Opinião: «Sobre Bowie» – Rob Sheffield (Vogais)

capa-sobre-bowieSobre Bowie, editado pela Vogais, não é uma biografia, e ainda bem. É, isso sim, um livro de um assumido fã, Rob Sheffield, que é jornalista, da Rolling Stone, que apesar de ordenar as suas obras cronologicamente não se limita a elencar factos após factos. O que ele faz é tentar decifrar atitudes, comportamentos, opções, estratégias de Bowie e expô-las, interpretá-las. E digo «tentar» porque no que toca a compreender e decifrar uma personalidade como a de Bowie só dá mesmo para tentar, pois haverá sempre coisas inexplicáveis e incongruentes que se calhar nem o próprio cantor teria capacidade para deslindar.
Pelo meio vai contando estórias que ajudam a deslindar mistérios ou simplesmente conhecer o homem e o artista. Apesar de fã, Sheffield não escreveu uma obra meramente elogiosa plena de louvores. A admiração está lá e não tenta disfarçá-la, mas também sabe criticar e expor o lado mais negro e desumano, e às vezes parvo, de Bowie, que principalmente na fase inicial da sua carreira não era propriamente um santo. A sensatez veio, na opinião do autor do livro, com o casamento com Iman, em 1992, que influenciaria também a sua capacidade criativa.
Na apreciação à música é também crítico quando entende necessário, apontando curiosamente a união de Bowie com Iman como a salvação de uma carreira que via em decadência. Os últimos anos, até ao derradeiro Blackstar, lançado quase a par da sua morte em janeiro de 2016, apagaram aquela que considera a fase menos inspirada do artista britânico.
Sobre Bowie é um livro bem estruturado e fácil e agradável de ler, que, percebe-se, foi escrito por alguém que se movimenta à vontade na matéria, nitidamente complexa, dada a personalidade do artista em questão. Alternando entre episódios pessoais do autor com histórias de Bowie, a obra oferece uma boa perspetiva sobre o cantor, uma entre as muitas que são possíveis, permitindo conhecê-lo melhor, o que não é pouco quando se trata de uma personalidade tão complexa.
Sobre Bowie é, está visto, uma aposta acertada da Vogais, editora que desta forma ajuda a preencher uma lacuna já antiga em Portugal, a edição de obras sobre um dos maiores vultos da pop mundial.

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