«Astérix entre os Pictos» – Jean-Yves Ferri (Texto) e Didier Conrad (Desenhos)

Capa_Astérix_PictosJá lá iam oito anos desde a última aventura de Astérix e Obélix, os nossos heróis gauleses preferidos. Mas a verdade é que as saudades não eram muitas dado que esse álbum de 2005, O Céu Cai-Lhe em Cima da Cabeça, não é propriamente uma referência de topo da genial coleção criada por Goscinny e Uderzo. Desacompanhado de Goscinny, Uderzo foi aguentando a coleção, mas vinha a assistir-se a um declínio que levou a um certo afastamento, dado que a aura que envolvia cada novo álbum já não era a mesma.
Assim, restavam duas soluções: ou a série era descontinuada, para delírio dos puristas (ao estilo do que Hergé fez com Tintin), ou prosseguia com novo fôlego, ou seja, novos autores. E a via escolhida foi precisamente esta e, a meu ver, ainda bem. Astérix Entre os Pictos (editado em Portugal pela ASA) ainda não está ao nível das «glórias» do passado, mas abre boas perspetivas. Seguindo esta via será possível ir mais longe, pois se os desenhos de Didier Conrad respeitam fielmente o espírito (já sei que os especialistas vão descobrir um traço aqui e um retoque acolá que «desvirtuam» o estilo de Uderzo, mas a verdade é que aqui o «povo», ou seja, o leitor comum, não tem olho nem se interessa por isso), o argumento de Jean-Yves Ferri devolve-nos um certo «realismo» perdido com o já referido O Céu Cai-Lhe em Cima da Cabeça.
O regresso às ilhas britânicas, onde os nossos heróis já não iam desde Astérix e os Bretões, para uma visita ao que viria a ser a atual Escócia (onde não faltam os clãs, os padrões em xadrez, os kilts, o nevoeiro e, claro, o monstro do Loch Ness), devolve-nos o Astérix viajante, que nos mostra outros povos, além dos omnipresentes romanos, como já tinha feito com os egípcios, os corsos, os helvécios ou os hispânicos.
O humor continua sempre presente, não tão corrosivo e aguçado como já foi, mas suficientemente inteligente para nos fazer sorrir e, até, rir. Os pictos são representados com piada, personagens em geral bem conseguidas que se enquadram na trama e fazem um bom contraponto às estrelas gaulesas, e fizeram-me recordar outras que abrilhantaram aventuras do passado. Mas não podemos estar sempre a conjugar o verbo «recordar» pois não esqueçamos que Astérix é também um herói a ser apresentado a novos leitores e venha quem diga que não se retira, seja qual o for a condição do leitor, um grande prazer da leitura deste Asterix Entre os Pictos. É preciso enfiar uma coisa na cabeça, o Astérix, e o Obélix, não são só nossos, leitores que já os conhecemos há décadas (que horror!, «há décadas»), são, ou hão de ser, de outros leitores que um dia irão descobrir as aventuras mais antigas dos gauleses.
O que realmente não se entranha são os novos nomes da maioria das personagens, pois a verdade é que foram muitos anos a acompanhar os «velhos» gauleses para agora me habituar a Matasétix, Cacofonix e Boapinta e outros do género. Mas pronto… hei de sobreviver.
Por mim, é com grande agrado que digo, «Bem-vindos de volta, gauleses loucos».

Autores: Jean-Yves (texto) e Didier Conrad (desenhos)
Título Original: Asterix Chez Les Pictes
Editora: Edições ASA
Tradução: Maria José Magalhães Pereira
Ano de Edição: 2013
Páginas: 48

Sinopse: «Nesta nova aventura, o pequeno gaulês e o seu inseparável amigo Obélix viajam para terras da antiga Escócia ao encontro dos povos que ali habitam, os Pictos. Conhecidos pelas suas qualidades de temíveis guerreiros e pelos seus múltiplos clãs, e cujo nome, dado pelos Romanos, significa literalmente “homens pintados”, os Pictos são, assim, os personagens a descobrir num livro que segue a melhor tradição das aventuras do mais célebre de todos os Gauleses. Astérix entre os Pictos é, pois, uma viagem épica a um país rico em tradições, durante a qual os nossos heróis irão descobrir um novo povo, cujas diferenças culturais se traduzirão em piadas e trocadilhos memoráveis.»

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2 responses to “«Astérix entre os Pictos» – Jean-Yves Ferri (Texto) e Didier Conrad (Desenhos)

  1. Olá,
    Eu cresci acompanhando as aventuras dessa duplina de gauleses. Recentemente li a edição lançada aqui no Brasil, de “Asterix entre os Pictos”, fiz uma resenha sobre ele no meu blog também, caso queira conferir.
    Abraços
    Cooltural

  2. Pingback: «Astérix – O Papiro de César» – Jean-Yves Ferri e Didier Conrado (Edições ASA) | Porta-Livros

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