Livros do Brasil serve dose dupla de Hemingway

LB-sinos LB-torrentesA Livros do Brasil acabou de publicar novas edições de As Torrentes da Primavera e Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway.
O primeiro destes livros, esgotado há anos, inclui também Um Gato à Chuva e Outros Contos, livro menos conhecido do autor onde consta o seu romance de estreia, lançado há 90 anos, e 14 contos desse período.
Por Quem os Sinos Dobram, é um dos mais conhecidos romances de Hemingway, e que integra o Plano Nacional de Leitura, versa a Guerra Civil de Espanha.

As Torrentes da Primavera seguido de Um Gato à Chuva e Outros Contos
«Romance de estreia de Ernest Hemingway, publicado originalmente em 1926, As Torrentes da Primavera conta a história de dois homens – um deles escritor, o outro veterano de guerra, ambos funcionários de uma fábrica de bombas no norte do Michigan e os dois em busca da sua mulher ideal. Paródia à escola literária da sua geração, aos seus temas e estilos, este é um texto de juventude cheio de ironia por onde despontam já, com vigor, as valiosas características literárias que Hemingway viria a consolidar em numerosas obras de referência. E que são confirmadas pelo conjunto de catorze contos apresentados neste volume, escritos também nesses seus primeiros anos de criação.»

Por Quem os Sinos Dobram
«Em 1937 Ernest Hemingway viajou para Madrid, com o intuito de aí realizar algumas reportagens sobre a resistência do governo legítimo de Espanha ao avanço dos revoltosos fascistas. Três anos mais tarde, concluiria a elaboração de um dos mais famosos romances sobre a Guerra Civil de Espanha, Por Quem os Sinos Dobram. A história de Robert Jordan, um jovem americano das Brigadas Internacionais, membro de uma unidade guerrilheira que combate algures numa zona montanhosa, é um relato de coragem e lealdade, de amor e derrota, que acabou por constituir um dos mais belos romances de guerra do século XX. “Se a função de um escritor é revelar a realidade”, escreveria o editor Maxwell Perkins em carta dirigida a Hemingway após ter concluído a leitura do seu manuscrito, “nunca ninguém o fez melhor do que você.”»

“Uma História de Amor e Trevas”, de Amos Oz, com nova face

imageAproveitando a a estreia do filme Uma História de Amor e Trevas, realizado por Natalie Portman, a Dom Quixote deu uma nova roupagem à belíssima obra que lhe deu origem, da autoria de Amos Oz. O livro, uma autobiografia em forma de romance, chega às livrarias a 8 de março, enquanto o filme estreia no dia 17.

Sinopse: “Saga de uma família e mágico auto-retrato de um escritor, Uma História de Amor e Trevas é a história de um menino que cresce numa Jerusalém devastada pela guerra, num pequeno apartamento apinhado de livros e de parentes que falam diversas línguas. A história de um adolescente cuja vida mudou para sempre com o suicídio da mãe. A história de um homem que declara a sua independência e volta costas ao mundo em que cresceu, deixando para trás as restrições da família e da comunidade, a fim de assumir uma nova identidade num novo lugar: o kibutz Hulda, na fronteira com o mundo árabe. A história de um escritor que se torna um participante activo na vida política da sua nação.
Autobiografia em forma de romance, é uma complexa obra literária que abarca as origens da família de Amos Oz, a história da sua infância e juventude e a trágica vida dos pais. É também a extraordinária recriação dos caminhos percorridos por Israel no século xx, da diáspora à fundação de uma nação e de uma língua: o hebraico moderno; e uma reflexão sobre a história do sionismo e a criação de Israel como necessidade histórica de um povo confrontado com a ameaça de extinção.”

