O ataque do vampiro banana

Numa altura em que as estantes das livrarias estão cheias de livros sobre tansos, totós e bananas, assim como de vampiros, a Booksmile vai lançar uma nova categoria, o vampiro banana. Trata-se de O Diário de um Vampiro Banana, de Tim Collins (com ilustrações de Andrew Pinder), que tem por protagonista (e, portanto, banana) Nigel.

Sobre o livro: «Nigel Mullet é o primeiro vampiro banana da História: fracote, desajeitado e pouco popular na sua escola. Transformado aos 15 anos, o Nigel vai permanecer com esta idade para sempre, obrigado a lidar com os eternos problemas da adolescência: acne, voz de falsete e total falta de jeito para as raparigas.
Neste seu hilariante diário, o Nigel escreve pequenas crónicas sobre as suas desesperadas tentativas de captar a atenção do amor da sua vida, Chloe; do constante embaraço causado pelos seus pais vampiros (que por vezes tentam morder os seus amigos) e de como é injusto estar morto há mais de 80 anos e nunca ter tido uma namorada.
Debatendo-se com o seu constante e confuso desejo de afundar os caninos no pescoço de Chloe, será que o Nigel vai conseguir conquistar a sua miúda?»

Clube do Autor estreia-se a 7 de Outubro com Mário Zambujal e Takiji Kobayashi

O Clube do Autor, o novo projecto editorial liderado por João Gonçalves, lança a 7 de Outubro as suas duas primeiras obras: Dama de Espadas – Crónica dos Loucos Amantes, de Mário Zambujal, e Kanikosen – O Navio dos Homens, de Takiji Kobayashi. Se a qualidade do conteúdo for proporcional à das capas, estamos bem servidos.

Sobre os livros:

«Dama de Espadas – Crónica dos Loucos Amantes, de Mário Zambujal, o escritor que ao longo dos anos tem conquistado várias gerações de leitores, é uma obra singular sobre as conturbadas relações entre homens e mulheres, um livro bem-humorado e despretensioso, escrito no registo único e inconfundível inaugurado com Crónica dos Bons Malandros

«De Takiji Kobayashi, Kanikosen – O Navio dos Homens é um clássico japonês convertido em best-seller internacional com mais de 1 600 000 exemplares vendidos só no Japão. Classificado pelo Le Monde des Libres como “uma obra-prima”, Kanikosen surpreende pela actualidade do tema (a precariedade laboral e as inevitáveis consequências sociais) e pela força e crueza do relato.»

“O Bazar Alemão” – Helena Marques

Não conhecia a obra de Helena Marques, mas a capa de O Bazar Alemão cativou-me. Sim, é verdade, há quem se deixe levar pela capa, mas, afinal, essa é mesmo a função delas, certo? Mas é também verdade que se depois o texto não acompanhar o “deslumbramento” causado, não há capa que salve um livro.
Ora, depois de cativado pela capa de O Bazar Alemão (uma edição da Dom Quixote), fui cativado pelo conteúdo. O ponto de partida já de si era interessante, quanto mais no fosse por se tratar de um assunto que desconhecia por completo: a presença de nazis na ilha da Madeira no período pré-II Guerra Mundial e as suas acções no sentido de castigar os judeus locais. Percebi, também, que esta minha ignorância não era algo de muito estranho, já que a situação só há cerca de uma década chegou ao conhecimento geral através de uma investigação que veio a inspirar a própria Helena Marques a escrever este romance. E fê-lo com rigor, sem que isso prejudicasse a “alma” desta história de amor, ou melhor, de amores.
A escrita de Helena Marques é agradável de seguir e nota-se neste romance o seu apego à Madeira, onde tem as suas raízes. Aliás, há muito de autobiográfico em O Bazar Alemão. Nota-se aliás na descrição de ambientes e cenários/paisagens que não poderia tratar-se, apenas, de fruto de estudo e investigação – há ali algo bem mais pessoal.
Por muito estranho que possa parecer, até na Madeira os nazis tentaram dar seguimento à sua politica de perseguição de judeus, alguns deles refugiados na ilha, um local isolado de um país supostamente neutro. Também os alemães de origem hebraica que já estavam estabelecidos na ilha acabaram perseguidos pelos seus compatriotas nazis, que tentaram ultrapassar mesmo a autoridade local portuguesa para imporem os seus desejos de livrar o mundo de judeus. Apostando, neste caso português, principalmente na pressão psicológica, quase sempre exercida através de chantagens, denúncias, que visavam destruir a vidas de pessoas que ate então tinha sido suas vizinhas.
Mas esta não é, apenas, uma história sobre nazis perseguidores de judeus oprimidos: há aqui um retrato de época que vai além da temática do pré-Guerra. Helena Marques brinda-nos com histórias pessoais, principalmente de amor, e isso permite-nos, para alem da temática principal da obra, conhecer o dia-a-dia da ilha na época, não em todas as suas vertentes, mas essencialmente numa camada social mais média/alta (tem tanto direito quanto as outras a ser retratada num romance, certo?) Este O Bazar Alemão vive, portanto, muito dos casais que entretanto se formam, cuja vida amorosa é inevitavelmente afectada pelo rumo que o mundo estava a tomar, com a consequente necessidade de tomar partidos.
Quem gosta de História com histórias de amor, tem aqui um bom motivo de leitura. E quem gosta de uma boa história, também o tem.

