Deleite-se com «As Mais Belas Fábulas Africanas» escolhidas por Mandela

As Mais Belas Fábulas Africanas é uma óptima surpresa que foi trazida até nós pela Alfaguara. Este é um daqueles livros em que se pode (e deve) deixar levar pela bela e calorosa capa. Ela reflecte na perfeição o conteúdo do livro: trata-se de uma obra que reúne as histórias infantis preferidas de Nelson Mandela, que é, aliás, o autor do prefácio.
«Na verdade, na verdade, nem tudo o que vão ouvir corresponde à realidade.» É assim, diz Mandela, que os contadores de histórias iniciam os seus relatos. Efectivamente, o que importa a realidade quando o objectivo é entreter e, muitas vezes, sub-repticiamente passar uma mensagem? O conceito de moral da história é aqui amplamente aplicado, pois o que não faltam são lições, na sua maioria dadas por protagonistas animais (afinal de contas são fábulas e estamos em África), desde leões à divertida lebre, passando por hienas e por toda a fauna possível e imaginária.
A «cor» das tradições africanas tem aqui um excelente retrato, com a particularidade de por vezes os temas serem em muito semelhantes aos tradicionais contos infantis mais conhecidos no Ocidente. É que, por exemplo, não falta aqui sequer uma fábula em tudo semelhante à de Cinderela.
É um excelente livro para ler em voz alta em grupo, junto à lareira (se a houver), e se não tiver crianças «à mão» deixe lá, há aqui histórias tão belas e divertidas que seria um desperdício serem um exclusivo dos mais pequenos.
Se as tiver, não deixe que elas se esquivem alegando que há poucas ilustrações no livro. Depois de começarem a ouvir/ler as histórias, o colorido próprio das fábulas rapidamente substituirá e fará esquecer qualquer ilustração.

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«As Aventuras de Blake e Mortimer – O Juramento dos Cinco Lords» – Yves Sente e André Juillard

Eu juro que tentei, mas não consegui. Habituado desde pequeno a ler (ou a ver, antes de saber ler) banda desenhada estilo franco-belga, ou seja, de linhas claras, mais tarde tentei «crescer» e dedicar-me a outros estilos, mais modernos. Mas, como já referi, não consegui. Continua a ser a franco-belga a minha BD de eleição e por isso sempre que sei de um novo lançamento de um dos meus heróis da velha guarda isso é motivo de grande satisfação.
Blake e Mortimer, cujas aventuras (criadas por Edgar P. Jacobs) são editadas em Portugal pela ASA, figuram entre os meus preferidos e estes sim podem representar um pouco a minha evolução na apreciação de BD. Na infância não eram dos meus preferidos, gostava muito mais dos «acessíveis» Tintin, Lucky Luke, Clifton, Cubitus, Astérix & Cia. É que isto de ler os longos diálogos dos amigos Blake e Mortimer às vezes tornava-se algo aborrecido. Mas com o tempo passaram a ocupar lugar de destaque nas minhas estantes e agora não perco nenhum dos seus álbuns. Este O Juramento dos Cinco Lords é o vigésimo primeiro da colecção e em meu entender respeita perfeitamente a herança de Edgar P. Jacobs.
Antes de mais refira-se que apresenta a novidade de dispensar o habitual vilão Olrik, o que é positivo pois permite refrescar um pouco o ambiente; já se tornava repetitivo ver os nossos heróis a defrontarem sempre o mesmo inimigo, um pouco à imagem do que acontece com Lefranc e Alex Borg. Outra nota de destaque para o facto de a aventura decorrer integralmente em Inglaterra, embora isso não implique que perca o habitual exotismo das histórias de Blake e Mortimer pois o enredo envolve o conhecido Lawrence da Arábia.
O estilo, como já referi, respeita a memória do seu criador e portanto aqui temos uma história na qual, como habitualmente, Blake e Mortimer se vêem envolvidos inadvertidamente, de início em caminhos separados mas depois juntando-se para desvendar um mistério bem urdido onde, como é clássico, todos são suspeitos. Espionagem, códigos de honra, investigação e os longos diálogos explicativos são as componentes obrigatórias aqui presentes e que tornaram esta série o caso de sucesso que é.
Factos reais bem misturados com a fantasia e entrelaçados na vida dos nossos heróis, neste caso com mais incidência em Sir Francis Blake, dão uma aura de credibilidade e realismo a esta obra que, assim, tem tudo para agradar aos indefectíveis da dupla e também para conquistar novos públicos.
Estando visto que o argumento de Yves Sente respeita o espírito de Jacobs, resta dizer que os desenhos de André Juillard (coloridos por Madelein Demille) seguem o mesmo caminho, pois embora não lhes faltando um natural cunho pessoal encaixam perfeitamente na imagem que temos de Blake e Mortimer. Um leve toque de modernismo sem desrespeitar a alma clássica desta série, que é sem dúvida um dos seus pontos fortes.

