«Gare do Oriente», de Vasco Luís Curado, entre os destaques Leya de Fevereiro

O Grupo Leya lança em Fevereiro mais dois romances em língua portuguesa, Gare do Oriente, de Vasco Luís Curado (D. Quixote), e A Vida Passou por Aqui, de Luís Francisco (Oficina do Livro). Destaque também para As Palavras do Corpo – Antologia de Poesia Erótica, de Maria Teresa Horta (D. Quixote), Nova Teoria do Mal, de Miguel Real (D. Quixote) e Citações e Pensamentos de Sigmund Freud, de Paulo Neves da Silva (Casa das Letras).

Gare do Oriente – Vasco Luís Curado
«Cinco pessoas, vindas de diferentes pontos da cidade, convergem para o mesmo comboio que parte da Gare do Oriente a caminho do subúrbio. Todos estão sozinhos com os seus pensamentos, que dificilmente podem ser partilhados ou compreendidos. Mas eis que algo faz despertar neles uma consciência comum: o ataque terrorista ocorrido nessa manhã numa estação estrangeira e cujas imagens passam continuamente na televisão. Poderá esta ameaça à escala global mudar alguma coisa no seu íntimo? Será o mal que vem de fora uma expressão do mal que habita dentro deles? Depois de A Vida Verdadeira, o autor volta à ficção com uma obra a sobre as angústias da alma humana nas sociedades contemporâneas e que foi finalista do Prémio Leya 2009.»
Nas livrarias a 25 de Fevereiro

A Vida Passou Por Aqui – Luís Francisco
«Que relação poderá existir entre um motorista de táxi à beira da reforma, um toxicodependente que rouba carteiras, um arquitecto com mão leve, uma solteirona apostada em fazer o bem ou uma rapariga que disse aos pais que andava na faculdade e, afinal, vive à custa de um homem casado? E entre um pinga-amor sempre agarrado ao telefone, uma mulher que só tem olhos para o filho, um empresário de sucesso a criar barriga e uma mulher-a-dias acusada de um crime que não cometeu? Aparentemente, não existem quaisquer laços entre estas e as outras personagens deste romance, mas a verdade é que os nós são muitos – e quase sempre difíceis de desatar.»
Nas livrarias a 25 de Fevereiro

As Palavras do Corpo – Antologia de Poesia Erótica – Maria Teresa Horta
«Maria Teresa Horta reúne na antologia As Palavras do Corpo toda a sua poesia erótica, dando a ver com ousadia: o gosto, a sexualidade, o prazer das mulheres.»
Nas livrarias a 11 de Fevereiro

Nova Teoria do Mal – Miguel Real
«Este é um pequeno livro sobre a origem e as consequências do mal, que tenta explicar por que razão a acção de um homem com poder que humilha outro, retirando-lhe direitos, confere prazer interior a esse homem. A motivação prende-se com o facto de, por exemplo, um ministro que corta do orçamento as verbas para transplantes estar indirectamente a contribuir para a morte de vários indivíduos, sem, no entanto, alguém poder dizer que esse ministro era um homem mau. Um livro polémico no qual, a dada altura, o autor escreve: “Hoje, sempre que vos apareça no ecrã da televisão um economista com funções governamentais – não duvideis: eis a face do mal, aquele que levou a Europa à decadência e se prepara para, alegremente, destruir o planeta.”»
Nas livrarias a 18 de Fevereiro

Citações e Pensamentos de Sigmund Freud – Paulo Neves da Silva
«Sigmund Freud imortalizou-se e permanece vivo entre nós pela denúncia de todos os delírios individuais e colectivos que caracterizam a nossa sociedade. Esta compilação de citações e textos do pai da psicanálise incide menos na Psi­cologia como ciência e mais nas suas opiniões pessoais sobre o ser humano. Podemos conhecer Freud na sua intimi­dade, nomeadamente através dos excer­tos retirados das cartas de amor dirigidas a Martha.»
Nas livrarias a 11 de Fevereiro

ASA lançou «A Visita Inesperada», de Agatha Christie

A Visita Inesperada, de Agatha Christie, é lançado em Janeiro pela ASA. Trata-se de uma obra escrita originalmente em 1958 como peça de teatro e que foi adaptada para romance em 1999 por Charles Osborne.

