«A Filha do Papa» – Luís Miguel Rocha

A Filha do PapaPronto, agora já entendo o «fenómeno» Luís Miguel Rocha. O thriller A Filha do Papa (uma edição Porto Editora) é efetivamente um livro cativante e envolvente que vai ganhando fôlego e ritmo a cada virar de página. Mesmo não sendo o Vaticano e papas um tema de minha preferência, bem pelo contrário, os mistérios que povoam este romance foram suficientes e bem montados para me prender a atenção – e bem preciso é ter atenção ao ler este A Filha do Papa, pois não só há uma grande profusão de histórias em desenvolvimento simultâneo como um elevado número de personagens que por vezes nos pode deixar confuso. Mas, essa profusão de personagens tem o seu lado positivo, pois permite-nos uma maior variedade de escolha entre aqueles de quem gostamos ou não. Mas isso de tomar partidos pode ser perigoso, pois, como seria de calcular num romance bem pensado, as coisas nunca são só pretas ou brancas.
A trama está bem organizada e disposta de um modo quase cinematográfico e aqueles que pensem, talvez por preconceito, que se trata de uma obra menor, não pensem que este livro é «light» pois o enredo é denso e requer que se puxe pela cabeça. A escrita simples, direta e descomplexada de Luís Miguel Rocha ajuda ao envolvimento do leitor. E assim teria de ser, pois há muita informação, histórica ou ficcional, a ser transmitida ao leitor, notando-se que o autor fez bem o (imenso) trabalho de casa.
Ora, esse trabalho de casa incidiu principalmente sobre a vida de Pio XII, o tão mal amado papa acusado de ser amigo dos nazis e antissemita e que aqui, nesta ficção (ou nem por isso), sai branqueado nessa matéria. Mas, noutra, que é afinal de contas o núcleo deste romance, fica-se a saber que terá tido uma filha secreta e esse é o mote para todas as confusões que alimentam a trama deste livro. No meio dessa trama envolvem-se duas personagens habituais nos romances de papas de Luís Miguel Rocha, a jornalista Sarah e o padre muito «especial» Rafael, de quem se vai conhecer também revelações bombásticas relativas à sua vida pessoal.
Já agora, um reparo. O pormenor de enumerar quase rua a rua os locais em Roma por onde vão passando as personagens nas mais diversas situações pode ser interessante para quem conhece bem a cidade, mas para os outros pode revelar-se algo… «desnecessário». Mas que não seja isto a desencorajar alguém a leitura deste romance, pois é apenas, como referi, um pormenor no meio de muita coisa que nos prende. A Filha do Papa trata-se de um livro bem pensado e «apresentado» que por certo repetirá o êxito dos anteriores romances de Luís Miguel Rocha, deixando já os leitores à espera de mais.

Sinopse: «Será o antissemitismo a verdadeira razão para o Papa Pio XII não ter sido beatificado? Quando Niklas, um jovem padre, é raptado, ninguém imagina que esse acontecimento é apenas o início de uma grande conspiração que tem como objetivo acabar com um dos segredos mais bem guardados do Vaticano – a filha do Papa Pio XII. Rafael, um agente da Santa Sé fiel à sua Igreja e à sua fé, tem como missão descobrir quem se esconde por detrás de todos os crimes que se sucedem e evitar a todo o custo que algo aconteça à filha do Papa. Conseguirá Rafael ser uma vez mais bem-sucedido? Ou desta vez a Igreja Católica não será poupada?»

Autor: Luís Miguel Rocha
Editora: Porto Editora
Ano de Edição: 2013
Páginas: 432

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