Sinopse: «Esta nova aventura, leva o professor Mortimer e o capitão Blake até Oxford, mais concretamente ao Museu Ashmolean. É aí que tem lugar uma série de roubos inexplicáveis, associados a várias mortes misteriosas. É neste ambiente de intriga e suspense que se desenrola mais uma emocionante aventura onde as inegáveis qualidades destes heróis são mais uma vez postas à prova.».»

Autores:
 Yves Sente (argumento), André Juillard (desenhos) e Madeleine Demille (cor)
Título original: Le Serment des Cinq Lords
Editora: Edições ASA
Tradução e adaptação: Maria José Magalhães Pereira e Paula Caetano
Ano de Edição: 2012
Páginas: 64

Quetzal edita «Dinheiro», de Martin Amis

A Quetzal lançou mais um romance do britânico Martin Amis, Dinheiro, que assim sucede a A Viúva Grávida, Os Papéis de Rachel, O Segundo Avião e A Informação.

Sobre o livro: «John Self é um realizador de filmes publicitários de estrondoso sucesso e que leva um estilo de vida hedonista e excessivo, totalmente desregrado: consome, com voracidade, pornografia, prostitutas, álcool e comida de plástico.
A ação de Dinheiro – que o Guardian considerou o grande romance inglês da década de 1980 – decorre entre Nova Iorque e Londres, nos tempos dos motins de Brixton e do casamento real. E conta a história de John Self – também seu narrador e protagonista –, um homem que personifica a ganância desses anos de ouro do capitalismo, em que o desprezo pelos valores sociais e humanos só conseguia ser suplantado pelo amor ao dinheiro – e a cegueira pelo dinheiro, por sua vez, pelo terror da falta dele.
Mas será John Self um homem completamente mau? Afinal, tem sentido de humor, traços de generosidade, e consegue que ora gostemos ora não gostemos dele.
Trinta anos volvidos, e desconstruídos os mitos financeiros e sociais que candidamente enformaram os anos 1980, esta comédia negra é, agora, mais atual do que nunca.»

Bertrand lançou «As Sete Maravilhas do Mundo», romance histórico de Steven Saylor

No romance histórico As Sete Maravilhas do Mundo, de Steve Saylor, recentemente editado pela Bertrand, o autor revela finalmente a história de Gordiano e de como este se tornou o homem que viria a ser conhecido como o Descobridor. Trata-se de um prequela à série Roma Sub Rosa.

Sinopse: «Corre o ano de 92 a.C. e Gordiano acabou de fazer 18 anos e está prestes a embarcar na aventura de uma vida: uma longa viagem para visitar as Sete Maravilhas do Mundo. Gordiano ainda não recebeu o nome de o Descobridor – mas, em cada uma das Sete Maravilhas, o jovem romano de olhos grandes encontra um mistério que desafia os seus poderes de dedução.
A acompanhar Gordiano nas suas viagens está o seu tutor, Antípatro de Sídon, o poeta mais celebrado do mundo. Contudo, o velho poeta, ao que tudo indica inofensivo, é mais do que parece à primeira vista. Antes de partirem, Antípatro finge a própria morte e viaja sob uma identidade falsa. Em segundo plano, surgem os primeiros indícios de uma sublevação política que agitará todo o mundo romano.
Professor e pupilo viajam pelas lendárias cidades da Grécia e da Ásia Menor, seguindo, depois, para a Babilónia e o Egito. Assistem aos Jogos Olímpicos, participam em festivais exóticos e maravilham-se com as mais espetaculares construções alguma vez concebidas pela humanidade. No caminho, deparam-se com assassínios, magia e assombramentos fantasmagóricos.»

Presença lançou «Cloud Atlas – Atlas das Nuvens», de David Mitchell

A Editorial Presença lançou o romance Cloud Atlas – Atlas das Nuvens, de David Mitchell, obra que inspirou o filme com o mesmo título, realizado pelos irmãos Wachowski, Andy e Lana (os criadores de Matrix), e Tom Tykwer, e com interpretações de Tom Hanks, Halle Berry e Hugh Grant. O filme estreia a 29 de Novembro e pode ver o trailer aqui.

Sinopse: «Seis vidas entrecruzadas – uma aventura extraordinária. Numa narrativa que dá a volta ao mundo e se estende desde o século XIX até a um futuro pós-apocalíptico, David Mitchell derruba as fronteiras do tempo, dos géneros literários e da linguagem para nos proporcionar uma visão arrebatadora da perigosa ânsia da humanidade pelo poder e até onde ela nos pode levar.»

Sextante lançou «Limonov», obra de Emmanuel Carrère que em 2011 venceu o Prémio Renaudot

A Sextante lançou o romance biográfico Limonov, do francês Emmanuel Carrère, obra sobre o mais fervoroso activista russo da actualidade e que venceu o Prémio Renaudot 2011.
Emmanuel Carrère ficou fascinado pela vida deste escritor marginal, nascido em 1943, que por uns é considerado um herói, e por outros um perigoso bandido. Segundo a nota de imprensa da Sextante, Eduard Limonov é o porta-voz do nacionalismo mais radical da Rússia e opositor de Vladimir Putin.

