«Branca de Neve» – Stella Gurnay (adaptação) e Zdenko Bašić e Manuel Sumberac (ilustrações)

A adaptação de Branca de Neve assinada por Stella Gurney e que foi recentemente editada entre nós pela Arteplural é um excelente livro para aqueles pais que não têm lá muita paciência para ler histórias infantis aos filhos. Antes de mais, a história não é tão rosa quanto a que nos habituamos a conceber no nosso imaginário graças à popular adaptação da Disney em desenhos animados, depois vem ilustrada pelo já nosso conhecido (graças à Arteplural, precisamente) Zdenko Bašić, aqui com a colaboração de Manuel Sumberac. Assim, enquanto a criança se entretém a abrir as janelinhas que ocultam surpresas a cada página, aproveite para apreciar a beleza das ilustrações, perfeitamente adaptada à essência da narrativa.
A harmonia entre a história e as ilustrações é, precisamente, um dos pontos fortes desta versão da Branca de Neve que respeita o essencial do clássico conto infantil, que recupera assim o seu estatuto, curiosamente, a nível gráfico, mais semelhante, se se fizer uma comparação ao cinema, com A Branca de Neve e o Caçador, de Rupert Sanders, do que com a versão Disney.
Trata se de um livro muito bem trabalhado ao nível de texto, desenhos e interactividade, sendo assim mais uma bela edição da Arteplural, ao nível das anteriores Alice no País das Maravilhas e Pinóquio. É, portanto, um presente a ter desde já em conta para o próximo Natal.

«Cães de Tessalónica», de Kjell Askildsen, e «Postais de Onverno», de Ann Beattie, nas novidades Aha

Os Cães de Tessalónica, do norueguês Kjell Askildsen, e Postais de Inverno, da norte-americana Ann Beattie, são os dois mais recentes lançamentos da editora Ahab. O primeiro já vira editado em Portugal pela Ahab Um Repentino Pensamento Libertador.

Os Cães de Tessalónica – Kjell Askildsen
«Relações familiares ásperas, por vezes cruéis. Maridos e mulheres que não têm nada para dizer uns aos outros, sofrendo juntos todos os domingos. Fiordes, cenários bucólicos. Álcool, cigarros e fantasmas interiores. Estes são os elementos das histórias de Askildsen, impregnadas de silêncios, desassossegos, mentiras, frustrações.
Uma atmosfera de melancolia percorre as narrativas de Os Cães de Tessalónica, e de certa maneira reconhecemos nos pequenos dramas íntimos das personagens os dramas da nossa própria condição. Lúcido e implacável, poucos escritores como Askildsen conseguem em tão poucas palavras penetrar nas profundidades do abismo humano.»

Postais de Inverno
– Ann Beattie
«Postais de Inverno, primeiro e mítico romance de Ann Beattie, é um retrato cheio de ironia do desencanto que invadiu a sociedade norte-americana depois da ressaca hippie. A história gravita em torno de Charles, um jovem perdido de amores por Laura, uma mulher casada; do seu melhor amigo Sam, um desempregado crónico; de Pamela, a sua ex-namorada lésbica; de Clara, a sua mãe psicótica que passa a vida deprimida na banheira; de Pete, o seu padrasto, um homem bem-intencionado e inseguro; e de Susan, a sua irmã mais nova, uma estudante universitária.
Com as vidas destas personagens em primeiro plano e uma notabilíssima banda sonora – Stones, Dylan, Janis Joplin – a acompanhar a narrativa, Beattie metaforiza o desalento de toda uma geração e reflete sobre temas tão universais como os dilemas amorosos, a insatisfação laboral ou as relações familiares.»

«No Jardim dos Monstros», de Erik Larson, já à venda

A Bertrand lançou recentemente o romance No Jardim dos Monstros, do norte-americano Erik Larson, que, indica a editora, aborda o «amor, o horror e a história de uma família americana na emergência do regime nazi na Berlim do tempo de Hitler». Em 2014 deverá estrear a versão cinematográfica desta obra, protagonizada por Tom Hanks.

