ASA reedita «O Véu Pintado», de Somerset Maugham

A ASA reedita em Abril o clássico O Véu Pintado, de Somerset Maugham, obra que ainda recentemente (2006) teve mais uma adaptação ao cinema, por John Curran. A capa desta edição, aliás, recupera uma imagem desse filme, onde contracenaram Edward Norton e Naomi Watts.
Somerset Maugham é um dos mais consagrados autores ingleses e escreveu obras como Servidão Humana, O Fio da Navalha Paixão em Florença, A Lua e Cinco Tostões e As Paixões de Júlia, todos editado pela ASA.

Sinopse: «Kitty sente-se prisioneira de um casamento infeliz e de um estilo de vida que está longe de ser aquele que sonhou para si. Sem que tivesse obtido a notoriedade social que desejava e afastada do seu país e da família devido à profissão do marido – bacteriologista destacado para Hong Kong –, a jovem acaba por encontrar algum consolo numa relação extra conjugal. Mas a traição acaba por ser descoberta pelo marido, que leva a cabo uma estranha e terrível vingança…
Através do despertar espiritual da adorável e fútil Kitty, Somerset Maugham pinta um retrato vívido da presença britânica na China e apresenta-nos uma galeria de personagens inesquecíveis.»

«Contos dos Subúrbios» – Shaun Tan

Este livro – Contos dos Subúrbios (edição Contraponto) – sofre de dois problemas sérios: primeiro, lê-se num instante (todo de seguida, se for caso disso), depois, os invejosos, aqueles que gostariam de ter um dom e não têm, podem começar a pensar: «Como é que este tipo (Shaun Tan, já agora) tem o dom da escrita e, ao mesmo tempo, o do desenho?»
Agora mais a sério: Contos dos Subúrbios é um livro deslumbrante, que conjuga a beleza das ilustrações com a beleza dos textos. Para os mais “distraídos”, esclareça-se desde já que “contos” e “ilustrações” não significa livro juvenil. Sim, os adultos também gostam de livros ilustrados e será preciso ser adulto, ou pelo menos ter alguma “bagagem”, para absorver na plenitude tudo aquilo que Shaun Tan nos conta. Desde histórias com uma mensagem subliminar a outras que contam a história pela história, há de tudo nestes contos, que, como o título indica, nos remetem para um imaginário de subúrbios – pode ser tão belo como o campo, não sejam preconceituosos. Desde aventuras que relembram a infância, a seres estranhos de outros mundos (e do nosso), passando por histórias contadas através de recortes e colagens, há de tudo neste livro feito de muita imaginação e que, melhor do que isso, põe a nossa imaginação a funcionar. Repare bem: nestas páginas há um búfalo enorme que aponta sabe-se lá para onde, um universitário estrangeiro pouco maior do que um amendoim, um escafandrista a vaguear por um rua, uma bola que vai crescendo conforme absorve poemas nunca lidos e depois se desfaz em pedaços de papel que são lidos ao acaso (ideia fantástica!), paus de fósforo (uma espécie de arbustos esguios com pernas mais parecidos connosco do que possamos imaginar) e fala-se de casamentos, de pais e filhos, de irmãos, de lugares mágicos que só esperam que os descubramos, de mísseis intercontinentais espalhados por jardins… Fala-se de vida, das relações, de animais, de aproveitar melhor o que se tem, de saber viver, há uma certa nostalgia pelo passado, etc. Ou seja, faz sonhar: o que mais pode pedir-se a um livro?
Além disso, Contos dos Subúrbios é também o livro perfeito para aqueles que gostam apenas de encher as estantes sem se importarem com os conteúdos: é um álbum belíssimo graficamente, de extremo bom gosto, que fica bem em qualquer lado.
Estão a achar que exagero na minha apreciação ao livro? Se calhar… Mas é o que sinto neste momento que escrevo e sinceramente parece-me difícil mudar de opinião com o passar do tempo. É assim que gosto de me sentir quando descubro uma pérola. Por isso, não percam um dos que desde já não tenho problemas em classificar como um dos livros do ano: Contos dos Subúrbios, de Shaun Tan.

Ainda quer saber mais qualquer coisa? Leia isto.

O Clube dos Sete, de Enid Blyton, está de volta

A Oficina do Livro fez regressar o Clube dos Sete, uma clássica colecção juvenil da autoria da escritora inglesa Enid Blyton, criadora dos ainda mais famosos Os Cinco ou de Noddy.
Foram para já editados os dois primeiros volumes da série – O Clube dos Sete e Uma Aventura dos Sete – e a Oficina do Livro prevê lançar até ao fim do ano mais dois títulos desta colecção que já há muitos anos andava “desaparecida” das nossa livrarias.

