«Cenas da Vida de Aldeia» – Amos Oz

Cenas da Vida de AldeiaJá aqui o terei confessado antes: não sou grande apreciador de contos. Mas, tendo em conta que Cenas da Vida de Aldeia (uma edição Dom Quixote) vem assinado pelo israelita Amos Oz (que me deslumbrara com Uma História de Amor e Trevas) e era composto por temas que no seu todo contavam uma única história, entendi que o risco de me aborrecer não era grande. E entendi bem, pois estava na presença de um belo livro, cuja leitura dos contos só faz sentido se os ler a todos, pois trata-se de um único corpo composto por fragmentos de vidas.
Apesar de serem vidas de pessoas que vivem numa aldeia com as particularidades próprias de uma região invariavelmente sob tensão, no fundo, na essência, são as vidas de pessoas como quaisquer outras, com os mesmos problemas, dúvidas, incertezas, certezas, convicções, etc.
Nestas Cenas lemos/vemos as vidas de Tel Ilan, aldeia fictícia israelita, pacata e enquadrada num belo cenário rural. Através do quotidiano dos habitantes (há uns e outros que saltam de história para história; afinal, a aldeia é pequena e é natural que se cruzem, certo?) vivemos também nós a própria Tel Ilan, não como um turista ou viajante de passagem, mas como um deles, pois Amos Oz leva-nos ao interior das casas, das suas vidas. E o que conhecemos são pessoais normais, condicionadas pelo ambiente que as rodeia, mas isso é, no fundo o que se passa com todos nós, seja esse ambiente uma guerra, uma ilha, um bairro isolado e marginalizado.
Cenas da Vida de Aldeia é portanto, como já deu para perceber, um livro sobre pessoas e a beleza dele reside no modo como Amos Oz leva a que nos envolvamos com elas, tomando-as como nossas. O nosso apetite aguça-se com uma boa dose de mistérios ocultos naquelas casas e ruas, assim como com histórias bizarras, amores perdidos, obsessões, melancolia e saudade, momentos macabros, e com um toque de imprevisibilidade bastas vezes incrementado por finais deixados em aberto, escancarando as janelas da imaginação do leitor para daí tirar as suas próprias conclusões.
Assim sendo, só me resta dizer: compre o seu bilhete até Tel Ilan, pois mesmo que não goste da aldeia em si quando lá chegar, vai por certo apreciar a viagem. É que Amos Oz escreve tão bem que só isso vale a viagem.

Sinopse: «Um turista de passagem pela pacata aldeia de Tel Ilan verá casas rústicas centenárias, altos ciprestes, colinas verdes e pomares. Uma Toscana no coração dos montes de Manassés. Mas sob a superfície pululam os segredos e os enigmas: escavam à noite nas fundações da casa de Pessach Kedem. Há um mistério escondido no quarto de dormir da família Levin. E porque ficou o agente imobiliário trancado na cave do falecido escritor? Todas as histórias deste livro, à exceção da última, têm lugar numa aldeia imaginária. Um lugar que vai sendo construído de conto para conto como uma Macondo israelita – uma superpersonagem concreta, vibrante e poderosa.
Mas Cenas da Vida de Aldeia é, acima de tudo, uma obra em que as personagens passam de uma história para outra, errando entre aquilo que perderam e o que irão perder.»

Autor: Amos Oz
Título original: Tmunot Mihayei Hakfar
Editora: Publicações Dom Quixote
Tradução: Lúcia Liba Mucznick
Ano de Edição: 2013
Páginas: 206

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