«O Nadador» – Joakim Zander

obj-nadadorMal informado, pensava eu, ao pegar em O Nadador, que me preparava para ler mais um policial nórdico quando afinal, diante dos meus olhos, deparo-me com um romance de espionagem internacional, e dos bons.
O Nadador é uma trepidante aventura que atravessa décadas e terras, desde os anos 80 na Síria, passando pelo Afeganistão e Iraque (anos 1990 e 2000) e pela Suécia, Bruxelas e Paris atuais. A ver pelos cenários referidos já deu para perceber que terá algo que ver com operações militares. É verdade, a ainda com os negócios internacionais obscuros que as acompanham, ou melhor, fomentam.
Este livro tem uma coisa de que gosto, consegue surpreender mais do que já de si é habitual no género, nomeadamente através de mortes abruptas e inesperadas de personagens que tomamos por protagonistas indestrutíveis e fundamentais ao desenrolar do enredo.
De início, é algo difícil «enfiarmo-nos» no livro, dada a diversidade geográfica e de épocas, com saltos no tempo, com que temos de lidar, ainda para mais numa altura na qual ainda não conhecemos bem as personagens. Os capítulos curtos e a escrita simples ajudam-nos a entrar no(s) enredo(s) e depois já nos sentimos como peixe na água, onde a única coisa que não controlamos são as reviravoltas que o autor nos preparou. Mas na verdade também não seria esse o meu objetivo, pois gosto de ser surpreendido neste tipo de obra. E O Nadador tem uma vantagem, pois por vezes consegue fugir ao que é habitual. Quantas vezes, em obras deste género, há uma fórmula base comum a todas e com «treino» acaba-se por perceber quando surge uma surpresa… pelo que deixa de ser surpresa. Ou cai-se no exagero da reviravolta sobre reviravolta, forçando a surpresa, mas aí perde-se em termos de credibilidade.
Em O Nadador, Zander, apesar de estreante na escrita, consegue, mesmo não sendo este um romance extremamente inovador, fugir à vulgaridade, não tanto pelas personagens, algo tipificadas, mas mais pela complexidade do argumento.
Será que depois dos policiais nórdicos poderá surgir uma vaga de thrillers de espionagem nórdicos? Se estiverem à altura deste, por mim tudo bem.

Autor: Joakim Zander
Título Original: Simmaren
Editora: Suma de Letras
Tradução: João Reis
Ano de Edição: 2014
Páginas: 464

Sinopse: «Damasco. Uma noite quente no princípio dos anos 80. Um agente americano entrega a sua bebé a um destino incerto, uma traição que jamais se perdoará e que será o começo de uma fuga de si próprio. Até ao dia em que não pode continuar a esconder-se da verdade e se vê obrigado a tomar uma decisão crucial.
Trinta anos depois, Klara Walldéen, uma jovem sueca que trabalha no Parlamento Europeu, vê-se envolvida numa trama de espionagem internacional na qual está implicado Mahmoud Shammosh, o seu antigo amante e ex-membro das forças especiais do exército sueco.
Klara e Mahmoud transformam-se no alvo de uma caçada através da Europa, um mundo onde as fronteiras entre países são tão ténues como a linha que separa um aliado de um inimigo, a verdade da mentira, o passado do presente.»

«O Marciano»/«Perdido em Marte» – Andy Weir

marcianoA ficção científica muitas vezes é menosprezada como género literário, mas que livros como este (O Marciano) sirvam para, aos poucos, ir desconstruindo essa ideia feita. Na verdade, O Marciano é, antes de tudo, um bom livro, ou melhor, um excelente livro, que «por acaso» é de ficção científica.
De início pode afigurar-se complexa a adaptação do leitor à obra – há muitos pormenores técnicos de difícil compreensão aos leigos, mas com o tempo habituamo-nos à companhia deles e percebemos que são parte fundamental da estrutura do livro, tal como qualquer personagem.
Toda a história roda em torno do astronauta Mark Watney, que no meio do caos gerado por uma inesperada tempestade em Marte é deixado para trás no planeta vermelho, com os seus colegas de missão a julgarem-no morto e a partirem na única nave presente no planeta, a Hermes.
Completamente sozinho no planeta, é graças ao apego ao pormenor e ao detalhe que consegue manter-se vivo, alimentado pela esperança de que um dia alguém o resgate; um dia, sim, porque uma missão a Marte demora meses a ser concluída, entre preparativos e a própria viagem. E a nave que o abandonou não pode simplesmente fazer inversão de marcha. Assim, para se manter vivo o máximo de tempo possível, Watney tem de preparar minuciosamente todos os passos dados, pois a mínima falha pode revelar-se fatal. Permanentemente na corda bamba, o abandonado vai assim passando os seus imensos dias de solidão entretido em idealizar e concretizar soluções para o seu complexo quotidiano marciano. Improvisando com o que tem à mão, vai encontrando soluções para o seu dia a dia, mas, dado que se encontra num ambiente «hostil», são inúmeros os contratempos com que se depara.
Entretanto, e como não se trata de um livro de um homem só, pontualmente acompanhamos o que se passa na Terra e na nave Hermes, onde todos conjugam esforços para planear uma missão impossível de resgate.
Andy Weir estruturou muito bem o enredo e, ao contrário do que possa parecer, a solidão forçada do protagonista e os detalhes técnicos não implicam um romance monótono e pouco dinâmico. Muito pelo contrário, Weir consegue imprimir uma dinâmica que pareceria improvável num livro com tais características. Também ajuda o facto de a personagem principal, Mark Watney, ter um sentido de humor fantástico.
O livro aborda com sagacidade o drama da solidão e é com interesse que acompanhamos os esforços do «marciano» para se manter ativo e consequentemente física e mentalmente são. O retrato psicológico de Watney e a respetiva evolução ao longo dos dias de solidão são-nos facultados pelas suas vivências e experiências diárias, sem necessitar de ser declaradamente descrito pelo autor, o que dá uma outra intensidade e vida à obra.
O facto de Ridley Scott, recorrendo ao ator Matt Damon para protagonista, ter realizado a adaptação cinematográfica desta obra (que estreia a 1 de outubro de 2015 com o título Perdido em Marte) pode valer-lhe uma renovada e reforçada atenção, que, note-se, é mais do que merecida. Mas o meu conselho é que não espere pelo filme para encetar a viagem a Marte, parta já com Andy Weir e depois regresse lá na companhia de Ridley Scott e Matt Damon.