Porto Editora lançou «O Homem que Gostava de Cães», de Leonardo Padura

A Porto Editora lançou no início de Abril o mais recente romance do escritor cubano Leonardo Padura, intitulado O Homem que Gostava de Cães. A obra tem por base o assassínio de Trótski e centra-se no caminho percorrido pelo assassino, Ramón Mercader.
Padura tem diversas obras publicadas em Portugal (Morte em Havana, Ventos de Quaresma, A Neblina do Passado ou O Romance da Minha Vida) e pode recuperar aqui precisamente uma entrevista sobre este último romance.

Sinopse: «Um romance que nos dá um retrato impiedoso da utopia mais importante do século XXI.
Em 2004, com a morte da mulher, Iván, um aspirante a escritor, relembra um episódio que lhe aconteceu em 1977, quando conheceu um homem enigmático que passeava pela praia acompanhado de dois galgos russos. Após vários encontros, “o homem que gostava de cães” começou a confidenciar-lhe relatos singulares sobre o assassino de Trótski, Ramón Mercader, de quem conhecia pormenores muito íntimos.
Graças a essas confidências, Iván irá reconstituir a trajetória de Liev Davídovitch Bronstein, mais conhecido por Trótski, e de Ramón Mercader, e de como se tornaram em vítima e verdugo de um dos crimes mais reveladores do séc. XX.
Através de uma escrita poderosa sobre duas testemunhas ambíguas e convincentes, Leonardo Padura traça um retrato histórico das consequências da mentira ideológica e do seu poder destrutivo sobre a utopia mais importante do século XX.»

«A Marcha» – Daniel Silva

A Bertrand recuperou A Marcha, um dos livros mais antigos (1999) do escritor norte-americano Daniel Silva – autor da série que tem por protagonista o agente secreto israelita Gabriel Allon – e em boa hora o fez, pois permite variar um pouco desta saga que, por norma, recorre sempre à mesma estrutura – com sucesso, sem dúvida.
O protagonista é Michael Osbourne, agente do FBI que já aparecera em A Marca do Assassino. Há ligações entre as duas obras, mas o autor, como é seu timbre, faz o devido enquadramento, de modo que quem pegar neste livro sem ler o anterior não sairá prejudicado por isso.
O cenário de A Marcha é a Irlanda do Norte, onde está em fase embrionária um tão desejado processo de paz. Contudo, esta perspectiva de paz não é do agrado geral, pois há quem prefira o combate por não ver cumpridas todas as exigências que tem em mente e não se contente com meios termos, com soluções de compromisso. Além das motivações dos que combatem no terreno, os próprios irlandeses, há as motivações de um misterioso grupo secreto multinacional (A Sociedade) que fomenta conflitos em vários pontos do globo, para assim alimentar os seus negócios que sobrevivem à custa da guerra. Este grupo vê no diferendo irlandês uma potencial fonte de receita e portanto “alimenta” uma das (descontentes) partes envolvidas, para que não se instale a paz.
No meio, surge Michael Osbourne, agente da CIA de regresso ao activo depois de, com a sua família, ter passado tormentos no já aqui citado A Marca do Assassino – não se preocupem, leitores, como já aqui referi Daniel Silva é muito competente e trata de vos enquadrar, sempre que necessário, com o que se passou nesse romance anterior. O envolvimento de Michael na questão irlandesa é feito através do seu sogro, recentemente nomeado embaixador dos EUA em Inglaterra e alvo de um atentado por parte de um dos grupos (no caso, protestantes) que quer pôr fim às tréguas. Mas há também ligações de Michael aos outros protagonistas desta história, a tal Sociedade.
Estas histórias cruzadas permitem uma série de clímaces e reviravoltas, tão credíveis quanto é expectável numa obra deste género. As várias histórias cruzam-se numa teia bem tecida e quando a teia como a ser desemaranhada entra em cena um assassino profissional que Michael persegue obsessivamente (trata-se de Jean-Paul Delaroche, que no livro anterior quase o matou) e que ganha um protagonismo ímpar na parte final da obra, assumindo um papel surpreendente, sendo um bom exemplo da complexidade presente no mundo da espionagem internacional. Daniel Silva descreve bem essas complexas relações, onde a ideologia, nem de perto nem de longe, é o bonecreiro que faz mover as marionetas que povoam este mundo. Fá-lo também no que respeita à descrição dos meandros políticos, traçando um mapa curioso das movimentações sinuosas de quem detém o poder. Naturalmente, há um eficaz enquadramento da situação geopolítica na Irlanda do Norte para quem não conheça o que se passa naquela região.
Como é timbre de Daniel Silva, o livro decorre a um ritmo bastante intenso, sendo de destacar que arranca com uma entrada em grande que quase não dá tempo ao leitor para se preparar para o que aí vem.
Em suma, entre personagens reais e fictícias, A Marcha é uma cativante história sobre vingança e sede de poder.

