«Caçadores de Cabeças» – Jo Nesbø

Ao começar a ler Caçadores de Cabeças, do norueguês Jo Nesbø, fiquei algo desiludido. Parecia-me então, de entrada, uma história algo «fútil», muito alta sociedade, com alguns pormenores interessantes mas sem me convencer, pois achei que não me iria levar a lado nenhum de especial. Era tudo muito linear e limpo.
Não seria motivo para largar o livro, mas confesso que estava à espera de algo mais forte, mais pesado, mais denso. Mas eis que de repente… dá-se uma grande reviravolta, não propriamente no enredo do livro, mas no ritmo vertiginoso, às vezes até alucinado, do romance, aí sim já um genuíno thriller.
Jo Nesbø quiçá quis «brincar» com os leitores e depois de uma entrada light não dá mais sossego a quem se dedicou à leitura de Caçadores de Cabeças.
A história gira em torno da alta finança e do mundo das artes, tendo como ponto central Roger Brown, um reputado caçador de cabeças (não, não se trata de nada criminoso, a função dele é encontrar os executivos ideais para cargos de chefia das grandes empresas). Mas Roger Brown, para apaparicar a mulher Diana (que considera boa de mais para si), vive bem acima das suas possibilidades e, aproveitando-se dos conhecimentos dela, urde um golpe ambicioso para roubar uma valiosa obra de arte. A vítima é um holandês, Clas Greve, que não só é a pessoa ideal para um cargo que Roger está incumbido de preencher, como é proprietário de um quadro de Rubens que desperta a cobiça do caçador de cabeças.
Só que em jogo está bem mais do que um «simples» quadro, e Brown depara-se com um adversário de respeito, de uma inteligência e astúcia tais que lhe estraga por completo os planos e lhe exige uma (contra)-resposta à altura, para tentar safar-se então da enorme alhada em que se vê envolvido.
Jo Nesbø, com uma série de artimanhas, controla e domina por completo o leitor, que se vê enredado de tal forma na história que sente dificuldade em pousar o livro. Imaginativo sem se tornar absurdo, e com uma ironia refinada e muito, muito negra, depois do tal arranque pausado entra numa espiral de «loucura» que, por muito que às vezes nos pareça surreal, acaba por fazer sentido, pois tudo encaixa na perfeição, o que revela a imaginação fértil, ordenada e controlada do escritor.
Só para que se entenda o que está em jogo quando se lê um livro de Nesbø, convém referir que o autor norueguês já foi comparado a Stieg Larsson, Henning Mankell ou, por exemplo, a uma mistura de Tarantino com irmãos Coen. É ou não uma mistura explosiva e prometedora?

Autor: Jo Nesbø
Título original: Hodejegerne
Editora: Dom Quixote
Tradutora (do inglês): Maria Georgina Segurado
Ano de Edição: 2012
Páginas: 280
Sinopse: «Roger Brown é um vilão sedutor, um homem que parece ter tudo: é o caçador de cabeças mais bem-sucedido da Noruega – procura e seleciona altos quadros para as maiores empresas –, casado com uma elegante galerista e proprietário de uma casa luxuosa. Mas, por detrás desta fachada de sucesso, Roger Brown gasta mais do que pode e dedica-se ao perigoso jogo do roubo de obras de arte.
Em Caçadores de Cabeças, Jo Nesbø envolve-nos numa conspiração explosiva nos meandros da elite industrial e financeira, que culmina no submundo de assassinos contratados e vigaristas.»

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3 responses to “«Caçadores de Cabeças» – Jo Nesbø

  1. Ontem mesmo, “aconchegando” a prateleira do romance policial negro na Fnac – Norteshopping – passeei os olhos pelas primeiras páginas desta narrativa de Jo Nesbo.
    Engraçado!… lidas algumas passagens, “tombei”, de novo, o livro na prateleira com a sensação… pelos vistos distorcida… de que a acção era pouco dinâmica, não comportando a força que eu esperava.
    Pelos vistos… vale a pena continuar… ainda bem…
    Vou olhá-lo de novo… agora com mais certeza de que o autor me vai arrebatar, como acontece sempre que leio um bom policial negro (lembro Ruben da Fonseca… “O Seminarista”.. entre outros)

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