, perfeitamente compatível não apenas com o lucro mas mesmo com enormes êxitos.
No que se refere à segunda parte da pergunta, vou centrar-me sobretudo na questão do marketing, pois entendo que se a capa é importante, raramente é decisiva (a propósito: os e-books têm capa?) e, mais, tal como o entendo faz parte de uma estratégia de marketing. Na perspectiva do meu livro, o marketing é uma parte essencial do processo de edição, que se destina não só a assegurar que os produtos são adequados ao seu mercado ou ao seu segmento, mas que procura transmitir a esse target a consciência do valor do próprio produto. Assim, ele engloba tudo aquilo que nos coloca em contacto com o consumidor final, mesmo que por via de prescritores ou outros elos intermédios da fileira editorial, de forma a potenciar as vendas. O marketing é não só um conceito complexo e muito articulado como abrange um conjunto diversificado de operações que não são independentes do “ambiente” em que o negócio se desenvolve. Mais especificamente, a nível da edição de livros, as empresas editoras, do mesmo modo que têm de competir pelo “conteúdo”, têm de competir pelos consumidores, num momento em que, note-se, o mercado está “inundado” de livros. Assim a actividade de marketing tem de tentar captar a atenção (e por isso se fala cada vez mais de uma economia da “atenção”) de intermediários e de gatekeepers na cadeia do livro, desde os editores de  jornais e revistas literárias, responsáveis por programas de rádio e televisão, até aos gestores de compras nas livrarias e cadeias… Em síntese, o marketing dos livros deve ser visto como uma cadeia complexa de informação e de interacção em que os dados sobre os livros (capas, resenhas, recomendações, sinopses e toda a espécie de metadados) são fornecidos a um conjunto de intermediários ou directamente aos consumidores finais com o objectivo de conseguir visibilidade para as obras e assegurar a sua presença no mercado. Reconheça-se ainda que os métodos não serão os mesmos de editor para editor e que devem variar conforme o tipo de obra ou o canal a trabalhar. Mas, anda mais importante, não pode ignorar-se que, face à entrada numa sociedade digital, esta actividade (e mais genericamente as relações entre editores e consumidores) não só foi particularmente afectada como tem agora de se exercer de outro modo e através de outros canais. A introdução das novas tecnologias no sector da edição permitem uma informação rica sobre o consumidor que é diversamente descrita como database marketing, data mining ou mass customization. No entanto, tem vindo a vulgarizar-se o conceito segment-of-one pois está mais próximo da essência da estratégia: usar a informação específica sobre o consumidor para executar uma comercialização específica para o cliente. A informação rica sobre o consumidor abrange todas as categorias óbvias de factos técnicos, background do produto e localização de defeitos, e ainda tudo o que se relaciona com branding.
Assim sendo, não se pode negar que uma boa estratégia de marketing é indispensável para obter resultados, o que se refere quer a livros de “qualidade” quer a obras  como os “instant books”. Mas atenção, o marketing não é uma ciência, como provavelmente nada o é na actividade editorial, e pensar que uma campanha de marketing (que normalmente é entendido de um modo mais redutor como promoção ou publicitação) pode garantir o sucesso de qualquer produto, é um erro conceptual e de facto, e que pode ter consequências funestas para a própria editora. É ainda Gian Arturo Ferrari quem, interrogado sobre como se “constrói” um mega seller responde que ninguém sabe, que é um fenómeno que os editores não controlam e cuja dinâmica ainda não compreenderam…

Ainda é viável a ideia de editar livros de qualidade que dão prejuízo, sendo compensados por obras “menores” mas mais lucrativas?
