“A Nossa Telefonia” conta 75 anos de história da rádio portuguesa

gA Nossa Telefonia – 75 anos de Rádio Pública em Portugal, obra coordenada por Joaquim Vieira com textos de Manuel Deniz Silva, Nuno Domingos e Pedro Russo Moreira e pesquisa iconográfica de Mafalda Lopes da Costa, foi editado pela Tinta da China. O livro contém um CD com sons do arquivo sonoro da rádio pública.

Sobre o livro: «Foi sempre a rádio de todos nós, não necessariamente porque cada um se identificou com ela em cada momento, mas porque todos a fomos pagando ao longo das últimas três gerações, assim depositando legítimas esperanças de que viesse a cumprir pelo menos alguns dos nossos anseios auditivos. A rádio pública, fundada oficialmente em 1935, esteve presente em 75 dos 85 anos de história das emissões radiofónicas regulares em Portugal, influenciando de maneira decisiva a vida espiritual dos portugueses. O presente volume, historiando a evolução da estação emissora estatal no contexto da rádio portuguesa, encontra nessa circunstância a sua razão de ser. A rádio pública difundiu – e continua a difundir – não apenas programação e informação, música e palavras, mas também ideologia e cultura, por um lado, profissionalismo e inovação técnica, por outro – o que lhe dá um lugar à parte no panorama da radiodifusão no nosso país.» Joaquim Vieira

“O Gato do Simon Pula a Cerca” – Simon Tofield

O gato do Simon está de volta. Depois do divertido livro de estreia, Simon Tofield apresenta-nos mais uma série de divertidas aventuras do gato mais… gato do mundo. Sim, porque gato mais gato do que este não há. Quem tiver gatos, ou os conhecer bem, perceberá por certo o que quero dizer.
O Gato do Simon Pula a Cerca, editado pela Objectiva, segue basicamente o caminho da obra anterior, embora com uma pequena alteração, pois desta vez trata-se de uma aventura que decorre ao longo de todas as páginas. Mas descansem, dá para ler salteado, pois na essência trata-se de um conjunto de sketches (uns só de uma prancha, outros de mais) tão ou mais divertidos do que os anteriores.
Desta vez, o “nosso” gato sai de casa e vai conhecer o mundo, ou pelo menos os arredores do seu lar. Mas, para ele, é todo um mundo novo que se estende e abre à sua frente, recheado de criaturas com as quais vai ter de lidar e que, ao contrário do que acontece em casa, não estão ali para o servir e mimar. A saída de casa dá-se depois de um banho forçado que Simon o obriga a tomar (com a toda a confusão que daí se gera) e então não vê alternativa que não seja partir. Na sua viagem pelo mundo rural trava conhecimento, amizade e inimizade com coelhos, ouriços-cacheiros, gatos do campo, vacas, pássaros, etc. As surpresas que vai encontrando pelo caminho dão origem a situações divertidíssimas, apuradas pelo brilhante sentido de humor de Simon Tofield, que sem palavras e um traço simples em folhas brancas transmite uma série de sensações inigualáveis.
Tofield socorre-se dos seus quatro gatos para se inspirar para criar as histórias e está provado que tem um acentuado poder de observação. E, principalmente, tem uma capacidade ímpar para transformar isso em divertidas histórias de um gato preguiçoso e egoísta, ou seja, de um vulgar gato.
Já agora, avise-se que neste O Gato do Simon Pula a Cerca continua a haver espaço para as suas aventuras “caseiras”, pois o “tal” banho só acontece depois de uma série de asneiras e abusos desesperantes para Simon. A seguir, sim, temos a saudável vida no campo.
Já agora, será que o terceiro livro irá ter um cenário urbano, recheado de gatos de rua?
Algumas versões em desenhos animados destas histórias estão disponíveis em www.simonscat.com

“O Rapto do Pai Natal” nas novidades Porto Editora

A Porto Editora acaba de lançar no mercado três novos títulos da colecção Oficina dos Sonhos, a saber O Rapto do Pai Natal, de L. Frank Baum (autor de O Feiticeiro de Oz), Sem Palavras, de Eugénio Roda, e Cinderela, o último livro de João Paulo Seara Cardoso. O primeiro destes livros integra a secção “Clássicos” e os outros dois a secção dedicada a obras contemporâneas de autores portugueses.

