Margaret Atwood e “Como Deus Manda”, de Niccolò Ammaniti, em destaque nas novidades Bertrand

A Bertrand lançou a 26 de Março quatro novos títulos de literatura estrangeira, sendo de destacar Como Deus Manda, do italiano Niccolò Ammaniti, que já vendeu 700 mil exemplares em 44 países. Realce ainda para mais uma obra da canadiana Margaret Atwood, Desforra, assim como para O Cão dos Baskervilles, uma aventura do lendário Sherlock Holmes, e para O Filho do Dragão, primeiro volume da trilogia Rei Artur assinada por M-K. Hume.

Como Deus Manda – Niccolò Ammaniti
Sobre o livro: «Pautado pela violência, o humor negro e a ternura e narrado a um ritmo alucinante, Como Deus Manda apresenta uma desencantada visão da sociedade actual, através da peculiar relação entre um pai e um filho.
Sem rodeios, sem subterfúgios, desinibido, Ammaniti apresenta ao leitor um elenco de personagens inesquecíveis (que chegam por vezes a roçar o grotesco), numa encruzilhada entre a esperança e o desespero que tão bem caracterizam a dura escola da vida.
Cristiano tem treze anos e uma vida bem longe da perfeição. Quando o seu pai e dois amigos (Danilo e Quattro Formagi, o primeiro incapaz de superar a morte da filha e o abandono da mulher e o segundo com delírios psicóticos) engendram um plano para assaltarem um banco, Cristiano vê nisso a possibilidade de uma vida melhor.
Mas as coisas não correm bem. Numa apocalíptica noite de tempestade, o papel desempenhado por cada uma das personagens irá desencadear consequências terríveis. Enquanto isso, solidariedade, compaixão e lealdade alternam com episódios trágico-cómicos, onde não falta degradação moral (drogas, sexo e pornografia, adultérios, roubo e assassinato).»

Desforra – Margaret Atwood
Sobre o livro: «Nesta perspectiva inesperada sobre o tópico da “dívida” – um tema bem actual nestes tempos de convulsão económica causada pela derrocada de um sistema de entrelaçamento de dívidas – a lendária escritora Margaret Atwood explora o significado da dívida através dos tempos. Muitos nos perguntamos a nós próprios: como pudemos permitir que uma tal derrocada acontecesse? Até que ponto é antigo e inevitável este padrão humano?
Na sua vasta, divertida e imaginativa abordagem do tema, Margaret Atwood avança a ideia de que a dívida é como o ar que respiramos – algo que tomamos como dado até ao momento em que as coisas correm mal. E nessa altura, enquanto tentamos ganhar fôlego, ficamos subitamente muito interessados no assunto.»

Rei Artur – O Filho do Dragão – M. K. Hume
Sobre o livro: «A Idade Média: um tempo de caos e sangue derramado. As legiões romanas abandonaram há muito as Ilhas e o despótico Uther Pendragon, Grande Rei da Bretanha céltica, está prestes a morrer. Enquanto o tirano hesita, o seu reino está a ser despedaçado pelas querelas de reis menores que competem entre si pelo seu trono.
Nascido de parentesco desconhecido, Artorex cresce na casa de Lorde Ector, que acolheu Artorex em bebé nos seus braços. Um dia, três homens influentes chegam à villa de Ector e tratam das coisas para que a Artorex sejam ensinadas as técnicas marciais do guerreiro: espada e escudo, cavalo e fogo, dor e bravura. Quando regressam, anos mais tarde, Artorex está não apenas treinado nas artes do combate, como é também um homem casado.
O país encontra-se numa situação desesperada, porque as grandes cidades do leste estão a cair perante a ameaça das hordas saxónicas. Apesar de Uther, Artorex torna-se um chefe de guerra, e vence muitas batalhas que lhe fazem ganhar a confiança dos guerreiros celtas e provam que só ele consegue unir as tribos.
Mas para cumprir o seu destino e tornar-se o Grande Rei dos bretões Artorex tem de encontrar a coroa e a espada de Uther. O futuro da Bretanha está em jogo.»