«Vozes de Chernobyl», de Svetlana Alexievich, já «ecoam» nas livrarias portuguesas

vozes de chernobyl_estb_001.jpgChegou há dias às livrarias a ansiada obra Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich, Prémio Nobel de Literatura 2015, numa edição Elsinore, chancela da editora 20|20. A obra tem prefácio de Paulo Moura.
A autora, nascida em 1948 em Ivano-Frankivsk, na Ucrânia, cresceu em Minsk, capital da Bielorrússia, onde ainda vive. Jornalista e escritora, Svetlana Alexievich, é autora de cinco livros, havendo outro, O Fim do Homem Soviético, já lançado em Portugal pela Porto Editora. As suas cinco obras em prosa formam o projeto literário Vozes da Utopia, que reúne a história do espírito universal das pessoas – e não apenas do povo soviético. Deste projeto fazem parte os já referidos Vozes de Chernobyl e O Fim do Homem Soviético, e ainda A Guerra não Tem Rosto de Mulher (Elsinore, setembro de 2016), As Últimas Testemunhas e Rapazes de Zinco (ambos Elsinore, 2017).

Sinopse: «A 26 de abril de 1986, Chernobyl foi palco do pior desastre nuclear de sempre. As autoridades soviéticas esconderam a gravidade dos factos da população e da comunidade internacional, e tentaram controlar os danos enviando milhares de homens mal equipados e impreparados para o vórtice radioativo em que se transformara a região. O acidente acabou por contaminar quase três quartos da Europa.
Numa prosa pungente e desarmante, Svetlana Alexievich dá voz a centenas de pessoas que viveram a tragédia: desde cidadãos comuns, bombeiros e médicos, que sentiram na pele as violentas consequências do desastre, até as forças do regime soviético que tentaram esconder o ocorrido. Os testemunhos, resultantes de mais de 500 entrevistas realizadas pela autora, são apresentados através de monólogos tecidos entre si com notável sensibilidade, apesar da disparidade e dos fortes contrastes que separam estas vozes.»

 

«22/11/63» – Stephen King (Bertrand)

Print22/11/63 é um notável romance de Stephen King, editado pela Bertrand, que vale bem o esforço de se ler as suas novecentas páginas. Parece assustador, este número atirado assim a seco, mas se tiver as mesmas sensações que eu tive a ler esta obra vai perceber que todas as páginas, palavras e letras são necessárias para contar esta história muito bem engendrada e melhor conseguida com que Stephen King nos presenteia. Está ao seu melhor nível, o que por si só é um bom certificado de garantia.
Senti-me bem, dentro deste livro, que, dentro do género “e se” nos leva à época do presidente norte-americano John F. Kennedy. Faz um excelente retrato de época… Quer dizer, nunca lá estive, mas ao ler parecia que lá estava, nessa América fantástica dos finais dos anos 1950 e do início dos anos 1960. É comum dizer-se que é como se viajássemos no tempo, mas quem verdadeiramente viaja no tempo é o protagonista, Jake, um vulgar professor da atualidade, que por artes misteriosas consegue regressar a essa era. Mas vai lá desafiado com uma missão: conhecer Lee Harvey Oswald e impedir que este assassine JFK. Isto por si só já bastaria para montar uma boa história, mas a verdade é que os acontecimentos paralelos que vão ocorrendo, como a “nova” vida quotidiana de Jake num passado que ele só conhecia dos livros e dos filmes, são extremamente cativantes e realistas, levando-nos a não querer que a obra termine e que nos deixe permanecer ali num mundo fictício tão apelativo. Os inevitáveis dilemas de Jake, que tem de avaliar bem no que deve ou não mexer no passado (agora presente), são outro motivo de interesse, assim como a sua adaptação a um mundo sem telemóveis e outras modernices, compensadas por uma pureza que lhe parecia perdida.
Recheado de boas personagens e boas estórias, 22/11/63 é uma aposta segura e recompensadora.

Sinopse: «Dallas, 22/11/63: três tiros são disparados O presidente John F. Kennedy está morto.
Quando o seu amigo lhe propõe que atravesse uma porta do tempo para regressar ao passado com uma missão especial, Jake fica completamente arrebatado. A ideia é impedir que Lee Harvey Oswald mate o presidente Kennedy. Jake regressa a uma América apaixonante e começa uma nova vida no tempo de Elvis, dos grandes automóveis americanos e de gente a fumar. O curso da História está prestes a mudar…
22/11/63 é a 54ª obra de ficção de Stephen King, um dos autores mais lidos em todo o mundo. Uma vez mais, o autor recorre às bases da literatura popular (neste caso, a ideia das viagens no tempo) para construir um romance que vai muito além do simples entretenimento. King aproveita para revisitar a América do final da década de 1950, a América da sua infância, marcada pelo crescimento económico e pelo bem-estar das famílias mas também, de forma negativa, pelo racismo e pelos temores de um conflito nuclear. Ao mesmo tempo, o livro coloca questões profundas sobre a natureza das nossas sociedades democráticas, constituindo, nas palavras do autor, um “alerta contra os perigos do extremismo ideológico”.»