«Liberdade», Jonathan Franzen, chega no dia 25 de Abril

A 25 de Abril, Dia da Liberdade, a Dom Quixote edita, precisamente, Liberdade, o novo romance do norte-americano Jonathan Franzen. Ainda em Abril destaque para a reedição, em Portugal, de Rabos de Lagartixa, de Juan Marsé (pode ler aqui no Porta-Livros entrevista do autor).

Liberdade – Jonathan Franzen
«No seu primeiro romance depois de Correcções, Jonathan Franzen dá-nos um épico contemporâneo do amor e do casamento. Liberdade capta, cómica e tragicamente, as tentações e os fardos da liberdade: a excitação da luxúria adolescente, os compromissos abalados da meia-idade, as vagas da expansão suburbana, o enorme peso do império. Ao seguir os erros e alegrias dos personagens de Liberdade, enquanto lutam para aprender a viver num mundo cada vez mais confuso, Franzen produziu um retrato inesquecível e profundamente comovente dos nossos tempos.»
Nas livrarias a 25 de Abril

Rabos de Lagartixa – Juan Marsé
«Numa linguagem objectiva e translúcida, que contrasta com uma profunda carga emotiva e moral, Rabos de Lagartixa revela uma estrutura narrativa tão hábil quanto imaginativa, e mostra como são frágeis e ambíguos os limites entre a realidade e a ficção, a verdade e a mentira, o bem e o mal, o amor e a indiferença. Com esta obra, que obteve o Prémio Nacional da Crítica 2000 e o Prémio Nacional de Narrativa 2001, em Espanha, Juan Marsé reafirma-se como um dos mais importantes escritores, não só da literatura espanhola como da contemporaneidade europeia.»
Nas livrarias a 11 de Abril

Teia de Cinzas – Camilla Läckberg
«Outono em Fjällbacka. Um pescador que acabou de recolher os covos de lagosta que lançara ao mar está em estado de choque. No deck do barco jaz agora à sua frente o corpo inerte de uma menina. Depois de A Princesa de Gelo e Gritos do Passado, Camilla Läckberg volta, neste terceiro volume, a demonstrar toda a mestria com que nos prende da primeira à última página. Uma teia de mistério e intriga que justifica o sucesso de uma das autoras mais lidas na Europa.»
Nas livrarias a 18 de Abril

O Violino de Auschwitz – Maria Angels Anglada
«É Dezembro de 1991 e, num concerto de homenagem a Mozart em Cracóvia, a primeiro violinista impressiona o seu colega de trio com um instrumento rústico e humilde. No dia seguinte, quando ele lhe pergunta como é que ela o obteve, uma notável história se revela: A da vida de Daniel, um luthier, que sobreviveu passando por grandes dificuldades em Auschwitz, como carpinteiro e trabalhando às tardes na fábrica IG Farben.»
Nas livrarias a 18 de Abril

«L Princepico» – Clássico de Saint-Exupéry com versão em mirandês

A ASA vai publicar a 4 de Abril L Princepico, o clássico, em mirandês, de O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry. A obra, traduzida para mirandês por Ana Afonso e Domingos Raposo, será apresentada a 15 de Abril, no Instituto Franco-Português, em Lisboa, às 19h.
O livro será apresentado por Domingos Raposo e na mesma ocasião será apresentada uma exposição de livros e objectos associados ao universo de O Principezinho pertencentes ao actor e apresentador Pedro Granger, coleccionador e fã deste clássico da literatura francesa.

Sobre o livro: «Sobejamente conhecida em todo o mundo, a história é conduzida por um narrador, um piloto que tenta desesperadamente reparar os danos causados no seu avião avariado em pleno deserto do Sahara. Um belo dia os seus esforços são interrompidos com a aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha. O piloto não se atreveu a desobedecer e, por muito absurdo que pareça, pegou num pedaço de papel e numa caneta e fez o que o principezinho tinha pedido. E assim tem início um diálogo que expande a imaginação do narrador…
Com a sua história assente numa mensagem de amor, amizade e fraternidade entre os homens, o  livro O Principezinho foi escrito em 1943 e até hoje foi traduzido em mais de 200 línguas, incluindo dialectos europeus, africanos e asiáticos, sendo hoje o livro mais traduzido depois da Bíblia.»

