Pré-Publicação de «Vai Dando Notícias», de Catherine O’Flynn, a lançar a 3 de Junho pela Bertrand

Vai Dando Notícias é título do romance de Catherine O’Flynn que será lançado a 3 de Junho pela Bertand e do qual o Porta-Livros revela já, em pré-publicação, um pouco do seu conteúdo. É verdade, basta olhar um pouco mais ali para baixo para aquele excerto de texto que vem entre aspas. Destas: « ».  Mas não salte já para lá, primeiro percorra o caminho normal de um texto, linha a linha, e fique a saber mais sobre a autora e o próprio romance.
Sobre a autora, que já venceu o Costa Award, diz Jonathan Coe (que escreveu, por exemplo….. ) que é “uma escritora com um talento extraordinário”, e, quanto ao livro, diz o The Independent que é um romance “divertido e tocante”, que “reflecte o nosso eu de todos os dias”.
Catherine O’Flynn fala sobre o seu livro aqui, mas pode sempre ver o que diz a sinopse:
Vai Dando Notícias conta a história divertida e emocionante de Frank, o apresentador do noticiário de uma televisão local.
Com uma personalidade desajeitada e pouco original, Frank é assombrado por desaparecimentos: a misteriosa morte do seu predecessor, provocada por um condutor que fugiu; a demolição da arquitetura pós-guerra do seu pai e a passagem incógnita dos que morrem sozinhos na cidade.
Frank esforça-se por entender estas ausências enquanto tem de transmitir intermináveis notícias locais sobre buracos que se abrem nos jardins das pessoas e tenta lidar com a sua mãe irredutivelmente infeliz.
O resultado é uma coisa rara: um romance cujas páginas se voltam incansavelmente, que faz as perguntas importantes de uma forma acessível, que nos faz rir em voz alta e que é genuinamente tocante e inevitavelmente animador.”

Excerto – do Capítulo 34
«Tinha visto as nuvens da crise económica a aproximarem-se. A imprensa e os boletins noticiosos nacionais tinham referido a crise global cada vez mais frequente e com mais alarmismo. Em breve as histórias começaram a cair suavemente nas notícias locais até se transformarem numa torrente. Aparentemente, havia sinais de recuperação na economia em geral, mas não, ao que parecia, na região de Frank. A recessão conseguiu, pelo menos, conferir uma certa coesão ao programa. Em vez da normal sucessão de notícias inconsequentes e fait-divers, as ondas de causa e efeito era discerníveis através dos boletins diários.
Na segunda feira relatou mais uma queda no mercado imobiliário local. Os preços das casas tinham caído em relação ao trimestre anterior. Na terça-feira disse aos espectadores que quatrocentos trabalhadores iam ser despedidos por um fabricante de maquinaria de construção e escavação. Nesta noite iam falar sobre uma das mais importantes empresas imobiliárias da região que ia parar todos os projectos em curso. A empresa tinha um grande portfólio de terrenos por toda a região, entre os quais se destacava um antigo campo de futebol e uma antiga fábrica de automóveis.
Frank lembra-se de ter anunciado os planos para a fábrica vazia apenas há uns meses. Lembrava-se dos esboços: apartamentos envidraçados, uma praça central com uma fonte e árvores jovens, a inevitável forma humana sem rosto a passear um cão sem rosto. Fê-lo recordar o medo que sentia daquelas figuras sem rosto, na infância.
O vereador local da Câmara tinha expressado a sua satisfação em relação aos empregos que o projecto criaria e ao início do processo de recuperação da zona.
Enquanto lia a notícia, Frank descobriu algo em relação à paragem no desenvolvimento que lhe chamou a atenção. O constante tremeluzir de mudança e renovação da cidade era, normalmente, gradual e invisível. Ali, contudo, o novo e a transição entre eles, por norma invisível, era revelada, como se o projector tivesse parado abruptamente, deixando as duas imagens no ecrã. Pensou no enorme esqueleto da fábrica a coexistir, durante um período de tempo indefinido, com os esboços dos novos apartamentos e das lojas. O passado tinha desaparecido, o futuro ainda não tinha chegado e o que restava era um presente estagnado. Os residentes locais ainda sentiam o peso dos rostos, das memórias, dos carros avariados, das dívidas. Frank pensou mais uma vez na forma embrionária e sem rosto dos esboços. Não viriam mais; estava sozinho, um fantasma do futuro, preso no presente.»

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