Capa O MarcianoAutor: Andy Weir
Título Original: The Martian
Editora: Topseller
Tradução: Miguel Romeira
Ano de Edição: 2014
Páginas: 384

Sinopse: «Uma Missão a Marte. Um acidente aparatoso. A luta de um homem pela sobrevivência.
Há exatamente seis dias, o astronauta Mark Watney tornou-se uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Agora, ele tem a certeza de que vai ser a primeira pessoa a morrer ali.
Depois de uma tempestade de areia ter obrigado a sua tripulação a evacuar o planeta, e de esta o ter deixado para trás por julgá-lo morto, Mark encontra-se preso em Marte, completamente sozinho, sem perspetivas de conseguir comunicar com a Terra para dizer que está vivo.
E mesmo que o conseguisse fazer, os seus mantimentos esgotar-se-iam muito antes de uma equipa de salvamento o encontrar.
De qualquer modo, Mark não terá tempo para morrer de fome. A maquinaria danificada, o meio ambiente implacável e o simples “erro humano” irão, muito provavelmente, matá-lo primeiro.
Apoiando-se nas suas enormes capacidades técnicas, no domínio da engenharia e na determinada recusa em desistir — e num surpreendente sentido de humor a que vai buscar a força para sobreviver —, ele embarca numa missão obstinada para se manter vivo. Será que a sua mestria vai ser suficiente para superar todas as adversidades impossíveis que se erguem contra si?
Fundamentado com referências científicas atualizadas e impulsionado por uma trama engenhosa e brilhante que agarra o leitor desde a primeira à última página, O Marciano é um romance verdadeiramente notável, que se lê como uma história de sobrevivência da vida real.»

«Os Regressados» – Jason Mott

Capa_Os_RegressadosEste é o romance que deu origem à série televisiva Ressurrection, que passou recentemente em Portugal. Se a base e alguns personagens são comuns à série, muito há que se afasta da espinha dorsal da mesma, mas não a essência.
A ação situa-se em Arcadia, cidadezinha norte-americana que, tal como acontece no resto do mundo, tem de lidar com o regresso dos seus mortos – calma, não se trata de mais uma história de zombies, pois estes mortos regressados estão de perfeita saúde, no estado em que estavam precisamente antes de perderem a vida.
O problema é que muitos regressaram décadas depois de terem morrido, sem envelhecerem, e em locais a milhares de quilómetros das suas terras. Atente-se no caso de Jacob, a criança protagonista desta história. Ressuscitou na China, com a exata idade que tinha quando morrera umas décadas antes, e veio a reencontrar os pais já com perto de 80 anos. O reencontro, naturalmente, foi tudo menos simples. Mistura-se a alegria de recuperar um ente querido, com o medo de lidar com alguém regressados dos mortos.
Os regressados, por seu lado, sentem-se completamente desenquadrados, pois o mundo ao qual regressam já não é o seu, ou pelo menos aquele que conheciam, e se há quem os aceite, há igualmente quem os tema ou renegue e deseje desembaraçar-se deles. Quanto mais não seja, os Verdadeiros Vivos (assim se autointitulam) lutam pela sua própria sobrevivência, pois a quantidade de regressados é tal que os recursos do mundo podem revelar-se insuficientes.
Tal como em qualquer ficção onde a ordem do mundo é drasticamente alterada, vêm ao de cima as piores qualidades do homem, que na ânsia de sobreviver se revela disposto a tudo. Nomeadamente, os regressados são enclausurados em campos de refugiados, enquanto se discute o que se há de fazer com eles, sendo o abate puro e simples uma das medidas em equação.
O romance aborda assim a temática do comportamento humano em situações extremas, mas também os receios face ao desconhecido, por muito que ele se afigure como a mais agradável das surpresas.
Sem ser minimamente lamechas, os Regressados é um livro espiritual que faz pensar, nomeadamente em termos religiosos, mas sem tomar partidos, socorrendo-se da ficção para apresentar duas caras da mesma moeda.
O que se faz perante o desconhecido, vestido de uma roupagem irresistível? Abraça-se ou empurra-se para longe? Jason Mott apresenta as duas vertentes, mas, essencialmente, este romance é um tratado sobre segundas oportunidades e a oportunidade de se fazer o que já se deveria ter feito antes.
Em suma, uma leitura cativante, oferecendo muito mais do que seria de esperar em função do que já se conhecia da série, bem menos profunda, até por se dividir por mais personagens. Aqui, o núcleo e constituído por Jacob e os pais, Harold e Lucille, e tudo roda essencialmente em volta do caso deles, permitindo por intermédio dos «agentes secundários» do enredo criar uma visão global de todos os eventuais tipos de reações face a um evento tão inesperado como o regresso dos idos.
O autor movimenta com talento todos os seus peões e dentro do aparente surrealismo do enredo apresenta uma história curiosamente muito realista e natural, credível, o que é de enaltecer.

