Despertar – Stephen King

despertarDespertar, obra de Stephen King de 2014 e editada em Portugal pela Bertrand, nomeadamente em formato de bolso, é mais uma prova, entre muitas, do estilo cativante e genial do autor, a quem talvez por vezes não se dê o merecido crédito devido ao ritmo alucinante a que escreve e publica.
Em Despertar, cujo título original é Revival, o cenário, pelo menos no início, é, como é norma em Stephen King, uma cidadezinha americana, no caso em Nova Inglaterra. A história arranca no início dos anos 1960 (mais precisamente 1962), altura em que «assistimos» ao encontro entre o pastor metodista Charles Jacobs e o então rapazinho de seis anos Jamie Morton, o narrador, que desde logo nutre um fascínio por aquele jovem religioso, chegado à cidade na companhia da sua mulher e do filho. Entre os dois forma-se um laço especial que vem a ser cortado ao fim de algum tempo quando se abate uma tragédia familiar sobre a vida do pastor, que põe então em causa a sua fé religiosa, acabando banido da cidade. Uma cidade, note-se, que conquistara graças ao seu entusiasmo e vigor, mas que depois não demora a pôr-se contra ele, quando este começa a duvidar da fé. O pastor, nomeadamente, passa a acreditar mais no poder da eletricidade, uma paixão e obsessão suas, do que no de Deus.
Charles e Jamie acabam por afastar-se e só muito anos mais tarde é que este último, depois de uma espiral de decadência que o levou ao consumo de drogas, volta a cruzar-se com o antigo pastor. Jamie, que sempre adorou guitarra, tornara-se músico, saltando de banda para banda, com dificuldade em assentar. Já nos anos 1990 voltam então a encontrar-se, Jamie viciado em droga, Charles uma espécie de charlatão ambulante com atuações em feiras onde ilude o público com truques assentes nos poderes da eletricidade.
Charles acaba por salvar Jamie do vício da droga e este entretanto começa a trabalhar para ele. Mas se Charles Jacobs deixou de parte a religião, o mesmo não fez em relação à eletricidade e às experiências. No entanto, Jamie repara que o seu velho amigo está obcecado e com uns laivos de loucura, e a dada altura tenta travá-lo.
É aqui que começa a parte do terror propriamente dita, pois o objetivo máximo do antigo pastor passa por alcançar um feito macabro através dos seu conhecimentos de eletricidade, algo relacionado com a família que perdeu no início desta história e que o marcou e transformou para sempre.
O sobrenatural é bom de ver marca presença em Despertar, que praticamente pode ser considerado um livro de terror, em especial pelo seu final, mas as habituais descrições do quotidiano americano constituem também um dos pontos fortes. Tudo bem misturado, como é norma, por Stephen King, que nos transporta para cenários aprazíveis onde depois ocorrem acontecimentos estranhos e assustadores.

Um pensamento sobre “Despertar – Stephen King

  1. Luciano Duarte

    Espanta-me nunca ter lido Stephen King. Parece-me um autor extremamente engenhoso, o que confirmo mais uma vez através desta resenha. Parabéns pelo texto!

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