«Os Filhos de Krondor – O Príncipe Herdeiro» – Raymond E. Feist

A Saída de Emergência lançou no início de Junho O Príncipe Herdeiro, primeiro dos dois livros que compõem Os Filhos de Krondor, do norte-americano Raymond E. Feist, e que se seguem, cronologicamente, aos eventos da saga O Mago. Contudo, apesar de haver personagens comuns, são obras que podem ser lidas em separado.
Este foi o segundo livro que traduzi de Feist, com José Remelhe, e depois de ter ficado positivamente surpreendido com o primeiro (As Trevas de Sethanon), o presente serviu para cimentar o meu gosto por um género que não estava, como já confessei, entre os meus de eleição.
Assim, vinte anos após a Guerra da Brecha dirigi-me ao Império do Grande Kesh, onde me cruzei de novo com Arutha, Pug e Jimmy, embora desta vez o protagonismo seja dado aos gémeos Borric e Erland, que se preparam para suceder ao Príncipe Arutha no Reino das Ilhas.
Ambos levam uma vida despreocupada e até irresponsável, mas o pai pretende que cresçam e se tornem mais responsáveis, pelo que os incumbe de uma missão. Assim, são enviados como embaixadores ao reino de Kesh, para participarem como seus representantes nas cerimónias do jubileu da Imperatriz. Começa assim uma tremenda aventura que, a dada altura, leva a que os irmãos se separem e sigam caminhos independentes. Borric é alvo de uma tentativa de assassínio e Erland não sabe que o irmão sobrevive. Erland, agora o futuro rei, tem de cumprir a sua missão e segue para Kesh, enquanto Borric avança às escondidas, pois não sabe quem o tentou matar. Pelo caminho, ansiando pelo reencontro, ambos se envolvem em grandes e emocionantes eventos, com Feist a dosear na perfeição os ingredientes que fazem deste um grande livro de aventuras onde o elemento fantástico tem menos preponderância do que na saga O Mago. Há também magia, mas em doses mais reduzidas, e nada de dragões e afins. Para contrabalançar, há viagens e perseguições marítimas, muitas lutas de espadas, uma grande conspiração palaciana (bem urdida pelo autor, pois, apesar de complexa, não é incompreensível – é só preciso estar atento aos nomes, pois há imensas personagens.)
As personagens são outro dos pontos fortes desta obra, dado que, além das já citadas, há uma série de outras, nomeadamente no Reino de Kesh, que evoluem de forma curiosa e acompanhando bem o desenrolar do enredo.
Raymond E. Feist é um adepto do pormenor e um mestre na criação de «cenários». O faustoso Reino de Kesh é, convém dizer, uma criação notável, mais parecendo a descrição de um mundo já existente e estudado e não fruto da imaginação de uma mente. E refiro-me tanto às descrições paisagísticas como aos seus habitantes, nomeadamente os seus governantes e os detentores de altos cargos, aqueles com quem lidamos. Kesh surge muito bem estruturado neste livro, tanto a nível físico/geográfico como a nível político e é, como vão perceber (e por vários motivos), uma terra fascinante e extremamente sedutora.
Duelos, intrigas, reinos fascinantes, mortes (algumas surpreendentes), personagens fortes, perseguições (a cavalo, a pé, de barco), reviravoltas, etc, etc. Excelentes ingredientes de um grande livro de aventuras, que pode ser lido independentemente de todos os outros, anteriores e posteriores, de Raymond E. Feist.

Autor: Raymond E. Feist
Título original: Prince of the Blood
Editora: Saída de Emergência
Tradutor: José Remelhe e Rui Azeredo
Ano de Edição: 2012
Páginas: 365
Sinopse: «Os gémeos Borric e Erland são os homens mais despreocupados do Reino das Ilhas. Mas a bem-aventurada juventude deles termina quando se preparam para suceder ao trono do seu pai, o Príncipe Arutha. Como primeira tarefa, o Príncipe envia-os no papel de embaixadores ao reino de Kesh, a mais poderosa das nações. Mas, mesmo antes de partirem, uma tentativa de assassínio a Borric é, o mais velho dos irmãos, é evitada no último momento. Trata-se somente do início de uma jornada traiçoeira que levará os irmãos por caminhos separados e mortíferos – um, enquanto fugitivo, o outro, enquanto futuro rei. Agora, cada um deles deve traçar o seu próprio caminho rumo à maturidade, honra e paz, enquanto os que anseiam pela guerra se tornam cada vez mais audaciosos.»

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