Por vezes tenho a sensação de que esse é um dos mitos mais persistentes da actividade editorial. É certo que, nalguma tradição anglo-saxónica, os editores presumiam, de facto, que os rendimentos de títulos de grande sucesso ajudariam a pagar as despesas de livros de menores vendas mas que entendiam publicar por razões de orgulho cultural, respeito literário, convicções políticas ou mero entusiasmo. Só que isso estava em grande medida dependente de um ambiente em que existia uma extensa rede de livrarias independentes que, de igual modo, acarinhavam essas obras, apresentando a “frontlist” de novos títulos e significativas parcelas da “backlist”. Essa situação já não se verifica, e nos termos de Elisabeth Sifton, senior vice-president de Farrar, Straus & Giroux, hoje, “The money men trusted editors less and marketing people more”. Passou assim a ser um “argumento” utilizado pela gama média alta e alta das casas editoras ou dos grupos editoriais, como se necessitassem de “amenizar” junto do seu público mais exigente a publicação de títulos que, por vezes, se aproximam da total indigência mas que produzem retornos substanciais e rápidos. Mas, nada garante que essas mais-valias venham a ser consistentemente alocadas a obras de rotação mais lenta e de maior “prestígio”. Casos houve, entre nós, em que essa opção foi integrada numa estratégia mais geral que passava por afastar autores de “qualidade” cujas obras não atingissem um determinado patamar de vendas. Ou, noutra perspectiva, pode considerar-se que a edição de alguns autores não é mais do que uma “flor na lapela” de um catálogo mainstream. Por outro lado, como já referi, porque se parte do princípio que esses autores darão necessariamente prejuízo? O que se poderá dizer é que se tratam de obras de venda mais lenta e que por isso não acompanham os níveis de retorno que determinados grupos editoriais exigem. Contudo, abdicar desses longsellers é renunciar a um são equilíbrio no mercado do livro, é abandonar a estratégia de catálogo que constitui, em meu entender, a espinha dorsal do sector e a garantia de uma gama diversificada de oferta aos consumidores. É também, igualmente, uma prudente atitude de gestão, pois a aposta privilegiada em best-sellers e mega sellers, para além de outros efeitos, leva a que, quando eles não resultam, as consequências podem ser devastadoras, quer para as editoras quer mesmo para os resultados globais do sector, cada vez mais dependente desse tipo de produtos. Não por acaso, Gian Arturo Ferrari explicava a descida do volume de negócios em Itália (entre 2 e 3%) não em virtude da recessão e da crise mundial mas pela ausência de novos mega seller, do mesmo modo que são conhecidas as dificuldades da Scholastic ou da Bloomsbury quando não têm novos títulos de J.K. Rowling.
Ora, podemos apontar diversos exemplos de editoras que têm conduzido uma sábia e prudente constituição de um catálogo extremamente coerente e onde não será fácil encontrar esses títulos “menores” para garantir a sua substância. Editoras que mantêm uma política de custos controlados, sem obsessão de crescimento a qualquer preço e que consolidaram uma forte e respeitadíssima reputação. Só para dar alguns exemplos entre nós, vejam-se os casos da Assírio & Alvim, Cotovia ou Relógio d’Água (que, aliás, encontraram inclusivamente formas de colaboração) ou, mais recentemente, a Tinta-da-China ou Sextante (ambas galardoadas nos Prémios Edição Ler | Booktailors). Mas pensemos igualmente na Actes Sud, em França, fundada há já 31 anos por Hubert Nyssen e Christine Le Bœuf, ou na Sellerio Editore, em Itália, criada em 1969 por Elvira e Enzo Sellerio, contando com o apoio de Leonardo Sciascia e do antropólogo Antonino Buttitta. Sciascia que está aliás ligado à ideia de uma casa editora que se caracterize por uma cultura “amena”, uma cultura da leveza que não renuncia à elegância, uma cultura de ideias, naturalmente, mas apresentadas sob a forma de objectos belíssimos. E afinal que outra editora poderia ter descoberto um enorme escritor como Gesualdo Bufalino, um típico professor de liceu siciliano, com 61 anos, esquivo, praticamente sem vida social, e de quem Elvira Sellerio consegue publicar, em 1981, Diceria dell’untore, que vence logo o Premio Campiello nesse ano? Afinal, a qualidade pode pagar…

O acto de gestão que mais directamente interessa ao consumidor: baixar o preço dos livros poderia originar uma melhoria das vendas? E, já agora, os índices de leitura poderiam subir com preços mais baixos, ou a base do problema é mesmo uma questão cultural e social?