Sinopse: «A saga de um pai e filha americanos que, de repente, em julho de 1933, se viram transportados com a família para o coração da Berlim de Hitler. O pai era William E. Dodd, um professor de História de Chicago que, para sua surpresa e de todos os outros, foi escolhido por Roosevelt para ser o primeiro embaixador dos Estados Unidos na Alemanha nazi; a filha de Dodd, Martha, tinha 24 anos e veio em busca da aventura e para escapar a um casamento falhado. No início, este novo mundo parecia cheio de energia e otimismo, nada semelhante ao que os jornais retratavam. Mas lentamente uma nuvem de intriga e terror caiu sobre a família – até ao trágico fim de semana que mudou as suas vidas para sempre.»

Bertrand lança «Sua Santidade», livro que revela as cartas secretas de Bento XVI

A Bertrand lança a 2 de Novembro Sua Santidade – As Cartas Secretas de Bento XVI – Como o Vaticano Vendeu a Alma, de Gianluigi Nuzzi, jornalista italiano que revela mais de uma centena de missivas e documentos confidenciais enviados ao Papa. Trata-se, explica a editora, de um livro que levou o mordomo de Bento XVI, Paolo Gabriele, a tribunal, onde foi condenado a 18 meses de prisão.

Sinopse: «Isto nunca tinha acontecido, ninguém fora capaz, até agora, de entrar no escritório do Papa e ler os seus documentos privados, que revelam as fragilidades da Igreja católica enquanto instituição, entre conspirações e negócios obscuros.
Graças a dados fornecidos por uma fonte secreta, as histórias, as personagens e os problemas que dividem a Igreja de hoje, envolvendo Itália e sua política, são expostos.
Doações privadas (incluindo as de Bruno Vespa), recomendações para Gianni Letta, o caso Ruby e Berlusconi, a verdade sobre os Legionários de Cristo, pedofilia, os excessos de muitos bispos de todo o mundo. Nuzzi une os fios dos casos que se leem como capítulos de um thriller. A exposição destes casos é, acima de tudo, para dar fôlego e coragem a todos aqueles que, dentro da Igreja, não reconhecem uma instituição que seja o rosto procurado por fiéis de todo o mundo.»

Livros Horizonte lança «A Princesa do Dia e o Príncipe da Noite (ou “Como Nascem as Histórias”)»

A Princesa do Dia e o Príncipe da Noite (ou “Como Nascem as Histórias”), da autora francesa Adeline Yzac com ilustrações da belga Lisbeth Renardy, é um novo álbum infantil lançado recentemente pela Livros Horizonte.

Sobre o livro: «Era uma vez o reino do Dia, onde o Sol nunca se punha, e o reino da Noite, onde o Sol não nascia nunca. O amor, porém, ultrapassa todas as barreiras temporais e espaciais, e eis que a Princesa do Dia e o Príncipe da Noite se apaixonam um pelo outro. Para poderem viver felizes para sempre, como nas histórias, é preciso encontrar uma solução… da noite para o dia.
As maravilhosas ilustrações de Lisbeth Renardy acompanham esta bonita história de Adeline Yzac, que, com ritmo e magia, nos fala de amor, dicotomias, ciclos, solidão e imaginação… e de como as histórias trazem alegria ao mundo.»

«Os Que Vieram de África», de Rita Garcia, editado pela Oficina do Livro

Os Que Vieram de África, da jornalista Rita Garcia, é um livro da Oficina do Livro que chega esta semana às livrarias e que reconstitui o regresso, nos anos 70, de meio milhão de portugueses das ex-colónias. Rita Garcia é a autora de S.O.S. Angola – Os Dias da Ponte Aérea, publicado o ano passado.

Sobre o livro: «Cerca de quinhentas mil pessoas chegaram a Portugal com a independência das colónias africanas. Para elas, acabava dessa forma abrupta uma vida próspera construída no ultramar e começava um futuro incerto numa sociedade que desconheciam e que chegava a revelar-se hostil à sua presença. Se os que vinham de África preferiam lá ter ficado, os que cá estavam receberam-nos com desconfiança. Nos primeiros tempos os colonos passaram fome e frio, enfrentaram o desemprego e viveram amontoados em quartos ou casas degradadas. Alguns preferiram emigrar a sujeitar-se à discriminação e à falta de perspectivas; outros encontraram no suicídio a única saída. Os Que Vieram de África é um livro de investigação empolgante e minucioso, que reconstitui tempos conturbados do nosso passado recente. Traçando o retrato de um pequeno país a braços com uma tarefa colossal, revela histórias comoventes de sobrevivência protagonizadas por homens e mulheres atirados para um lugar distante chamado Portugal – um lugar radicalmente diferente da terra que amavam e que o curso dos acontecimentos lhes retirou.»

