«O Retrato da Mãe de Hitler» – Domingos Amaral

cl-O Retrato da Mãe de HitlerA II Guerra Mundial já não estará tão presente no imaginário dos jovens de hoje em dia como o esteve num passado não muito distante. Mas, tal como aconteceu ao escritor Domingos Amaral, também no meu esteve presente; afinal, por volta dos meus dez anos, ainda só tinham passado cerca de trinta anos desde o final do conflito e agora já lá vão quase setenta anos. Por isso, esta é uma temática que continua a agradar-me, pelo que, depois da agradável surpresa que já se revelara Enquanto Salazar Dormia, foi um prazer regressar, com O Retrato da Mãe de Hitler (uma edição Casa das Letras), a este mundo, na vertente da espionagem, ainda para mais centrado em Lisboa, que por norma fica fora do roteiro da literatura relativa a este período tão importante e cativante da história. É que se em termos bélicos a guerra não passou pelo nosso país, já em termos de informação, segredos e espionagem, Portugal, e principalmente Lisboa, foi palco de importantes movimentações.
Mas se em Enquanto Salazar Dormia a ação decorria em plena guerra, este O Retrato da Mãe de Hitler passa-se no pós-guerra e baseia-se na questão dos tesouros nazis que estes, os nazis que escaparam, tentavam passar para os seus novos destinos ou vender pelo caminho para tentarem financiar uma nova vida longe dos seus perseguidores, principalmente na América do Sul.
Para O Retrato da Mãe de Hitler, Domingos Amaral recorreu, basicamente, aos mesmos personagens de Enquanto Salazar Dormia, aproveitando até para atar algumas pontas que tinham ficado «soltas». Terá, desta vez,  mais romance (e sexo) e menos espionagem, mas mantém as características de um genuíno page-turner, sem momentos mortos e com uma escrita clara e descomplexada, cinematográfica, capaz de prender o leitor. (A cena final, num hidroavião clipper a sair de Cabo Ruivo, no Tejo, em Lisboa, é o melhor exemplo da cinematografia deste livro).
O protagonismo é de novo entregue a Jack Gil que tem de lidar, desta vez, com mais um oponente terrível, o seu pai. Ao mesmo tempo tem de lidar com a sua antiga paixão, a fogosa, surpreendente e reaparecida Alice, sempre dúbia nos seus comportamentos e nas suas alianças e motivações. Enquanto se «entretém» com ela, com o pai e com as pretensões deste em apoderar-se de tesouros nazis em trânsito por Portugal, Jack Gil tenta organizar a sua vida, unindo-se a Luisinha, irmã da sua falecida noiva e a quem aprende a amar, depois de uma vida de libertinagem que por vezes tem dificuldade em deixar para trás.
Este romance apresenta uma série de pormenores curiosos sobre a sociedade portuguesa da época, retratando o modo de vida no nosso país nos tempos de Salazar, onde as liberdades eram muito limitadas. Basta ver, por exemplo, como era a difícil relação com o cinema de Hollywood, aqui bem retratada por via da paixão da personagem  Luisinha pela sétima arte. É, portanto, um bom retrato de uma época, bem cimentado numa profunda investigação por parte de Domingos Amaral, que soube passar para o papel, bem misturado com a animada ficção que criou, as informações recolhidas em arquivos e documentos.
Um romance animado, vivo, cativante, uma ótima escolha para uma descontraída leitura de verão, um entretenimento saudável que, para pena minha, tive de «atacar» em dias de chuva. Agora que o verão chegou, não hesite, pegue em O Retrato da Mãe de Hitler e vá para a praia, para o campo ou para a esplanada e saboreie este refrescante livro.

Sinopse: «No mesmo dia em que Hitler morreu, 30 de Abril de 1945, um coronel das SS chamado Manfred apodera-se de um valioso tesouro nazi, roubando um cofre em Munique, que contém alguns bens pessoais do próprio Führer, entre os quais uma pistola dourada e o retrato da mãe de Hitler.
Perseguido pelos judeus, Manfred acaba por chegar a Portugal, onde irá tentar vender o seu tesouro aos coleccionadores de relíquias nazis.
Jack Gil Mascarenhas Deane já não trabalha para os serviços secretos ingleses, pois a guerra acabou, mas a chegada do seu pai a Lisboa vai alterar a sua vida. O pai é um colecionador de tesouros nazis e vai obrigar Jack Gil a ajudá-lo na sua demanda pelos valiosos artefactos, que muitos nazis, como Manfred, tentam vender em Lisboa, antes de fugirem para a América do Sul.»

Autor: Domingos Amaral
Editora: Casa das Letras
Ano de Edição: 2013
Páginas: 420

Advertisements

2 responses to “«O Retrato da Mãe de Hitler» – Domingos Amaral

  1. Eu fiquei com outra impressão. A única coisa que gostei no livro foi mesmo da pesquisa histórica porque de resto o enredo parece saído de um folhetim barato. As cenas de sexo então parecem filme porno de quinta categoria. Não conhecia o autor, mas tb me pergunto o que esperava eu de alguém que esteve, ou está, na direção da Maxmen. E ainda há quem fale mal dos livros de “gaja”. Por causa do romance e do sexo? A maioria tem muito mais nível que isto. :/

  2. Pingback: O Retrato da Mãe de Hitler, de Domingos Amaral | Aliquid Novi

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s