«Dancem» com Jorge Salavisa

Dançar a Vida, o livro de memórias de Jorge Salavisa, escritas pelo próprio, acaba de chegar às livrarias, numa edição Dom Quixote. Tive o privilégio imenso de acompanhar a elaboração deste livro desde praticamente a sua génese e de assim conhecer pessoalmente este «senhor» (como se diz aqui no Porto), e foi um enorme prazer ser por ele levado ao mundo da dança internacional, mas também a épocas mágicas do século XX, a palcos de todo o mundo, a sociedades e meios que me pareciam tão distantes. É um relato franco e aberto, sem coscuvilhices, um retrato social de Portugal e de um português que venceu «lá fora», para onde partiu quase de mãos vazias e onde passou por muito, sempre com o fito de vencer numa actividade onde foi um verdadeiro pioneiro e um nome grande, tantas vezes esquecido.
A alma com que Salavisa nos transmite as suas experiências e vivências põe-nos literalmente a viver a sua vida, o que é uma experiência fantástica. Assim, não percam esta oportunidade de viver a vida de Salavisa, fantástica e tremendamente preenchida, note-se, e contada/escrita com emoção e firmeza.
A entrada é, avise-se desde já, um verdadeiro soco no estômago, pois Salavisa abre o jogo por completo e relata uma recente tentativa de suicídio (a segunda) falhada, felizmente, que é um momento marcante da sua vida. Daí em diante, após uma entrada que nos deixa perceber que nada ficará por contar nas páginas seguintes, acompanhamos Salavisa de volta à sua infância, de onde segue para uma aventura de vida que o levou, enquanto bailarino, com base em Paris e depois em Londres (onde fez a sua carreira), aos quatro cantos do mundo, com episódios mirabolantes, exóticos, intensos, tristes, alegres, bizarros, emocionantes, etc.
Finda a carreira de bailarino, segue-se uma outra mais, digamos… «burocrática», como director de companhias e teatros,  aí já de novo em Portugal. Gulbenkian, Companhia Nacional de Bailado, São Luiz  foram os seus pousos e esta parte do seu relato pessoal, sem ser indiscreto, revela-nos como funcionam nos bastidores as instituições portuguesas, demasiado dependentes dos poderes políticos e de outros interesses, muitas vezes pessoais.
Mas, na minha opinião, o melhor está na primeira metade do livro, onde Salavisa nos transporta até à «sua» África, e aos bastidores do mundo internacional do bailado, apresentando-nos, além da sua família, personagens como Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev, e outras menos mediáticas mas simplesmente fabulosas e quantas vezes extravagantes. Abre-nos o pano a um mundo maravilhoso e colorido que estamos habituados a ver apenas em filmes.
Tive a felicidade de aceder a este mundo contado antes de qualquer comum dos mortais, pois ajudei a passar para o papel (ou melhor dizendo, para o word) o manuscrito de Jorge Salavisa, que me foi ditando as suas memórias nuns intensos dias de trabalho onde ouvi avidamente histórias sobre histórias que me enriqueceram cultural e pessoalmente. Agora, não percam a oportunidade de através da leitura desfrutarem dessa experiência maravilhosa que é dançar com Jorge Salavisa.
Já agora, fica a informação, Dançar a Vida é lançado a 7 de Maio, às 18h30, no Teatro Nacional de São Luiz, em Lisboa, com apresentação de Ana Bola e Miguel Honrado.

Mary Higgins Clark de regresso com «Eu Sei Que Voltarás»

A Bertrand publicou há dias Eu Sei Que Voltarás, o mais recente romance daquela que considera a actual «rainha do suspense», Mary Higgins Clark.

Sinopse: «Dois anos depois de o seu filho Matthew ter desaparecido no Central Park, Zan continua dividida entre a esperança e o desespero. Sem qualquer pista em relação ao sucedido, nunca deixou de acreditar que o filho continua vivo. Mas agora, que Matthew teria cinco anos, começam a surgir fotografias que parecem mostrar ter sido a própria Zan a raptar o menino. Muitas outras coisas estranhas começam a acontecer: dinheiro que desaparece a Zan, o seu nome usado em situações que lhe são alheias. Perseguida pela imprensa, atacada pelo ex-marido e desacreditada por todos, começa a duvidar da sua própria inocência. Poderá ter sido ela a sequestradora? Sofrerá de algum distúrbio mental?
Num final explosivo, tão característico de Mary Higgins Clark, as peças do puzzle encaixam finalmente numa revelação inesperada e chocante.»

Porto Editora publica «Os Malaquias», de Andréa del Fuego, vencedor do Prémio Saramago 2011

A Porto Editora lançou Os Malaquias, obra com que a brasileira Andréa del Fuego conquistou o Prémio Saramago 2011 e que até agora só estava disponível no Circulo de Leitores. Os Malaquias foi também finalista, em 2011, do Prémio São Paulo de Literatura e do prestigiado Prémio Jabuti, na categoria romance.