Não estou nada seguro que o acto de gestão que mais interessa aos consumidores seja simplesmente uma diminuição do preço dos livros. Em primeiro lugar, no nosso país escasseiam dados que nos permitam avaliar a evolução dos preços no consumidor e a sua relação com preços de actividades concorrentes ou do chamado “cabaz de compras”. Eu não posso, com rigor, afirmar que os livros em Portugal estão caros, nem que, se estivessem mais baratos, tal originaria um aumento de vendas ou um incremento dos índices de leitura. Por outro lado, em termos mais gerais, não é fácil caracterizar o grau de elasticidade da procura preço no caso dos livros. Em meu entender, haverá segmentos em que a sensibilidade à variação de preço será real, mas, em contrapartida, decerto encontraremos outros em que predomina a baixa elasticidade ou mesmo a inelasticidade.
Como explicou Kelvin Lancaster, todos os produtos e serviços podem ser vistos como um “package of attributes”, atributos que podem incluir, para além do preço, características físicas e factores como o acesso, disponibilidade e imagem. Todas as decisões de compra, mesmo que de modo não consciente, obrigam o consumidor a alcançar um compromisso aceitável entre os diferentes atributos que constituem esse package. Neste meu livro, refiro com algum detalhe as estratégias genéricas em Michael Porter, designadamente a liderança nos custos (cost leadership), a diferenciação (differentiation) e o foco (focus). De acordo com Porter, a liderança no custo privilegia a produção padronizada pelo menor custo possível por unidade para dar resposta ao público cuja procura é sensível ao preço. O custo mais baixo pode funcionar como mecanismo de defesa da empresa contra a agressividade dos seus concorrentes, especialmente no que se refere à guerra de preços. Contudo, o domínio pelo custo pode ser posto em causa pelo progresso técnico ou pela evolução do gosto dos clientes e seus hábitos de leitura e de lazer, situação que se apresenta, aliás, como cada vez mais volátil.
Mas o perigo de uma guerra de preços entre os concorrentes pode fazer com que estes se empenhem numa estratégia de custo, sacrificando as suas margens. Tivemos recentemente um exemplo disso no Reino Unido. Perante a proximidade do Natal, as cadeias de livrarias chegaram a praticar descontos médios de 41% nos bestsellers, sendo HarperCollins o editor alvo de maiores baixas de preço (média de 28,9%) e os títulos de Hachette Livre a representarem o maior valor, na ordem dos 105 milhões de libras. É certo que essa tendência já se vinha a desenhar desde meados de Outubro, com os preços a baixarem 3,4% face ao preço médio de venda de £7.88, quando comparados com os últimos três anos. Simon Juden, chief executive da Publishers Association, classificou como “demencial” o nível dos descontos atingido, alegando ser incompreensível que os produtos de maior sucesso de uma indústria fossem alvo dos maiores “saldos”. Apesar disso, apesar dos preços médios de venda serem os mais baixos desde 2001, em 2008 o número de exemplares comprados diminuiu 0,4% e o volume de vendas 1,6% face ao ano anterior, segundo dados da Nielsen BookScan. Mais ainda, os descontos fizeram “perder” 500 milhões de libras ao comércio do livro e provocaram ainda maiores dificuldades à sobrevivência das livrarias independentes. Sam Husain, da Foyles, apelando a um “jogo mais nivelado”, afirmava que o “valor não reside apenas no preço”, justamente um aspecto a que concedo a maior atenção neste livro.
Há outro aspecto que vale a pena salientar e que este exemplo revela bem: é difícil estabelecer uma correlação entre índices de leitura e preços mais baixos, inclusivamente porque os descontos mais significativos se verificam, paradoxalmente, nos bestsellers ou nos livros com um público garantido, como o demonstra a já longa experiência da presença de livros nos super e hipermercados.

As novas plataformas digitais poderão ajudar a fazer baixar o preço do livro junto do consumidor?
