«007 – Carta Branca» – Jeffery Deaver

Jeffery Deaver, escritor norte-americano conhecido pelos seus thrillers, nomeadamente O Coleccionador de Ossos, é o novo «criador» de James Bond, pois a Ian Fleming Publications deu-lhe «carta branca» para escrever a nova aventura do mais famoso agente secreto do mundo. E tratou-se, pude comprová-lo, de uma boa escolha, pois o autor criou uma verdadeira historia à 007, onde conjuga bem os traços tradicionais do herói com algumas inovações bem inseridas que não o desviam dos seus «habituais padrões de qualidade».
Uma particularidade curiosa deste thriller é que, apesar de ser um verdadeiro 007, poderia ser também «apenas» um bom e trepidante romance de espionagem, com um protagonista «qualquer». Ou seja, trata-se de uma boa história que não necessitaria da «muleta» James Bond para resultar. E, mais ainda, é uma história «terra a terra». Ou seja, desta vez (e ainda bem, porque às vezes o contrário já cansa um pouco) não é o destino da Terra que está em causa nem se perspectiva um conflito à escala mundial. O enredo consegue ser complexo (e não confuso) e bem estruturado, mas assente num grupo de vilões que, com as suas peculiaridades, têm objectivos bem mundanos e muito pessoais que não passam pelo domínio do planeta.
O enredo de Carta Branca, sendo um bom thriller, tem uma boa dose de reviravoltas, das inteligentes, não das disparatadas, que tiram credibilidade à trama. E tudo decorre, como seria expectável, e exigível, a um ritmo trepidante, capaz de prender o leitor.
A acção decorre na actualidade, mas note-se que este James Bond é bastante jovem. É um cavalheiro que sabe estar, como teria de ser qualquer Bond, mas mais novo do que aquele(s) que estamos habituados a «ver/ler». Ou seja, mantém os traços característicos de James Bond de Fleming, mas adaptou-se à actualidade. Daí termos por protagonista um trintão veterano da Guerra do Afeganistão. Mas, não se preocupem os indefectíveis de Bond, continua a haver gadgets, como o inovador e iQphone, Bond girls e paragens exóticas, como o Dubai e a África do Sul, ou até a Sérvia. Ou seja, inova, renova-se, mas sem perder a alma. Portanto, os serviços secretos detectam uma ameaça, há divergências dentro da própria estrutura sobre a melhor forma de actuar, James Bond segue as suas firmas convicções e dá a volta ao «sistema» para levar a sua avante.
O essencial de 007 continua lá, e isso é fundamental. Carta Branca tem tudo para agradar a fãs do agente secreto e também a fãs, somente, deste género literário, sem concessões que o façam perder a face. Muito pelo contrário.

Autor: Jeffery Deaver
Título original: Carte Blanche
Editora: Porto Editora
Tradutor: Mário Dias Correia
Ano de Edição: 2012
Sinopse: «Com pouco mais de trinta anos, James Bond está agora ao serviço de uma nova organização – criada após os trágicos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 – que opera à margem do MI5, do MI6 e até do Ministério da Defesa, que aliás alega desconhecer a sua existência. O seu objetivo: proteger o Reino de Sua Majestade sem olhar a meios.
Quando está a jantar com uma belíssima mulher, James Bond é surpreendido com uma mensagem do quartel-general, que foi alertado para um terrível ataque a ter lugar dentro de dias no Afeganistão: Previsão de milhares de baixas, interesses britânicos seriamente comprometidos.
Bond recebe carta branca para fazer tudo o que for necessário para executar com  sucesso a sua nova missão.»

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2 responses to “«007 – Carta Branca» – Jeffery Deaver

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