Autor: Jason Mott
Título Original: The Returned
Editora: Porto Editora
Tradução: Teresa Pinheiro
Ano de Edição: 2014
Páginas: 310

Sinopse: «Nada na vida é certo, nem mesmo a morte.
Para Harold e Lucille Hargrave, o mundo parece ter voltado a girar sem o filho, décadas depois da sua trágica morte, no seu oitavo aniversário. Até que, um dia, Jacob reaparece misteriosamente à porta de casa – em carne e osso, tal como no dia em que morreu.
Um pouco por todo o lado, os entes queridos de milhões de pessoas começam a regressar da morte, sem ninguém saber como ou por que motivo isso acontece. Será um milagre ou algo mais assustador?
À medida que o caos emerge no mundo inteiro, a família Hargrave reencontra-se no centro de uma comunidade à beira do abismo, obrigada a lidar com uma realidade nova e misteriosa que ameaça desvendar a verdadeira essência da natureza humana.
Numa prosa elegante e profundamente emotiva, Os Regressados – romance de sucesso instantâneo nos principais tops de ficção contemporânea – é uma história inesquecível e hipnotizante que promete conquistar o mundo.»

«James Bond – A Solo» – William Boyd

A SoloA Solo é mais uma aventura literária do espião criado por Ian Fleming, James Bond, esta assinada por William Boyd, que sucede Jeffery Deaver, autor de Carta Branca.
Ao contrário dos filmes, onde, enquanto se mantém o ator, é respeitada uma certa ordem cronológica, nos romances isso não se verifica. James Bond tanto nos pode aparecer envolvido num trepidante caso nos dias de hoje, como numa aventura nos anos 1970. Em A Solo, Bond, ex-combatente na II Guerra Mundial, está nos finais dos anos 60, e cai-lhe nas mãos uma missão num instável país africano (Zanzarim) envolvido numa sangrenta guerra civil. A Grã-Bretanha tem lá os seus interesses (ou seja, há lá petróleo) e a 007 é entregue a missão de abater um determinado líder, pouco favorável aos reais interesses britânicos.
Como em qualquer clássica história de espiões, ninguém é o que parece e a cada reviravolta na história percebe-se qual era, afinal, o posicionamento de cada personagem. Apanhado no meio desse habitual turbilhão de reviravoltas, Bond não consegue levar a cabo a sua missão, pelo menos não do modo que a idealizara. Para ele, torna-se um caso pessoal e para concluir a sua tarefa resolve agir «a solo». Os desenvolvimentos levam-no aos Estados Unidos, onde descobre que por detrás da crise em Zanzarim está muito mais do que questões políticas, geoestratégicas ou relacionadas com jazidas petrolíferas.
A Solo é uma história «pura» de James Bond, com ambientes de hotéis, aeroportos, raparigas bonitas, agentes duplos, mercenários, facínoras, uns quantos tiroteios e, claro está, umas quantas mortes.
O livro está bem estruturado e bem escrito e apresenta uma dinâmica que sem dificuldade prende o leitor: poucos momentos mortos, muita ação, ambientes exóticos cativantes e uma boa galeria de personagens – típicas deste tipo de obras, sem dúvida, mas nem por isso menos interessantes.
A Solo tem tudo para agradar aos fãs do herói de Fleming, mas também a quem gosta de romances de espionagem ou pura e simplesmente de uma boa aventura. Daria um bom filme da saga 007, embora não esteja a ver os produtores a recuarem até aos anos 1960… pelo menos enquanto Daniel Craig durar. Por isso, o melhor mesmo é aproveitar o livro.

Autor: William Boyd
Título Original: Solo
Editora: Dom Quixote
Tradução: Luís Santos
Ano de Edição: 2014
Páginas: 330

Sinopse: «Decorre o ano de 1969 e James Bond está prestes a agir a solo, tendo uma imprudente vingança como objectivo. Veterano de longa data dos serviços secretos, 007 é encarregue de pôr fim sozinho a uma guerra civil, numa pequena nação da África Ocidental, Zanzarim. Ajudado por uma bela cúmplice e boicotado pela milícia local, Bond passa por uma experiência marcante que o leva a ignorar as ordens de M. enquanto tenta levar a cabo a sua missão pessoal de justiça. As acções impetuosas de James Bond levam-no a Washington D.C., onde descobre uma rede de intrigas geopolíticas e assiste a novos horrores.
Todavia, mesmo que Bond consiga obter a sua vingança, será perseguido a cada momento por um homem de duas caras.»