«O Barulho das Coisas ao Cair» – Juan Gabriel Vásquez

O Barulho das Coisas ao Cair, do colombiano Juan Gabriel Vásquez, faz-nos regressar a um passado mais ou menos recente em que Medellín era uma terra que figurava frequentemente nos jornais e noticiários.
O livro, editado entre nós pela Alfaguara (chancela da Objectiva) e galardoado com o Prémio Alfaguara 2011, é, como deu para perceber, uma viagem pelo mundo do narcotráfico e à influência deste na sociedade colombiana, recuperando, através das memórias dos protagonistas, esse vulto tão conhecido que é Pablo Escobar.
Apesar do ambiente de terror vivido na Colômbia, essencialmente na década de 1980, no augo do domínio de Escobar, a verdade é que muitos se aproveitaram do narcotráfico e subiram na vida à custa de actividades menos lícitas, seguindo na onda de homens como Escobar. Além disso, apesar de toda agente saber o criminoso que era, nem por isso deixavam de aproveitar as benesses por ele distribuídas. Entre estas estava o jardim zoológico particular da sua fazenda, aberto a visitas e muito concorrido. A evocação deste zoo funciona precisamente como ponto de partida de O Barulho das Coisas ao Cair, pois a acção arranca impulsionada pela notícia, na actualidade, do abate de um hipopótamo transviado do entretanto abandonado zoológico.
Um dos protagonistas desta história, o professor Antonio Yammara, lê essa notícia e recorda uma fase conturbada da sua vida, em 1996, em que conheceu um homem singular, Ricardo Laverde, acabado de sair da prisão (Antonio não sabe por que razão cumpriu pena). Laverde acabou por ser abatido a tiro numa rua em Bogotá e Yammara, que nesse momento estava ao seu lado, foi gravemente ferido. Mas os danos acabam por revelar-se mais intensos na alma do que no corpo e a partir daí Yammara entrou numa espiral de desnorteio cujo único norte era desvendar o passado de Laverde, pondo assim em causa a sua própria estrutura familiar (mulher e filha).
Através da obsessão de Yammara, Vásquez vai doseando ao leitor a conturbada história de vida de Valverde, curiosamente desde pequeno marcada pelos aviões e, principalmente, pelos desastres destes. Aliás, a aviação, a sua grande paixão, viria a revelar-se em mais do que uma ocasião a perdição de Valverde, não só por causa de quedas trágicas de aeronaves como por ter sido apanhado a traficar droga no seu próprio avião.
Vásquez relata-nos assim, numa mescla bem conseguida, e através de diversos saltos no tempo (temos a actualidade, 1996, os tempos de Escobar e a infância de Valverde), a história de um país (uma fase particularmente conturbada) e a de um homem de paixões. Conforme vai sabendo mais de Valverde, mais Yammara se afunda, perdendo o controlo da sua vida, receoso de tudo o que o rodeia, desde a possibilidade um novo atentado ao facto de ter de assumir a responsabilidade uma família, à qual foge refugiando-se na do seu estranho amigo falecido.
Através de tudo isto é traçado um retrato de uma sociedade comodamente acomodada, que aprende (ou resignou-se) a conviver no caos gerado pelo narcotráfico e de certa forma respeitando (ou tolerando) homens como Pablo Escobar, retirando quando possível o seu benefício da situação. Valverde é um pouco o exemplo desse oportunismo, e um homem talhado para herói afinal acabou por traçar um outro destino para a sua vida, ao optar pelo caminho do facilitismo.
É portanto essa a «denúncia» de Juan Gabriel Vásquez neste romance, uma obra bem escrita e cativante, que serve para não deixar apagar da memória os anos terríveis da Colômbia. Além disso, é uma bela e emocionante aventura, como entusiásticas histórias de amor e actos heróicos e temerosos, e até certo ponto com heróis à moda antiga.