“Pedras Ensanguentadas” – Donna Leon

Pedras Ensanguentadas (uma edição Planeta) foi o meu primeiro contacto com Donna Leon, escritora norte-americana considerada uma das grandes senhoras do crime. O título cai-lhe bem, na minha opinião. Não fiquei deslumbrado, é certo, mas foi com bastante interesse que li o livro.
Um dos motivos que até agora tinha inviabilizado a leitura, da minha parte, das obras de Donna Leon foi, sem dúvida, o tipo de letras escolhido para ilustrar as capas – aquilo faz-me lembrar a Nora Roberts e afins, e assustava-me, confesso. Afastado o preconceito e impelido pelo conselho de um colega blogger de quem prezo a opinião, lancei-me na leitura de Pedras Ensanguentadas. Até podia ter tropeçado, porque a tradução (e inevitavelmente a revisão) está sempre a colocar pedras no caminho do leitor – não ensanguentadas, também não é caso para tanto, mas que dá para uns arranhões, isso dá. “Apreender pessoas?” Isso não lembra a ninguém. Bem… pelos vistos lembrou.
“Nem por um instante lhe ocorreu que qualquer dos ministérios pudesse ter interesse em apreender simplesmente os assassinos do homem.” Está lá, quem vai da página 230 para a 231, depois de na 151 ter surgido “fariam pelo menos uma tentativa para apreender os culpados e seriam atrapalhados apenas pela inexperiência ou pela falta de imaginação”.
Já estão avisados que podem encontrar destas pedras pelo caminho, mas dêem-lhes a volta, porque de resto vale bem a pena.
Pedras Ensanguentadas é um policial clássico, protagonizado pelo comissário Guido Brunetti, uma personagem muito bem construída, que dá gosto conhecer. Enquanto ele investiga o crime, nós vamos conhecendo a sua vida, a sua família, o seu desencanto pelo modo de funcionamento da polícia e, naturalmente, os podres de Veneza, cidade que é, sem dúvida, a protagonista desta história.
Bem, e qual é o crime, afinal? Um senegalês vendedor ambulante ilegal é abatido a tiro junto aos seus colegas por dois assassinos profissionais. Brunetti fica encarregado de investigar o crime e depara-se com uma realidade que desconhecia. Os senegaleses ilegais, no fundo bem aceites pela população pois nunca se envolvem em problemas, vivem como fantasmas em Veneza, pois na verdade parecem desaparecer quando não andam no seu negócio. No fundo, são pura e simplesmente ignorados, são fantasmas. Aos poucos, ao estudar o caso, Brunetti vai conhecendo essa realidade, onde o problema do racismo, obviamente, está bem presente. Paralelamente à investigação, a autora aborda este problema noutras vertentes, nomeadamente na vida familiar do comissário. Sem tomar partidos, Donna Leon lança bases suficientes para iniciar a discussão e a reflexão, sempre em perfeita harmonia como o desenrolar do “policial” propriamente dito.
E chega-se à conclusão que, afinal, por detrás daquele homicídio há grandes interesses envolvidos, interesses internacionais que chegam até Angola. E são esses interesses que levam o superior de Brunetti a aconselhá-lo a deixar cair a investigação. E acham que o comissário lhe obedece? Claro que não! Por isso, é que vale a pena acompanhar a sua investigação. Quem o fizer vai encontrar uma boa e consistente história, uma interessante galeria de personagens e uma Veneza diferente da que é vendida aos turistas. Destaca-se a feliz descrição dos ambientes de Inverno, nomeadamente do natal em Veneza.
Assim, sugiro: deixe-se de apreensões e leia Pedras Ensanguentadas – sim, é verdade, “ensanguentadas” também não é uma escolha feliz para um título.

