«Educação Europeia», de Romain Gary, editado pela Sextante

sex-europeiaEducação Europeia, romance de estreia do francês Romain Gary, o único escritor duplamente premiado com o Goncourt, chegou há poucos dias às livrarias portuguesas, numa edição Sextante. O livro foi escrito em plena guerra, em 1945, altura em que Gary era navegador da esquadrilha Lorraine das Forças Francesas Livres.
Este ano assinala-se o centenário do nascimento de Gary, que nasceu em Vilnius na Lituânia (na altura território polaco), mas que em 1928 se mudou com a mãe para Nice, em França. Em 1956 ganhou o Prémio Goncourt com As Raízes do Céu, feito repetido em 1975 com Uma Vida à sua Frente, apresentado a concurso sob pseudónimo, no caso Émile Ajar.
Romain Gary suicidou-se em 1980.

Sinopse: «Educação europeia narra a história de um jovem adolescente lituano polaco de 14 anos, Janek Twardowski, que vive refugiado na floresta e se junta a um grupo partisan para sobreviver e lutar contra a ocupação nazi.
Neste conto moral, cruel e otimista, Janek conhecerá o frio, a fome, a traição e a morte, mas também o amor, junto da sua jovem amiga Zosia. Como diz o chefe partisan Dobranski, “a Europa teve sempre as melhores e mais belas universidades (…), elas foram o berço da civilização (…), mas há também uma outra educação europeia, a que recebemos hoje: os pelotões de execução, a escravatura, a tortura, a violação – a destruição de tudo o que torna a vida bela. É a hora das trevas”. Com os seus camaradas de infortúnio, a sua simplicidade e generosidade, Janek aprenderá o valor da amizade e a crença no Homem.»

Novidades Editoriais de Novembro (VIII)

sex-infraInfravermelho – Nancy Huston (Sextante)
«Rena Greenblatt tem quarenta e cinco anos. É artista, repórter e fotógrafa especialista em infravermelho, fotografa à noite, os corpos e os seus abraços. Numa semana de férias na Toscana com o seu envelhecido pai Simon e a sua madrasta Ingrid, esperam-na as paisagens e as obras de arte mas também uma avalanche de memórias: os sonhos, os ressentimentos e as alegrias do seu passado e do seu presente, os quatro maridos, os dois filhos, os mil amantes, as belezas e os horrores dos países visitados, uma infância maravilhosa e uma adolescência roubada. Memórias que Rena comparte com Subra, seu alter-ego, sua amiga inventada, sua consciência.»

sex-filhoO Filho – Michel Rostain (Sextante)
«O primeiro livro de Michel Rostain, O filho, não pretende ser sobre a morte, é antes dedicado à vida. Este romance dá voz a um filho que, após partir, observa o seu pai enquanto este o procura conhecer melhor e entender a sua morte. Apesar de ficção, O filho surgiu como um exercício para o autor ultrapassar o seu próprio luto.
O meu pai está no caos da sua primeira semana de luto, quando as cerimónias já tiveram lugar e os amigos se foram embora. Solidão, é aí que começa verdadeiramente a morte. Passou o dia a escolher as minhas coisas, a chorar entre dois telefonemas, a assoar-se abundantemente sem sequer invocar o pretexto da alergia ao pó. Resigna-se a deitar fora os meus velhos livros, depois de ter lido meticulosamente aquelas nulidades acumuladas, não fosse acontecer que eu tivesse esquecido alguma nota, um desenho, uma coisa qualquer pessoal que lhe servisse de mensagem. Não encontra nada, nenhum sinal. Depois destas horas de buscas aterradas – e apesar de tudo indiscretas, pai, é verdade que morri, mas, mesmo assim… –, eis que repara de repente, em rodapé daquela convocatória que o intrigava, numa indicação escrita a lápis, em letra muito miúda…”»

capaPortugal Contado e Cantado a quem só quer ser feliz – José Jorge Letria, com criação musical de Tozé Brito (Areal Editores)
«Este livro infanto-juvenil conta e canta a História de Portugal, falando de personagens, de acontecimentos, de épocas, de heróis e de vilões. É um livro sobre o nosso país e sobre os seus mais de oito séculos de existência, sobre momentos de glória e de derrota, que conta quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Inclui, como oferta, CD áudio com letras de José Jorge Letria e criação musical de Tozé Brito.

civ-SHO Último Ato na Ópera – Irene Adler (Civilização)
«Irene, Sherlock e Lupin combinaram encontrar-se em Londres. Mas Lupin não apareceu: o seu pai, Théophraste, foi preso sob acusação de roubo e do homicídio de Alfredo Santi, secretário do grande compositor Giuseppe Barzini. Os três amigos iniciam a investigação para o ilibar do crime.
O Último Ato na Ópera é uma narrativa assinada na primeira pessoa, Irene Adler. Porém, apesar de surgir na ficha técnica como correspondente de toda a história, Adler é, na verdade, os autores italianos Alessandro Gatti e Pierdomenico Baccalario, autores de várias séries de ficção juvenil publicadas pela Civilização Editora.»