O Rapto do Pai Natal
«Um dia, o Pai Natal é raptado pelos demónios maldosos da montanha que querem impedi-lo de distribuir as prendas pelas crianças, forçando-as a irem ter com eles. Serão o Pai Natal e os seus ajudantes capazes de vencer as forças do mal?»

Cinderela
«Esta não é uma Cinderela tradicional. Há uma reescrita, um tanto ou quanto anacrónica, da história tradicional, a partir das versões de Perrault e Grimm. Personagens saídos de outros contos caem do céu para dificultar a vida a Cinderela. Há uma Bruxa Má que detesta histórias com final feliz e um Lobo Mau disfarçado de GNR a patrulhar as estradas da floresta. Os Sete Anões são chamados a salvar Cinderela da morte certa, na sua qualidade de especialistas em técnicas de salvamento de meninas envenenadas. A Fada-Madrinha é uma tia irascível e ajusta contas com a Bruxa Má, num combate de wrestling. No final Cinderela casa mesmo com o príncipe e têm imensos filhinhos, para descanso de todos.»

Sem palavras
«Com palavras pensamos, dizemos, comunicamos. Com palavras escrevemos, lemos, brincamos. Sem palavras, como seria? E o que aconteceria a alguém que perdesse as suas palavras? Vou contar-te por palavras minhas. Também podes contar por palavras tuas.»

QuidNovi apresenta a 14 de Dezembro, em Gaia, “Os Anos da Guerra Colonial”

A QuidNovi apresenta a 14 de Dezembro, em Gaia, Os Anos da Guerra Colonial, obra assinada em parceria por Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, ambos coronéis do Exército. O livro será lançado pelas 18h30, na Sala de Âmbito Cultural, piso 6, do El Corte Inglés, cabendo a apresentação ao coronel David Martelo.

Sobre o livro: «Saber o que aconteceu durante os anos de 1961 a 1975, os anos em que a Guerra Colonial esteve no centro da nossa História, das nossas vidas. Saber o que aconteceu em cada um dos locais onde a guerra foi travada, nas “picadas” mais perigosas, nas “matas” do Norte de Angola e de Moçambique, nas “chanas” do Leste, nas “bolanhas” da Guiné, a bordo de navios e lanchas, de aviões e de helicópteros. Saber o que pensaram os homens que decidiram a guerra, que a conduziram, que a fizeram de ambos os lados. Mas pretendemos também Compreender. Compreender por que foi assim que os factos aconteceram, por que foram escolhidas estas soluções e não outras. Compreender as dúvidas dos homens que tiveram de decidir num momento o caminho a seguir e ajudar a perceber as consequências dessas decisões. É, pois, sobre o Saber mais e o Compreender melhor os anos da Guerra Colonial que trata esta obra.»

“O Fantasma dos Sete Mares” dá seguimento à colecção Capitão Fox

A Booksmile lançou recentemente o segundo número da colecção Capitão Fox, O Fantasma dos Sete Mares, de Marco Innocenti e Simone Frasca, depois de o primeiro número – O Pirata da Ilha do Nevoeiro – ter sido publicado pela Vogais & Companhia. Trata-se de uma colecção para crianças com mais de oito anos que apela ao imaginário dos piratas. Assim, as crianças são convidadas “a embarcar no navio Camaleão e juntar-se à tripulação liderada pelo corajoso Capitão Fox e animada pelo Ratinho Ricky”.

Sobre o livro: «As emoções fortes continuam para o Ratinho Ricky e para a tripulação de piratas do navio Camaleão, a quem se juntam novas e divertidas personagens. Entre perseguições e duelos serão também desvendados os segredos que o coração de um pirata esconde. E só com a ajuda de uma criatura misteriosa que ascende das profundezas dos Sete Mares é que os nossos heróis poderão triunfar.»

 

“Desejo Insaciável”, de Kresley Cole, já nas livrarias

A Gailivro editou recentemente na colecção 1001 Mundos Desejo Insaciável, da norte-americana Kresley Cole, uma história (bem tórrida, por sinal) que mistura lobisomens, vampiros e valquírias.

