Porta-Livros

Vítor Burity da Silva – Entrevista a propósito de “Este lago não existe” e “Rua dos anjos”

19/11/2009 · 1 Comentário

O escritor angolano Vítor Burity da Silva viu recentemente editadas em Portugal duas das suas obras, Rua dos anjos e Este lago não existe, que serviram de mote à Porto Editora para lançar a colecção Literatura Plural. O Porta-Livros entrevistou o autor, abordando temas como os seus livros, a sua carreira, a literatura angolana, a Angola de hoje e as relações entre Portugal (onde vive) e o seu país de origem. 

Um elemento sempre presente na sua escrita, pelo menos nestes dois livros (Rua dos anjos e Este lago não existe), é o sonho. Porque esta necessidade de sonhar, sua e das personagens?
Bem, o sonho faz parte da vida, não é? E nós temos sempre, temos ambições, temos objectivos. E quando um homem sonha as coisas acontecem… diz o poeta. É no fundo um interiorismo, eu mergulho muito para dentro para vivenciar recalcamentos, amarguras, mágoas, frustrações, que fazem parte do percurso de vida e então o sonho está sempre presente, grande parte como metáfora para muitas outras coisas. 

E ao escrever sobre isso, liberta-se de alguma forma?
Liberto, liberto, é uma descarga imensa. Eu fico mal quando não escrevo, tenho de escrever todos os dias. Tal como um atleta precisa de treino para descomprimir, eu preciso de escrever para descomprimir.

Vendo por estes dois livros, opta muito por histórias a dois.
É coincidência nesses dois livros, noutros tenho mais gente. Normalmente gosto mais de uma narrativa directa, sem grandes interferências de personagens. As personagens vão aparecendo metaforicamente também e muitas das vezes as personagens aparentes nestas histórias na realidade não são personagens, são um seguimento do narrador numa discussão. Mas neste caso apareceram de facto estas duas pessoas, embora em Rua dos Anjos a história esteja centrada numa só, e a pessoa misteriosa é uma metáfora, uma mão de Deus, que Serafim precisa para se reorganizar, para se reerguer. Ele nem tem de onde vem, esta ali, pura e simplesmente. Em Angola isso foi utilizado como discriminação, mas eu nem disse nada disso. É engraçado, é a liberdade de interpretação de cada um, pode ser questionada, e um tipo põe-se à margem, e põe-se à mão, ao escrever. 

Estas vivências das suas personagens são vivências íntimas, pertencem a casos que observa ou nascem por si, naturalmente?
Nascem naturalmente, mas têm que ver com a vida, com o dia-a-dia, são ainda resquícios da guerra, da mágoa, da separação de pais, de casamentos não muito felizes, e o que vejo dos outros. 

É bem visível nestas obras a imaginação existente dentro das personagens. É uma maneira de mostrar a sua própria imaginação?
Não intencionalmente, mas vê-se muito os pensamentos das personagens, é uma forma que tenho de dar vida às personagens que uso. 

Apega-se muito às suas personagens? Quando acaba a escrita de um livro tem pena de as deixar ou já está farto delas?
Não, não me farto, e gosto. Tantas vezes me sinto um Serafim, independentemente do que formos, há tantas vezes que nos sentimos mal, com o nosso dia-a-dia, com os nossos casamentos, com o nosso trabalho, e o sem-abrigo Serafim é uma metáfora da sociedade, a história não é propriamente dos sem-abrigo, é o sem-abrigo que todos somos em determinados momentos da nossa vida, quando não temos terras, não temos deus, motivos nem motivação. 

Quando começou a escrever, a sentir a necessidade de contar as suas histórias?
Eu escrevo desde sempre, desde muito pequenino. Comecei também a ler muito cedo, já livros pesados. Já na escola primária as pessoas comentavam a forma como eu escrevia, as redacções; agora são composições… Questionavam muito a minha imaginação. Ainda há tempos encontrei a minha professora da primária e ela disse: “Eu sempre disse que ias ser escritor.” Tinha uma imaginação muito forte, e cá estou. Tenho muitas coisas escritas, milhares e milhares, só que, pronto, fui publicando as mais recentes. 