«Pensar como Steve Jobs» – Daniel Smith

Capa Pensar como Steve JobsPensar como Steve Jobs, em certos aspetos, deverá ser entusiasmante – noutros nem por isso, porque o homem na realidade tinha uma mente um bocado… complicada.
Mas Pensar Como Steve Jobs (o livro, editado pela Vogais) pode ajudar-nos a compreender melhor a mente e, principalmente, o modo de agir deste génio nosso contemporâneo que, infelizmente, morreu antes de nos brindar com (mais) novas revoluções no nosso quotidiano. As que nos deixou nos últimos anos só por si já lhe valem um lugar na secção de génios, mas quando se tem um génio ao dispor-se quer-se sempre mais, certo?
Este livro, da autoria de Daniel Smith, é uma daquelas obras de leitura agradável (e fácil) que, neste caso, nos permite conhecer melhor o génio por detrás da marca da maçã. E quando digo conhecer o génio, quero dizer conhecê-lo mesmo, no seu todo, e não apenas o lado bom. Não esperem pormenores ou mexericos sobre a sua vida pessoal, pois trata-se de uma obra essencialmente sobre o lado profissional de Jobs – a parte pessoal, familiar, surge apenas quando é necessário enquadrar algo na sua vida profissional, ajudar a compreender certas atitudes.
Jobs foi um homem difícil, a quem muito se perdoava, em virtude do muito que trouxe de novo e positivo ao mundo tecnológico, com repercussões reais no dia a dia.
A edição portuguesa traz um brinde, as anotações de Pedro Aniceto, «evangelizador da Apple», que em tempos trabalhou para a marca em Portugal. A sua experiência pessoal acrescenta umas luzes sobre a Apple e Jobs, com particular incidência em casos relacionados com a operação da marca em Portugal.
Constam deste livro histórias curiosas, outra divertidas, outras tristes e até revoltantes, escritas e descritas num «tom» ligeiro, mas não superficial.
Não espere um tratado sobre a Apple, mas pode contar com um documento interessante, que interessará não só aos fiéis da marca, mas a quem goste de tecnologia e inovação, e também a quem queira compreender melhor o iMundo onde vivemos.
Ao todo, estão presentes na obra 27 lições, onde há comparações com marcas concorrentes, o que falhou e o que correu bem, o que foi pura sorte ou intuição.

Autor: Daniel Smith
Título Original: How To Think Like Steve Jobs
Editora: Vogais
Tradução: Rita Canas Mendes
Ano de Edição: 2014
Páginas: 240

Sinopse: «Steve Jobs, um dos maiores inovadores dos tempos modernos, em poucas décadas transformou por completo as indústrias da informática, da música e dos telemóveis, criando algumas das tecnologias mais utilizadas em todo o mundo.
O fundador e CEO da Apple liderou a empresa desde as suas origens humildes, na garagem dos seus pais, até ao império global que é hoje em dia, revolucionando a forma como vivemos e trabalhamos. Mas como foi que o fez? O que o levou a tomar as decisões incomuns que fizeram da Apple uma empresa de êxito global?
Pensar como Steve Jobs apresenta as mais importantes técnicas de gestão e liderança deste génio da inovação e da gestão. São 27 lições, comentadas por Pedro Aniceto, o reputado especialista em produtos Apple e evangelizador da marca em Portugal, e exemplificadas com os maiores êxitos e fracassos pessoais e profissionais do percurso de Steve Jobs.
Este livro é um convite para que veja o seu mundo através dos olhos e um génio visionário, e consiga inovar, decidir e acertar como Steve Jobs. Aprenda a:
• Quebrar as regras e desafiar o status quo.
• Aperfeiçoar a sua mensagem e manter-se à frente da concorrência.
• Divulgar com eficácia a sua empresa, os seus produtos e as suas ideias.
• Estar sempre atento às melhores oportunidades.
• Alcançar as metas pretendidas.»

«A Cúpula» – Stephen King

cupula2-cupula1A Cúpula (é assim que me vou referir a esta obra de Stephen King que foi editada entre nós pela Bertrand em dois volumes – um é indissociável do outro e só por ser demasiado grande não saiu num único livro) é um romance cativante, carregado de personagens interessantes, mas onde o protagonismo vai todo para a redoma que isola a pequena cidade americana de Chester’s Mill do resto do mundo. 
Quando uma cúpula misteriosamente se instala sobre a pequena e típica cidade norte-americana, de imediato liberta e faz revelar o verdadeiro «eu» de muitos dos seus habitantes, e o resultado não é propriamente agradável. Sob condições adversas e de sobrevivência, os instintos animais do ser humano, pelo menos neste romance de quase mil páginas, vêm ao de cima.
É a cúpula que dita as regras, que condiciona as personagens, não apenas fisicamente, pois estão literalmente ali presos, mas principalmente em termos de comportamento, pois leva-as a agir de formas que pareceriam (se calhar às próprias) inimagináveis. Quase ninguém escapa, ou seja, quase todos protagonizam comportamentos que deixam muito a desejar, uma espécie de Dia (ou dias) do Juízo Final onde todos são condenados. Os podres que se descobrem, ou que se desenvolvem naqueles dias fatídicos, são de tal ordem que nos é difícil escolher uma personagem com que nos identifiquemos – caso sejamos pessoas boazinhas, claro!
O panorama traçado por Stephen King não é o mais agradável, mas é isso que nos prende ainda mais à leitura, assim como a sua técnica de escrita irrepreensível no que toca a cativar o leitor: cenas «cinematográficas», vivas, com ação, de grande ritmo e deixando sempre algo em aberto para lá se voltar mais tarde. E, claro, violência, muita violência, de pura brutalidade, e grandes catástrofes, desde quedas de aviões a incêndios dantescos. Trata-se de uma obra sem dó nem piedade.
De tal maneira fiquei preso às personagens que a dada altura pouco interesse me despertava já a resolução daquele que seria, afinal, o grande mistério: quem criou a cúpula? A isso não será alheio o talento e a capacidade de King para prender a atenção do leitor e encaminhá-la para onde deseja, pois se cingisse o enredo de A Cúpula à identificação da origem e propósito da redoma, não sobraria espaço e disponibilidade para muito mais.
Aviso já que é preciso grande disponibilidade do leitor em relação a A Cúpula e não o digo devido à sua extensão de quase mil páginas – isso, estando entretido, ultrapassa-se bem. Digo-o devido à grande quantidade de personagens, às ligações entre as mesmas – é preciso fixar muitos nomes e origens e destinos.
Presa por uma redoma mas, pior do que isso, enredada numa tenaz luta pelo poder (cuja palavra de ordem parece ser salve-se quem puder), Chester’s Mill vai viver os seus piores dias e constatar que por detrás de cada um dos seus pacíficos habitantes há um demónio.
A escrita é simples, mas ao mesmo tempo deixa muito sobre o que refletir. Há espaço para tudo: teorias da conspiração, bem à americana, que visam governos e militares, teorias filosóficas, religiosas e algumas até científicas, onde não faltam ligações alienígenas.
Um genuíno livro à Stephen King. E o que mais se poderia desejar?   

