«O Cavalo Amarelo» – Agatha Christie

Já aqui o referi. Nunca fui grande fã de Agatha Christie. Não tem que ver com a escrita (é agradável e fluida como eu gosto, com muitos diálogos) nem sequer com os enredos, que me parecem, do que conheço, bem montados e estruturados, mas antes com os ambientes. Os chás, o papel de parede, as casinhas com jardins, as rendinhas impedem-me de me afeiçoar a livros que até gostaria de ler – na dúvida, quando quero algo do género, opto por Georges Simenon.
Assim, quando por razões profissionais fui levado a ler O Cavalo Amarelo (Edições ASA) não parti com grande entusiasmo para a leitura (em termos de lazer, porque o profissionalismo é sempre idêntico, seja qual for a obra). Pois bem, estava errado e desta vez a história agradou-me, e agarrou-me, talvez por não contar com a presença dos habituais Poirot e Miss Marple.
O Cavalo Amarelo é o nome de uma estalagem onde, alegadamente, se pratica magia negra. O protagonista, Mark Easterbrook, chega até lá após se interessar pelo caso de um padre idoso que surge assassinado e que horas antes tinha ouvido um segredo de uma mulher moribunda. Uma série de mortes misteriosas desperta então a atenção de Mark, que arrisca infiltrar-se num mundo conspirativo, com venenos e muitas associações a magia negra, algo em que ele próprio não acredita. Mas os factos que vai encontrando pela frente deixam-no confuso, chegando a questionar as suas próprias crenças.
Agatha Christie criou um rol de personagens pitorescas que dão muita cor e vida a este policial onde, como mandam as regras, nada é o que parece nem ninguém é quem parece.
Doseando bem as informações que tem para revelar, quase sempre libertadas através dos diálogos das suas personagens, vai enredando os leitores na sua trama, cativando-os com uma história credível, apesar das infiltrações no mundo da magia negra.
Os irredutíveis da dama do crime por certo vão gostar – é esse, afinal, o papel dos irredutíveis –, mas os outros, como eu, que não são desta onda, têm aqui uma boa oportunidade para colmatar uma eventual falha na lista dos grandes nomes da literatura já lidos.

Autora: Agatha Christie
Título original: The Pale Horse
Editora: Edições ASA
Tradução:
John Almeida
Ano de Edição: 2012
Páginas: 260
Sinopse:
«Quando um padre idoso é assassinado, o homicida revista o corpo da vítima tão furiosamente que rasga o forro da batina. O que procurava o assassino? E o que teria, horas antes, uma mulher moribunda confessado ao padre? Mark Easterbrook e a sua aliada Ginger Corrigan estão determinados a solucionar estes mistérios. Mas respostas parecem estar na posse de três mulheres que são afamadas praticantes de magia negra…»

E cá estou de volta!

O Porta-Livros está de regresso após umas semanas de férias e é com redobrado prazer que retomo o contacto regular convosco.
Desde já posso anunciar que nos próximos dias irei aqui deixar a minha opinião sobre os livros que li neste espaço de tempo, nomeadamente Equador, de Miguel Sousa Tavares, Os Diários Secretos, de Camilla Läckberg, O Barulho das Coisas a Cair, de Juan Gabriel Vásquez, O Cavalo Amarelo, de Agatha Christie, e Triângulo, de Pedro Garcia Rosado.
Entretanto, as editoras já começaram a divulgar (e a lançar) uma série de novidades, algumas bem «apetitosas», da habitual rentrée de Setembro e aos poucos aqui divulgarei o que aí vem, dos contos de Carlos Fuentes à poesia de Maria do Rosário Pedreira, do veterano Mário de Carvalho ao novato Bruno Margo, passando por Salman Rushdie, Joanne Harris e, claro, a Nobel Herta Müller, que a partir do dia 10 de Setembro (até 14) visita Portugal para apresentar Já Então a Raposa Era o Caçador(Veja aqui o programa)