O Cão dos Baskervilles – Arthur Conan Doyle
Sobre o livro: «Há cinco séculos que o Solar dos Baskerville alberga a família Baskerville. Quando o senhor da casa, Hugo Baskerville, aparece morto, com indícios de ter sido atacado selvaticamente por um animal, surge a lenda de que a propriedade é habitada por um cão negro, diabólico, que lança fogo pelos olhos e pela boca. Todos temem o terrível animal, e quem se atreve a aproximar-se da charneca junto ao solar onde a besta domina, morre. E é o que acontece a Sir Charles Barkerville, que aparece morto. A morte é desde logo atribuída ao cão que espalha o terror pelas redondezas.
O novo senhor do Solar, Henry Baskerville, sobrinho de Sir Charles, decide então recorrer a Sherlock Holmes para resolver o mistério que envolve a morte do tio.
Com a sua habitual argúcia, Holmes parte para o Solar, juntamente com o inseparável Doutor Watson, para procurar descobrir o misterioso animal e tentar impedi-lo de matar mais alguém, pois o perigo espreita em todo o lado.»

“O Poder e a Glória”, de Graham Greene, editado pela Casa das Letras

A Casa das Letras acabou de editar uma das obras clássicas de Graham Greene, O Poder e a Glória, assim como uma reedição Ainda Bem Que me Pergunta – O 1.º manual de escrita jornalística editado em Portugal, de Daniel Ricardo.

O Poder e a Glória – Graham Greene
Sinopse: «Este romance – o mais lido no século XX, em língua inglesa – é fruto de uma viagem que Graham Greene fez às terras de Tabasco para conhecer a perseguição religiosa que teve lugar nos anos vinte, no México.
O livro descreve as peripécias e os dramas do único sacerdote católico que continuava a exercer, clandestinamente, o seu ministério. Perseguido pela polícia, carregava consigo as cicatrizes do tempo: os gestos denunciavam um passado diferente e um temor em relação ao futuro. Não era nem herói nem santo, vivia como fugitivo, cheio de medos, com a consciência de ser um pecador, com o remorso de ter uma filha e, embora debilitado pela bebida, dizia zombeteiramente que com um pouco de conhaque era capaz de desafiar o demónio.
Um romance comovente em que, para este padre perseguido e fraco, a fé é uma certeza que não se deixa determinar pelas misérias.»

Ainda Bem Que me Pergunta – O 1.º manual de escrita jornalística editado em Portugal – Daniel Ricardo
Sinopse:
«Este livro é a versão actualizada e ampliada de Ainda Bem que Me Pergunta, publicado em 2003, com a chancela da Editorial Notícias. Trata-se do primeiro manual de escrita jornalística, editado em Portugal, de um autor português, para o público português. Como escrever com clareza e rigor semântico? Como estruturar uma notícia, uma reportagem, uma entrevista? Como elaborar os respectivos títulos? Como evitar as “armadilhas” ortográficas e gramaticais? As regras da escrita e de titulação são apresentadas, neste manual, de uma forma clara e simples, exemplificadas por textos e frases retiradas, na maioria, de jornais e revistas portuguesas de informação geral. Guia para jornalistas, colaboradores da Imprensa, professores e estudantes de Jornalismo, bem como para todos os que, por obrigação profissional, têm de escrever correctamente, Ainda bem que me Pergunta contém indicações concretas e fundamentadas que, além do mais, visam contribuir para que os leitores a criem um estilo próprio e elegante de escrita. Mas também, um minidicionário das dificuldades gramaticais mais comuns e a relação das principais alterações introduzidas na nossa língua pelo Acordo Ortográfico já em vigor.»

Você Está Aqui – Uma história portátil do universo – Christopher Potter
Sinopse:
«Este livro é uma biografia rigorosa e provocadora do universo desde o seu nascimento até aos dias de hoje. Uma narrativa exploratória de todas as grandezas, dimensões e realidades que estão irradiadas num lugar que é tudo e ao mesmo tempo não é nada. O autor demonstra que a ciência avança afastando a humanidade do centro da atenção cósmica, mas o universo reage colocando-nos de novo lá.»