Autor: Stephen King
Título Original: Under the Dome
Editora: Bertrand
Tradução: Ana Lourenço
Ano de Edição: 2013
Páginas: 536 (Livro I) + 488 (Livros II)

Sinopse: «Num bonito dia de outono, um dia perfeitamente normal, uma pequena cidade é súbita e inexplicavelmente isolada do resto do mundo por uma força invisível. Quando chocam contra ela, os aviões despenham-se, os carros explodem, as pessoas ficam feridas. As famílias são separadas e o pânico instala-se. Ninguém consegue compreender que barreira é aquela, de onde vem ou quando (se é que algum dia) desaparecerá.
Agora, um grupo de cidadãos intrépidos, liderado por um veterano da guerra do Iraque, toma as rédeas do poder no interior da cúpula. Mas o seu principal inimigo é a própria redoma. E o tempo está a esgotar-se…»

«Mário e o Mágico» – Thomas Mann

Mário e o MágicoMário e o Mágico é uma novela de 1930 do alemão Thomas Mann, mais conhecido por obras grandiosas como A Montanha Mágica, Os Buddenbrook ou Morte em Veneza.
Neste pequeno livro, agora reeditado pela Dom Quixote, o mágico do título representa os ditadores fascistas, com o seu palavreado bombástico, na altura tão em voga e que tanto preocupavam o autor. A preocupação com o poder crescente dos mesmos e a apatia das pessoas, que se permitiam passivamente a ver as suas vidas e comportamentos controlados e cerceados, levou Mann a escrever este «alerta», onde uma pequena estância balnear representa todo um povo, «hipnotizado» por um único homem sem escrúpulos, o mágico, o ditador.
Tal como acontece com muitas obras de exceção, estas tornam-se intemporais, e passados quase noventa anos infelizmente a temática deste Mário e o Mágico continua muito atual, quer pela comparação com os regimes totalitários e absolutistas, como pela semelhança com alguns comportamentos vigentes nas sociedades democráticas em que não será a força militar, ou das armas, a impor limites, mas outras tão ou mais constrangedoras. Uma delas será a força da ignorância, que leva as pessoas a deixarem-se levar, ou hipnotizar, por não saberem sequer que estão a ser levadas. Em Mário e o Magico há portanto uma mensagem de alerta e denúncia, embrulhada numa história aparentemente simples de um mágico e do seu espetáculo.
Thomas Mann é um artista da escrita, e o seu dom está bem espelhado nesta novela, onde descreve ambientes e pessoas com um toque, ele sim, de magia. Depois de nos apresentar a estância balnear, e todo o seu leque de personagens pitorescas, de modo a dar-nos um enquadramento geral, segue-se o grande momento da obra, o espetáculo propriamente dito do mágico, o manipulador Cipolla. O mágico e hipnotista, a plateia, com as suas variadas e separadas classes sociais, o espaço fechado onde tudo ocorre, a um ritmo veloz, prendem-nos à leitura, já de si atraente pela beleza da escrita, onde todas as frases são inspiradas, e inspiradoras. Thomas Mann é o mágico, o hipnotizador de leitores.

Autor: Thomas Mann
Título Original: Mario und der Zauberer
Editora: Publicações Dom Quixote
Tradução: Ana Maria Carvalho
Ano de Edição: 2014
Páginas: 112

Sinopse: «Em Mário e o Mágico, publicado pela primeira vez em 1930, Thomas Mann, como em muitos dos seus trabalhos de ficção, baseou-se em acontecimentos da sua experiência pessoal para criar uma parábola simultaneamente irónica e amarga da ascensão do fascismo na Europa. Sendo um profundo observador da vida quotidiana, durante umas férias de verão numa estância balnear italiana, nos finais dos anos 1920, Mann teria percebido como alguns comportamentos privados correspondiam ao estabelecimento de um regime totalitário. A partir dessa observação, criou uma obra que surge como interrogação sobre a margem de liberdade que nos é concedida e sobre os perigos que ameaçam as nossas pequenas individualidades. Ao mesmo tempo, lança uma espécie de manifesto contra a nossa credulidade acrítica e apatia frente ao que nos rodeia: injustiças de toda a espécie, política insidiosa, totalitarismos vários – camuflados ou não.»