Sinopse: «Numa noite de nevoeiro cerrado, o carro de Michael Starkwedder despista-se numa estrada rural. Em redor, há apenas uma casa isolada. Quando Michael se aproxima para tentar pedir ajuda, o cenário com que se depara é arrepiante: numa cadeira de rodas, jaz o cadáver de um homem; a seu lado, está uma atraente mulher com uma arma na mão. A solução do caso parece simples, não fosse o facto de o morto ter uma longa lista de inimigos. Michael percebe que está perante o cadáver de um monstro. Quem de entre os muitos alvos da sua malvadez poderá ter cometido o crime? A resposta pode estar dentro da própria casa e dos seus inúmeros suspeitos…»

«A Raiz do Ódio» – Anne Holt

O thriller A Raiz do Ódio (uma edição Contraponto) foi o primeiro romance que li da escritora norueguesa Anne Holt e chegado ao fim a primeira sensação que me ficou foi de arrependimento… por nunca ter lido nada dela antes. A “moda” Stieg Larsson/Millennium (que, estranhamente, nunca li) serviu para que em Portugal se passasse a dar um outro tipo de atenção aos romances policiais nórdicos e eu embarquei na onda com todo o gosto. Depois de já me ter deleitado com os suecos Camilla Läckberg (A Princesa do Gelo) e Lars Kepler (O Hipnotista), desta vez “fui” até à Noruega à procura “da raiz do ódio”.
Vários casos aparentemente dispersos e com nada que os relacionasse funcionam como pontos de partida para um elaborado e cativante enredo que espicaça a curiosidade – quanto mais não fosse só pela perspectiva de ver como tudo “aquilo” se uniria no final. Há uma criança que vagueia pelas ruas de Oslo e que terá visto uma mulher morta; há uma episcopisa que é assassinada em Bergen na noite de natal na rua sem que se lhe conheçam inimigos dada a sua natureza “santa e imaculada”; há um rapaz retirado morto da água, etc. etc.
A criminologista Johanne Vik e o detective Adam Stubø seguem as pistas e uma série de crimes aparentemente isolados têm afinal uma perturbante ligação, tecida por questões religiosas, moralidade, intolerância (nomeadamente contra a homossexualidade, unindo aqui os mais inesperados aliados), que cria um quadro final surpreendente onde as revelações vão chegando a conta-gotas.
Enriquecido por um grande elenco de personagens cujos trajectos, de início, podem parecer algo difíceis de seguir, pois cada um terá a sua história própria e independente, A Raiz do Ódio traça-nos, também por isso, um retrato de um sociedade que só aparentemente é perfeita, à imagem, aliás, do que este tipo de literatura vem fazendo em relação aos países nórdicos. Calculo que já seja um problema para os governos do norte da Europa ver a imagem que começa a ser insistentemente passada pela literatura dos seus “paraísos cívicos”. Pois tal quantidade de personagens, muitas delas muito completas e bem construídas, permite um olhar profundo para o interior da sociedade norueguesa, onde os segredos são muitos (tanto a nível familiar como de negócios e outras áreas), alimentados pelo insaciável desejo de satisfazer as aparências.
O desvio à norma que é a vaga de crimes afinal ligados entre si serve de mola impulsionadora à revelação de uma série de segredos, que mostram, em vários patamares, o lado oculto desta sociedade “perfeita”.
Anne Holt gere bem toda esta informação e todas estas personalidades, apresentando assim um thriller envolvente, socorrendo-se de uma escrita inteligente e de uma trama bem planeada, sem espaço para pontas soltas.

