«Alabardas», inédito inacabado de Saramago, disponível a 23 de setembro

pe-Alabardas_JoseSaramagoApresentado como «O último fôlego narrativo» de José Saramago, Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas, romance inédito e inacabado do Nobel português, será publicado a 23 de setembro pela Porto Editora.
O romance, protagonizado por Artur Paz Semedo, é, segundo a editora, «uma reflexão sobre a violência que põe em relevo a fragilidade humana e social face às atrocidades da guerra».
«Afinal, talvez ainda vá escrever outro livro. Uma velha preocupação minha (porquê nunca houve uma greve numa fábrica de armamento) deu pé a uma ideia complementar que, precisamente, permitirá o tratamento ficcional do tema.», escreveu José Saramago nas suas notas, em agosto de 2009, e daí nasceria este Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas, título retirado de uma tragicomédia de Gil Vicente.
O livro conta com ilustrações Günter Grass (também ele Nobel da Literatura) e com dois textos, um de Fernando Gómez Aguilera, que comenta e situa este romance no contexto da obra de Saramago, e outro de Roberto Saviano, que apresenta «uma inquietação sobre o papel do Homem face à violência a partir da “orquestra de revelações” que é esta história.

Apresentação em Lisboa a 2 de outubro
A apresentação mundial de Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas vai decorrer a 2 de outubro na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, às 18h30,com a presença do professor António Sampaio da Nóvoa, do juiz Baltasar Garzón e do escritor Roberto Saviano. Durante a sessão moderada pela jornalista Anabela Mota Ribeiro, serão projetadas as ilustrações de Günter Grass.
Mas antes, a 19 de setembro, será reeditado pela Porto Editora Memorial do Convento, cuja caligrafia da capa é da autoria de José Mattoso.

Sinopse: «Aquando do seu falecimento, em 2010, José Saramago deixou escritas trinta páginas daquele que seria o seu próximo romance, trinta páginas onde estava já esboçado o fio argumental, perfilados os dois protagonistas e, sobretudo, colocadas as perguntas que interessavam à sua permanente e comprometida vocação de agitar consciências.
Saramago escreve a história de Artur Paz Semedo, um homem fascinado por peças de artilharia, empregado numa fábrica de armamento, que leva a cabo uma investigação na sua própria empresa, incitado pela ex-mulher, uma mulher com carácter, pacifista e inteligente. A evolução do pensamento do protagonista permite-nos refletir sobre o lado mais sujo da política internacional, um mundo de interesses ocultos que subjaz à maior parte dos conflitos bélicos do século xx.»

«O Nadador» – Joakim Zander

obj-nadadorMal informado, pensava eu, ao pegar em O Nadador, que me preparava para ler mais um policial nórdico quando afinal, diante dos meus olhos, deparo-me com um romance de espionagem internacional, e dos bons.
O Nadador é uma trepidante aventura que atravessa décadas e terras, desde os anos 80 na Síria, passando pelo Afeganistão e Iraque (anos 1990 e 2000) e pela Suécia, Bruxelas e Paris atuais. A ver pelos cenários referidos já deu para perceber que terá algo que ver com operações militares. É verdade, a ainda com os negócios internacionais obscuros que as acompanham, ou melhor, fomentam.
Este livro tem uma coisa de que gosto, consegue surpreender mais do que já de si é habitual no género, nomeadamente através de mortes abruptas e inesperadas de personagens que tomamos por protagonistas indestrutíveis e fundamentais ao desenrolar do enredo.
De início, é algo difícil «enfiarmo-nos» no livro, dada a diversidade geográfica e de épocas, com saltos no tempo, com que temos de lidar, ainda para mais numa altura na qual ainda não conhecemos bem as personagens. Os capítulos curtos e a escrita simples ajudam-nos a entrar no(s) enredo(s) e depois já nos sentimos como peixe na água, onde a única coisa que não controlamos são as reviravoltas que o autor nos preparou. Mas na verdade também não seria esse o meu objetivo, pois gosto de ser surpreendido neste tipo de obra. E O Nadador tem uma vantagem, pois por vezes consegue fugir ao que é habitual. Quantas vezes, em obras deste género, há uma fórmula base comum a todas e com «treino» acaba-se por perceber quando surge uma surpresa… pelo que deixa de ser surpresa. Ou cai-se no exagero da reviravolta sobre reviravolta, forçando a surpresa, mas aí perde-se em termos de credibilidade.
Em O Nadador, Zander, apesar de estreante na escrita, consegue, mesmo não sendo este um romance extremamente inovador, fugir à vulgaridade, não tanto pelas personagens, algo tipificadas, mas mais pela complexidade do argumento.
Será que depois dos policiais nórdicos poderá surgir uma vaga de thrillers de espionagem nórdicos? Se estiverem à altura deste, por mim tudo bem.

