«Mário e o Mágico» – Thomas Mann

Mário e o MágicoMário e o Mágico é uma novela de 1930 do alemão Thomas Mann, mais conhecido por obras grandiosas como A Montanha Mágica, Os Buddenbrook ou Morte em Veneza.
Neste pequeno livro, agora reeditado pela Dom Quixote, o mágico do título representa os ditadores fascistas, com o seu palavreado bombástico, na altura tão em voga e que tanto preocupavam o autor. A preocupação com o poder crescente dos mesmos e a apatia das pessoas, que se permitiam passivamente a ver as suas vidas e comportamentos controlados e cerceados, levou Mann a escrever este «alerta», onde uma pequena estância balnear representa todo um povo, «hipnotizado» por um único homem sem escrúpulos, o mágico, o ditador.
Tal como acontece com muitas obras de exceção, estas tornam-se intemporais, e passados quase noventa anos infelizmente a temática deste Mário e o Mágico continua muito atual, quer pela comparação com os regimes totalitários e absolutistas, como pela semelhança com alguns comportamentos vigentes nas sociedades democráticas em que não será a força militar, ou das armas, a impor limites, mas outras tão ou mais constrangedoras. Uma delas será a força da ignorância, que leva as pessoas a deixarem-se levar, ou hipnotizar, por não saberem sequer que estão a ser levadas. Em Mário e o Magico há portanto uma mensagem de alerta e denúncia, embrulhada numa história aparentemente simples de um mágico e do seu espetáculo.
Thomas Mann é um artista da escrita, e o seu dom está bem espelhado nesta novela, onde descreve ambientes e pessoas com um toque, ele sim, de magia. Depois de nos apresentar a estância balnear, e todo o seu leque de personagens pitorescas, de modo a dar-nos um enquadramento geral, segue-se o grande momento da obra, o espetáculo propriamente dito do mágico, o manipulador Cipolla. O mágico e hipnotista, a plateia, com as suas variadas e separadas classes sociais, o espaço fechado onde tudo ocorre, a um ritmo veloz, prendem-nos à leitura, já de si atraente pela beleza da escrita, onde todas as frases são inspiradas, e inspiradoras. Thomas Mann é o mágico, o hipnotizador de leitores.

Autor: Thomas Mann
Título Original: Mario und der Zauberer
Editora: Publicações Dom Quixote
Tradução: Ana Maria Carvalho
Ano de Edição: 2014
Páginas: 112

Sinopse: «Em Mário e o Mágico, publicado pela primeira vez em 1930, Thomas Mann, como em muitos dos seus trabalhos de ficção, baseou-se em acontecimentos da sua experiência pessoal para criar uma parábola simultaneamente irónica e amarga da ascensão do fascismo na Europa. Sendo um profundo observador da vida quotidiana, durante umas férias de verão numa estância balnear italiana, nos finais dos anos 1920, Mann teria percebido como alguns comportamentos privados correspondiam ao estabelecimento de um regime totalitário. A partir dessa observação, criou uma obra que surge como interrogação sobre a margem de liberdade que nos é concedida e sobre os perigos que ameaçam as nossas pequenas individualidades. Ao mesmo tempo, lança uma espécie de manifesto contra a nossa credulidade acrítica e apatia frente ao que nos rodeia: injustiças de toda a espécie, política insidiosa, totalitarismos vários – camuflados ou não.»

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s