Autora: Anne Holt
Título original: Pengemannen
Editora: Contraponto
Tradutora: Raquel Dutra Lopes (a partir do francês)
Ano de Edição: 2011
Sinopse: «Religião, racismo, amor, intolerância…
Oslo, numa fria tarde de dezembro. Uma criança descalça anda perdida pelas ruas. Está prestes a ser atropelada por um elétrico, quando, no último momento, é salva por um desconhecido que surge do nada. Pouco depois, sussurra à sua mãe, a criminalista Inger Johanne Vik, ainda mal refeita do susto: “A senhora estava morta…” A partir daí, Johanne e a sua família veem-se envolvidas na investigação de estranhos homicídios.
Em Bergen, é assassinada a episcopisa local e o marido de Johanne, o detetive Yngvar Adam Stubø, é chamado a fazer parte da investigação. Em Oslo, sucede-se uma série de mortes de natureza diversa.
Aparentemente, nenhum destes crimes tem ligação entre si, mas Johanne Vik acabará por descobrir que não é bem assim…»

«Encontro à Beira-Rio», de Christopher Isherwood, chega a 27 de Janeiro

Encontro à Beira-Rio, de Christopher Isherwood (1904-1986), é lançado pela Quetzal a 27 de Janeiro. Esta chancela da Porto Editora já antes publicara Adeus a Berlim e Um Homem Singular.

Sobre o livro: «No final dos anos 1930, após se ter instalado em Los Angeles, Christopher Isherwood desenvolveu o seu interesse pelas filosofias orientais. Dedicou-se à tradução de textos hindus e à investigação da vida de místicos indianos. Enquanto isto, gradualmente, aspetos dessa aproximação eram trabalhados na sua escrita ficcional – exemplo disso é Encontro à Beira-Rio, uma história de dois irmãos britânicos que, justamente, personificam os anseios espirituais e sexuais do próprio Isherwood.
Oliver, um dos irmãos, vive nas margens do Ganges e escreve ao outro, Patrick, anunciando-lhe que se tornará monge de um mosteiro hindu. Este, por sua vez, decide partir de imediato para a Índia, numa tentativa de dissuadir o irmão de cometer o que ele considera um tremendo erro. Patrick tem a mulher e as filhas em casa, em Londres, e está na Califórnia em negócios. Mas há mais alguma coisa que o prende aí, uma pessoa, um segredo.

Jonathan Coe estreia-se na Dom Quixote com «A Vida Privada de Maxwell Sim»

No último dia de Fevereiro a Dom Quixote lança A Vida Privada de Maxwell Sim, romance de Jonathan Coe, que assim se estreia nesta editora, para onde foi transferido vindo da ASA, onde publicara O Rotters Club, A Casa do Sono e A Chuva Antes de Cair. No mesmo dia é editado Dias de Expiação, de Michael Gregório de quem a Dom Quixote já editara Crítica da Razão Criminosa.

A Vida Privada de Maxwell Sim – Jonathan Coe
«Maxwell Sim bateu no fundo. Recém-divorciado, apenas consegue comunicar com a ex-mulher por email e sob falsa identidade. A filha prefere distrair-se com o Blackberry a olhar para ele. O seu melhor amigo não lhe devolve as chamadas. O seu pai está mais ausente que nunca. Ele tem setenta amigos no Facebook, mas ninguém com quem falar. E é então que a sua vida muda radicalmente graças a uma disparatada proposta de trabalho: conduzir um carro carregado de escovas de dentes de Londres até às remotas Ilhas Shetland.»