Sobre o livro: «UM GUERREIRO MÍTICO QUE TUDO ENFRENTARÁ PARA A POSSUIR…
Depois de sofrer anos de tortura às mãos da horda vampírica, Lachlain MacRieve, líder do clã de lobisomens, está furioso. Ele descobriu que a companheira, que lhe estava predestinada e pela qual esperou um milénio, é uma vampira. Ou meia vampira.
Emmaline é pequena, etérea, meio valquíria, meio vampira, mas de certo modo acalma a fúria que arde dentro dele.
UMA VAMPIRA ENREDADA NA SUA MAIS SELVAGEM FANTASIA…
Emmaline Troy sempre foi protegida e, finalmente, partiu à descoberta da verdade sobre os pais, até que um poderoso lobisomem a reclama como companheira, forçando-a a regressar com ele ao seu castelo na Escócia. Lá, o medo face ao seu raptor e aos seus obscuros desejos cedem lentamente perante uma corte sedutora que a fará aperceber-se dos seus anseios mais secretos.
UM DESEJO QUE TUDO CONSOME…
Mas um mal antigo do seu passado reaparece…
Será que o seu desejo consegue levar um guerreiro orgulhoso a render-se e a transformar uma criatura gentil e frágil na guerreira que ela nasceu para ser?»

José Eduardo Agualusa – Entrevista a propósito de “Milagrário Pessoal”

O angolano José Eduardo Agualusa é um contador de histórias. Pequenas ou grandes, não há como fugir a isso. Milagrário Pessoal, o seu último romance (edição Dom Quixote), é um excelente exemplo disso. Há uma história de amor, central, mas à volta dela decorre uma infinitude de outras histórias. E no meio de tudo isto e ao longo de todo o livro há uma defesa (e um elogio) da língua portuguesa. Agualusa, numa visita em Novembro ao Norte de Portugal, falou de tudo isto, e muito mais, ao Porta-Livros e manifestou a sua estranheza por não haver outros autores a dedicarem os livros seus à língua portuguesa. A conversa serviu também para falar de Angola e da profunda desilusão que sente por ver o país seguir um caminho que não era o previsível depois de terminada a guerra. “Parece um disparate completo, não se compreende, não faz sentido nenhum”, diz relativamente à situação que se vive em Angola.
(Fotografia de Jorge Simão)

Começando por uma pergunta básica, diga-me o que o levou a colocar os neologismos como base do seu romance Milagrário Pessoal?
A questão dos neologismos é um pretexto. O livro conta a história de um homem que se apaixona por uma mulher e que para a seduzir lhe oferece uma maneira de dizer o mundo, uma linguagem nova. A história dos neologismos é um pretexto para contar essa outra história de amor e para falar da construção de uma língua, desta aventura que é a construção da língua portuguesa.

E porque sentiu necessidade de dedicar um livro à língua portuguesa?
É uma coisa que já está dentro de mim há muito tempo, é uma questão que me interessa muito. Eu trabalho com a língua, com a palavra, e desde que me conheço que tenho um grande interesse em perceber como é que surgem as coisas, tudo o que diga respeito à linguagem, a origem da língua. Para mim é um assunto absolutamente fascinante, que, aliás, acho que interessa à maioria das pessoas.
Por exemplo, mesmo este barulho todo que se fez, aqui, à volta do acordo ortográfico, não merecia, porque não é um assunto muito interessante. Mas mexeu com as pessoas porque mexe com a linguagem. O que é estranho é não ter havido ninguém antes de mim a escrever um romance sobre a língua portuguesa, porque parece um tema óbvio.