“Livro”, de José Luís Peixoto, chegou às livrarias

Livro, o novo romance de José Luís Peixoto (autor de Morreste-me, Cemitério de Pianos e Uma Casa na Escuridão, entre outros, e vencedor do Prémio Saramago), já chegou às livrarias, numa edição da Quetzal.

Sinopse: «Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade.
Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade.
Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura.»

ASA anuncia para Outubro lançamento de “Sunset Park”, o novo romance de Paul Auster

Sunset Park, o novo romance do norte-americano Paul Auster, chega em Outubro às livrarias portuguesas, em simultâneo com a edição original. Trata-se, segundo as Edições ASA, de “um romance sobre a América contemporânea e os seus fantasmas, com o colapso económico de 2008 como pano de fundo”. Ainda em Outubro, a ASA reedita Smilla e os Mistérios da Neve, de Peter Hoeg, uma obra de 1993 que foi na altura adaptada para o cinema por Bille August, num filme protagonizado por Julia Ormond. Este livro foi anteriormente editado pela ASA com o título A Senhora Smilla e a sua Especial percepção da Neve.

Sunset Park – Paul Auster
«Durante os meses sombrios do colapso económico de 2008, quatro jovens ocupam ilegalmente uma casa abandonada em Sunset Park, um bairro perigoso de Brooklyn. Bing, o cabecilha, toca bateria e dirige oHospital das Coisas Escangalhadas, onde conserta relíquias de um passado mais próspero. Ellen, uma artista melancólica, é assaltada por visões eróticas. Alice está a fazer uma tese sobre a forma como a cultura popular encarava o sexo no pós-guerra. Miles vive consumido por uma culpa que o leva a cortar todos os laços familiares. Em comum têm a busca por coerência, beleza e contacto humano. São quatro vidas que Paul Auster entrelaça em tantas outras para criar uma complexa teia de relações humanas, num romance sobre a América contemporânea e os seus fantasmas.

Smilla e os Mistérios da Neve – Peter Hoeg
«Smilla Jaspersen tem a neve em muito melhor conta do que o amor. Ela é especialista das propriedades físicas do gelo e vive num mundo de números, ciência e memórias. E, agora, está convencida de que ocorreu um crime terrível cuja vítima é Isaiah, um rapaz de seis anos. Para além da amizade que os unia, Smilla e Isaiah tinham em comum o facto de pertencerem à pequena comunidade de esquimós a viver em Copenhaga. Quando as conclusões do inquérito oficial apontam para acidente, Smilla suspeita. E à medida que reúne informação sobre o caso, apercebe-se das suas sombrias ligações. De uma expedição secreta à Gronelândia a uma estranha conspiração que data da Segunda Guerra Mundial, muito parece estar por explicar. Pelo seu amigo e por si, ela embarca numa jornada arrepiante de mentiras, revelações e violência que a levará de volta ao mundo branco que em tempos deixou para trás e onde um segredo explosivo aguarda debaixo do gelo…»