Quando teve a noção que pretendia fazer carreira como escritor?
Sabe, eu tenho ouvido de um outro escritor, que admiro bastante, que é o Lobo Antunes, que diz isto (e penso como ele): não passamos a ser escritores quando escrevemos, passamos a ser escritores quando temos maturidade para o ser. E então temos de ter muito treino. Nem tudo o que escrevemos é para ser definitivo, é preciso muito treino, escrever muito e ler bastante. 

Já escreveu algo de que se tenha arrependidos, que tenha olhado para trás e pensado: isto é mesmo mau?
Já, dois ou três livros, não muito grandes, de que não gosto nada. Há um do qual já nem me lembro do título.

E o contrário, passa-se? Olhar para um livro e pensar: isto ficou mesmo bem?
Gosto muito do Este lago não existe, gosto muito. É uma metáfora, não é um poema como dizia o Pepetela, supera as frustrações relativas ao que não conseguimos, aos nosso objectivos . 

Vive entre o Porto e Luanda. Qual dos dois será aquele que considera efectivamente a sua casa?
Angola é o meu país, onde nasci, é o país onde na essência vivo, só que por outras razoes vim para cá estudar, fui ficando, as coisas foram acontecendo, depois vêm os casamentos e os divórcios e vou-me mantendo por cá, mas mais três ou quatro anos e volto para Angola. Mas gosto de cá estar. 

Qual dos dois ambientes – Portugal e Angola – influencia mais a sua escrita?
Para lhe ser sincero, Angola, até pelo sangue tropical, pelos escritores e pelas músicas que há. O povo português é muito melancólico, chora muito, o povo angolano, não, o povo angolano é feliz. A qualquer título faz-se uma festa, dançamos, comemos, bebemos. 

Um aluno angolano, chegado há pouco tempo a uma universidade portuguesa, questionado quanto às diferenças entre Portugal e Angola, disse: “Isto não é um país diferente, e um planeta diferente.» As diferenças são ainda assim tão grandes?
Essas comparações são utópicas, porque comparamos uma coisa que nasceu com uma que existe há muitos anos, comparamos uma criança com um homem. Angola tem cinco anos de Histórias, é bom não esquecer isso, as pessoas às vezes esquecem-se que 35 anos de guerra não deixam nada mexer-se. Não se construiu, muito pelo contrário destruiu-se. Foi a guerra, aquilo é livre há cinco anos e está a provar que tem capacidade para crescer. 

Como encara este regresso de portugueses a Angola?
Isto é um bocado o filho e o pai. O pai cria o filho, educa-o, dá-lhe ensino, e depois, mais tarde, precisa dele para viver. Já vive de reforma, ganha pouco, e é um bocado como Portugal e Angola. Portugal neste momento tem mais carências do que Angola, já é um país “velho”, já tem poucas saídas. É bom para Portugal e Angola continuar este relacionamento. 

Acredita que esta parceria vai resultar bem?
A perspectiva do português em Angola não é a mesma. antes qualquer português era dono, patrão, hoje é um cidadão, imigrante, estrangeiro.

Do que conhece, como classifica a integração dos portugueses em Angola?
É boa, os portugueses que lá estão que conheço estão bastante bem. Há dificuldades, é normal, mas temos um relacionamento muito bom com os portugueses, como com qualquer estrangeiro que respeite o país onde vive. 

Com que regularidade vai a Angola?
Tenho ido de três em três meses e fico lá um mês ou dois meses. 

Não se sente dividido?
Neste momento vou “usando” Angola como um lugar maravilhoso para férias, tenho lá a família quase toda. 

Os seus dois livros abrem uma nova colecção da Porto Editora, Literatura Plural. O que podem dar aos portugueses os autores angolanos?
É bom para se mostrar ao mundo que ao contrário do que muita gente pensa os africanos também sabem escrever. Há escritores africanos bons, mas também já ouvi escritores africanos não-negros dizerem que os únicos escritores africanos que escrevem são os brancos. Pessoas dessas vão desaparecendo, já não fazem falta. 

Como é hoje em dia o panorama literário em Angola?
A dificuldade até agora foi a guerra, Não há editoras, não há livrarias, agora tudo está a modificar-se, está a ficar um país normal, como os outros, e tudo começa a acontecer: as editoras começam a colocar-se lá, as gráficas, tudo vai fluindo. Antes, os escritores que mais se destacavam de lá faziam-no cá: Luandino Vieira, Pepetela, Agualusa. Agora, as editoras estão a regressar e com elas a partir para o mundo, e acredito que mais apreçam.

