“O Confessor” – Daniel Silva

Na senda do mega-sucesso de O Código Da Vinci nasceu entre os leitores o desejo de “pegar” em mais obras em que os “condimentos” religião, mistério, intriga e espionagem estivessem bem presentes. As editoras não pensaram duas vezes e descobriram uma série de obras sucedâneas – umas melhores, outras piores – mas que vão satisfazendo a gula dos leitores. Uma dessas “descobertas” foi O Confessor, do norte-americano Daniel Silva (sim, tem antecedentes portugueses!), que a Bertrand trouxe até ao mercado nacional. Daniel Silva é filho adoptivo de pais portugueses e neto de um açoriano que era pescador. Considerado um digno sucessor de mestres do romance de espionagem ou de thriller político como Graham Greene e John Le Carré, Daniel Silva é um antigo jornalista da CNN convertido em escritor de sucesso: O Confessor, um dos seus inúmeros best-sellers, vendeu mais de 500 mil exemplares nos EUA. Esta obra tem por protagonista Gabriel Allon, agente dos serviços secretos israelitas que se “disfarça”, nas “horas livres”, de restaurador de obras de arte. Divido entre o remorso e a noção do dever cumprido, Gabriel leva uma vida pacata (mas misteriosa) em Veneza, onde se dedica ao restauro. Mas, quando um antigo companheiro de armas, Benjamin Stern, é assassinado sabe que tem de regressar à acção. Benjamin, um professor judeu, estava envolvido numa série de investigações sobre as dúbias posições da Igreja Católica durante o Holocausto e por isso já havia recebido várias ameaças de morte. Entretanto, em Roma foi eleito um novo Papa (Paulo VII), que pretende fazer um corte com o passado, ou seja, pretende implementar um relacionamento saudável com as outras religiões. Só que isso vai levar a que seja necessário mexer, precisamente, no papel da Igreja durante a Segunda Guerra Mundial, durante o pontificado de Pio XII. Assim, Paulo VII pretende abrir os arquivos do Vaticano, o que cria logo uma onda de contestação interna e o surgimento (ainda que escondido) de várias facções inimigas. Uma delas, a mais perigosa, que parecia em hibernação, não hesita mesmo em contactar um assassino a soldo, o “Leopardo”, um dos melhores na especialidade. Todo este cruzamento de intenções leva a antes inimagináveis alianças (para o Bem e para o Mal), numa teia bem urdida por Daniel Silva que, sem dúvida, mostra estar à altura de integrar o pelotão da frente dos “herdeiros” de Dan Brown. Bem documentado, tanto em questões religiosas, como históricas e políticas, Daniel Silva sabe como cativar o leitor, doseando bem a informação que deve proporcionar, socorrendo-se, ainda, de uma escrita simples (mas não básica!) capaz de prender com força. Para isso conta também com o talento de criar personagens fortes que se caracterizam, nomeadamente, por constantemente questionarem os seus próprios princípios e intenções, provando (sem fazer juízos) que entre o Bem e o Mal está sempre uma fronteira fina e pouco segura. Assim, sem heróis puros nem vilões puros, construiu uma história verosímil e bem fundamentada, fruto, por certo, da profunda investigação histórica que fez.

Um pensamento sobre ““O Confessor” – Daniel Silva

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