«Astérix – O Papiro de César» – Jean-Yves Ferri e Didier Conrado (Edições ASA)

AstérixÉ oficial! Com O Papiro de César (editado em Portugal pela ASA) Astérix está de volta à boa forma. Depois de geradas boas expectativas com Astérix Entre os Pictos, a dupla Jean-Yves Ferri (argumentista) e Didier Conrado (desenhador), que ocupa agora, respetivamente, os papéis de René Goscinny e Albert Uderzo, está a recuperar o tempo perdido no período Uderzo. Este último aguentou o barco sozinho por uns anos, desde a morte de Goscinny em 1977, mas era já evidente que se impunha uma mudança, uma renovação.
Essa renovação tem sido feita através de um regresso ao passado, nomeadamente ao tipo de humor presente nos quadradinhos, sempre a estabelecer paralelismos e a piscar o olho à atualidade. Neste «Papiro» isso está bem patente, pois a temática é a liberdade de imprensa e a tentativa dos regimes ditatoriais (a Roma de César, no caso) de escrever à História ao seu sabor, segundo as suas conveniências. Já se percebe que, neste caso a reescrita da história pretende enviar para o vazio a resistência da nossa conhecida aldeia gaulesa. Mas há um defensor da liberdade de expressão, Gerapolémix, que quer evitar isso a todo o custo, um Julian Assange (fundador da Wikileaks) da era romana – esta não é a única personagem real do álbum, há outras, estejam atentos. Assim, ele contesta a veracidade e integridade de um papiro escrito pelo próprio Júlio César sobre as suas conquistas, como se percebe, bastante «embelezadas» no que toca à relação com alguns gauleses irredutíveis.
O Papiro de César retoma, assim, em bom nível a apetência para alusões ao nosso presente que podem passar despercebidas a leitores mais jovens, ou mais «distraídos», mas cuja ignorância face às mesmas não prejudica o entendimento global da obra, nem a torna sequer menos divertida. É uma aposta ganha seguir esta via, pois consegue agradar e atrair tipos de público diferentes, como já sucedia, aliás, na época dourada deste série de banda desenhada. É uma fórmula que, a nível de animação, a Pixar segue com um nível a raiar a perfeição, pois os seus filmes são feitos para agradar a crianças e adultos, com piscares de olhos a ambos, sem que por isso perca a sua qualidade e objetividade.
IMG_1748Com um argumento mais imaginativo e divertido e desenhos que se assemelham aos do próprio Uderzo, é com satisfação que vejo Astérix de novo no bom caminho. Já não é a mesma coisa que era no passado? Não, mas eu também não sou o mesmo, por isso as comparações são sempre falíveis. Conclusão, gostei bastante de ler O Papiro de César e ao ver álbuns assim é-me sempre inevitável pensar: «E se o Tintin ainda cá andasse?»
Duas notas finais: O Papiro de César tem também uma edição em mirandês (L Papiro de César) e eu não consigo definitivamente adaptar-me aos nomes renovados de personagens clássicas. Matasétix, Cacofonix?… Não os associo com naturalidade aos bonecos. Paciência.

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