Na minha perspectiva, espera-nos num futuro previsível, uma situação que se pode caracterizar, nos termos de Milad Douehi, como uma dupla vida do livro: por um lado, o livro impresso, mas que também poderá estar disponível online; por outro o livro electrónico propriamente dito, que será um objecto da rede e um objecto de rede. Um futuro híbrido, em que livro impresso e electrónico coexistem mas em que cada um terá as suas propriedades e os seus processos e práticas. Posto isto, o livro electrónico é ainda um objecto mal definido, agregando várias formas distintas, que vão desde meras versões digitalizadas de obras impressas ou pensadas no âmbito da cultura do impresso, até às obras criadas desde logo sob forma digital, passando por diversas instanciações textuais com a integração de novas dimensões multimédia. Em qualquer dos casos, o mundo do livro e da edição enfrenta uma situação completamente nova na sua longa história: a necessidade de uma mediação tecnológica. Na verdade, o livro impresso sempre teve a vantagem de não exigir qualquer dispositivo técnico para ser lido, de ser imediatamente visível, folheável e consultável e de ser fácil de emprestar. A simplicidade do seu manuseamento, essa relação directa e física com o “objecto livro” – incluindo no plano das posturas corporais – são aspectos postos agora em questão, já que em todos os suportes históricos da escrita o leitor pode aceder visualmente ao texto sem qualquer outro procedimento. Em contrapartida, como refere Emmanuël Souchier, a leitura em ecrã é tributária de duas condições indispensáveis: por um lado, é necessário um dispositivo técnico que permita transformar os dados ilegíveis registados na matéria memória de uma máquina computacional num texto legível num ecrã. Por outro, uma fonte de energia para alimentar esse dispositivo. Aproximamo-nos assim de experiências que sempre foram familiares para os editores e auditores/espectadores de música e de vídeo: ao contrário do texto impresso, a mediação através da tecnologia de “equipamentos de leitura” é uma parte intrínseca da fruição dos registos musicais e do vídeo, em que as actividades de audição, gravação e reprodução estão normalmente associadas. Neste campo, a mediação tecnológica vulgarizou a aceitação de expectativas bastante específicas por parte dos consumidores, pois sabe-se de antemão, por exemplo, que essas tecnologias virão a tornar-se obsoletas, não se garantindo a sua usabilidade a prazo.
Temos assim um primeiro aspecto que, até pelo seu ineditismo, sugere imensas questões – escolha do equipamento, dimensão do ecrã, tecnologias de suporte (LCD ou e-paper) formatos de ficheiro, interoperabilidade, etc. – que não são fáceis de perspectivar: seja como for, e antes de colocar a questão do preço dos livro neste novo ambiente, o consumidor ou alguém por ele (bibliotecas, como hipótese), tem de adquirir um aparelho de leitura, que pode ir desde um vulgar desktop PC até aos smartphones. Se considerarmos os e-readers, por exemplo, estão comercializados entre nós apenas o Bookeen Cybook Gen 3 por 359€ e o BeBook por 329€, e na Europa poderemos ter acesso com facilidade ao Sony Reader PRS-505 por cerca de 270€, ao iRex Iliad (599€), ao iLiad Book Edition (499€), ao Irex Digital Reader 1000S (699€), para referir apenas os mais conhecidos. O famoso Kindle não é aqui considerado por não estar disponível no continente europeu.
Significa isto que o leitor terá de despender pelo menos 270€ para ter a possibilidade de poder ler os livros electrónicos que entender comprar, o que pode ser francamente dissuasor. Se passarmos agora à questão do preço das publicações electrónicas, o que verificamos desde logo é que se está a seguir o modelo que foi utilizada pela indústria musical (com as consequências que se conhecem…), ou seja, a política de preços é decalcada a partir dos bens físicos (livro impresso). Por exemplo, o acordo entre a FNAC francesa e Hachette prevê que o preço de venda dos e-books se deve situar entre os 10 e 15% abaixo do preço da edição em papel. Se observarmos o que acontece na Waterstone’s, encontramos situações dificilmente compreensíveis. Por exemplo, a última obra de Hilary Mantel, Wolf Hall, cujo preço base é de £18.99, custa £14.99 na versão capa dura e £15.19 na versão e-book, em virtude de o livro impresso beneficiar de um desconto de 40% e a versão digital de apenas 20%. Ou seja, o e-book é mais caro do que a versão hardcover. O mesmo se passa com o bestseller Host de Stephenie Meyer, que é apresentada em 4 versões: hardback, por £9.59, paperback, por £8.22, próxima edição em paperback, ainda não disponível, por £4.99 e, por fim, e-book por £11.74!!
Já o modelo da Amazon.com é diferente, tentando fixar o preço dos livros para o Kindle em $9,99, numa estratégia que se aproxima do modelo iTunes/iPod. Só que, tanto num como noutro caso, estamos a falar de retalhistas, que estão condicionados pelo preço de venda sugerido pelo editor. Ora são os editores quem, precisamente, têm tido maior incapacidade de compreender a realidade da edição electrónica, de encontrar os modelos de negócio adequados e em fazer face a à realidade de uma nova cultura do digital que, nas suas práticas, fragiliza e torna desadequados os modelos e as instituições ainda dominantes.