Autor: Joakim Zander
Título Original: Simmaren
Editora: Suma de Letras
Tradução: João Reis
Ano de Edição: 2014
Páginas: 464

Sinopse: «Damasco. Uma noite quente no princípio dos anos 80. Um agente americano entrega a sua bebé a um destino incerto, uma traição que jamais se perdoará e que será o começo de uma fuga de si próprio. Até ao dia em que não pode continuar a esconder-se da verdade e se vê obrigado a tomar uma decisão crucial.
Trinta anos depois, Klara Walldéen, uma jovem sueca que trabalha no Parlamento Europeu, vê-se envolvida numa trama de espionagem internacional na qual está implicado Mahmoud Shammosh, o seu antigo amante e ex-membro das forças especiais do exército sueco.
Klara e Mahmoud transformam-se no alvo de uma caçada através da Europa, um mundo onde as fronteiras entre países são tão ténues como a linha que separa um aliado de um inimigo, a verdade da mentira, o passado do presente.»

BD «Portugueses na Grande Guerra», de Carlos Baptista Mendes, sai no final de setembro

arc-GGA Arcádia, editora integrada no Grupo Babel, edita no final de setembro o álbum de banda desenhada Portugueses na Grande Guerra (1914-1918), com desenhos de Carlos Baptista Mendes e argumento de Margarida Brandão. O prefácio deste livro com 48 páginas é assinado pelo general Loureiro dos Santos.
No álbum estão compilados, segundo a editora, «alguns momentos significativos do comportamento dos militares que participaram na Primeira Guerra Mundial». Estes episódios foram inicialmente publicados no Jornal do Exército. Há duas exceções, «O Soldado Milhões» e «José Hermano Baptista», desenhados propositadamente para esta edição da Arcádia.
Carlos Baptista Mendes e Margarida Brandão conquistaram em 1989 o Prémio BD do Centro Nacional de Cultura, em 1989, com o álbum Infante D. Henrique.

Poirot regressa 39 anos depois para resolver «Os Crimes do Monograma»

poirotOs Crimes do Monograma, obra editada hoje (9 de setembro) em 33 países (entre os quais Portugal), marca o regresso, após uma prolongada ausência, do famoso Hercule Poirot, personagem criada por Agatha Christie. O livro é uma edição ASA, que tem vindo a lançar entre nós toda a obra da escritora inglesa- já terão sido vendidos mais de 700 mil exemplares das suas obras. Sophie Hannah foi a escolhida pela família de Agatha Christie para assumir a responsabilidade deste regresso, 39 anos depois da publicação do último mistério do carismático detetive belga.
No âmbito das comemorações do 125.º aniversário do nascimento de Agatha Christie, realiza-se de 14 a 21 de setembro, em Torquay, Devon, em Inglaterra, o Festival Internacional Agatha Christie, onde Sophie Hannah irá apresentar ao público, pela primeira vez, Os Crimes do Monograma.

Sinopse: «Sentado no seu café preferido, Hercule Poirot prepara-se para mais um jantar de quinta-feira quando é surpreendido por uma jovem mulher. Ela chama-se Jennie e diz estar prestes a ser assassinada. Mais insólita do que esta afirmação é a sua súplica para que Poirot não investigue o crime. A sua morte é merecida, afirma Jennie, antes de desaparecer noite dentro, deixando o detective perplexo e ansioso por mais informação.
Perto dali, o elegante Hotel Bloxham é palco de três assassinatos. Os crimes têm várias semelhanças entre si: os três corpos estão dispostos em linha reta com os braços junto ao corpo e as palmas das mãos viradas para baixo. E dentro das bocas das vítimas, encontra-se o mais macabro dos pormenores: um botão de punho com o monograma PIJ.
Poirot junta-se ao seu amigo Catchpool, detetive da Scotland Yard, na investigação deste estranho caso. Serão os crimes do monograma obra do mesmo assassino? E poderão de alguma forma estar relacionados com a fugidia Jennie que, por uma razão indecifrável, não abandona os pensamentos do detetive belga?
Hercule Poirot está de regresso num mistério diabólico que vai testar ao limite as suas célebre celulazinhas cinzentas.»

Já à venda «O Anjo Negro», de Antonio Tabucchi

dq-O Anjo NegroValeria a pena comprar O Anjo Negro, livro de contos de Antonio Tabucchi agora editado pela Dom Quixote, só pela fotografia da capa, que parece saída da mente dos criadores da série televisiva True Detective. Mas é garantido que o interior, ou contos, são outra aposta ganha para quem deitar a mão a O Anjo Negro.