Que papel podem ter os escritores neste fase de desenvolvimento de Angola?
Têm sempre um impacto de evolução nas populações, os estudantes estão empenhados, lêem bastante, procuram, querem conhecer novos autores, há um interesse muito, muito grande em adquirir conhecimentos novos. 

O que podem esperara de si os seus leitores nos próximos tempos.
Tenho muitas coisas feitas, que a seu tempo irão saindo, mas para o próximo anos estamos a tentar lançar uma história relacionada com estas fases da Angola de hoje: a fase anterior à guerra, a fase da guerra e a fase actual.

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22/07/2009 · Deixe um comentário

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“A Pesca do Salmão no Iémen” – Paul Torday

20/11/2009 · Deixe um comentário

A Pesca do Salmão no Iémen, como o título deixa antever, é um divertido livro, assinado pelo britânico Paul Torday (editado pela ASA), que aqui dá um excelente exemplo de humor britânico. Tem piada, é inteligente e consegue abordar temas sérios de um modo que parece ligeiro mas que, no fundo, abre espaço à reflexão, nomeadamente no que toca às instituições politicas e às relações internacionais.
A acção decorre entre Inglaterra e o Iémen, mas muito há para observar e aprender na leitura desta obra no que respeita ao comportamento dos políticos e seus assessores, sempre ávidos de lutar pelo seu próprio bem.
Trata-se de uma obra epistolar, mas não no sentido clássico do termo, já que as cartas trocadas entre, por exemplo, dois correspondentes, aqui são substituídas pela reprodução de relatórios, mails pessoais, excertos de reportagens, cartas oficiais, etc., nunca tendo o autor necessitado de recorrer a um narrador, executando ainda assim com mestria a redacção deste romance.
Nesta sua obra de estreia, Torday dá o protagonismo a um obscuro e cinzento investigador, o Dr. Alfred Jones, cujo ponto alto da sua carreira é um ensaio intitulado “Efeitos da crescente acidez da água na larva da mosca-de-água”, que faz grande sucesso nas páginas da revista “Truta & Salmão”. Constantemente humilhado pela mulher, uma administradora de sucesso na alta finança, vê a sua oportunidade de brilhar quando é convidado a criar um rio com salmões no Iémen, de modo a concretizar o sonho do multimilionário xeque Muhammad. De início até rejeitou a ideia, por a achar inconcebível, mas depois, empurrado pelos superiores (e ele próprio mais crente), dá seguimento ao projecto, que tem um sucesso inesperado. Mas do sonho à concretização do projecto (que tem direito a um final alucinante e delirante), o leitor acompanha todas as peripécias que rodeiam a introdução do salmão no Iémen. E desde os problemas pessoais de Alfred Jones e da sua colega Harriet (por quem se apaixona), até aos problemas de recrutamento de terroristas sentidos pelos inimigos do megalómano xeque, acompanhamos todo o processo através do ponto de vista do governo britânico, cujo empenhamento no projecto avança e recua conforme os interesses pessoais dos dirigentes políticos, sempre tendo em conta a opinião da população e dos media.
Sarcástico e irónico, A Pesca do Salmão no Iémen traça um perfeito retrato do modus operandi das instituições governamentais britânicas, com a particularidade de este em tudo se assemelhar aos das portuguesas.
Um livro bem-humorado e inteligente a merecer uma leitura atenta – é preciso estar atento as entrelinhas.

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Guerra & Paz edita “Livro de Viagem”, de Fernado Pessoa

20/11/2009 · Deixe um comentário

A Guerra & Paz lança a 23 de Novembro Livro de Viagem, de Fernando Pessoa, uma obra ilustrada com pintura e fotografia, onde surgem reunidos textos de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares, para, segundo a editora, oferecer “aos leitores uma visão sistemática da viagem na obra pessoana”. “Com toda a certeza”, diz a Guerra & Paz, “nunca nenhum leitor viajou com Fernando Pessoa ‘ele mesmo’ e com os heterónimos, ‘outros que talvez sejam ele’, como nesta peculiar publicação”.

Sobre o livro: «Suponhamos, por um momento, que o empregado comercial Fernando Pessoa, o mestre Alberto Caeiro, os dois discípulos, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, e ainda o ajudante de guarda-livros Bernardo Soares eram membros da mesma associação secreta de viajantes. Será que o lema da associação, a senha passe-partout dos seus membros, poderia ser outra que não esta? Para que precisa de viajar com o corpo quem tão bem viaja com a alma?»