Conhecedor como é do português que se fala em Angola, Portugal, Brasil, pensa que haverá uma tendência para este se unificar ou cada vez mais para em cada região ou país haver um português diferente?
Há sempre dois sentidos, duas forças. As línguas tendem a separar-se em situações de isolamento. O crioulo de Cabo Verde só foi possível porque aconteceu numa ilha. Não há crioulos em Angola, no Brasil, porque não houve isolamento suficiente. Houve tanto em Angola como em Moçambique situações quase de crioulo, mas depois nunca chegou a afirmar-se. Ora a situação que vivemos hoje no mundo é o contrário disso, de grande mobilidade. Nunca como agora houve tanto movimento de pessoas e ideias entre todos os países de língua portuguesa. Hoje, qualquer português, desde o da cidade ao do interior, do campo, tem um conhecimento relativamente profundo do português do Brasil graças às telenovelas. Isto é algo completamente novo. Há trinta anos um português não sabia distinguir a variante carioca da variante nordestina, hoje qualquer um sabe. Da mesma maneira, há actualmente um grande número de brasileiros em Angola, em Portugal, de portugueses em Angola, então há um trânsito enorme que nunca houve. E isso faz com que a língua se aproxime. Os jovens portugueses hoje apropriam-se da variante do português angolano, por causa da música, como a dos Buraka Som Sistema, que tem uma influência grande na juventude.

Sente que há pessoas reticentes, até conservadoras, em adoptar palavras novas que podem vir de Angola, ou do Brasil, ou isso será mais a posição de algumas elites que ficam mais incomodadas?
A gente vê na juventude, e a portuguesa é muito receptiva. Aliás, a juventude é sempre receptiva a novidades. Acho que só entram na língua as palavras – essa questão entra no livro a dada altura, há uma jovem linguista que diz isso – que têm de entrar, as outras não entram, ficam à porta. As línguas são assim mesmo, e o que tento mostrar no livro é isso: o português é uma construção colectiva desde a origem, com uma contribuição africana muito grande desde o início. É bom lembrar que antes de Portugal colonizar África, África colonizou Portugal durante oito séculos, mais tempo do que Portugal passou em África, através dos árabes. E a contribuição do árabe para a língua portuguesa é essencial e toda a gente a conhece. As pessoas não conhecem tanto a contribuição africana, mas há, há muitos séculos, palavras dentro da língua portuguesa que vêm do quimbundo, de Angola, que estão lá há tanto tempo que as pessoas não se apercebem disso. Por exemplo, “cambada”, que vem de “camba/amigo”, e “minhoca”.
O português é uma construção conjunta de toda a gente que fala português e isso é que faz dele uma língua tão interessante, com tanta elegância, elasticidade e plasticidade. Mesmo em relação ao Brasil, também insisto sempre, não acredito que vá haver uma aproximação, mas, se acontecesse, era uma reaproximação, porque na realidade o português do Brasil tem a ver com o português arcaico.

Não pensa que seria necessário desdramatizar um pouco o aparecimento de palavras novas, como as que chegam, por exemplo, através da internet, como “googlar”?
Dessas palavras, só vão ficar as que são úteis, aquelas para as quais não há um equivalente. Lembro que quando foi das novelas houve uma grande discussão em Portugal, que entretanto desapareceu, com o argumento de que o português do Brasil estaria a colonizar Portugal, o que não se verificou. Entraram aquelas expressões, duas ou três, para as quais não havia um equivalente, as outras não entram. Os portugueses não dizem “cara”.
Mesmo dentro de Portugal parece-me mais ameaçador, e aí já se nota a diferença, a uniformidade de sotaques da própria televisão. Aqui no Porto, por exemplo, por que é que não há locutores com sotaque do Porto nas televisões nacionais? Ou alentejano? Isto é mais importante, mas ninguém fala nisso. Há um movimento de uniformização por causa das televisões.

Agora, falando um pouco a um nível mais pessoal. Por vezes, quando está a escrever, não sente necessidade de criar palavras? E, por outro lado, não há palavras que o repugnam e que gostaria de eliminar do dicionário de português?
Bem, eu aí, como escritor, tenho a vantagem de não utilizar quando não gosto. O livro também fala um pouco disso, de certas palavras que são utilizadas por políticos, horrorosas, burocratas. Por outro lado, também há situações em que eu, enquanto escritor, sinto necessidade de criar. Este livro tem algumas brincadeiras, algumas situações, mas a mim interessa-me, por exemplo, os arcaísmos. Tenho muita pena de certas palavras muito bonitas que se perdem, que deixam de ser utilizadas, e o que tento fazer nos meus livros é recuperá-las, colocá-las em circulação. Não é fácil, mas acho que todos temos essa obrigação de não deixar morrer certas palavras.