Dias de Expiação – Michael Gregorio
«Três crianças foram assassinadas nas suas camas de forma brutal e a sua mãe desapareceu sem deixar rasto. Hanno Stiffeniis, um magistrado prussiano, vai investigar o caso, mas a situação toma contornos inesperados. Serge Lavedrine, um criminologista ligado ao invasor exército francês, intervém para resolver o mistério e Stiffeniis é incumbido de ir buscar o pai das vítimas, Bruno Gottewald, a uma remota fortaleza na fronteira russa. Mas este está morto e enterrado – morto acidentalmente enquanto andava em manobras no terreno. Em menos de uma semana, toda a família Gottewald desapareceu da face da terra.»

Presença lançou «Os Descendentes», de Kaui Hart Hemmings

A Editorial Presença lançou o romance Os Descendentes, de Kaui Hart Hemmings, obra que inspirou o recentemente estreado filme homónimo de Alexander Payne, com George Clooney como protagonista.

Sinopse: «Matthew King é advogado e um dos homens mais ricos do Havai, mas a sua vida muda por completo, quando a mulher fica em coma depois de um acidente. Esta situação acarreta novas e difíceis responsabilidades para King, entre as quais aprender a lidar com duas filhas nada fáceis. Entretanto, Matthew é surpreendido por uma revelação chocante…, a autora, ambienta este livro sobre relações familiares pouco convencionais no exotismo expressionista do cenário e tira partido da contradição entre o drama familiar e um omnipresente sentido de humor.»

«Vermelho da Cor do Sangue» – Pedro Garcia Rosado

Já o disse (ou escrevi) e não me canso de o repetir que fazem falta em Portugal policiais do estilo dos criados por Pedro Garcia Rosado. Contemporâneos, urbanos, despretensiosos, realistas, ou seja, que geram uma identificação e um vínculo com o leitor, que ali vê reflectidas nas páginas a realidade que vê nas páginas dos jornais e, principalmente, nas televisões.
As personagens de Pedro Garcia Rosado são pessoas “reais”, não há ali super-heróis, ou super-detectives, com um poder e perspicácia acima da média. O que ali vemos (lemos) é um retrato realista da nossa sociedade.
Em Vermelho da Cor do Sangue (editado em 2010 pela ASA) a fórmula repete-se (e ainda bem que assim é), pelo que podemos deleitar-nos com um belo policial, cheio de ritmo, ao nível do que se faz “lá fora” dentro do género. Não há aqui as melancolias do ser português que tantas vezes são retratadas nos “nossos livros”. A essas “melancolias” ninguém lhes tira o valor e o interesse, naturalmente, mas é bom ter alternativas que nos permitam tão só ler um policial menos reflexivo e mais pragmático, mais, digamos assim… realista, mais… notícia de jornal ou de telejornal. Não se pense, contudo, que isso implica ser menos profundo ou trabalhado (ou, sequer, pior escrito), nada disso, só é apresentado de uma forma diferente, mais consentânea, em meu entender, com as características atribuídas ao género. E isso não é novidade em Pedro Garcia Rosado, pelo menos para quem (como eu) já leu as obras A Cidade do Medo (que, tal como Vermelho da Cor do Sangue, integra a colecção Não Matarás) e Crimes Solitários.
Em Vermelho Cor de Sangue reencontramos personagens já nossas conhecidas, tanto do lado dos “bons” como dos “maus”, se bem que esta distinção básica de géneros seja muito volúvel. Na sequência de um “simples” roubo de jóias é revelado um segredo há muito guardado (desde 1975 e envolvendo os comunistas portugueses e da União Soviética), o que espoleta uma sequência de eventos que vai afectar uma série de figuras bem colocadas na sociedade portuguesa. Um passaporte retirado desse cofre torna-se o objecto preferido de muita gente, desde as autoridades ao seu antigo dono e a outros implicados, pois veio desenterrar um caso antigo de desvio de verbas que vieram a sustentar negócios que estariam na base de fortunas de alguns “respeitáveis” que, entre os princípios ideológicos e a fortuna material, optaram por esta última.
O enredo está bem tecido e apesar de haver muitas ligações e interligações entre personagens, o leitor nunca se perde, tendo ainda “tempo” para apreciar os problemas comuns do dia a dia de alguns dos protagonistas, tão parecidos com os nossos e bem retratados por Garcia Rosado.
É, assim, um excelente retrato da sociedade portuguesa que, embora passado na actualidade, nos faz também regressar aos animados e agitados anos pós-25 de Abril, um momento histórico aqui bem aproveitado e descrito pelo escritor, destacando que muitas vezes não eram só as motivações políticas que orientavam os comportamentos.

