“Frankenstein – O Filho Pródigo” – Dean Koontz

Frankenstein regressou. Cerca de duzentos anos depois, Victor Frankenstein e o monstro por si criado, personagens nascidas da pena de Mary Shelley, regressam ao contacto com os leitores, desta vez por iniciativa do norte-americano Dean Koontz. O autor resolveu, em boa hora, fazê-los reaparecer na actualidade, criando uma série que decorre em Nova Orleães e que em Portugal sai com o selo da Contraponto.
No primeiro volume – O Filho Pródigo – Victor Frankenstein continua vivo (graças ao seus conhecimentos médicos e a uma bem-sucedida pesquisa regeneradora do corpo humano) e continua megalómano, apostado em assumir-se como um Deus gerador de vida e criador de uma raça superior, pelo menos no que toca a servi-lo ao seu gosto. O seu monstro inicial, composto com base em cadáveres, é já algo obsoleto e faz parte do passado. Victor Helios, é esse o seu nome actual, pretende propagar a partir de Nova Orleães a sua Nova Raça, constituída por criaturas perfeitas que deverão substituir os seres humanos. Com um corpo perfeito, mas livres do empecilho que é a alma, essas criaturas respondem às exigências do seu amo. No entanto, o monstro original – Deucalião – continua vivo e, depois de ter visto nascer em si ao longo de décadas uma espécie de alma, está determinado em travar os planos do seu criador.
Dean Koontz, dessa forma, retoma a ideia de equacionar quem será, verdadeiramente, o monstro, levando a discussão para lá do aspecto exterior de cada um.
Apresentado ao estilo de um thriller policial, O Filho Pródigo, onde não falta um casal de detectives (Carson O’Connor e Michael Maddison), é um livro com bastante ritmo e suspense, que daria, mais do que um filme, uma boa série televisiva. Estes polícias têm de lidar com um assassino que atormenta Nova Orleães e baralha a investigação ao comportar-se de uma forma pouco “normal” para um serial killer. Escolhe meticulosamente as suas vítimas para lhes tentar retirar a humanidade que lhe falta si próprio, pois ele é uma das criações sem alma de Victor Helios – embora estranhamente sinta a falta dela. Deucalião está determinado a pôr fim à situação e torna-se no estranho aliado da dupla de detectives, que naturalmente têm dificuldade em encaixar um “colega” disforme e coberto de tatuagens. Ducalião sabe que o problema não irá terminar com a captura do assassino, pois quem o criou é um mal bem maior. Entretanto, vamos acompanhando os pensamentos e comportamento de Helios na sua demanda para tentar fabricar, por tentativas, o ser perfeito. Acompanhar o funcionamento da mente de Helios é uma das grandes mais-valias deste romance, pois revela uma série de ideias assustadoras, justificadas por uma ambição desmedida pela perfeição onde não cabe, naturalmente, a vontade e a iniciativa própria – o ideal de qualquer regime ditatorial que só pretenda uma massa trabalhadora e amorfa, uma verdadeira legião de robôs em corpo humano.
Um bom arranque para uma série que promete muito mais se continuar a desenvolver bem as ideias lançadas neste O Filho Pródigo, pois mistura bem o fantasioso e irreal com o dia-a-dia “normal” de uma urbe complexa e violenta como Nova Orleães, já habituada, no mundo da literatura, a lidar com vampiros e lobisomens e, no mundo real, com o vudu.

Um pensamento sobre ““Frankenstein – O Filho Pródigo” – Dean Koontz

  1. edson

    otima leitura rapida ao mesmo tempo dinamica vale a pena conferir como sempre Dean Koontz surprende com um enredo intrigante de facil leitura a qualidade deste livro lembra muito um dos seus livros intensidade.

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