Chega a incorporar personagens reais nas suas histórias. O que é que sente ao mexer na vida dessas pessoas e a criar facto ficcionais à volta delas?
Há vários tipos de personagens. Este livro, por exemplo, é uma homenagem a três personalidades angolanas, duas das quais foram marcantes na minha formação, o Mário António de Oliveira, que não conheci pessoalmente, e o Mário Pinto de Andrade. E um anarquista angolano muito pouco conhecido, uma homem que combateu na guerra civil de Espanha e depois fez a libertação de Paris. A minha personagem principal pega nisto, numa amálgama destas três figuras. O Mário Pinto de Andrade aparece como personagem num outro livro meu, Estação das Chuvas. Para mim foi uma maneira de continuar um diálogo com ele, era uma pessoa por quem tinha uma consideração muito grande e com quem gostava muito de conversar.
Noutros casos, é uma maneira de dar uma maior credibilidade à ficção. Acho que se tem de ter algum cuidado, é evidente, mas não é nada que eu tenha inventado, é uma coisa que a literatura universal faz.

As suas personagens ficcionais chegam a ganhar vida própria, perde o controlo sobre elas no processo de escrita, ou já sabe desde o início como vão evoluir?
Não, não sei. Acho que o mais interessante é isso, e se alguma coisa aprendi ao longo destes vinte anos que trabalho como escritor é deixar as personagens seguir os seus caminhos. O trabalho do escritor é seguir as personagens. Há determinadas personagens que nós pensámos que poderiam ter mais força e acabam por se revelar muito frágeis, e há outras que seriam secundárias e começam a ganhar força. Eu aprendi a deixá-las crescer. Devemos tentar segui-las e ir aprendendo a medida que nos vão abrindo portas e entrando noutros quartos escuros, que não conhecemos. O que o escritor tem de fazer é investigar, descobrir o que há a descobrir, e deixar a personagem crescer.

Alguma personagem sua alguma vez o desiludiu seguindo caminhos que não estava a espera que seguisse?
Não. Desiludiu mais no outro sentido de que há algumas personagens que eu esperava que crescessem e fossem mais fortes e revelam-se mais fracos. Há personagens que desaparecem nos livros. As mais interessantes, e isso não é novidade, são as mais perversas, porque são mais complexas e a maldade para mim é sempre uma estranheza. Que as pessoas sejam boas parece-me natural, que as pessoas sejam mas é que é estranho. Normalmente, as personagens perversas acabam por crescer mais, ganhar uma densidade maior.

Aproveita este livro – que tem a história central de amor, a questão da língua portuguesa – para contar várias histórias, nomeadamente aborda o problema da guerra em Angola. Sente-se um contador de histórias? Também escreve muitos contos, tem necessidade de ir contando essas pequenas histórias?
Sim, sim. Este livro tem imensas histórias ligadas à questão da língua e da linguagem e a maior parte delas são como rios que depois vão desembocando no mesmo oceano, que é a história maior.
Para mim, escrever é contar histórias, embora haja grandes escritores que são capazes de escrever um livro sem uma história. Mas são escritores com um estilo tão forte, com tantas ideias, que conseguem sustentar um livro assim. Para mim ainda é importante contar histórias.

Agradou-me bastante neste livro ver histórias como a do Zé do Telhado e atroca de correspondência com Camilo Castelo Branco. Isso é uma maneira de prender o leitor ou surgiu-lhe naturalmente?
Claro que vamos aprendendo estratégias de cativar o leitor.
O livro é também uma homenagem ao Camilo que foi um escritor com uma riqueza vocabular muito grande. É seguramente o escritor de língua portuguesa que tinha o maior fascínio pela palavra e com uma maior riqueza de vocabulário e então era quase impossível não prestar essa homenagem ao Camilo. Sendo ainda por cima um escritor que deixou tantos e tantos livros que permite jogar inventando livros. Os próprios camilianos ficam na dúvida; mesmo o camiliano mais feroz não conhece toda a obra do Camilo.