Por outro lado, num segmento específico, o STM (scientific, technical and medical), o que se tem verificado é que o preço das revistas científicas, agora em grande parte já apenas disponíveis em versão electrónica ou papel+electrónica, tem vindo a aumentar (na ordem dos 58% entre 1998 e 2003).
Por último, convirá não esquecer que o mundo digital possibilita toda uma nova série de formas de compra/acesso aos conteúdos, nem sempre em benefício do consumidor, à medida que o sistema de criação de valor se move do negócio com bens físicos, tangíveis e consumíveis, para um negócio de serviços electrónicos. Por exemplo, estão a disseminar-se práticas como a venda do uso de um produto em vez do próprio produto, a introdução do mecanismo de “pay per use”, a cobrança por “connect time” e mecanismos que tendem a passar da propriedade do produto à “service orientation”, do direito pleno ao direito de acesso e da economia da compra e venda a um modelo da licença.
Por tudo isto, não só me não parece viável a diminuição de preços graças às novas plataformas tecnológicas, como me parece que o que está em jogo são questões de muito maior envergadura e que tenderão para um novo ecossistema da edição e consumo de livros.

Sente que as editoras portuguesas estão preparadas para o futuro, ou seja para as novas plataformas que poderão vir a substituir o papel?
Como já referi anteriormente, das editoras que operam em Portugal (talvez esta formulação seja mais adequada do que editoras portuguesas) sabemos muito pouco. Pode acrescentar-se que as que trabalham o segmento do livro escolar (Porto, Texto…), não só estão preparadas como já integraram plenamente as novas plataformas no seu workflow e na oferta aos seus clientes. Também as que editam obras de referência (dicionários, enciclopédias…) estarão certamente mais atentas aos novos desenvolvimentos tecnológicos, o que não impede que, há bem pouco, o presidente do Grupo Planeta, José Manuel Lara, tenha assinalado que “no mundo da enciclopédia não soubemos realizar uma boa transição do papel para a Internet”. Sublinhe-se ainda o caso do Centro Atlântico, que desde há cerca de dez anos opera nesta área, mas com a ressalva, salientada aliás pelo seu director, de se tratar de uma editora vocacionada para livros técnicos.
Convirá, contudo, esclarecer um pouco mais do que estamos a falar. É usual estabelecer uma equivalência, que é redutora, entre a edição digital e a distribuição electrónica de conteúdos, em particular através dos diversos dispositivos de leitura (os chamados e-readers). Cada upgrade ou nova versão do Kindle, cada evolução nas tecnologias e-ink ou e-paper, provoca uma incontrolável excitação nos meios de comunicação social. Contudo, o impacto da digitalização na edição desenrola-se, porventura mais sustentadamente, em pelo menos outros três aspectos: o nível dos sistemas de operação, o nível da gestão e manipulação do conteúdo e o nível do marketing e serviços. O menor conhecimento destes aspectos levou John B. Thompson a integrá-los naquilo a que chamou “The Hidden Revolution”. Estes pontos remetem, certamente, para uma revolução no produto, mas talvez neste momento mais para uma revolução no processo. Quero crer que uma parte já significativa da edição em Portugal terá adoptado fluxos de trabalho digitais sobretudo ao nível dos sistemas de operação (dados financeiros e a informação sobre a produção, gestão de royalties e outras transacções, gestão e controlo dos stocks, etc.). Já em relação aos outros aspectos, não estou tão certo, e menos ainda em relação à distribuição electrónica de conteúdos.
A Internet e a web oferecem oportunidades e ameaças ao sector editorial, que se deve preparar para integrar uma economia do conhecimento com o ónus de não poder exercer uma influência directa no ritmo da mudança ambiental. Se pensarmos no editor, que tinha como tradicionais preocupações a criação e gestão de um catálogo, a fidelização de um conjunto de autores e a promoção e distribuição dos seus produtos, verificamos que ele se vê agora forçado, como refere Paul Mercieca, a desenvolver um mix de competências adicionais na passagem para um ambiente web, designadamente o controlo do conteúdo digital, o editing para ecrã, a aquisição de conteúdo e processos de conversão, a reestruturação do conteúdo (plausivelmente em estruturas de dados SGML ou XML), noções de web design, de usabilidade e legibilidade em ecrã e ainda a dominar o problema decisivo do acesso e da search & discovery.