Enredo: «Serra Morena. Um raio esturrica o casal, em luz e carne. Os filhos ficam órfãos, com destinos diferentes. Antônio, o menino que não cresce. Nico, o patriarca engolido por um bule de café. Júlia, a menina em fuga permanente. Um lugar onde as sombras da terra e da água convivem. Onde a morte e a vida são o mesmo mundo. Um poema seco à humanidade de cada um de nós.
Uma escrita áspera mas poética, desenhada com a vertigem das memórias da família Malaquias, e que evolui como tributo pessoal da autora aos seus antepassados.
Transcendental e mágico, este romance do insólito revela-se uma leitura para o coração.
Um livro forte, aclamado, invulgar.»

Quetzal lançou mais um romance de J. Rentes de Carvalho, «O Rebate»

A Quetzal lançou recentemente o romance O Rebate, de J. Rentes de Carvalho, autor de obras como La Coca e Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia.

Sinopse: «Numa aldeia de Trás-os-Montes a chegada de um dos seus filhos emigrados para França, que vem endinheirado e casado com uma francesa provoca um verdadeiro cataclismo. Em França o Valadares, trabalhando na terra como um mouro, é premiado com a fortuna do patrão desde que case com a filha — moça doidivanas e descontrolada. Valadares e a mulher vêm a Portugal quando das tradicionais festas da aldeia. A partir deste momento a perturbação causada pelo comportamento de ambos — ele, através do dinheiro, buscando uma ingénua e primitiva glória no seu burgo; ela, usando a sedução e a provocação erótica na fauna masculina aldeã — desencadeia um rol de acontecimentos desgraçados que o rebate final expressa eloquentemente.»

Rita Duarte e Carla Bernardo lançam «A Gotinha Salva o Mar», uma edição Arteplural

A Arteplural lança a 27 de Abril A Gotinha Salva o Mar, livro infantil de Rita Duarte (texto) e Carla Bernardo (ilustração) que pretende incutir aos mais pequenos a importância de cuidar do meio ambiente.

Sinopse: «A Gotinha gosta muito de duas coisas: de viajar e do meio ambiente.
Por isso mesmo, decide ir dar um passeio e conhecer o Mar!
Mas fica muito triste quando descobre que o Mar está em apuros.
É então que faz dois novos amigos que a vão ajudar…
E tu, também queres SALVAR O MAR?»

Hemingway e Selma Lagerlöf reeditados na Livros do Brasil

A Livros do Brasil recuperou duas preciosidades de dois grandes vultos da literatura mundial, Ernest Hemingway e Selma Lagerlöf. Do escritor norte-americano foi reeditado o clássico Paris É Uma Festa, enquanto da autora sueca, a primeira mulher a conquistar o Nobel da Literatura, é recuperado O Livro das Lendas.

Paris É Uma Festa – Ernest Hemingway
«Paris é uma Festa encontra-se na linha da melhor tradição de Hemingway. A visão a um tempo lúcida e desencantada da vida, ombreando paradoxalmente com a confiança e a plenitude dos anos de criação, o retrato objetivo de muitos dos grandes escritores da nossa época que, como ele, respiravam no ar de Paris o melhor estímulo de aprendizagem e formação, a evocação dessa cidade incomparável, com os seus bistros, os seus velhos castanheiros, os cais, os boulevards, as pontes, imprimem a Paris é uma Festa um lirismo saudoso e pungentemente dramático. Aí encontramos o jovem Hem, no começo de uma carreira que se ignorava se terminaria na ignomínia ou na glória. Aí o encontramos, de algibeiras vazias e a cabeça povoada de sonhos, atento aos mais simples prazeres da vida. Aí o encontramos, ainda moço e rebelde, pronto a invadir o mundo e a sacudi-lo com os abalos da sua rebeldia genial.»

O Livro das Lendas – Selma Lagerlöf
«Nos seus livros de contos, onde se inclui O Livro das Lendas, Selma Lagerlöf frequentemente confunde a fronteira entre sonhos e realidade. Este título, publicado originalmente em 1908, é composto pelos seguintes contos: “A Lenda de uma Dívida”, “A Rapariga do Brejo Grande”, “A Mina de Prata”, “A Lenda da Rosa do Natal”, “A Marcha Nupcial”, “O Violinista”, “Uma Lenda de Jerusalém”, “Porque Durou tanto o Papa” e “O Balão”».

Babel publica «A Poesia É Para Comer»

A Babel vai publicar a 28 de Abril A Poesia É Para Comer, obra vencedora em 2007 do Gourmand Cookbook Award na categoria de melhor Livro de Literatura Sobre Comida. A selecção de textos coube a Ana Vidal.