«O Fantasma» marca regresso de Jo Nesbø

O FantasmaA Dom Quixote continua a publicar os macabros casos do detetive Harry Hole, protagonista de uma série de livros do escritor norueguês Jo Nesbø, e o próximo da lista trata-se de O Fantasma, que assim sucede a O Boneco de Neve e O Leopardo. Este policial chega às livrarias a 10 de novembro.

Sinopse: «Quando Harry Hole se mudou para Hong Kong pensou ter deixado definitivamente para trás a sua carreira de inspector, bem como os traumas vividos em Oslo. Mas o impensável aconteceu: Oleg, o filho de Rakel, foi preso em Oslo por ser o principal suspeito de um homicídio. Harry recusa-se a acreditar que o rapaz que ajudou a educar seja um assassino, e regressa à Noruega para procurar o verdadeiro culpado. Apesar de já não pertencer à força policial, apoia-se aos poucos amigos em quem confia para se infiltrar nas profundezas do mundo da droga de Oslo, onde uma nova e perigosa substância ganha popularidade entre os toxicodependentes. Esta investigação, a mais pessoal de todas, vai obrigar Harry Hole a enfrentar o passado e a terrível realidade de Oleg e de si próprio.»

«A Solo», uma aventura de 007 assinada por William Boyd, regressa com novo «fato»

A SoloAproveitando, por certo, a onda 007 gerada pela estreia do novo filme de James Bond já no dia 5 de novembro, a Dom Quixote recuperou A Solo romance em que o conhecido agente secreto é protagonista. A obra, da autoria de William Boyd, conta com uma nova capa e estará à venda a 10 de novembro.
Recorde aqui a minha opinião sobre este livro.

Sinopse: «Decorre o ano de 1969 e James Bond está prestes a agir a solo, tendo uma imprudente vingança como objectivo. Veterano de longa data dos serviços secretos, 007 é encarregado de pôr fim sozinho a uma guerra civil, numa pequena nação da África Ocidental, Zanzarim.
Ajudado por uma bela cúmplice e boicotado pela milícia local, Bond passa por uma experiência marcante que o leva a ignorar as ordens de zM. enquanto tenta levar a cabo a sua missão pessoal de justiça. As ações impetuosas de James Bond levam-no a Washington D.C., onde descobre uma rede de intrigas geopolíticas e assiste a novos horrores.
Todavia, mesmo que Bond consiga obter a sua vingança, será perseguido a cada momento por um homem de duas caras.»007