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Teorema lança em 2010 “Jan Karski”, de Yannick Haenel, prémio Interallié 2009

20/11/2009 · Deixe um comentário

A Editorial Teorema anunciou que vai editar em 2010 o livro Jan Karski, de Yannick Haenel (na foto), que foi o vencedor do prémio Interallié 2009. O autor, um antigo professor de francês, é colaborador da revista literária “Ligne de Risque” e já escreveu obras como Introduction à la mort française (2001) e Evoluer parmi les avalanche (2003). Em 2007 obteve com o seu romance Cercle o Prémio Nimier. 

Sobre o livro: «Varsóvia, 1942. A Polónia encontra-se devastada pelos nazis e pelos soviéticos. Jan Karski é um mensageiro da Resistência polaca junto do governo no exílio, em Londres. No seu percurso, cruza-se com dois homens que o conseguem ajudar a infiltrar-se clandestinamente no gueto, a fim de poder transmitir de viva voz aos Aliados o cenário com que se tinha deparado e o facto de os judeus estarem a ser exterminados na Europa.
Jan Karski atravessa a Europa em guerra, alerta os ingleses e trava conhecimento com o presidente Roosevelt na América.
Trinta e cinco anos mais tarde, Karski dá-nos conta da sua missão em Shoah, um grande filme realizado por Claude Lanzmann. A grande pergunta é: por que razão permitiram os Aliados o extermínio dos judeus na Europa?
Este livro, construído com base na linguagem documental, e recorrendo igualmente à ficção, conta a vida desse aventureiro que foi ao mesmo tempo um justiceiro.»

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Quid Novi reedita “Memórias de Branca Dias”, de Miguel Real

19/11/2009 · Deixe um comentário

A Quid Novi reedita em Novembro o primeiro romance de Miguel Real, Memórias de Branca Dias, obra incluídas no ciclo sobre a história de Portugal e do Brasil, que teve continuidade com A Voz da Terra, O Último Negreiro e O Sal da Terra. Ainda em Novembro, a Quid Novi lança As Madrugadas em Jenin, de Susan Abulhawa e A Casa Dajani, de Alon Hilu, dois romances que decorrem em Israel e que abordam os problemas humanos existentes naquela região. 

Memórias de Branca Dias – Miguel Real
Sobre o livro: Com uma existência entre a História e a Lenda, considerada uma das matriarcas do Pernambuco, Branca Dias é, no século XVI, no Brasil, a primeira mulher portuguesa a praticar «esnoga», a primeira «mestra laica» de meninas e uma das primeiras «senhoras de engenho». Oriunda de Viana do Castelo, denunciada pela mãe e pela irmã e presa pela Inquisição nos Estaus, em Lisboa, Branca Dias embarca para o Brasil com sete filhos, juntando-se ao marido, Diogo Fernandes, vivendo ambos entre Camaragibe e Olinda, onde lhe nascem mais quatro filhos e educa uma enteada. Com a primeira visitação do Santo Ofício ao Brasil, em finais do século XVI, filhos e netos de Branca Dias são presos sob a acusação de reconversão ao judaísmo e enviados para Lisboa, para onde terão seguido igualmente, presume-se, os ossos de Branca Dias, a fim de serem queimados no Rossio em auto-de-fé.
No presente romance, Branca Dias rememora a sua vida, da infância no Minho à velhice em Olinda, passando pela sua prisão em Lisboa, pela existência perturbada no engenho de açúcar, pelo levantamento da casa grande de Camaragibe e da casa urbana da rua dos Palhares (ainda hoje existentes), pelo convívio com Duarte Coelho, primeiro capitão donatário do Pernambuco, pela morte de Pedro Álvares da Madeira, comido pelos tupinambás, pelo candomblé dos escravos pretos, pelos terrores de uma nova geografia e de uma nova fauna, pelo martírio do povo miúdo português no Novo Mundo, evidenciando assim o lado popular do heroísmo quotidiano, exultante e aziago, miscigenador e dizimador, generoso e rapace, dos primeiros colonos portugueses no Brasil.» 