«Alex Cross – A Caça» – James Patterson

Capa Alex Cross - A CaçaO destino, ou, mais propriamente, o trabalho, fez com que um livro do norte-americano James Patterson finalmente me viesse parar às mãos, e aos olhos. Já era tempo, pois com mais de 280 milhões de livros vendidos em todo o mundo e já editado há mais de um ano em Portugal, por via da Topseller, sendo eu apreciador de policiais já quase tinha a «obrigação» de conhecer este autor. E isso aconteceu com A Caça, cujo protagonista é o detetive e psicólogo Alex Cross, que já por mais de uma vez foi levado ao cinema.
Na verdade não me deparei com grandes surpresas, além das do enredo, naturalmente, o que é natural, pois, goste-se ou não de Patterson, ele é um escritor competente, que segue uma fórmula de sucesso mais do que comprovada. O ritmo é intenso e não há cá preâmbulos. O enquadramento da ação é feito logo à base de um crime terrível, descrito com pormenor. Bem, na verdade houve uma coisa que me surpreendeu ligeiramente na escrita de Patterson, a brutalidade. Não estava à espera, num livro tão «mainstream», de deparar-me com cenas tão macabras e sangrentas. Mas ainda bem que assim foi, pois tais cenas enquadram-se na perfeição no tipo de história que é contada, que envolve violentos gangues e senhores da guerra africanos.
Uma família é assassinada com requintes de malvadez e Alex Cross envolve-se no caso mais do que seria de esperar numa situação normal, pois a mãe assassinada fora uma sua antiga namorada dos tempos de estudante. Obcecado com o caso, acaba por ir a África para tentar cortar o mal pela raiz, ou seja, encontrar o Tigre, o chefe do gangue por detrás do crime. Ao tentar desvendar o que o motiva, Alex Cross lança-se, sem qualquer apoio e total desconhecimento, num mundo selvagem, tanto a nível urbano, na caótica Nigéria, como na própria selva e zonas inóspitas de África, onde nas grandes minas, no Sudão, encontra verdadeiros escravos. As páginas passadas em África são as melhores deste livro, pois a descrição de ambientes, tanto as decrépitas prisões onde é enfiado, como o caos urbano, os campos de refugiados ou as paisagens naturais, consegue cativar, para lá da ação trepidante típica do autor.
Entre a violência pura e dura e jogos de bastidores de gabinetes povoados de fatos e gravatas, Alex Cross lida com um caso de uma dimensão que o surpreende e que, como não poderia deixar de ser, está pejado de voltas e reviravoltas, o expectável num bom policial.
Entretanto, paralelamente à investigação de Alex Cross, vamos conhecendo a sua complicada vida familiar (é um viúvo com filhos e uma nova namorada), mas sempre com os devidos enquadramentos para que o leitor que só agora conheceu o protagonista não se sinta «marginalizado». Como já referi, Patterson é um verdadeiro profissional, e sabe bem o que faz.
Em suma, trata-se de um policial competente e cativante, que impele o leitor a ler sempre mais uma página, um «truque» que resulta ainda melhor com a eficaz opção por capítulos bastante curtos e preenchidos de ação. Mais do que considera-lo com um estilo cinematográfico, compararia Alex Cross – A Caça a um bom episódio de uma série policial.

Autor: James Patterson
Título Original: Cross Country
Editora: Topseller
Tradução: Ana Beatriz Manso
Ano de Edição: 2013
Páginas: 384

Sinopse: «Uma cidade mergulhada no caos. Um assassino de uma crueldade assombrosa. Só um homem será capaz de o travar.
O detetive Alex Cross é chamado ao local do pior crime a que alguma vez assistiu. Uma família inteira foi assassinada de forma brutal e impiedosa, e uma das vítimas era uma antiga paixão sua.
O mesmo tipo de crimes sucede-se, mantendo um padrão semelhante: a morte de famílias inteiras, cujos corpos são depois objeto de uma crueldade violenta. Alex Cross e a sua namorada atual, Brianna Stone, mergulham neste caso e enredam-se na teia do mortífero submundo de Washington DC. Aquilo que descobrem é tão chocante que mal conseguem compreendê-lo: os assassinos pertencem a um gangue altamente organizado, encabeçado por um diabólico senhor da guerra conhecido como Tigre. Quando o rasto deste temível assassino desemboca em África, Alex sabe que tem de segui-lo. Desprotegido e só, Alex é torturado e perseguido pelo gangue do Tigre.
Conseguirá Alex caçar o seu inimigo, ou será ele próprio a caça?»