Vive entre Portugal e Angola. Como é que tem vivido esta fase em Angola do pós-guerra?
Infelizmente, há um ano que não vou a Angola, porque de há um ano para cá a situação complicou-se bastante politicamente. Em termos económicos o país continua a crescer, não tanto como seria previsível, e infelizmente a crescer também de forma desorganizada e com distorções muito graves. Mas continua a crescer… Agora do ponto de vista político, infelizmente aconteceu o contrário, ou seja, houve uma degradação. O que está a acontecer nos últimos meses é bastante preocupante, porque o regime está fechado. Os jornais e o jornalismo independente é algo de muito importante nesta fase, mas há falta de diálogo e falta de instrumentos de contestação. E o jornalismo independente tem vindo a ser perseguido. Dois dos principais jornais independentes foram comprados por uma empresa que ninguém sabe quem está atrás dela. E num jornal onde eu escrevia, A Capital, para o qual deixei de escrever, duas edições foram queimadas à saída da gráfica. Há jornalistas a ser perseguidos; Rafael Marques sofreu um atentado à vida dele há muito poucos dias. É muito preocupante.
Não se compreende, mesmo de um ponto de vista meramente estratégico. Parece um disparate completo, não se compreende, não faz sentido nenhum.
O regime percebeu que, faça o que fizer, desde que não sejam atrocidades desmedidas, não vai haver contestação, porque o país está a crescer economicamente e porque no caso de Portugal tem interesses cada vez maiores em Angola. Ao mesmo tempo que Angola tem vindo a aplicar dinheiro em Portugal e então o dinheiro fala mais alto, infelizmente.

Como encara este “regresso” de portugueses a Angola, como muitos encaram como sendo uma espécie de regresso ao “Eldorado” do passado?
Eu acho que as condições, mesmo políticas, não são as melhores. Quando se pensa que Angola continua a dificultar a concessão de vistos de trabalho… A maioria destes portugueses vai trabalhar com vistos de turismo, portanto vai trabalhar em situação igual, isto já diz tudo, não é favorável, não é como muita gente pensa, nada é fácil em Angola. Infelizmente, o que tem vindo a acontecer é que muitas pessoas se desiludem. Isso é mau porque eu gostaria era que houvesse um investimento continuado e sustentado, que as pessoas fossem bem recebidas e que ficassem, e não que fossem apenas ganhar uns trocos para voltar daqui a uns meses. Mas, infelizmente, não vejo condições políticas para isso.

Como é que os angolanos, as pessoas no dia a dia, encaram a presença dos portugueses em Angola?
Portugueses e não só, há portugueses, brasileiros, chineses, etc. Acho que, tal como em qualquer outro país, se houver crescimento as pessoas são bem recebidas. Se, como é o caso actual, esse crescimento não favorece a generalidade da população e a miséria continua a ser regra, há sempre sectores da sociedade que reagem negativamente. E Angola não é excepção. Angola tem uma forte corrente xenófoba, muito forte mesmo, que se explica assim: as pessoas vêem muita gente que vem e ganha dinheiro fácil e que se associa a sectores do regime mais corruptos e a generalidade da população não beneficia de nada. É uma tragédia e é muito triste que seja assim, muitíssimo lamentável. É um facto, Angola não é um país fácil e é um país no qual existe uma fortíssima corrente xenófoba, não há como iludir isto.

Como é que a literatura e outras formas de arte podem contribuir para melhorar a situação?
Eu acho que a literatura e as outras formas de arte – a música em Angola é muito importante – podem servir para provocar debate, para fazer com que determinadas questões possam ser discutidas mais abertamente. Resumindo, podem contribuir para uma melhoria do pensamento. A arte deve servir essencialmente para isso, para reflectir, e isso é particularmente importante num país como Angola que tem poucos mecanismos de diálogo, onde as pessoas ainda não se habituaram a falar umas com as outras.

Arcádia edita “Manual para a Correcta Manutenção do Macho”, de Jacopo Fo

A Arcádia, do grupo editorial Babel, lançou recentemente Manual para a Correcta Manutenção do Macho, de Jacopo Fo. O livro tem ilustrações originais de Rui Aleixo.