As Madrugadas em Jenin – Susan Abulhawa
Sobre o livro: «Na sequência da proclamação do Estado de Israel, os habitantes da aldeia de Ein Hod são expulsos das suas casas e levados à força para um campo de refugiados administrado pelas Nações Unidas. Entre eles encontra-se Dalia, uma palestina lindíssima com dois filhos pequenos – Yousef e Ismael – que chama a atenção de um soldado israelita cuja mulher não pode ter filhos. No caminho para o campo de Jenin, entre a multidão em fuga, Ismael desaparece. É Amal – nascida em Jenin alguns anos depois – quem vai contar-nos o destino trágico dos dois irmãos. Porque Ismael vai ser criado por uma família judia que o baptiza como David e, durante a guerra de 1967, achar-se-á frente a frente com Yousef, que o reconhecerá pela cicatriz que lhe atravessa o rosto e que ele próprio lhe causou na infância. E as consequências desse encontro serão irremediáveis.
Passado durante um dos conflitos políticos mais brutais da História, este romance magnificamente escrito e traduzido em várias línguas aborda questões como a amizade e o amor, a identidade perdida, o terrorismo, a rendição e a coragem de lutar pelos direitos mais básicos. 

A Casa Dajani – Alon Hilu
Sobre o livro: «Arredores de Jafa, 1895. Salah Dajani, um rapazinho muçulmano perturbado que vive num casarão em ruínas rodeado de pomares ao abandono, é consumido por estranhas visões de um desastre que se abaterá sobre o seu povo. A sua vida é, porém, virada do avesso com a chegada à cidade de um homem loiro e bonito, um colono judeu extremamente dinâmico, por quem se sente atraído e que vê como uma espécie de anjo salvador. Trata-se do agrónomo Haim Margaliot Kalvarisky, que rumou à terra dos antepassados na esperança de salvar o seu casamento com Ester – bela, mas frígida – e que anda desesperadamente à procura de terra fértil.
Desde a sua primeira visita à Casa Dajani – para a qual é convidado pela mãe de Salah, que vê nele a última esperança de cura para a agonia do filho –, a amizade entre Kalvarisky e o rapaz está, contudo, destinada à violência e à tragédia. Porque o colono não só cobiça a propriedade que o deslumbra, mas também a bela mulher árabe de olhos verdes, cujo marido se encontra quase sempre fora e acabará por morrer em circunstâncias misteriosas.
Este romance rico e colorido, construído a partir dos diários antagónicos dos dois protagonistas à medida que negoceiam o amor, a honra e a traição numa Palestina em mudança, é uma recriação ficcional da história dos primeiros sionistas e uma apresentação magistral do confronto entre duas culturas através dos sentimentos individuais de duas personagens notáveis. 

Unidos no Amor – Contra a Indiferença – Isabel Barata e Manuel Matos
Sobre o livro: «Um testemunho de dois cidadãos portugueses – um professor do ensino secundário e uma economista cuja actividade se tem desenvolvido sobretudo em IPSS – a quem têm sido negados ou sonegados esses direitos básicos em virtude de pertencerem a um grupo de pessoas que são normalmente invisíveis aos olhos da nossa sociedade – o dos cidadãos chamados deficientes.
Uma história de amor poderosa e comovente e um testemunho que mudará necessariamente para sempre em quem o ler o olhar em relação a estes nossos concidadãos.»

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Planeta lança “Mapa do Tempo”, de Félix J. Palma

19/11/2009 · Deixe um comentário

A Planeta lança em Novembro Mapa do Tempo, do espanhol Félix J. Palma, obra vencedora do Premio Ateneo Sevilla 2008. Trata-se, segundo a editora, de “uma história sobre como a imaginação pode salvar vidas, onde H.G. Wells, o Homem Elefante e Jack, o Estripador são personagens».

