«Contagem Decrescente» – Ken Follett

O escritor galês Ken Follett é sem dúvida um dos autores que nos últimos tempos mais livros tem visto serem editados em Portugal. Parece que há uma fonte inesgotável de romances onde as editoras vão sacar de mais um Ken Follett – pelas minhas contas já são três as editoras que apostam no autor dos “gigantes” Os Pilares de Terra e Um Mundo sem Fim.
Já me sentia “incomodado” por nunca ter lido um livro do autor, mas na verdade Os Pilares de Terra e Um Mundo sem Fim não tinham temáticas que me atraíssem por ai além. E o tamanho…
Mas eis que começam a aparecer outro tipo de romances de Follett mais ao meu gosto. Um deles foi Contagem Decrescente, editado pela Casa das Letras, depois de há uns anos ter saído na Notícias Editorial. Tinha lá vários ingredientes que me atraíam: espionagem, Guerra Fria, conquista do espaço, um protagonista que perde a memória. Está na hora de ler um Ken Follett, pensei. E assim foi, e não dei o tempo por mal gasto. Também se diga que na verdade não foi gasto muito tempo, apesar das suas mais de 400 páginas este romance é de leitura “fácil”. A escrita de Follett é simples, sem rodeios, e neste Contagem Decrescente não há grandes trechos descritivos – calculo que nas obras que citei antes não seja bem assim…
A acção deste thriller (e nele não falta acção) decorre em 1958 por altura do lançamento do Explorer I, foguetão de cujo sucesso do lançamento depende o futuro do programa espacial norte-americano. O protagonista, Claude Lucas, acorda amnésico vestido com roupas de vagabundo. Mas aos poucos vai descobrindo dados sobre a sua identidade, sobre o programa espacial e sobre o que o levou a perder a memória. Compreende que não foi por acaso que ficou amnésico e conforme vai recuperando amigos, conhecimentos e memórias começa a juntar as peças que lhe permitem deslindar o que está por trás deste caso, onde há a mão, naturalmente, dos soviéticos. E dos inevitáveis agentes duplos. Follett vai descrevendo o desenrolar da história com simplicidade, proporcionando uma leitura descontraída, onde não faltam os elementos amorosos, bem enquadrados na trama, pois são eles até que permitem a Claude desvendar quem é ele próprio.
É bom regressar neste Contagem Decrescente aos tempos sem telemóveis nem outros tipos de comunicações ultra-rápidas, uma época em que mesmo a nível de espionagem as coisas corriam a outro ritmo. Os protagonistas têm de se deslocar mais, não resolvem tudo em frente ao computador e em segundos. Há mais viagens, comboios, aviões, documentos em papel, e poucos meios tecnológicos, apesar de, paradoxalmente, o tema central ser a conquista do espaço.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.