Sinopse: «Um admirável conjunto de seis contos, que de algum modo retractam o lado negro da alma humana: a cobardia, a traição, a prepotência, a vaidade.
Um dos contos, “Noite, mar ou distância” passa-se em Lisboa, em 1969, e remete, sem o dizer, para um célebre poema de Alexandre O’Neill “Sigamos o Cherne” e para uma Lisboa sombria nos anos finais da ditadura.
Na sua nota introdutória, Antonio Tabucchi define assim os anjos que lhe inspiraram estes contos: Os anjos são seres difíceis, principalmente os da espécie de que se fala neste livro. Não têm penas macias, têm um pelame ralo, que pica.»

«Amor que Mata», de Rosa Montero, aborda a influência no mundo das relações afetivas dos grandes tiranos

PrintA Matéria-Prima acaba de lançar Amor que Mata, obra da jornalista e escritora espanhola Rosa Montero que aborda o modo como as relações afetivas dos grandes tiranos mudaram o século XX.

Sobre o livro: «Há uma relação direta entre a pequena história da intimidade e a grande e devastadora história das ditaduras.
“Falar de alguns dos tiranos mais conhecidos ponto de vista das esposas, amantes e filhas, e do lugar que a mulher ocupava nos seus projetos megalómanos, permite aprofundar a compreensão das tragédias sociais, recorrendo à análise das tragédias domésticas.”
Hitler nunca quis assumir qualquer relação, consciente de que a sua “disponibilidade” seria um fator decisivo junto do eleitorado feminino. Estava certo.
Segundo Mussolini, as mulheres eram como as massas, ambas feitas para serem violadas.
Estaline era violento e cruel com as mulheres, levando-as ao desespero, mas ponderava o suicídio quando elas morriam.
Franco ordenou as mais bárbaras execuções mas, na intimidade, era altamente influenciado pela mulher, desejosa de poder e dinheiro, que o construiu como ditador.
Estes homens adoraram, usaram e executaram mulheres. Viveram com elas um único tipo de amor: o que mata.»

Edição revista e aumentada de «A Última Dama do Estado Novo», de Orlando Raimundo, para ajudar a entender o marcelismo

dq-A Última Dama do Estado NovoA Última Dama do Estado Novo e Outras Histórias do Marcelismo, ensaio biográfico da autoria do jornalista Orlando Raimundo, acaba de ser editado pela Dom Quixote numa versão revista e aumentada. A obra, originalmente editada em 2003, partilha novas revelações que ajudam a entender o que foi marcelismo e o papel do império no imaginário e na política do século XX.

Sobre o livro: «Orlando Raimundo – o jornalista que trouxe ao conhecimento público o famoso documento encontrado nos Arquivos de Salazar (de início atribuído a Franco Nogueira mas que veio a saber-se ser de André Gonçalves Pereira), propondo abdicar das colónias menos importantes para resistir em Angola e Moçambique – vem revelar aqui as suas origens modestas, a ajuda dos amigos na sua formação, o núcleo de pressão que o levou ao poder, o drama vivido com a doença da mulher, a forma como a filha, Ana Maria Caetano, foi condenada a assumir o papel de primeira-dama – desistindo do casamento com Adriano Moreira, então um advogado de grande prestígio – e, por fim, as determinações frias e racionais sobre a questão colonial que acabaram por levar à queda do regime em 1974 e ao seu exílio no Brasil.»

«O Manuscrito nos Confins do Mundo», de Marcello Simoni, traz de volta «o mercador de livros malditos»

ca-manuscritoO Manuscrito nos Confins do Mundo, novo romance histórico de Marcello Simoni, autor de O Mercador de Livros Malditos, acaba de ser lançado pelo Clube do Autor. Trata-se do terceiro livro protagonizado por Ignazio de Toledo, o «mercador de livros mais famoso da Historia».

Sinopse: «Ano do Senhor de 1229. Uma série de estranhos assassinatos desperta a atenção de Konrad von Marburg. O inquisidor, responsável por muitas fogueiras, decido investigar os Luciferianos, uma seita que se dedica a um antigo e misterioso culto.
Suger de Petit-Pont, um magíster medicinae expulso da universidade de Notre-Dame, que, mau grado seu, se vê envolvido no caso, atrai as suspeições de Von Marburg. Mas não será o único.
Ignazio de Toledo parte em direção a Nápoles para tentar vender uma relíquia. Inesperadamente, irá incendiar as suspeições do inquisidor, sendo considerado o responsável por todos os crimes de um cavaleiro esquivo e perigoso.
Para provar a sua inocência, o mercador de livro malditos vai ter de descobrir, com a ajuda do filho, quem são os membros da seita e qual é o papel do precioso manto que tanto procuram. As pistas levam-nos à «Corte dos Milagres» de Frederico II e a um livro escrito muitos séculos antes, pelo primeiro rei da Babilónia, o rei maldito.»