Em abono da verdade, deve acrescentar-se que o nosso mercado é, talvez, um caso mais preocupante mas não está isolado no que se refere à atitude das editoras perante os desafios do novo mundo digital. No decurso da Feira do Livro de Londres do corrente ano, a IBS, em conjunto com a Bookseller e a Book Industry Communication (BIC), realizaram  um amplo inquérito junto dos editores que nela estiveram presentes. Os resultados não deixam de ser surpreendentes, como alguns dados demonstram: só 53% dos editores tinham planos já estabelecidos para venderem livros sob qualquer forma digital, com a maioria (40%) a tencionar propô-los exclusivamente no seu web site; apenas 42% esperava “aumentar significativamente” o número de títulos disponíveis em formato digital nos próximos 5 anos; à backlist é atribuída ainda menor prioridade, pois apenas 40% dos editores planeiam digitalizar os títulos que a integram; mesmo ao nível do software de gestão do negócio e da cadeia de abastecimento, só 28% utilizam um sistema integrado; por fim, relativamente ao arquivo do conteúdo digital, verifica-se que 28% não guardam uma cópia digital dos seus títulos, que 7% entrega essa tarefa à Google, que 29% não têm qualquer ideia sobre o assunto e que uns escassos 36% possuem um repositório digital.
Confrontados com estes números, as explicações encontradas pelos analistas vão desde considerar que o grande problema é a falta de clareza sob como obter proveitos de um produto digital (Rodney Elder, business development manager da IBS Bookmaster), até detectarem uma certo elemento de “retardamento” na visão dos editores (Kerr McRae, deputy m.d. e chief operating officer de Headline). Mas, a perspectiva mais certeira talvez resida no reconhecimento de que a prioridade, para a maioria dos editores, é ainda o formato físico ou, como refere Mark Smith, m.d. de Quercus, muito embora possamos não vislumbrar completamente como será o nosso futuro, “pensei que a maioria das pessoas já tivesse percebido que é preciso lá estar, porque se nós não estivermos alguém estará por nós.”
Este ponto cautelar é tanto mais necessário quanto as mudanças que agora ocorrem são exógenas como poucas vezes o foram na história do livro e da edição, induzidas pelo desenvolvimento nas indústrias computacionais. Na verdade não foram os editores quem deu início ao desenvolvimento de livros e textos electrónicos, mas sim pequenas start-up companies de Silicon Valley ou grandes companhias multinacionais como Microsoft ou Adobe, para quem as aplicações para leitura de documentos digitais são uma peça essencial no seu protagonismo em todas as facetas da edição electrónica. Mais recentemente a estreiteza de perspectivas e a actual porosidade do mundo da edição, tem permitido movimentos e tomadas de posição de empresas ou tradicionalmente estranhas ao sector, como Google ou Apple, ou que outras se reconfiguram em movimentos agressivos e porventura oligopolísticos, como Amazon, ela própria também, na verdade uma recém-chegada. Ora, como refere Terje Hillesund, todas estas empresas se encontram no centro da economia da informação e algumas são líderes mundiais no seu sector; os seus movimentos estratégicos no negócio da edição electrónica são parte de planos mais largos para reforçar as suas posições dominantes nas infra-estruturas de distribuição de conteúdos digitais à escala global.

PERFIL

José Afonso Furtado, é licenciado em Filosofia, trabalhou em diversos organismos governamentais na área da cultura. Entre 1987 e 1991 foi presidente do Instituto Português do Livro e da Leitura. Entre 1998 e 2007 integrou o Conselho Superior de Bibliotecas. Actualmente pertence à Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura, é director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (desde 1992) e docente do curso de Pós-Graduação em Edição – Livros e Novos Suportes Digitais, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
Já publicou obras como “O Que é o Livro”, “Os Livros e as Leituras: Novas Ecologias da Informação” e “O Papel e o Pixel: Do Impresso ao Digital – Continuidades e Transformações”.