Dez contos de Mónica Baldaque em «Vinte Anos na Província»

sex-provinciaVinte anos na província é o título do novo livro de Monica Baldaque, obra com dez contos recentemente editada pela Sextante. Os contos, segundo a Sextante, «narram a saudade das casas do Douro, pilar de vida, mistérios e valores desaparecidos».

Sobre o livro: «Em todas as narrativas a casa veste os seus habitantes, domina-os, controla-lhes a vida e, um dia, despede-se deles. Pode parecer que são eles a tomar a decisão de a abandonar, mas na verdade é a casa que os expulsa. Quebram-se os laços antigos de cumplicidade, de confiança, de afeição, de memória. Desmaterializa-se o espírito dos lugares. Apagam-se as luzes, fecham-se as portas. Tudo é varrido pelo fogo e pelo vento. Um amor melancólico definha em cada vida, e nada o vem substituir. A casa simboliza o refúgio do eu mais profundo, a casa é a floresta das almas. A casa é a província, o lugar fechado dos enredos, o cenário breve das vidas, onde tudo tende à decomposição.»

Sextante inicia publicação da obra de Soljenítsin com «Um dia na vida de Ivan Deníssovitch»

A Sextante inicia a 20 de Setembro a publicação da obra do russo Aleksandr Soljenítsin com Um dia na vida de Ivan Deníssovitch. Soljenítsin, que venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1970, escreveu esta obra enquanto cumpria pena num campo de trabalho forçado por críticas a Estaline. As obras serão todas traduzidas directamente do russo.

Sobre o Livro: «Expressamente citado pela Academia Sueca no momento da atribuição do Prémio Nobel de Literatura a Aleksandr Soljenítsin, em 1970, Um dia na vida de Ivan Deníssovitch foi o primeiro romance publicado na União Soviética relatando a vida nos campos de trabalho dos prisioneiros políticos e a repressão estalinista. Nessa altura, em 1962, embora causando grande polémica interna, a obra foi saudada em todo o mundo como símbolo da nova literatura russa e da abertura krutcheviana. Mas em 1974 Soljenítsin viria, depois de expulso da União dos Escritores, a ser detido e deportado. Um dia na vida de Ivan Deníssovitch relata um dia de um prisioneiro num gulag do Cazaquistão.
Narrativa brilhante e densa, herdeira das grandes tradições da literatura russa.»

«Os Filhos de Alexandria», de Françoise Chandernagor, conta a história de Selena, a filha de Cleópatra

Os Filhos de Alexandria, da francesa Françoise Chandernagor, recentemente editado pela Sextante, apresenta segundo a própria editora «a história singular da filha de Cleópatra». No romance cruzam-se personagens históricas como Cleópatra, Marco António e seus filhos, como Selena, a narradora deste romance.

Sobre o livro: «Alexandria: a joia de um império que António e Cleópatra vão arrastar na sua queda. Dos amores do Imperator e da rainha do Egito tinham nascido três crianças. Príncipes efémeros, que cresciam entre o ouro e a púrpura do bairro real juntamente com o seu meio-irmão mais velho, o menino faraó nascido da relação de César e Cleópatra. Quatro crianças com um destino trágico.
Com dez anos no momento da tomada da cidade e do suicídio dos pais, a pequena Selena, única sobrevivente desta ilustre família, não esquecerá nunca a aniquilação do seu reino, da sua dinastia, dos seus deuses.
Com sensibilidade e força romanesca, Françoise Chandernagor inicia a narração da vida desconhecida da última dos Ptolomeus neste primeiro volume do tríptico A Rainha Esquecida.»

«Macau» marca a estreia de Antoine Volodine

A Sextante edita a 28 de Junho Macau, de Antoine Volodine, autor de culto francês inédito em Portugal. Ilustrado com fotos de Olivier Aubert, Macau é uma novela que nos leva até região tão ligada a Portugal. Antoine Volodine é o pseudónimo mais conhecido de um destacado escritor francês, cujo romance Des anges mineurs foi galardoado em 2000 com o Prémio Inter.

Sobre o livro: «É através da memória do narrador que fazemos uma viagem onírica por Macau: um homem condenado à morte encontra-se preso dentro de um junco, drogado e amarrado com fita adesiva, à espera de ser assassinado por um enviado da máfia local. Enquanto aguarda, relembra as ruas, as pessoas e a vida da cidade, uma viagem poética e sonhadora que contrasta com a situação violenta em que o narrador se encontra.
“Agradava-me a ideia de ser morto na China dentro de um junco ancorado, diante de um velho fotogénico, no meio de uma atmosfera chinesa saturada de maus cheiros, fumo e peixe frito, de tabaco, petróleo e água suja. Afinal fora para isso que eu viera, para acabar com tudo, para estar algures fora de tudo e a tudo pôr termo. Os médicos tinham‑me concedido pouco tempo antes do começo dos sofrimentos a sério. Eu tinha previsto abreviá‑los por mim mesmo, abreviar essas irreversíveis degradações do corpo. Não é que ser assassinado por engano me fosse de todo indiferente. Claro que havia uma certa dose de injustiça nesta história toda, algo que à última hora me poderia ter deixado uma certa amargura.”»