«After Earth – A Fera Perfeita» – Michael Jan Friedman, Robert Greenberg e Peter David

AfterEarth_FeraPerfeitaPoderia começar por referir que A Fera Perfeita, prequela de After Earth – Depois da Terra (ambos editados entre nós pela Saída de Emergência), é um bom livro para quem gostou do filme realizado por M. Night Shyamalan e protagonizado por Jaden Smith e Will Smith, mas se o fizesse estaria, aparentemente, a reduzir o número de leitores que poderão apreciar esta obra, pois a versão cinematográfica terá passado algo ao lado do que se poderá considerar um êxito. E reduzir o potencial público seria mau, pois A Fera Perfeita é, essencialmente, um bom livro de ficção científica, tal como já o fora Depois da Terra, de Peter David. E não afirmo isto só porque traduzi o livro, afirmo isto por que me deu gozo traduzir o livro. Por isso, deixem-se de preconceitos contra M. Night Shyamalan e «viajem» até Nova Prime, o longínquo planeta onde os humanos se instalaram depois de esgotarem literalmente a Terra.
Os humanos que ocuparam o novo planeta, uma elite selecionada que deixou para trás na Terra os mais dispensáveis, depararam-se, após a instalação no novo mundo, com o ataque de uma força alienígena exterior, a que deram o nome de Skrel. Nunca houve contacto entre as duas espécies, apenas comunicaram pela via das armas, mas os humanos conseguiram rechaçar o inimigo que – embora isso nunca se tenha sabido em Nova Prime – considerava o solo daquele planeta sagrado, a ponto de não lhe poder tocar. Por força disso, essencialmente por medo do desconhecido, Nova Prime tornou-se um mundo tremendamente militarizado, levando essa parte da sociedade uma grande fasquia dos recursos do planeta. O Corpo Unificado de Patrulheiros tornou-se muito importante, mas a começou a surgir a contestação aos gastos dos militares, dado que na verdade já haviam decorrido séculos sem que nada acontecesse.
Claro que quando do céu começam a cair as «prendas» lançadas pelos Skrel, ou seja, uns seres criados para matar, a quem é dado o nome de Ursa, e se multiplicam as vítimas mortais, os pontos de vista já não são tão radicais. Há uma interação interessante de seguir entre militares, religiosos, cientistas e comunicação social, conduzidos pelas vicissitudes de tudo o que de mau está a acontecer.
Do lado dos humanos, há uma série de personagens interessantes, que se vão desenvolvendo (e revelando) conforme surgem os conflitos dentro da sociedade, instigados por um jornalista à procura de recuperar a fama que já tivera no passado e que representa tudo que de mal há no sensacionalismo. Os dilemas morais são, aliás, o motor de arranque desta obra, que depois se sustenta também, e bem, nas «cenas» de ação, suficientemente sangrentas e gráficas.
Neste A Fera Perfeita vemos também por dentro a sociedade dos Skrel, as divisões, as lutas políticas, a lentidão em tomar decisões face ao ritmo de vida dos humanos, algo totalmente desconhecido aos ex-terrestres que deles só conhecem a sua faceta bélica.
O livro tem um ritmo bastante cativante, com capítulos pequenos e uma escrita fluída, e ainda assim consegue lançar as discussões mais filosóficas e morais sem que se perca o andamento de uma típica obra de ficção científica do segmento de ação.
É, portanto, um bom antecessor de Depois da Terra, com quem faz um bom conjunto, e que deixa muitas pistas para o que poderia ser uma saga distribuída por várias plataformas, desde livros a filmes, etc. Tivesse o filme resultado de outra forma e poderíamos estar a assistir ao nascimento de mais uma saga; como assim não aconteceu, o meu conselho é este: aproveitem bem o que nos chegou, pois não vão arrepender-se.

Autores: Michael Jan Friedman, Robert Greenberg e Peter David
Título Original: A Perfect Beast
Editora: Saída de Emergência
Tradução: Rui Azeredo
Ano de Edição: 2013
Páginas: 316

Sinopse: «Após o êxodo da Terra, os humanos sobreviventes instalaram-se num planeta remoto, Nova Prime. Quando uma força alienígena, conhecida por Skrel, desceu dos céus, o Corpo Unificado de Patrulheiros, uma elite defensiva, resistiu corajosamente. Decorreram séculos sem que houvesse mais ataques, e muitos colonos convenceram-se de que os recursos aplicados na manutenção da força militar seriam mais bem gastos noutras áreas. Mal sabiam o que estava para se abater sobre Nova Prime – algo sedento de sangue.
Conner Raige, último representante de uma linhagem de guerreiros valorosos, é um dos mais promissores cadetes dos Patrulheiros. Os antepassados de Conner estiveram na linha da frente da vitória da humanidade sobre os Skrel. Mas quando estoira uma guerra mortífera, Conner tem de enfrentar uma fera completamente diferente – porque, desta vez, os Skrel trouxeram uma arma secreta: ferozes máquinas assassinas concebidas para eliminar a humanidade de Nova Prime… e do universo.»

