“A Profecia de Istambul” – Alberto S. Santos

Alberto S. Santos, o autarca escritor português que surpreendeu em 2008 com o romance histórico A Escrava de Cordóva, voltou à carga em finais de 2010 com A Profecia de Istambul (Porto Editora).
O autor insistiu no romance histórico e é visível que tem uma grande paixão por esta área. Essa paixão, contudo, acabou, em parte, por traí-lo, como explicarei mais adiante.
A acção de A Profecia de Istambul decorre no século XVI e na sua essência desenvolve-se em torno da Lança do Destino, um objecto poderoso que desde a era de Cristo tem estado presente (e influenciado) diversos momentos históricos de capital importância para o mundo. O Mediterrâneo é o palco privilegiado deste romance, principalmente Istambul, Argel e Salónica, sempre com as guerras e diferenças religiosas a marcar o ritmo dos acontecimentos.
Corsários, cativos, renegados conquistadores e judeus povoam uma bela demanda capaz de agradar aos amantes do romance histórico e, em simultâneo, aos adeptos de um bom livro de aventuras, não faltando sequer uma história de amor (quase) impossível. É portanto um livro capaz de cativar diversos públicos sem que isso implique desiludir uns e outros. Ou seja, pode agradar a gregos e troianos. (Já agora, um aviso ao público masculino: Não se deixem influenciar pela capa, que pode parecer mais predestinada às leitoras. Se tiverem problemas, podem ser encapar o livro, como se fazia há uns anos.)
Mas, regressando ao essencial (o conteúdo), é de realçar que em A Profecia de Istambul a ficção está muito bem enquadrada com os factos históricos, o que dá solidez e credibilidade ao romance.
Uma pecha em A Profecia de Istambul é o facto de demorar demasiado tempo a desenvolver o enredo. O enquadramento do tema central da história é algo longo, o que acaba por retirar algum ritmo e dinamismo à obra. Não restam dúvidas de que o autor estudou bem a temática e foi minucioso ao colocar os seus conhecimentos no papel, recorrendo a uma escrita precisa e cuidada. Contudo, isso retira alguma emoção e alma à obra. Dá a ideia de que Alberto S. Santos não quis desaproveitar os conhecimentos adquiridos e optou por colocar informação em excesso. A escrita é cativante, sem dúvida, mas enquanto leitor gostaria de ter visto os personagens a ter outra importância. Estão bem trabalhados, mas por vezes parecem vergados pelo peso do enquadramento histórico, sendo relegados para segundo plano. O livro poderia envolver mais o leitor se poupasse nas descrições.
Mas quem quiser uma boa história (e bem escrita) e aprender História, não hesite.

2 pensamentos sobre ““A Profecia de Istambul” – Alberto S. Santos

  1. Pingback: Entrevista a Alberto S. Santos – Autor de «A Profecia de Istambul» | Porta-Livros

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