Assim começa… «A Última Viagem», de Laurent Gaudé

«Ao primeiro espasmo, ninguém se apercebe de nada e os que o rodeiam continuam a rir-se. Um leve movimento dos ombros, como para se proteger de um toque invisível, um gesto ínfimo que se dilui no tumulto do banquete, debruça-se ligeiramente para a frente e leva a mão ao ventre. A dor é tão aguda que o paralisa durante alguns segundos, mas antes de gritar, antes mesmo de ter tempo para se amedrontar, a dor desaparece. A música à sua volta é cada vez mais intensa, cafarnaum de risos, flautas e tambores. Retoma o folego. Sentiu, nas entranhas, aquela coisa que cresce – uma espécie de definhamento do corpo, mas a dor passou tão depressa que se sente estupefacto. Ergue a cabeça, observa que à sua volta os convivas continuam a rir sem que ninguém tenha visto nada, e então pede que voltem a servi-lo.»
(Sextante, 2013. Tradução de Isabel St. Aubyn)
sex-viagem

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