Os Pecados de Lord Easterbrook – Madeline Hunter
«Christian é excêntrico, enigmático, o mais famoso recluso da aristocracia inglesa. Vive isolado, não tem amigos e o seu coração nunca foi tomado por ninguém… com excepção de Leona, uma mulher determinada, exótica, belíssima. Mas isso aconteceu em Macau, naquela que parece ter sido uma outra vida.
As notícias da chegada de Leona a Londres deixam-no aturdido. Christian decide então que nada o impedirá de finalmente a possuir. Não podia saber que entre as famílias de ambos pulsam segredos impossíveis de ignorar… e que o grande amor da sua vida acalenta um mortal desejo de vingança!
Uma viagem no tempo até uma era marcada por escândalos, intriga e desejos secretos, no novo e sensual romance de Madeline Hunter: a história de um homem capaz de arriscar tudo pela mulher que ama – até a revelação do seu mais secreto pecado.»

Laços Eternos – Kate Jacobs
«O tão aguardado regresso ao terno e hilariante mundo d’O Clube de Tricô de Sexta à Noite.
A época festiva que se aproxima é a altura ideal para a jovem Dakota Walker exibir os seus dotes culinários, isto se não estiver demasiado ocupada a tricotar na Walker & Filha, a mais acolhedora loja de lãs de Manhattan… Graças à família e às amigas do Clube de Tricô, Dakota conhece o verdadeiro valor da amizade. Nos anos que se seguiram à morte da mãe, todos a acarinharam e ajudaram a crescer. Entre confissões, desabafos, novas e antigas paixões, o grupo resiste à dura rotina nova-iorquina e continua a manter os seus hilariantes encontros de sexta-feira. Para Dakota abre-se agora a possibilidade de visitar a família materna, na Escócia, e rever as pessoas e os locais que marcaram a infância e juventude da mãe. Mas algo que pode ser determinante para o seu futuro está a prendê-la a Nova Iorque e a colocá-la perante um dilema que não permite segundas oportunidades…»

“Um erro inocente”, de Dorothy Koomson, chega a 30 de Setembro

Um erro inocente, o novo romance da britânica Dorothy Koomson (autora do best-seller A filha da minha melhor amiga – 65 mil exemplares vendidos em Portugal), é posto à venda a 30 de Setembro, anunciou a Porto Editora.

Enredo: «O primeiro amor pode matar…
Durante a adolescência, Poppy Carlisle e Serena Gorringe foram as únicas testemunhas de um trágico acontecimento. Entre aceso debate público, as duas glamorosas adolescentes viram-se a braços com os tribunais e foram apelidadas pela imprensa de “As Meninas do Gelado”. Anos mais tarde, tendo seguido percursos de vida muito diferentes, Poppy está decidida a trazer ao de cima a verdade sobre o que realmente sucedeu, enquanto Serena, esposa e mãe de dois filhos, não pretende que ninguém do presente desvende o seu passado. Mas é impossível enterrar alguns segredos – e se o seu for revelado, a vida de ambas voltará a transformar-se num inferno…
Emocionante e enternecedora, esta história fará com que nos perguntemos se alguma vez poderemos conhecer verdadeiramente aqueles que amamos.»

ASA assinala 120.º aniversário do nascimento de Agatha Chirstie com edições especiais

As edições ASA resolveram assinalar o 120.º aniversário do nascimento de Agatha Christie com o lançamento em Outubro de novas edições de dois clássicos da autora, Um Crime no Expresso Oriente e Anúncio de um Crime. As obras vão ser lançadas em versões de capa dura.

Um Crime no Expresso Oriente
«Pouco depois das doze batidas da meia-noite, um nevão obriga o Expresso do Oriente a parar. Para aquela época do ano, o luxuoso comboio está surpreendentemente cheio de passageiros. A manhã seguinte vai começar da pior maneira. Embora o nevão tivesse isolado o comboio, impedindo quaisquer movimentações, um dos passageiros foi assassinado durante a noite.
Poirot aceita o caso, aparentemente fácil, que acaba por se revelar um dos mais espantosos de toda a sua carreira. É que existem inúmeras pistas e outros tantos suspeitos, sendo que todos eles estão circunscritos ao universo dos passageiros da carruagem. Para mais, o morto é reconhecido como sendo o autor de um dos crimes mais hediondos do século. Com a tensão a aumentar perigosamente, Poirot acaba por esclarecer o caso… de uma maneira a todos os títulos surpreendente!»