Guerra Entre Mundos – Por que razão a Gestão e o Marketing têm perspectivas diferentes e quais as soluções – Al Ries e Laura Ries
Sinopse: «O nosso cérebro está dividido em dois hemisférios totalmente distintos. O esquerdo processa a informação em série. Trabalha de forma linear e metódica. O direito processa a informação em paralelo. “Vê” a ideia geral. Um dos dois lados é dominante. Qual é o seu caso? Se for gestor de uma grande empresa, o mais provável é pensar com o lado esquerdo. Antes de tomar uma decisão, quer a confirmação através de factos, números, dados de mercado e pesquisas de consumo. Se estiver a trabalhar na área do marketing, o mais provável é que pense com o lado direito. Muitas vezes toma decisões por “instinto”, com poucas ou nenhumas provas que confirmem essa decisão. Não poderia ser de outra forma numa disciplina criativa como o marketing. Usando algumas das marcas e produtos mais famosos do mundo, os autores mostram convincentemente porque é que algumas marcas tiveram sucesso (Nokia, Nintendo e Red Bull) enquanto outras entraram em declínio (Saturn, Sony e Motorola). Ao apresentarem-no, fazem uma chamada de atenção: para sobreviverem na sociedade actual, saturada de meios de comunicação, os gestores têm de saber pensar como os marketeers – e vice-versa. Os conhecidos gurus de negócios Al e Laura Ries descrevem pormenorizadamente a batalha entre a gestão e o marketing – e argumentam que a solução não está naquilo que pensamos mas na forma como pensamos.»

Mário Zambujal – Entrevista a propósito de “Uma Noite Não São Dias”

Autor. Esta é a palavra que Mário Zambujal escolhe para se definir. Nem escritor, nem jornalista, nem nada mais. Só autor. E foi enquanto “autor” de Uma Noite Não São Dias, editado pela Planeta, que conversou com o Porta-Livros. Falou do seu novo romance, mas também do inevitável Crónica dos Bons Malandros, sempre presente 30 anos depois de ter sido editado. E falou do futuro (a acção do seu romance decorre em 2044), de jornalismo (“temos um jornalismo em que não se respeita muito alguns deveres, mesmo deontológicos”), do processo de escrita (“As palavras não podem ser compreendidas só por um determinado núcleo de pessoas, há uma necessidade de clareza.”), e de muito mais, porque, além de autor, é um excelente comunicador.

Em Uma Noite Não São Dias viajou até ao futuro para, a essa distância, conseguir analisar/criticar mais à distância a actual sociedade?
É claro que está mais em causa a sociedade actual. O livro é uma paródia, não tem nada de científico. De qualquer forma, tem indícios e tendências, como são o facto de o governo em 2044 só ter mulheres. Bom, há uma tendência cada vez maior da presença feminina, é uma tendência crescente, visível já, e, portanto, a partir da tendência faz-se a caricatura de um tempo futuro. Assim como o edifício onde se passam as coisas, a Avenida Vertical, também é uma tendência das cidades, cada vez mais construídas em altura porque as populações crescem e o planeta não cresce. O chão do planeta é sempre o mesmo. Portanto, a tendência de construir em altura nesta imensidão dos ares ainda não ocupados é para onde a humanidade se dirige. 

Caso cá esteja em 2044 acredita que vai encontrar muitas semelhanças com as previsões feitas neste seu romance?
Por exemplo, o livro começa logo com uma manifestação de pessoas que estão contra a mudança da idade da reforma, estava nos 80 e querem passar para os 83. Ora ainda há dias lia no jornal que querem passar aqui para 67 anos e em Espanha também vai subir a idade da reforma, e assim, em 2044, se não for 80, andará pelos setenta e tal. São os indícios que a sociedade actual nos dá. Tive o cuidado de incluir um historiador que se dedica a estudar a primeira década do milénio, ou seja, são os dias que estamos a viver hoje. 

A sociedade que encontramos em 2044 é muito fria e impessoal. Teme que seja esse o nosso caminho? O seu romance pretende funcionar como um alerta para essa eventualidade? Ou é uma inevitabilidade?
É para isso que temos caminhado, e não é só de agora. O facto de ter a idade que tenho já me permite comparar gerações, comparar épocas, e estamos já numa época de muito mais acabado individualismo e de as pessoas se isolarem cada vez mais com as suas máquinas sofisticadas e de o convívio ser praticamente liquidado. Portanto, essa tendência do isolamento e de uma certa frieza entre as pessoas, eu penso que já começou há uns anos largos. 

É mais fácil escrever histórias com acção no passado ou no futuro? