«Eu Mato» – Giorgio Faletti

“Eu mato” é a mensagem deixada em directo numa rádio de Monte Carlo por um serial-killer antes de praticar no idílico principado do Mónaco os seus assassínios.
Eu Mato é, também, o título deste policial italiano, escrito por Giorgio Faletti (este é o seu romance de estreia) e recentemente editado em Portugal pela Contraponto.
Trata-se de um policial ao estilo europeu, apesar de ter por protagonista um norte-americano, que decorre num ambiente pouco habitual na literatura do género editada em Portugal (Monte Carlo) e com boas doses de sangue e horror. Apesar de ser um livro extenso, não lhe falta ritmo e acção, pois o que lá está, no texto, é material necessário. Encontrei aqui algumas semelhanças com o mestre francês do género (Jean-Christophe Grangé), nomeadamente na construção do perfil psicológico do assassino. Este, tal como em geral nas obras de Grangé, é requintadamente dedicado aos pormenores e sanguinário, ou não esfolasse ele as suas vítimas. Mas, faça-se justiça, Grangé segue num patamar superior… e a alguma distância.
O romance começa quando um conhecido locutor da rádio Monte Carlo recebe em directo no seu programa – em que conversa por telefone com os ouvintes – a chamada de um desconhecido que, com a voz distorcida, revela tratar-se de um assassino. Não é levado a sério, mas no dia seguinte um piloto de fórmula 1 e a namorada são encontrados mortos (e mutilados) no seu barco, que entrou descontrolado por uma marina dentro. E assim começou a série de crimes que dá corpo (e sangue) a este Eu Mato, que, é de destacar, tem uma capa bem apelativa a que a imagem anexa não faz justiça – o vermelho do sangue é brilhante, numa opção muito bem conseguida.
Um agente do FBI, Frank Ottobre, que viveu recentemente uma tragédia pessoal (a morte da mulher), apesar de relutante, acaba por se ver envolvido na investigação do crime, que passa por desvendar as pistas que o assassino deixa previamente em directo no já referido programa.
O livro, como seria de depreender pelo seu volume (cerca de 550 páginas), dedica muito do seu conteúdo à formação das personagens, algumas delas bastante interessantes e bem construídas, embora por vezes não fujam ao estereótipo – mas, ei, também não se pode estar sempre à espera de inovação, certo? –, como o agente que quer descansar mas que se vê obrigado a ajudar o amigo que o tinha acolhido no pacato Mónaco. Mas é das relações entre as personagens, muitas vezes cruzadas, que vive muito este thriller, que assim tem uma boa base onde assentar, de modo a não se limitar a ser “apenas” mais uma história típica de crime à espera de ser resolvido.
Uma boa estreia na escrita de Giorgio Faletti, que antes já se tinha dedicado à música e à representação. Vamos lá ver se pega em Portugal e repete, na devida escala, o êxito de Itália, onde vendeu mais de três milhões de exemplares.