Sobre o livro: «Limonov não é uma personagem de ficção. Ele existe. Eu conheço-o. Foi um marginal na Ucrânia; ídolo do underground soviético na era Brejnev; sem-abrigo e depois criado de quarto de um milionário em Manhattan; escritor de vanguarda em Paris; soldado perdido na guerra dos Balcãs; e hoje, no imenso bordel do pós-comunismo na Rússia, velho chefe carismático de um partido de jovens em fúria. Vê-se a si próprio como um herói, mas podemos considerá-lo um estafermo: por mim, deixo o julgamento em suspenso. É uma vida perigosa, ambígua: um verdadeiro romance de aventuras. É também, creio, uma vida que conta qualquer coisa.
Não apenas sobre ele, Limonov, não apenas sobre a Rússia, mas sobre a história de todos nós depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
» Emmanuel Carrère.

«O Ritual da Sombra» – Eric Giacometti e Jacques Ravenne

O Ritual da Sombra, da dupla de autores franceses Eric Giacometti e Jacques Ravenne, é um daqueles livros (editado em Portugal pela Europa-América) que alia com harmonia uma boa história e informação histórica, pois ao contrário do que por vezes acontece neste tipo de obras a introdução de dados reais não é debitada só por que sim mas de forma lógica e articulada, sem prejudicar o desenvolvimento do enredo.
Sendo um livro francês, não tem o ritmo de um Dan Brown (a quem é muitas vezes comparado), claro, mas isto é literatura francesa e cada «um» tem o seu ADN, ganhando este em termos de qualidade de escrita. O ritmo não é igualmente tão avassalador, mas a leitura mais pausada que requer proporciona outro tipo de prazer e dá mais tempo para absorver o desenrolar das «cenas» e a descrição das características das entidades envolvidas, todas plenas de mistérios e segredos. É que na base desta história está uma luta ancestral entre a maçonaria e uma irmandade nazi, a Sociedade Thule, que procura os arquivos franco-mações roubados no tempo do III Reich e que se perderam no decurso da Segunda Guerra Mundial – este episódio é descrito logo na abertura do livro. O objectivo, como não poderia deixar de ser, é alcançar um poder de tal forma grandioso que subjugue todos os adversários em mais uma tentativa de dominar o mundo, por parte daqueles que se acham «a» raça superior.
Após uma série de mortes estranhas, na actualidade, uma dupla improvável (mas que resulta muito bem no papel) une esforços para investigar os bizarros acontecimentos, pois os assassínios deram-se cumprindo um ritual que evoca a morte de Hiram, o fundador da maçonaria. Ora os dois «investigadores» são um comissário francês, Antoine Marcas, que é mestre mação, e Jade Zewinski, responsável pela segurança numa embaixada onde se dá um dos crimes.
Respeitando as regras de um bom thriller, os dados que permitirão desvendar os mistérios que movem o enredo são desvendados parcimoniosamente, envolvendo o leitor aos poucos numa trama complexa mas suficientemente explicada pela dupla de autores.
Ao longo do romance há uma série de descrições de rituais maçónicos que, pelo menos a um leigo, parecem bastante credíveis, o que não é de estranhar se se tiver em conta que Jacques Ravenne, um dos autores, é mação, enquanto Eric Giacometti, o outro, é um jornalista especializado no tema.
Para ajudar, em anexo, surge no final do livro um glossário que permite ao leitor digerir uma série de termos que lhe podem ser desconhecidos, possibilitando assim uma leitura mais completa e compreensiva.
Maçonaria, nazis, secretismo e ocultismo, dados históricos, acção, mortes, mistério e personagens cativantes, estão reunidos em O Ritual da Sombra os condimentos para quem gosta de um bom thriller. Assim sendo, bom proveito!

Sinopse: «Roma. Um arquivista do Grande Oriente é assassinado na altura de uma festa na embaixada francesa, cumprindo um ritual que evoca a morte de Hiram, o lendário fundador da Maçonaria.
Em Jerusalém, um arqueólogo que tem na sua posse uma enigmática pedra gravada tem uma morte semelhante.
O comissário Antoine Marcas, mestre mação, e a sua parceira, Jade Zewinski, são confrontados com assassinos de uma irmandade nazi, a Sociedade Thule, oponente ancestral da Maçonaria.
Sessenta anos após a queda do Terceiro Reich, os arquivos dos mações, que haviam sido roubados pelos alemães em 1940, continuam a fazer o sangue correr…
Mas que segredo intemporal estará escondido entre aquelas folhas amarelecidas?.»

Autores: Eric Giacometti e Jacques Ravenne
Título original: Le Rituel de L’Ombre
Editora: Publicações Europa-América
Tradução: Paula Antunes
Ano de Edição: 2012
Páginas: 384