Anúncio de um Crime
«Anuncia-se um assassinato, a ter lugar em Little Paddocks, sexta-feira 29 de Outubro, pelas 18h30. Amigos, aceitem este convite, será o único.
É desta forma que o jornal local apresenta o enigmático anúncio que vai despertar grande entusiasmo em Chipping Cleghorn. Curiosos, todos os amigos e conhecidos de Letitia Blacklock, proprietária de Little Paddocks, decidem não faltar ao convite. Todavia, também Letitia é apanhada de surpresa; mas, como boa anfitriã que é, acha por bem participar na festa. Todos esperavam uma partida ou um jogo – escolhe-se um “assassino secreto”, apagam-se as luzes, a “vítima” cai e os jogadores tentam adivinhar quem foi o culpado. Prometia ser divertido, até que é encontrada a vítima… assassinada! Um jogo tão mortífero como este requer o melhor jogador de todos: Miss Jane Marple.»

Autores portugueses dominam novidades BIS – Leya

A Colecção BIS, livros de bolso do grupo Leya, foi enriquecida com mais sete volumes, com grande destaque para os autores portugueses, nomeadamente José Cardoso Pires, Gonçalo M. Tavares e Mário Zambujal. As obras agora editadas são Histórias Falsas, de Gonçalo M. Tavares, Gente Feliz com Lágrimas, de João de Melo, Primeiro as Senhoras, de Mário Zambujal, A Fúria das Vinhas, de Francisco Moita Flores, A República dos Corvos, de José Cardoso Pires, Da Liberdade de Pensamento e de Expressão, de John Stuart Mill, e O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy.

Histórias Falsas – Gonçalo M. Tavares
«Descia Mercator umas pequenas escadas quando deparou com o filósofo, pobremente vestido, sentado no chão, contra a parede, a comer lentilhas. Arrogante, mais do que era seu costume, cheio de vaidade pela riqueza que ostentava, e pelo estômago farto, disse, para Diógenes: – Se tivesses aprendido a bajular o rei, não precisavas de comer lentilhas. E riu-se depois, troçando da pobreza evidenciada por Diógenes. O filósofo, no entanto, olhou-o ainda com maior arrogância e altivez. Já tivera à sua frente Alexandre, o Grande, quem era este, agora? Um simples homem rico? Diógenes respondeu. À letra: – E tu – disse o filósofo – se tivesses aprendido a comer lentilhas, não precisavas de bajular o rei.»
Gonçalo M. Tavares

A República dos Corvos – José Cardoso Pires
«(…) Ouve-se um barco a roncar algures no rio. Nisto, o Corvo salta para um pequeno relvado aos pés dum monumento, e no relvado descobre, o quê?, uma moeda. Prata a luzir, o que ele gosta disso. Rapidamente, deita-lhe o bico e procura um sítio para a enterrar. Um corvo, como qualquer cidadão, tem todo o direito a brincar com o dinheiro, não é assim?»
José Cardoso Pires

Gente Feliz com Lágrimas – João de Melo
«Uma saga que irresistivelmente arrasta o leitor ao longo de cinco mundos, vividos e pensados através da obsessiva busca da felicidade que move os seus protagonistas. Concebida polifonicamente como a descrição dos vários modos de viver a amargura que medeia entre o abandono da terra e o retorno ao domínio do que é familiar, esta peregrinação possível, em tempos de escassez de aventura, é a definitiva lição de que o regresso não se limita a perfazer o círculo e constitui uma visão fascinante do Portugal que todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos.»