 Sobre o livro: «Londres, 1896. Inúmeros inventos convencem o homem de que a ciência é capaz de conseguir o impossível, como o demonstra o aparecimento da empresa Viagens Temporais Murray, que abre as suas portas disposta a tornar realidade o sonho mais cobiçado da humanidade: viajar no tempo, um anseio que o escritor H. G. Wells tinha despertado um ano antes com o seu romance A Máquina do Tempo.
De repente, o homem do século XIX tem a possibilidade de viajar até ao ano 2000, e é o que faz Claire haggerty, que vive uma história de amor através do tempo com um homem do futuro. Mas nem todos querem ver o amanhã. Andrew Harrington pretende viajar até ao passado, a 1888, para salvar a sua amada de Jack, o Estripador. E o próprio H.G. Wells enfrentará os riscos das viagens temporais quando um misterioso viajante chegar à sua época com a intenção de assassiná-lo e roubar-lhe a autoria de um romance, obrigando-o a empreender uma desesperada fuga através dos séculos. Mas que acontece se alterarmos o passado? É possível reescrever a História?
Em O Mapa do Tempo, Premio Ateneo de Sevilla, Félix J. Palma tece uma fantasia histórica tão imaginativa como trepidante, uma história cheia de amor e aventuras que presta homenagem aos começos da ficção científica e transporta o leitor até à Londres vitoriana, na sua própria viagem no tempo.»

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Oficina do Livro edita versão ilustrada (por Pedro Sousa Pereira) de “Só”, de António Nobre

18/11/2009 · Deixe um comentário

, de António Nobre, considerado um marco da poesia portuguesa do século XIX, conheceu uma nova edição (uma iniciativa da Oficina do Livro), desta vez enriquecida com as ilustrações de Pedro Sousa Pereira. 

Sobre o livro: « (Paris, 1892), a principal obra de António Nobre, é marcada pela lamentação e nostalgia, suavizadas pela presença de uma fina auto-ironia e pela ruptura com a estrutura formal do género poético em que se insere. Essa ruptura traduz-se na utilização do discurso coloquial e na diversificação das estrofes e ritmos dos poemas.
“Com este , de Nobre e Sousa Pereira, ficamos com a mais adulta das leituras da infância, a que a ela regressa, quando isso importa, mas a que dela se liberta, quando nos apetece pensar sobretudo em nós.”
Mário Cláudio, in Prefácio»

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João Garcia e Rui Nabeiro apresentam “10 Passos para Chegar ao Topo” a 19 de Novembro

18/11/2009 · Deixe um comentário

A Caderno agendou para 19 de Novembro (quinta-feira) o lançamento da obra 10 Passos para Chegar ao Topo, assinada em conjunto pelo alpinista João Garcia e pelo empresário Rui Nabeiro. A apresentação, a decorrer às 19h00, no Espaço Delta Q, no Atrium Saldanha, em Lisboa, caberá a Luís Mira Amaral e Rui Zink. 

Sobre o livro: «O Comendador Rui Nabeiro é o empresário mais bem sucedido do seu ramo. João Garcia é o melhor alpinista português e um dos melhores do mundo. À primeira vista, tudo os separa: nasceram em épocas diferentes, seguiram percursos diversos. Mas se nos aproximarmos um pouco mais de ambos, se os ouvirmos com atenção, percebemos o que têm em comum: sabem o que querem e são movidos pela enorme ambição de chegar à meta.
Neste livro dá-se início a uma viagem paralela. Acompanhamos dois empreendedores, passo a passo, rumo ao ponto mais alto das suas carreiras. Ficamos a saber como constroem as equipas, como definem a rota, como escolhem o timing certo para atacar a montanha. Testemunhamos o trabalho árduo, mas também as recompensas – e aprendemos o método e os segredos que nos ajudarão a atingir os nossos objectivos, a conquistar o nosso próprio Evereste.»

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Pergaminho lança “Jesus”, de Deepak Chopra

18/11/2009 · Deixe um comentário

A Pergaminho edita em Novembro mais uma obra de Deepak Chopra, intitulada Jesus, que, como o nome deixa antever, conta a verdadeira história de Cristo. Destaque ainda, entre as novidades de Novembro, para o lançamento de Acreditar no Impossível, de Osho. 

Jesus – Deepak Chopra
Sobre o livro: «Chopra, um dos autores de maior renome na área do desenvolvimento pessoal e da espiritualidade, apresenta uma visão inovadora da vida de Jesus neste romance surpreendente, inspirador e cativante. Concentrando-se nos “anos perdidos” da vida de Jesus, que não são descritos no Novo Testamento, o autor recria o caminho da sua iluminação, elaborando um retrato poderoso de um homem complexo, dividido e atormentado pela força do destino.
Com uma capacidade ímpar de transmitir ensinamentos profundos através de histórias simples, Deepak Chopra oferece-nos uma visão inédita da humanidade e da espiritualidade de Jesus, conduzindo-nos a uma nova compreensão da natureza de Deus e da alma.» 