Autor: Pedro Garcia Rosado
Editora: ASA
Ano de edição: 2011
Sinopse: «Quando um mercenário ucraniano conhecido por Gengis Khan assalta a casa do banqueiro Ramiro de Sá, além de um segurança morto e das jóias roubadas, deixa atrás de si um problema inesperado: do cofre do banqueiro foi também levado o passaporte de Valentim Zadenko, um emissário do Partido Comunista da União Soviética que entrou em Lisboa no dia 24 de Novembro de 1975 e aí desapareceu misteriosamente.
Enquanto o inspector Joel Franco, da Polícia Judiciária, investiga o homicídio do vigilante, o passaporte torna-se uma relíquia que muitos querem deitar a mão: não só o próprio Ramiro de Sá, mas também o chefe da máfia russa, um inspector do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, um veterano do PCUS que foi camarada de Zadenko e ainda Svetlana, a filha do operacional desaparecido, que vem para Lisboa à sua procura, alertada por um angolano que estudou em Moscovo e participou no assalto. Na busca do documento, todos os caminhos acabarão, mais tarde ou mais cedo, por ir dar a Ulianov, um ex-KGB especialmente treinado que em Portugal se tornou dirigente de um grupo criminoso. Joel terá de contar com a sua ajuda para desenterrar uma conspiração criminosa que nasceu no PREC e envolveu militares revolucionários, banqueiros, assassinos … e várias garrafas de Barca Velha.»

Já nas livrarias «A Grande Arte» de Rubem Fonseca

A Sextante acabou de lançar A Grande Arte, do escritor brasileiro Rubem Fonseca, numa edição que tem um prefácio do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, e um posfácio do vencedor do prémio Nobel da Literatura, Mario Vargas Llosa. Trata-se, segundo a editora, de um romance sobre “o crime nas altas esferas sociais e no bas-fond do Brasil, assassinos profissionais, um advogado vingador e a “grande arte” de manejar uma arma branca.
Rubem Fonseca, que em 2003 venceu o Prémio Camões, já viu editados pela Sextante Editora os romances O seminarista e Bufo & Spallanzani, este último finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d’Escritas.

Sobre o livro: «O assassinato de duas prostitutas, no Rio de Janeiro, que, de início, parece obra de um maníaco sexual, abre uma caixa de Pandora de onde vão brotando, no decorrer de uma ação trepidante, as complexas ramificações de um tenebroso sindicato do crime. A história passa-se em boîtes e bares sórdidos, em sumptuosas mansões do Rio, em vilarejos da fronteira entre a Bolívia e o Brasil, onde reinam a cocaína e o crime, bem como na interminável viagem de um comboio que percorre metade do Brasil com couchettes que rangem sob o peso de casais fazendo sexo.»
Do posfácio de Mario Vargas Llosa

«É necessário que A Grande Arte seja lido e relido, aberto em qualquer página a meio da noite, fechado com irritação ou anotado nas margens, como um código.
[…]
Enfim, A Grande Arte é um livro quase perfeito. O seu único defeito é ter um último capítulo. Um livro assim não pode terminar, bem vistas as coisas.»
Do prefácio de Francisco José Viegas

Trilogia Millennium ao raio X em «Os Segredos da Rapariga Tatuada», de Dan Burstein, Arne de Keuzer e John-Henri Holmberg