O melhor de 2013: «Em Parte Incerta», de Gillian Flynn

gone girl_01Revelou-se particularmente difícil escolher o livro que mais gostei de ler este ano e após uma luta renhida, mas mesmo muito renhida, acabei por entregar o título a Em Parte Incerta, da norte-americana Gillian Flynn, uma edição da alf-o caso Harry Quebert_150dpiBertrand que se superiorizou a A-Verdade-Sobre-o-Caso-Harry-Quebert, do suíço Joel Dicker, este editado pela Alfaguara. São dois policiais supercativantes que prendem o leitor da primeira à última página… e são muitas as páginas, mas nestes casos com a vantagem de não serem dispensáveis. Ambos bastante ritmados, conseguiram uma quase unanimidade entre os leitores, feito notável numa sociedade em que opiniões positivas unânimes levantam de pronto olhares de soslaio. Dois autores que eram até então desconhecidos em Portugal e de quem se aguarda novas obras para confirmar se tudo não passou de um feliz acaso. Uma verdade é certa, num género tão convencional ambos lograram contar as suas histórias de modo original.
Em terceiro lugar ficou mais um policial, este mais convencional mas nem por isso menos envolvente, A-Praia-dos-Afogados, do galego (mais do que espanhol) Domingo Villar. Neste romance editado pela Sextante, além do crime, cativou-me o ambiente, uma Galiza realista, marítima, humana, sedutora e misteriosa.
Em quarto, ficou um consagrado, o inglês John Le Carré, com o seu perturbante e irónico Uma Verdade Incómoda, editado pela Dom Quixote, à frente do «nosso» Richard Zimler, que com A Sentinela, apresentado como um policial, mas que é muito mais do que isso, pisa novos terrenos com o talento de quem sabe o que faz. Uma edição Porto Editora, A Sentinela é povoado por personagens fortes, bem estruturadas e complexas que só por elas valeriam a leitura.
ber_BarnabyBrocketSegue-se no sexto lugar uma bela surpresa, um livro dedicado ao público juvenil mas com potencial para cativar todos. Refiro-me a A Coisa Terrível que Aconteceu a Barnaby Brocket, do irlandês John Boyne, editado pela Bertrand. Trata-se de uma aventura e peras onde o mote é o respeito pelo direito à diferença e que, em meu entender, daria um belíssimo filme de animação.
Outra surpresa, esta com origem num filme, foi After-Earth –  Depois-da-Terra, de Peter David, uma adaptação da pelicula homónima que, curiosamente (ou talvez não), se revelou bem melhor e mais completa e harmoniosa do que a obra protagonizada por Will Smith. Este romance de ficção científica foi editado em Portugal pela Saída de Emergência e figura no sétimo lugar entre as minhas preferências.
Em oitavo chega O-Impostor, do sul-africano Damon Galgut e editado pela Alfaguara. Pelo olhos de um protagonista que é um verdadeiro falhado, vemos a África do Sul contemporânea, ainda à procura do seu lugar e a tentar cicatrizar as feridas das graves cisões internas que a assolaram durante décadas.
Cenas da Vida de AldeiaPasse-se então para o nono posto, ocupado por Cenas-da-Vida-de-Aldeia, do israelita Amos Oz, também num território abalado pela incerteza e por constantes conflitos. O livro, editado pela Dom Quixote, é um verdadeiro mosaico, pois os contos que o compõem completam um quadro geral, a aldeia, povoada por uma série de personagens fantásticas saídas da mente e da «pena» de um mestre de contar histórias.
O top-10 conclui-se com João Tordo, que com o seu O-Ano-Sabático comprova tudo aquilo que tem feito até agora: é um dos melhores escritores portugueses da atualidade e sabe transformar o que parece complexo em algo simples e apelativo. Edição Dom Quixote.

 Mas podia haver mais…

sex-viagemÉ verdade, há outras coisas boas a reter deste meu ano de 2014 de leituras, nomeadamente os melhores livros de 2013… que ainda não acabei de ler. Isto partindo de um pressuposto: o nível do que li até agora vai manter-se até ao final . Refiro-me concretamente ao romance histórico A Última Viagem, do francês Laurent Gaudé, sobre Alexandre, o Grande, uma edição Sextante, e ao misterioso  A-Cúpula, de Stephen King, editado em dois volumes pela Bertrand.

Menções honrosas

Morte-Na-Arena_af capa_001Há ainda outras obras a louvar. Posso começar por Morte-com-Vista-Para-o-Mar e Morte-na-Arena, ambos de Pedro Garcia Rosado, que, agora na Topseller, continua a brindar-nos com excelentes e sangrentos policiais contemporâneos portugueses.  Não saindo da Topseller, não se pode esquecer o campeão de vendas mundial James Patterson que, entre outras obras, se destacou com Alex-Cross:-A-Caça, que resume bem o seu estilo simples e eficaz. Pude comprovar que é o verdadeiro policial de cortar a respiração. Eficiente, honesto e genuíno.
se-servaPara o fim deixei Raymond E. Feist, autor de literatura fantástica que entre nós é editado pela Saída de Emergência. Venho desde há algum tempo a traduzir, em parceria com José Remelhe, este autor, que este ano já viu sair em Portugal  A-Filha-do-Império e a primeira parte de A Serva do Império. Estas obras, escritas a meias com Janny Wurts, decorrem no mundo de Kelewan e têm por protagonista Mara, uma jovem que de repente se vê à frente da Casa dos Acoma e que vai subindo a pulso na hierarquia da sua complexa sociedade, graças à sua habilidade para se mover nos ardilosos jogos de bastidores em que assenta o seu mundo. Esta saga apresenta-nos de forma detalhada, minuciosa e empenhada todo um novo mundo, e os autores nada deixaram ao caso nesta(s) obra(s) de grande fôlego que conjuga(m) com sucesso a ação e as tramas políticas, não esquecendo elaboradas e envolventes descrições de cenas, momentos e paisagens que não deixam ninguém indiferente.