«Miss Peregrine» passa com distinção do papel ao grande écrã

mppEstreia esta quinta-feira, 29 de setembro, o novo filme de Tim Burton, O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares, uma obra que adapta ao grande ecrã um romance juvenil que, curiosamente (ou talvez não), tem muito que ver com o mundo do excêntrico e inovador realizador norte-americano.
O romance em causa, da autoria de Ransom Riggs, já foi lançado há uns anos, há cerca de quatro, na altura na Contraponto e mais recentemente numa nova edição na Bertrand, e então escrevi a minha (boa) opinião sobre o mesmo, que poderá ser recordada aqui. Mais tarde seguiu-se Cidade sem Alma e ainda se aguarda pela edição portuguesa do terceiro volume, Library of Souls.
Enquanto não chega este último, os fãs da série podem entreter-se, então, com o filme, uma bela adaptação que tem tudo para agradar a gregos e troianos, ou seja, a fãs de Riggs e de Burton. Mesmo não atingindo o nível das melhores obras de Burton (mas a verdade é que não podemos esperar inovação a cada filme), é um belo filme que respeita a alma do livro de Riggs, que já por si parecia ter sido escrito à medida de Burton. Basicamente… estava a pedi-las. Ou seja, «sorte» de quem nunca viu um filme de Tim Burton, pois ao ver este poderá ter o baque que outros tiveram com Eduardo Mãos de Tesoura.
Inegável é o papel preponderante dos bons atores presentes, com natural destaque, num filme com muitos jovens, para os «veteranos» Samuel L. Jackson e Eva Green. Só por estes dois valeria a pena, mas a verdade é que se trata de uma boa história, com as suas alterações (algumas significativas) em relação ao livro, para o tornar mais adequado ao modo cinematográfico. O que é bom para quem leu o romance, pois afinal há novidades em perspetiva, o que, aliado ao espetáculo visual de qualquer filme de Tim Burton, à história consistente e imaginativa e ao bom desempenho dos atores, garante um belo momento cinematográfico.
Falta, como já referi, um pouco de inovação, mas o que haveria de fazer Tim Burton com um livro que até parece escrito «para ele»?

Chegou a tão badalada autobiografia de Bruce Springsteen, «Born to Run»

capa-born-to-runCríticos ou não críticos, fãs ou não fãs, anda tudo louco com a autobiografia de Bruce Springsteen, Born to Run, editada entre nós pela Elsinore. Até eu, que não sou grande apreciador de cantor tão unânime (já tentei, mas inexplicavelmente não consigo), começo a ficar curioso. E, além disso, e não menos importante, pelo que tenho lido está bem escrito, algo que não se pode dizer de todas as autobiografias.
Vamos ler então o que nos diz a Elsinore sobre este livro de quase seiscentas páginas (21,98 euros) que acabou de lançar no mercado.
«Foram poucas as vezes em que um artista contou a sua própria história com tanta força e coragem, equilibrando o lirismo de um músico singular e a sabedoria de um homem que refletiu profundamente acerca das suas experiências de vida. Durante os últimos sete anos, desde uma atuação marcante no Super Bowl com a E Street Band, Bruce Springsteen tem-se dedicado a escrever a história da sua vida, recordando vividamente, com a honestidade, humor e originalidade que se encontram nas suas canções, a sua busca incessante em tornar-se músico.
Com uma sinceridade desarmante, Bruce Springsteen conta, pela primeira vez, a história das batalhas pessoais que inspiraram os seus melhores trabalhos. Em Born to Run, ele descreve o seu crescimento e a educação católica em Freehold, Nova Jérsia, rodeado de poesia, perigo e escuridão, que alimentavam a sua criatividade, num crescendo até ao momento fulcral do início da sua carreira, a que ele se refere como o seu “Big Bang”: ver a estreia de Elvis Presley na televisão norte-americana, no Ed Sullivan Show.
Recorda vivamente a sua motivação inabalável para se tornar músico, os primeiros tempos enquanto rei das bandas de bar em Asbury Park, e a formação da E Street Band. Com uma candura desarmante, conta, pela primeira vez, a história das batalhas pessoais que inspiraram os seus melhores trabalhos, e mostra-nos por que motivo a canção Born to Run revela mais do que as ideias que percebemos quando a ouvimos.
Born to Run será inspirador para todos quanto gostam de Bruce Springsteen; no entanto, esta obra é muito mais do que as memórias de uma lendária estrela do rock. Este é um livro para os trabalhadores e os sonhadores, para os pais e os filhos, para os amantes e os solitários, para artistas, freaks ou para quem sempre quis ser batizado no rio sagrado do rock and roll. Como muitas das suas canções (Thunder Road, Badlands, Darkness on the Edge of Town, The River, Born in the USA, The Rising e The Ghost of Tom Joad, para nomear apenas algumas), este livro entrará instantaneamente para a lista dos clássicos intemporais.»