A 19 de Janeiro estreia em Portugal a tão aguardada versão de Hollywood de Millennium 1 – Os Homens Que Odeiam as Mulheres, filme realizado por David Fincher inspirado no livro de Stieg Larsson e que tem por protagonistas Daniel Craig e Rooney Mara. Quase em simultâneo saiu em DVD Millennium 3 – A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, na versão sueca assinada por Daniel Alfredson, com as interpretações de Noomi Rapace e Michael Nyqvist. E ainda em simultâneo as Edições ASA lançaram Os Segredos da Rapariga Tatuada, um livro assinado por Dan Burstein (em parceria com Arne de Keuzer e John-Henri Holmberg) que aborda a obra do escritor sueco Stieg Larsson. É deste naturalmente que aqui falamos.
Trata-se, sem dúvida, de um excelente livro para quem quiser saber algo mais sobre a saga Millenium e para quem quiser ir mais fundo nos meandros obscuros da sociedade sueca do que o permitem as já de si complexas tramas da trilogia. Será mais fácil entender as preocupações de Stieg Larsson face à sociedade que habitava e de como isso o inspirou a escrever este tipo específico de romances, com muito de denúncia social.
Tem entrevistas (ou resumos e citações de entrevistas dadas a diversos media) com amigos, colegas de trabalho, a companheira de vida de Stieg, que fazem luz sobre o autor e a sua vida, o seu modo de trabalhar, os seus objectivos, obsessões, percursos percorridos e projecções dos que poderia seguir. Já na parte final do livro há uma curiosa entrevista com o pugilista Paolo Roberto, uma das poucas personagens reais que aparecem na trilogia.
Aborda, também, as teorias conspirativas de que a morte do escritor Stieg Larsson não terá sido casual (mais especificamente de ataque cardíaco) pois este estaria a incomodar muita gente com as suas investigações e escritos – há quem garanta, como vem descrito neste Os Segredos da Rapariga Tatuada, que as histórias narradas nos livros são baseadas em casos reais e que haveria ainda muita coisa por contar. (Diz-se que a ideia de Larsson seria escrever dez romances).
Não é esquecida, também, a possbilidade, nunca devidamente esclarecida, de haver um quarto volume da saga já em desenvolvimento.
As adaptações cinematográficas (tanto as suecas como a que está aí a chegar de Fincher) são também analisadas, nomeadamente através dos autores, com a ênfase naturalmente a ser dada à excelente (e convincente) interpretação que Noomi Rapace faz de Lisbeth Salander.
Nas páginas centrais, e como complemento à obra, há uma série de fotografias do próprio Stieg Larsson, desde a infância à sua morte, e dos locais na Suécia onde decorrem algumas das “cenas” da trilogia, assim como alusivas aos filmes e até a uma peça de teatro inspirados nos livros.
Um livro para verdadeiros fãs da trilogia Millennium (seja em formato papel ou “película”) que desejem aprofundar os seus conhecimentos sobre o homem que criou/denunciou este perturbante mundo sueco.

«Big Nate em Grande» sai a 20 de Janeiro

A Arteplural continua a editar (e ainda bem) as aventuras do divertido Big Nate, um miúdo traquina que é assim protagonista do seu terceiro livro. Big Nate em Grande, mais uma vez uma criação do ilustrador e argumentista de BD Lincoln Peirce, mostra-nos como vai ele lidar com a sua integração nos escoteiros e o resultado só podia ser hilariante. O livro é lançado a 20 de Janeiro.

Sobre o livro: «O Nate está a dar-se bem nos Escoteiros… até que o Artur – também conhecido como Sr. Perfeito – se junta ao grupo. Agora o Nate passou para segundo plano. E o Artur está a dar-lhe trabalho.
Será que o Nate vai ganhar o prémio?
Ou alguém lhe vai passar a perna?
Para os fãs da hilariante série “O Diário de um Banana”, eis Big Nate, um miúdo muito divertido, e que não é DE TODO o menino dos professores.»