Assim começa… «Paris, Os Passeios de um Flâneur», de Edmund White

«Paris é uma grande cidade, no sentido em que Londres e Nova Iorque são grandes cidades e Roma é uma aldeia, Los Angeles uma colecção de aldeias, e Zurique uma província.
Um amigo meu mais afoito define uma grande cidade como um local onde há negros e edifícios altos e em que se pode andar toda a noite numa roda-vida. Se levarmos em conta esta definição, teremos de reconhecer que, em Paris, há uma escassez de edifícios altos; embora tenha lançado (nos anos sessenta e início dos anos setenta) um projecto que visava encher Paris de arranha-céus, o Presidente Pompidou apenas conseguiu desfigurar o histórico traçado dos telhados da cidade com as mal atamancadas torres de uma extensão universitária, Paris VII em Jussieu (encerrada há pouco tempo por se encontrar copiosamente isolada com amianto), a aterradora Tour Montparnasse – e o desolado deserto de La Défense, a zona de escritórios.
(Edições Asa, 2004. Tradução de José Vieira de Lima)asa-paris

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