O Porta-Livros está de volta

ttOlá a todos!
Ao fim de uns meses de paragem, tanto por falta de tempo como por alguma saturação face ao modelo do blogue, o Porta-Livros está de volta. Mas, como hão de vir a reparar com a passagem dos dias (e dos posts), regressou diferente. O nome continua o mesmo, mas agora os livros já não são os únicos donos deste espaço. Não que eu goste menos de livros, nem por sombras, mas também me apetece escrever sobre outros temas e alertar-vos para outras coisas.
É claro que vou continuar a divulgar alguns livros que vão saindo, ou recuperando outros já saídos e que eu possa achar que merecem a pena ser lembrados, assim como darei a opinião sobre o que vou lendo, tanto por prazer como em trabalho (que também é um prazer!) – Para quem não sabe, ou não se lembra, sou tradutor e revisor, com formação e experiência profissional de jornalista. Mas, como explicava, vou aqui abordar outras coisas de que gosto, como filmes, museus, espaços, séries, enfim, basicamente o que me apetecer. Até conto ir publicando algumas fotos que vou tirando que ache que possam valer a pena ser vistas (daí a foto acima, que não tem nada que ver com nada, simplesmente gosto dela).
E, claro, sempre que se justifique, hei de publicar links – ou ligações, como preferirem – para artigos que me pareçam interessantes.
Será, portanto, um espaço mais pessoal, mas não mais íntimo, descansem:
Estejam sempre à vontade para comentar ou dar sugestões. Mas identifiquem-se, por favor, detesto anónimos.
É bom estar de volta!

Rui Azeredo

Livros do Brasil serve dose dupla de Hemingway

LB-sinos LB-torrentesA Livros do Brasil acabou de publicar novas edições de As Torrentes da Primavera e Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway.
O primeiro destes livros, esgotado há anos, inclui também Um Gato à Chuva e Outros Contos, livro menos conhecido do autor onde consta o seu romance de estreia, lançado há 90 anos, e 14 contos desse período.
Por Quem os Sinos Dobram, é um dos mais conhecidos romances de Hemingway, e que integra o Plano Nacional de Leitura, versa a Guerra Civil de Espanha.

As Torrentes da Primavera seguido de Um Gato à Chuva e Outros Contos
«Romance de estreia de Ernest Hemingway, publicado originalmente em 1926, As Torrentes da Primavera conta a história de dois homens – um deles escritor, o outro veterano de guerra, ambos funcionários de uma fábrica de bombas no norte do Michigan e os dois em busca da sua mulher ideal. Paródia à escola literária da sua geração, aos seus temas e estilos, este é um texto de juventude cheio de ironia por onde despontam já, com vigor, as valiosas características literárias que Hemingway viria a consolidar em numerosas obras de referência. E que são confirmadas pelo conjunto de catorze contos apresentados neste volume, escritos também nesses seus primeiros anos de criação.»

Por Quem os Sinos Dobram
«Em 1937 Ernest Hemingway viajou para Madrid, com o intuito de aí realizar algumas reportagens sobre a resistência do governo legítimo de Espanha ao avanço dos revoltosos fascistas. Três anos mais tarde, concluiria a elaboração de um dos mais famosos romances sobre a Guerra Civil de Espanha, Por Quem os Sinos Dobram. A história de Robert Jordan, um jovem americano das Brigadas Internacionais, membro de uma unidade guerrilheira que combate algures numa zona montanhosa, é um relato de coragem e lealdade, de amor e derrota, que acabou por constituir um dos mais belos romances de guerra do século XX. “Se a função de um escritor é revelar a realidade”, escreveria o editor Maxwell Perkins em carta dirigida a Hemingway após ter concluído a leitura do seu manuscrito, “nunca ninguém o fez melhor do que você.”»

“Uma História de Amor e Trevas”, de Amos Oz, com nova face

imageAproveitando a a estreia do filme Uma História de Amor e Trevas, realizado por Natalie Portman, a Dom Quixote deu uma nova roupagem à belíssima obra que lhe deu origem, da autoria de Amos Oz. O livro, uma autobiografia em forma de romance, chega às livrarias a 8 de março, enquanto o filme estreia no dia 17.

Sinopse: “Saga de uma família e mágico auto-retrato de um escritor, Uma História de Amor e Trevas é a história de um menino que cresce numa Jerusalém devastada pela guerra, num pequeno apartamento apinhado de livros e de parentes que falam diversas línguas. A história de um adolescente cuja vida mudou para sempre com o suicídio da mãe. A história de um homem que declara a sua independência e volta costas ao mundo em que cresceu, deixando para trás as restrições da família e da comunidade, a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo árabe. A história de um escritor que se torna um participante activo na vida política da sua nação.
Autobiografia em forma de romance, é uma complexa obra literária que abarca as origens da família de Amos Oz, a história da sua infância e juventude e a trágica vida dos pais. É também a extraordinária recriação dos caminhos percorridos por Israel no século xx, da diáspora à fundação de uma nação e de uma língua: o hebraico moderno; e uma reflexão sobre a história do sionismo e a criação de Israel como necessidade histórica de um povo confrontado com a ameaça de extinção.”