10-10-10 – Suzy Welch
Sobre a obra: «10-10-10 é uma regra de vida muito simples; basta fazer a si próprio três perguntas fáceis, mas muito profundas, para resolver qualquer problema profissional ou pessoal.
Imagine que está a trabalhar num projecto muito importante. Tem um deadline muito apertado. Se calhar, vai ter de ficar a trabalhar até tarde. O problema é que, nessa noite, há a peça da escola do seu filho mais novo…
Imagine que o seu patrão lhe pede para fazer um pouco de “contabilidade criativa”. Ninguém vai ficar a saber e ele promete assumir toda a responsabilidade.
O que fazer?
É simples: basta aplicar a regra dos 10-10-10.
Pergunte a si próprio: o que acontecerá daqui a 10 minutos se eu tomar esta decisão? E daqui a 10 horas? E daqui a 10 anos?
Vai ver que a decisão se torna evidente. Se pesar as consequências imediatas, a médio prazo e a longo prazo de cada decisão, verá que o caminho certo a tomar se torna perfeitamente claro.» 

Acreditar no Impossível – Osho
Sobre o livro: «Um livro absolutamente inovador e original sobre a meditação e o seu papel no crescimento espiritual.
Acreditar no Impossível não contém exercícios ou técnicas de meditação, mas contém algo muito mais poderoso: uma descrição rica e detalhada do que acontece nas vidas daqueles que descobrem a meditação, e como a sua própria experiência e o mundo à sua volta se transformam em resultado dessa actividade.
Com a sua abordagem simples, cheia de humor e compaixão, Osho apresenta, ao longo destas páginas, um guia indispensável para transformar a sua vida – acreditando no impossível.» 

Deusa Mãe – Sylvia Brown
Sobre a obra: «Com o seu estilo único e franco, Sylvia Browne volta a desafiar as convenções culturais e religiosas dominantes nesta análise esclarecedora sobre a divindade feminina – ou seja, a Deusa Mãe, o princípio feminino de Deus.
Com base numa pesquisa intensa e cuidadosa, desde a alvorada dos tempos, quando a adoração da Deusa estava no seu auge, até às crenças místicas e religiosas dos nossos dias, Sylvia Browne leva o leitor numa viagem de descoberta, discutindo diversos temas polémicos. Será que a política sexista do dogma religioso conduziu à supressão da Deusa Mãe como figura de adoração? O que aconteceu aos adoradores da Deusa Mãe ao longo dos tempos? Quais as motivações desta supressão – e as suas consequências a nível cultural, religioso e espiritual?
Através de dados históricos bem como de histórias e relatos comoventes dos milagres atribuídos à Deusa Mãe, Sylvia Browne revela todo o poder e a graça deste princípio da divindade que poucos conhecem, demonstrando ainda como podemos evocar a ajuda e a protecção da Deusa Mãe na vida quotidiana.»

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José Marques Vidal apresenta “O Amor em Armas” a 19 de Novembro, em Lisboa

18/11/2009 · Deixe um comentário

O Amor em Armas, romance histórico assinado por José Marques Vidal e editado pela Oficina do Livro, será apresentado a 19 de Novembro, pelas 18h30, no El Corte Inglês de Lisboa (restaurante, piso 7). Este livro, que inaugura a colecção Portugal Sem Fim, uma parceria entre a Oficina do Livro e a Fundação AMI, será apresentado por Álvaro Laborinho Lúcio. A colecção Portugal Sem Fim propõe-se divulgar romances originais sobre a História de Portugal.

 Sobre o livro: «Na nascente do rio Vouga, durante as invasões francesas, João do Préstimo deserta da Legião Portuguesa e parte em busca de uma vida de paz. De regresso a casa, o seu destino cruza-se com o de Margarida. Os dois apaixonam-se e selam esse amor com o casamento.
Longe dos conflitos militares que assolavam a pátria, João é tentado pelo amigo Daniel a regressar ao campo de batalha. Despede-se de Margarida e do filho e volta para a guerra. Entretanto, Daniel, ao mesmo tempo que combate o invasor, é surpreendido por um amor proibido que o divide entre a pátria e o coração.
Entre juras de amor e intrigas, num cenário povoado por heróis e vilões, este livro recria um momento da História em que o povo fez da coragem a sua arma e não se resignou perante o invasor francês. Mas poderá o amor resistir a todas as batalhas?»

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