Teorema lança «O Legado de Wilt», de Tom Sharpe, a 18 de Abril

A Teorema lança a 18 de Abril O Legado de Wilt, mais um volume da saga de Henry Wilt, criada por Tom Sharpe, aproveitando a ocasião para reeditar Wilt e A Alternativa Wilt. Lá mais para a frente, já em Maio, no dia 2, sai uma obra de não-ficção sobre a Operação Valquíria, intitulada Nós Queríamos Matar Hitler e assinada por Philipp Freiherr von Boeselager.

O Legado de Wilt – Tom Sharpe
«Mais um episódio da divertida saga de Henry Wilt, um personagem que se não conhece tem mesmo de descobrir. O britânico Sharpe criou este professor de literatura em 1976 e desde então as suas aventuras até na televisão surgiram. “O mais divertido escritor da actualidade”, segundo o Observer, que mais uma vez não poupa nos elogios, dizendo ser este “mais um clássico do mestre da farsa e da sátira social”.»

Nós Queríamos Matar Hitler – Philipp Freiherr von Boeselager
«Todos os pormenores da Operação Valquíria contadas pelo último sobrevivente do restrito grupo de oficiais que tentou travar Hitler em 1944 (Bosalager escapou à execução e viveu até 2008). Estas são as memórias de quem preparou a mala com os explosivos que podiam ter acabado mais cedo com a II Guerra Mundial.»

Um gato a andar de autocarro?

Às vezes aparecem uns livros aos quais não se dá a devida atenção pois achamos que não é aquilo que nos interessa ler na altura. Casper – O Gato-Viajante, de Susan Finden, entrava nessa categoria, por muito que goste de gatos e sempre tenha andado acompanhado desses felinos.
«Casper», o livro, não o gato, ali estava, pousado, à espera de um pouco de atenção. Não me incomodava, a capa é gira, tem coisas que sempre me agradaram à vista, um farol, uma mala de viagem. O certo é que foi despertando a atenção de quem passava: «O que é isto?», perguntavam. «É um livro sobre um gato que andava sozinho de autocarro», lá explicava eu, elucidado pela sinopse. «O quê?» – Realmente, dito assim a seco parece absurdo. E lá desenvolvia eu a explicação, dizendo que o Casper era um gato que, sem a dona saber, ia para a paragem do autocarro, esperava na fila no seu lugar e tinha já um lugar reservado pelos motoristas. E lá dava regularmente a sua volta pela cidade. Já toda a gente o conhecia, a dona veio a saber, a história chegou ao Facebook e daí conquistou o mundo. «Sim, é uma história verdadeira», reforçava eu.
Era o que bastava para aguçar o apetite. Lá pegavam no livro, liam histórias do gato, viam as fotografias dele no autocarro e até dos seus amigo, fossem eles humanos ou felinos.
E pronto, lá fiquei também eu curioso (como um gato) e fui espiolhar melhor a história deste felino viajante de Plymouth, em Devon, que chegou até nós através da Casa das Letras.
Portanto, se gosta de gatos, dê uma hipótese ao Casper, o gato-viajante.
Já agora, a autora decidiu entregar os lucros para ajudar animais abandonados.

Umberto Eco regressa à ficção com «O Cemitério de Praga»

A Gradiva lançou recentemente o novo romance do escritor e ensaísta italiano Umberto Eco, intitulado O Cemitério de Praga, um romance que marca assim o regresso à ficção do autor de O Nome da Rosa e A Misteriosa Chama da Rainha Loana.

Sinopse: «Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, a disseminação gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios de Sião (que inspirará a Hitler os campos de extermínio), jesuítas que tramam contra maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras. Óptimo material para um romance-folhetim de estilo oitocentista, para mais, ilustrado com os feuilletons daquela época. Há aqui do que contentar o pior dos leitores. Salvo um pormenor. Excepto o protagonista, todos os outros personagens deste romance existiram realmente e fizeram aquilo que fizeram. E até o protagonista faz coisas que foram verdadeiramente feitas, salvo que faz muitas que provavelmente tiveram autores diferentes. Mas quando alguém se movimenta entre serviços secretos, agentes duplos, oficiais traidores e eclesiásticos pecadores, tudo pode acontecer. Até o único personagem inventado desta história ser o mais verdadeiro de todos, e se assemelhar muitíssimo a outros que estão ainda entre nós.»