«Vozes de Chernobyl», de Svetlana Alexievich, já «ecoam» nas livrarias portuguesas

vozes de chernobyl_estb_001.jpgChegou há dias às livrarias a ansiada obra Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich, Prémio Nobel de Literatura 2015, numa edição Elsinore, chancela da editora 20|20. A obra tem prefácio de Paulo Moura.
A autora, nascida em 1948 em Ivano-Frankivsk, na Ucrânia, cresceu em Minsk, capital da Bielorrússia, onde ainda vive. Jornalista e escritora, Svetlana Alexievich, é autora de cinco livros, havendo outro, O Fim do Homem Soviético, já lançado em Portugal pela Porto Editora. As suas cinco obras em prosa formam o projeto literário Vozes da Utopia, que reúne a história do espírito universal das pessoas – e não apenas do povo soviético. Deste projeto fazem parte os já referidos Vozes de Chernobyl e O Fim do Homem Soviético, e ainda A Guerra não Tem Rosto de Mulher (Elsinore, setembro de 2016), As Últimas Testemunhas e Rapazes de Zinco (ambos Elsinore, 2017).

Sinopse: «A 26 de abril de 1986, Chernobyl foi palco do pior desastre nuclear de sempre. As autoridades soviéticas esconderam a gravidade dos factos da população e da comunidade internacional, e tentaram controlar os danos enviando milhares de homens mal equipados e impreparados para o vórtice radioativo em que se transformara a região. O acidente acabou por contaminar quase três quartos da Europa.
Numa prosa pungente e desarmante, Svetlana Alexievich dá voz a centenas de pessoas que viveram a tragédia: desde cidadãos comuns, bombeiros e médicos, que sentiram na pele as violentas consequências do desastre, até as forças do regime soviético que tentaram esconder o ocorrido. Os testemunhos, resultantes de mais de 500 entrevistas realizadas pela autora, são apresentados através de monólogos tecidos entre si com notável sensibilidade, apesar da disparidade e dos fortes contrastes que separam estas vozes.»

 

«22/11/63» – Stephen King (Bertrand)

Print22/11/63 é um notável romance de Stephen King, editado pela Bertrand, que vale bem o esforço de se ler as suas novecentas páginas. Parece assustador, este número atirado assim a seco, mas se tiver as mesmas sensações que eu tive a ler esta obra vai perceber que todas as páginas, palavras e letras são necessárias para contar esta história muito bem engendrada e melhor conseguida com que Stephen King nos presenteia. Está ao seu melhor nível, o que por si só é um bom certificado de garantia.
Senti-me bem, dentro deste livro, que, dentro do género “e se” nos leva à época do presidente norte-americano John F. Kennedy. Faz um excelente retrato de época… Quer dizer, nunca lá estive, mas ao ler parecia que lá estava, nessa América fantástica dos finais dos anos 1950 e do início dos anos 1960. É comum dizer-se que é como se viajássemos no tempo, mas quem verdadeiramente viaja no tempo é o protagonista, Jake, um vulgar professor da atualidade, que por artes misteriosas consegue regressar a essa era. Mas vai lá desafiado com uma missão: conhecer Lee Harvey Oswald e impedir que este assassine JFK. Isto por si só já bastaria para montar uma boa história, mas a verdade é que os acontecimentos paralelos que vão ocorrendo, como a “nova” vida quotidiana de Jake num passado que ele só conhecia dos livros e dos filmes, são extremamente cativantes e realistas, levando-nos a não querer que a obra termine e que nos deixe permanecer ali num mundo fictício tão apelativo. Os inevitáveis dilemas de Jake, que tem de avaliar bem no que deve ou não mexer no passado (agora presente), são outro motivo de interesse, assim como a sua adaptação a um mundo sem telemóveis e outras modernices, compensadas por uma pureza que lhe parecia perdida.
Recheado de boas personagens e boas estórias, 22/11/63 é uma aposta segura e recompensadora.

Sinopse: «Dallas, 22/11/63: três tiros são disparados O presidente John F. Kennedy está morto.
Quando o seu amigo lhe propõe que atravesse uma porta do tempo para regressar ao passado com uma missão especial, Jake fica completamente arrebatado. A ideia é impedir que Lee Harvey Oswald mate o presidente Kennedy. Jake regressa a uma América apaixonante e começa uma nova vida no tempo de Elvis, dos grandes automóveis americanos e de gente a fumar. O curso da História está prestes a mudar…
22/11/63 é a 54ª obra de ficção de Stephen King, um dos autores mais lidos em todo o mundo. Uma vez mais, o autor recorre às bases da literatura popular (neste caso, a ideia das viagens no tempo) para construir um romance que vai muito além do simples entretenimento. King aproveita para revisitar a América do final da década de 1950, a América da sua infância, marcada pelo crescimento económico e pelo bem-estar das famílias mas também, de forma negativa, pelo racismo e pelos temores de um conflito nuclear. Ao mesmo tempo, o livro coloca questões profundas sobre a natureza das nossas sociedades democráticas, constituindo, nas palavras do autor, um “alerta contra os perigos do extremismo ideológico”.»