Sobre o livro: «Este livro pode ser de grande utilidade tanto para homens como para mulheres, dado que fornece informações essenciais sobre o amor a partir do cérebro. Este órgão reage aos estímulos do amor de uma forma substancialmente diferente consoante se trata de cérebro de um homem ou de uma mulher. Uma análise sobre o amor que, embora parta da neuropsicologia, é feita de uma forma divertida e ligeira, através da observação do quotidiano e da vida doméstica, da ciência e da arte. Um livro que ajuda o homem a compreender-se a si próprio e a mulher a compreender o seu parceiro.»

“Dias Comuns V – Continuação do Sol” dá seguimento ao Diário de José Gomes Ferreira

A Dom Quixote lança a 29 de Novembro Dias Comuns V – Continuação do Sol, quinto volume do Diário de José Gomes Ferreira. A obra começou a ser editada em 1990, como Dias Comuns I – Passos Efémeros, após o que se seguiram Dias Comuns II – A Idade do MalogroDias Comuns III – Ponte InquietaDias Comuns IV – Laboratório de Cinzas.
Este novo volume, inédito, reúne, indica a editora, “os textos e anotações do escritor de 1 de Junho de 1968 a 22 de Setembro do mesmo ano”. No início do livro, tal como em todos os outros, José Gomes Ferreira deixa o aviso: “Imprimam sempre esta sentença no princípio de todos os meus diários: Àqueles que ofendo, por ter sido mal informado, peço que me perdoem e continuem a sorrir para a imagem.”»
José Gomes Ferreira, poeta e ficcionista, nasceu no Porto, em 1900, e mudou-se para Lisboa aos 4 anos.
Foi cônsul na Noruega entre 1926 e 1929, período que esteve na génese do seu livro de contos Tempo Escandinavo, publicado em 1969, e reeditado, em Maio de 2009, pela Dom Quixote.
Da sua obra poética, destacam-se Lírios do Monte (1918), Longe (1921), Poesia I, Poesia II e Poesia III (1948, 1950 e 1961, respectivamente).
As suas crónicas foram reunidas nos livros O Mundo dos Outros (1950) e O Irreal Quotidiano (1971).
A nível de ficção escreveu O Mundo Desabitado (1960, posteriormente incluído em O Tempo Escandinavo), As Aventuras de João Sem Medo (1963), Imitação dos Dias (1996), Tempo Escandinavo (1969) e O Enigma da Árvore Enamorada (1980).
José Gomes Ferreira tem ainda um livro de reflexões e memórias, intitulado A Memória das Palavras (1965), que recebeu o Prémio da Casa da Imprensa.

“Viver Sem Ti” marca regresso da dupla Jorge Bucay e Silvia Salinas

A Pergaminho lançou Viver Sem Ti, dos argentinos Jorge Bucay e de Silvia Salinas, um livro, diz a editora, sobre a busca do verdadeiro amor. Esta dupla assinou antes o best-seller Amar de Olhos Abertos.

Sobre o livro: «Irene é uma prestigiada terapeuta de casais que dedicou toda a sua carreira a investigar os mecanismos do amor e a ajudar os seus pacientes a recuperar a autoconfiança após uma separação. A sua vida familiar e pessoal, aparentemente organizada e tranquila, vê-se virada do avesso no dia em que (ignorando o sábio conselho da sua avó Justina, que dizia “quem busca o que não deve, encontra o que não quer”) descobre, no bolso do casaco do seu marido Luís, a factura de um quarto de hotel em que ele esteve… com outra mulher.
A partir desse momento, Irene inicia um processo que tantas vezes ajudou os seus pacientes a encetar: o da separação, da aceitação de que a sua relação com Luís chegou ao fim. Prepara-se então para partir em busca de um novo amor, um caminho que a leva à autodescoberta e ao reconhecimento do seu poder de escolha.
Com inteligência, sabedoria e muito sentido de humor, os autores do best-seller Amar de Olhos Abertos apresentam a chave para escutar o coração e descobrir a autenticidade nas relações amorosas.»