«Revolução Paraíso» é o romance de estreia de Paulo M. Morais

pe-paraisoRevolução Paraíso marca a estreia do jornalista Paulo M. Morais na ficção, que assim representa uma aposta da Porto Editora em revelar novos autores. Trata-se de uma obra sobre a liberdade e a revolta no pós-25 de abril, que será apresentada a 19 de abril, às 18h30, na FNAC Chiado.

Sinopse: «Enquanto nas ruas se decide o futuro de um país, na tipografia de Adamantino Teopisto vive-se um misto de enredo queirosiano, suspense de um policial e ternura de uma novela: com sabotagens, amores proibidos e cabeças a prémio; tudo num ambiente de revolução apaixonado. O rebuliço generalizado tem repercussões no alinhamento do jornal e no dia a dia das gentes de São Paulo e do Cais do Sodré. A revolução é o tópico das conversas nas tascas, nas ruas, no prédio da Gazela Atlântica, contribuindo para o exacerbar das tensões latentes entre o patrão Adamantino e os funcionários. A vivacidade de uma estagiária, as manigâncias de um ex-PIDE foragido, os comentários de um taberneiro e as intromissões de um proxeneta e de uma prostituta agravam ainda mais a desordem ameaçadora que paira no ar. Nada foi igual na vida dos portugueses após a Revolução dos Cravos. Nada foi igual na vida da “família” Gazela Atlântica após o 25 de Abril.»

Excerto: «Adamantino Teopisto e César Precatado adoravam-se e odiavam-se como só acontece nas amizades extraordinárias. Facilmente evoluíam do elogio à injúria, do gracejo ao amuo, do companheirismo ao distanciamento. Mas, no fim, havia sempre um retorno como se as suas almas e existências terrenas fossem inseparáveis. Vinha de Moçambique a instituição, fácil e veloz, daquela intimidade enlaçada por referências e citações retiradas das obras de Eça de Queiroz. A camaradagem entre os dois chegava a ofender quem ocupava o mesmo espaço; eles consideravam-se de uma dimensão superior, com direito de admissão reservado apenas aos detentores da senha. Mas se havia realmente senha, mais ninguém a conhecia. Frequentemente, as conversas entre Adamantino e César acabavam em brindes e exultações, assinaladas com gritos de “hurra!”, face à conivência de ideias e à partilha de crenças. Igualmente casmurros, também prodigalizavam em arrelias.
Ao encontrarem um assunto separatista, entrincheiravam-se em frentes de batalha opostas. A primeira fase da ofensiva costumava ser cavalheiresca, por apreciarem o confronto ideológico feito com as armas da argumentação. Porém, o debate honrado facilmente descambava numa guerra desenfreada, onde os excessos de linguagem eram arremessados como obuses. Adamantino, mais fervoroso, enfurecia-se com a aparente calma de César; o revisor raramente desatava a expressão estática do rosto. Mas qualquer um deles, ao seu estilo, era capaz de libertar uma saraivada de impropérios antiquados.»

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