Primeiro as Senhoras – Mário Zambujal
«Primeiro as Senhoras não é uma continuação da Crónica dos Bons Malandros, o best-seller que revelou Mário Zambujal como um autor de surpreendente originalidade e humor. Mas neste livro voltamos a encontrar um “bom malandro”, com as suas aventuras, fantasias e emoções. A história conta-se num depoimento do protagonista a um silencioso inspector da Polícia que, tal como os leitores, página a página, vai conhecendo o currículo da personagem e os passos de um golpe que o levou a passar nove dias sequestrado. Sem perder de vista o destino da viagem, o passageiro é convidado a ir-se demorando em sucessivos apeadeiros, onde não faltam motivos para uma boa gargalhada ou para um gostoso sorriso de cumplicidade.»

A Fúria das Vinhas – Francisco Moita Flores
«Este romance recupera factos e histórias que Francisco Moita Flores não incluiu na série que escreveu para a RTP com o título A Ferreirinha. Narra a epopeia da luta contra a filoxera, uma praga que, na segunda metade do século XIX, ia destruindo definitivamente as vinhas do Douro. O autor criou um bacharel detective – Vespúcio Ortigão – que, na Régua, persegue um serial killer, confrontando-se com o medo, com as superstições, com as crenças do Portugal Antigo que, temente a Deus e ao Demónio, estremecia perante o flagelo da praga e dos crimes. É uma ficção, é certo, mas também um retalho de vida feita de muitos caminhos que a memória vai aconchegando conforme pode.»

Da Liberdade de Pensamento e de Expressão – John Stuart Mill
«Na obra Da Liberdade de Pensamento e de Expressão, John Stuart Mill defende o direito que o indivíduo tem de pensar e agir. Não preconiza a irresponsabilidade, o pensar e o agir segundo o que aprouver ao indivíduo, e sim a responsabilidade, a liberdade de saber o que pensar e o que fazer. Que cada indivíduo opte, em liberdade, por determinada maneira de pensar e agir – eis o pensamento central do autor.»

O Deus das Pequenas Coisas – Arundhaty Roy
«O Deus das Pequenas Coisas é a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no Sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. Uma história feita de muitas histórias. As histórias dos gémeos Estha e Rahel, nascidos em 1962, por entre notícias de uma guerra perdida. A de sua mãe Ammu, que ama de noite o homem que os filhos amam de dia, e de Velutha, o intocável deus das pequenas coisas. A da avó Mammachi, a matriarca cujo corpo guarda cicatrizes da violência de Pappachi. A do tio Chacko, que anseia pela visita da ex-mulher inglesa, Margaret, e da filha de ambos, Sophie Mol. A da sua tia-avó mais nova, Baby Kochamma, resignada a adiar para a eternidade o seu amor terreno pelo padre Mulligan. Estas são as pequenas histórias de uma família que vive numa época conturbada e de um país cuja essência parece eterna. Onde só as pequenas coisas são ditas e as grandes coisas permanecem por dizer.»

João Paulo Guerra estreia-se na ficção com “Romance de uma Conspiração”

Romance de uma Conspiração, que coloca Portugal no centro de uma intriga internacional, é a estreia na ficção do jornalista João Paulo Guerra, agora editado pela Oficina do Livro.

Sobre o Livro: «No dia 1 de Maio de 1964, com apenas 12 anos, Pedro assiste à morte do pai durante uma manifestação. Desse dia ficará uma mágoa imensa, a que se junta a carência do amor materno. Restam-lhe as memórias do afecto.
Anos depois, oficial da Armada, integra o grupo de militares que sonharam libertar Portugal da ditadura. Certo dia, uma ordem de operações coloca-o na pista de uma rede transnacional de conspiração e repressão que durante anos actuou a partir Lisboa.
Lisboa e a luz da cidade, Madrid e a grandeza da história, Luanda e a convulsão da guerra, são alguns dos cenários de Romance de uma Conspiração.
Baseada em factos reais, esta obra não contribui apenas para um maior conhecimento de um dos períodos mais ricos da História Contemporânea de Portugal como revela, também, uma estreia notável na ficção nacional: João Paulo Guerra.»