Sobre o livro: «Sob um título que repete um verso de Natália Correia, o livro A Poesia é para Comer reúne uma colecção de poemas, seleccionados a partir das suas referências a temas gastronómicos. Assinados por 80 poetas que povoam o universo da Lusofonia, cada um deles dá origem e fica associado a uma receita culinária original, criada expressamente para o efeito, por chefs como José Avillez, Luís Baena, Henrique Sá Pessoa, Maria de Lourdes Modesto, entre outros, e a uma obra de arte, da autoria de Vik Muniz, Lígia Clark, Portinari, Julio Pomar ou Joana Vasconcelos.
O livro está dividido em seis capítulos temáticos: Prelúdios inspirados (entradas), Boas Companhias (acompanhamentos), Presentes do Mar (peixes), Prazeres da Came (carnes), Finais Felizes (sobremesas) e Néctares dos Deuses (bebidas).»

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
Ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer.
Natália Correia in A defesa do poeta

Teorema edita «A Despedida de José Alemparte», de Paulo Bandeira Faria

A «nova» Teorema edita a 14 de Maio A Despedida de José Alemparte, de Paulo Bandeira Faria, autor de As Sete Estradinhas de Catete , que fora editado pela Quid Novi.

Sinopse: «José Alemparte, galego, septuagenário, atrevido e com um sentido de humor implacável, descobre casualmente que tem Alzheimer e não quer partir deste mundo sem fazer as pazes com o amigo que lhe roubou a mulher e não só. Emma, cansada de um marido que parece ter desistido dela, procura consolo num chat e acaba por se envolver com um estranho que é muito menos estranho do que parece. Alex, um miúdo sem papas na língua e com um computador novinho em folha, escreve uma espécie de diário que oscila entre o cómico e o trágico.
São eles os três narradores de A Despedida de José Alemparte e, mais do que gerações diferentes, representam momentos marcantes da história recente do país vizinho: a Guerra Civil, os anos de chumbo do terrorismo na época da transição para o Estado democrático e os terríveis constrangimentos da crise actual.»

Agualusa escreveu, Danuta ilustrou e nasceu «A Rainha dos Estapafúrdios»

A Rainha dos Estapafúrdios, livro infantil de José Eduardo Agualusa com ilustrações de Danuta Wojciechowska, é posto à venda a 7 de Maio pela Dom Quixote.

Sinopse: «A Rainha dos Estapafúrdios conta as aventuras de Ana, uma perdigota irrequieta e curiosa, à procura de uma roupa mais colorida do que aquela que a natureza lhe deu ao nascer. Sozinha, engana uma hiena esfomeada, enfrenta um leão feroz e transforma-se na rainha da savana. Como é que consegue tudo isto? Descobre estas e muitas outras peripécias da Rainha dos Estapafúrdios nas páginas coloridas e mágicas deste livro.»

Crónicas reunida de Pedro Vieira à venda a 27 de Abril sob a designação «Éramos Felizes e Não Sabíamos»

Éramos Felizes e Não Sabíamos, de Pedro Vieira, reúne as crónicas da rubrica irmaolucia e exibida no Canal Q desde abril de 2010 e é posto à venda pela Quetzal a 27 de Abril. Escritor e ilustrado, Pedro Vieira, garante a Quetzal, «não poupa nenhum dos protagonistas maiores destes tempos em que descobrimos que, afinal, éramos felizes e não sabíamos». E quanto a protagonistas, eis alguns para abrir o apetite: Cavaco Silva, Passos Coelho, Bento XVI, Khadafi, Angela Merkel e Dilma Rousseff.

«Éramos felizes e não sabíamos, como é evidente. A 1 de abril de 2010, quando o irmaolucia se estreou na televisão (marginal) por cabo ao som de uma malha esgalhada pelo Vasco Palmeirim (pode-se usar “esgalhada” sem provocar cegueira?), os indícios de que o verbo “empobrecer” ia ganhar novo relevo já estavam todos à vista. Afinal, por esses dias a crónica de uma morte anunciada que é a nossa vida de todos os dias já havia deixado de ser propriedade intelectual daquele colombiano demasiado interessado nas curvas da Shakira, por oposição à estima que antes demonstrava por Macondo, quantos Aurelianos caberão naquelas ancas, por aí fora. Por oposição ao que se vive hoje e ao que se antecipa daqui em diante, éramos mais do que felizes, que saudades do Freeport, do manso é a tua tia, dos robalos e do Vara, do Santana primeiro-ministro e da vitória da Grécia no europeu de futebol, do Scolari e do José Barroso de malas aviadas para Bruxelas, do pântano guterrista, do desemprego abaixo dos dois dígitos e da primeira vitória presidencial de Aníbal Adoro Bolo-Rei Silva, altura em que Manuel Alegre era um barbudo simpático com o ego engordado em um milhão de votos e em que o Fernando Nobre era só um tipo que tinha visto demasiadas crianças, demasiados pães, demasiadas galinhas.»