«O Boneco de Neve» e «O Leopardo» – Jo Nesbø

O Boneco de NeveO LeopardoA minha primeira experiência com o famoso escritor norueguês Jo Nesbø foi Caçadores de Cabeças e desde logo fiquei muito bem impressionado. Como felizmente há muita coisa boa para ler, entre contemporâneos e clássicos, ou só livros mais antigos, e infelizmente pouco tempo para o fazer, tendo a variar as minhas leituras para que abranjam um leque mais amplo de autores e estilos. Isso é bom, mas às vezes é mau.
Ora bem, tinha aqui em casa guardados em fila de espera dois policiais de Nesbø, O Boneco de Neve e O Leopardo, protagonizados pelo inspetor Harry Hole, a mais famosa personagem criada por este escritor norueguês e que tem alimentado uma extensa série de romances, vários dos quais editados em Portugal, pela Dom Quixote. A parte má foi não ter pegado logo neles, pois revelaram-se de leitura compulsiva e optei por lê-los em sucessão, pois não há dúvida de que prendem, pelo ritmo, pelo enredo e, principalmente, pelas personagens e as suas relações.
Estes dois livros sucedem-se cronologicamente mas podem ser lidos individualmente, dado que, como é costume, e aconselhável, neste casos o autor faz sempre os devidos enquadramentos para que os leitores sejam capazes de entrar com o comboio em andamento. Foi o que eu fiz, e em boa hora, pois aproveitei logo para seguir viagem, sem paragens em estações e apeadeiros, de O Boneco de Neve para O Leopardo.
Harry Hole, da polícia de Oslo, capital norueguesa, é especialista em assassinos em série (e outras coisas, como relações complexas com mulheres) e, dada a habitual pacatez do seu país a nível criminal, é acusado de ser obcecado por essa matéria. Ou seja, os seus superiores acusam-no de ver serial killers em todo o lado. Dado que ele é o herói (cheio de defeitos, é certo), não será surpresa para ninguém verificar que naturalmente está coberto de razão. Se em O Boneco de Neve lida com um assassino em série que pretende fazer justiça relacionada com algo relativo ao seu passado, em O Leopardo o homicida é antes de mais movido pela necessidade de limpar pistas. Algo em comum entre os dois? São ambos nitidamente desequilibrados, o que é conveniente para este tipo de obras, pois tal é garante de crimes mais terríveis, elaborados e sangrentos. Harry Hole, já se percebeu, também não é flor que se cheire. O alcoolismo, associado à dificuldade em acatar ordens de superiores, não lhe trazem muitas amizades, mas, por outro lado, a inteligência, a perspicácia e o empenho tornam-no praticamente indispensável. Correndo à margem, obtém ainda assim sucesso, e naturalmente cativa mais os leitores, que preferem este tipo de «herói» a um de estilo mais limpo. Ora, para se conhecer todos os defeitos do inspetor, já se percebe que os livros acompanham imenso a sua atribulada vida pessoal, e essa é uma das grandes fontes de atração das obras de Nesbø. As personagens são bastante completas e complexas, realistas, cativantes e sedutoras. Em suma, tanto se pode odiá-las como adorá-las, e até as duas coisas em simultâneo. E dado que são as pessoas que fazem os locais, obtemos ao ler estes livros (e calculo que os restantes da série) um excelente retrato da sociedade norueguesa contemporânea, bem diferente do que costumamos interiorizar ao ler e analisar as tabelas dos índices de melhor nível de vida do mundo. Afinal, eles são humanos, com virtudes e, principalmente, defeitos.
Como é regra em policiais, o enredo tem de dar muitas voltas e o segredo para que ainda assim se mantenha a credibilidade e qualidade é orquestrar reviravoltas minimamente realistas, pois caso contrário mais vale ir ver filmes de super-heróis. Nesbø consegue-o com boa nota e isso, pelo menos no meu caso, serve para me prender ainda mais à leitura, pois tudo flui com naturalidade.

O Boneco de Neve: «Noite escura. Lá fora começa a nevar. A primeira neve do ano. No conforto da sua casa, Jonas acorda a meio da noite, chama pela mãe, mas o único rasto que encontra são as pegadas húmidas no chão das escadas. No jardim, a mesma figura solitária que vira durante o dia: o boneco de neve, agora banhado pelo luar, com os olhos negros fixos na janela do quarto. E no pescoço um agasalho: o cachecol cor-de-rosa que oferecera à mãe.
Encarregado da investigação, o Inspector Harry Hole está convencido de que existe uma ligação entre o estranho desaparecimento da mãe de Jonas e uma carta ameaçadora que recebeu alguns meses antes.»

O Leopardo: «Perturbado com os acontecimentos que levaram à detenção do Boneco de Neve, o inspector Harry Hole refugia-se em Hong Kong onde as únicas regras a que obedece são as que lhe são impostas na sordidez das salas de ópio. Enquanto isso, em Oslo, num inverno excepcionalmente ameno, a Polícia depara-se com o brutal assassino de duas mulheres. Sem pistas, sem perceber que arma do crime seria capaz de provocar os ferimentos que apresentavam, e com a investigação num impasse, só lhe resta encontrar Harry Hole e convencê-lo a colaborar. Com o pai gravemente doente no hospital, Harry Hole acaba por regressar à Noruega. Não tenciona trabalhar na investigação mas o instinto leva a melhor quando a Polícia encontra uma terceira vítima num parque da cidade, violentamente assassinada. Quando consegue desvendar a ligação entre as vítimas, Harry Hole percebe que está a lidar com um psicopata que, tal como O Boneco de Neve, o vai levar ao limite das suas capacidades.»