Autor: Juan Gabriel Vásquez
Título original: El ruido de las cosas al caer
Editora: Objectiva/Alfagura
Tradução: Vasco Gato
Ano de Edição: 2012
Páginas: 300

Cesário Borga estreia-se no romance com «O Agente da Catalunha»

O jornalista Cesário Borga acaba de lançar o seu primeiro romance, intitulado O Agente da Catalunha, obra editada pela Planeta.

Sobre o livro: «Numa Lisboa onde política, guerrilha e espionagem traçam os rumos da Europa, Cesário Borga coloca o seu conhecimento da história portuguesa e espanhola do século XX ao serviço de um talento literário surpreendente, que envolve o leitor numa história trepidante e inesquecível, onde a liberdade é uma força romântica capaz de abrir todas as prisões.
Um romance que nos descobre cenários, factos e personagens que fazem parte da nossa história, vistos por um ângulo muito original – um português que se junta às forças republicanas da Catalunha e regressa a Lisboa como guerrilheiro para planear o histórico atentado a Salazar.
Quando a Europa é surpreendida pelo começo da guerra civil de Espanha e, inconsciente, prefere manter-se à distância, não percebendo que faiscava ali o negrume nazi, a Catalunha vive momentos de entusiasmo e é apontada como um farol de esperança ao derrotar as tropas franquistas.
Jorge, o português, torna-se Jordi, o miliciano, e encontra nas barricadas, mais do que uma razão de viver, uma razão de amar a liberdade na figura de Alba – a bela e indomável guerrilheira catalã, mulher livre como o vento e que nenhum homem ou lei parecem poder alguma vez vergar.
Enviado de novo à sua Lisboa natal numa missão de destruição do fascismo e da aliança política entre Franco e Salazar, Jordi volta a ser Jorge e, entre explosivos, flores e um plano de atentado ao ditador português, descobre-se prisioneiro de Isaura, cuja aparente doçura mal esconde uma obstinação e uma vontade férrea em desbravar os horizontes que lhe foram vedados.»

Nataša Dragnić apresenta em Portugal o seu romance «Cada dia, cada hora»

A Porto Editora lança a 25 de Outubro o romance de estreia da croata Nataša Dragnić, escritora que virá a Portugal apresentar o seu livro. Nataša Dragnić, que vive na Alemanha, estará a 6 de Novembro em Lisboa, no Goethe-Institut, às 19h00, e no Porto, a 8 de Novembro, às 22h00, no bar Labirintho.

Sinopse: «Como nos versos de Pablo Neruda, Dora e Luka sentem, “cada dia, cada hora”, estar destinados um ao outro. Em crianças eram inseparáveis, até ao momento em que a família de Dora parte da pequena cidade croata onde viviam. Dezasseis anos mais tarde, o destino volta a uni-los, desta vez em Paris. É evidente que foram feitos um para o outro, mas a vida encarrega-se de separar os seus caminhos. Cada dia, cada hora é a história de um amor atemporal e único, tão poético e comovente como a voz em que é narrado. Desde a costa do Adriático até aos teatros de Paris, o romance de Dora e Luka faz-nos sonhar com os amores perdidos ao longo da vida e devolve-nos a esperança num final feliz.»

Gradiva reedita «Contacto», de Carl Sagan

A Gradiva reeditou o romance de ficção científica Contacto, de Carl Sagan, obra que foi adaptada ao cinema em 1997 por Robert Zemeckis, com Jodie Foster como protagonista.

Sinopse: «Pleno de suspense, veiculando inúmeros conhecimentos, rico de drama humano e surpresa, escrito com a mistura de paixão científica, sólida inteligência e grande beleza literária que distingue Carl Sagan, Contacto ultrapassa os limites convencionais da ficção científica.
É um romance autêntico, impressionante, uma grande obra literária de ficção, simultaneamente profunda e absorvente, que transporta o leitor, como os seus protagonistas, às estrelas, sem os fazer duvidar de que poderá vir a ser assim mesmo.
Em Cosmos, Carl Sagan explicou o universo; em Contacto prediz o seu futuro… e o  nosso.»