Bruno de Carvalho – O Presidente Sem Medo

k_mandoeuNão leio por norma este tipo de livros sobre protagonistas do mundo de desporto, e, se o faço, prefiro que sejam relativos aos próprios atletas ou treinadores, os verdadeiros artistas, ao contrário de dirigentes, que deveriam ficar na sombra – o que é diferente de atuar na sombra.
Mas, confesso, que a personalidade de Bruno de Carvalho me cativa, quanto mais não seja pela mudança de atitude e de plano entre a primeira candidatura à presidência do Sporting (falhada) e a segunda (acertada). E, claro, sendo eu sportinguista gosto sempre de conhecer quem manda no meu clube. Até porque através deste tipo de livros, quando bem feitos, conhece-se sempre melhor as personagens do que através de entrevistas, onde surge um discurso mais formatado, mais contido (no caso do atletas), devido às amarras dos respetivos clubes – basta ver os casos dos treinadores Vítor Pereira e Paulo Fonseca, que, quando ao serviço do FC Porto, se apresentavam sempre tensos ao falar com a comunicação social e desde que saíram se transformaram em pessoas descontraídas e, até, divertidas.
Mas regressando a Bruno de Carvalho – O Presidente Sem Medo, de Bruno Roseiro (editado pela Matéria-Prima), é um livro que permite conhecer o lado pessoal e o profissional do presidente leonino, e como ambos se misturam e se influenciam. O livro tem por base uma série de entrevistas feitas por Bruno Roseiro ao seu homónimo, assim com algum trabalho de investigação. A obra, para ser mais completo, e imparcial, deveria, em meu entender, estar enquadrada com opiniões e histórias de terceiros, «verdes» ou, principalmente, de outras cores.
O livro apresenta episódios curiosos e percebe-se, por aqui, como funcionam algumas coisas no nosso futebol, coisas essas que não agradam a Bruno de Carvalho e que ele tenta mudar, tantas vezes num estilo «quixotesco», mas nem por isso menos legítimo.
Mostra, também, um Bruno de Carvalho mais coerente e determinado e realista que pouco tem que ver com a imagem mais espalhafatosa deixada aquando das primeiras eleições, que perdeu por escassa margem – seria curioso perceber que Bruno de Carvalho (e Sporting) teríamos se tivesse ganhado à primeira.
O livro está bem estruturado, com uma escrita clara, e poderá apelar, mais do que aos adeptos dos leões, a quem se interessar por futebol em geral, pois apresenta uma perspetiva desde o interior do dirigismo e de como funciona um clube desportivo para lá do que se vê nos relvados, recintos, pistas, etc.
É uma verdadeira viagem aos bastidores do Sporting, onde se fica a saber como foram cortadas despesas – em tudo, desde luz e fotocópias a grandes vencimentos, de jogadores e não só. Fica-se igualmente a saber como Bruno de Carvalho conseguiu calar os famosos «papagaios» internos do clube e, mais importante do que isso, como se relaciona com jogadores, técnicos e principalmente empresários, sempre com um objetivo em mente, fazer respeitar o Sporting.
Entretanto, já se justificava um novo capítulo inteiramente dedicado ao insólito caso que opôs Bruno de Carvalho ao seu treinador Marco Silva. Talvez para uma próxima edição… Aliás, esse caso daria até para encher um livro.

Autor: Bruno Roseiro
Título: Bruno de Carvalho – O Presidente Sem Medo
Editora: Matéria-Prima
Ano de Edição: 2014
Páginas: 240

Sinopse: «Quando terminou a época 2012/2013, os sportinguistas estavam entre o desânimo e a resignação. A equipa ficou em sétimo lugar, o pior de sempre. O passado de clube grande tinha um presente pequeno.
Poucos se atreviam a prever que, menos de um anos depois, o Sporting tivesse competido pelo primeiro lugar e chegado à Champions. Com frescura, atitude, garra, golos e o apoio crescente dos adeptos que voltaram a rever-se nos seus.
Tem jogadores jovens, motivados e com espírito de compromisso. Um treinador competente e metódico. Acima de tudo, tem um presidente que contraria o perfil de liderança das últimas décadas em Alvalade. Um homem de excepção para um momento de excepção, que enfrentou situações limite no balneário e no clube.
Bruno de Carvalho, que aos seis anos decidiu ser presidente do Sporting, é mais do que um líder voluntarioso, apaixonado pelo clube: comanda com estratégia, coragem e é capaz de tomar decisões difíceis para alcançar um bem maior. É um presidente sem medo, inspirado pelos valores familiares. É controlador e exigente… Principalmente consigo mesmo porque “vive” com o adepto mais fervoroso e ambicioso – ele próprio.»

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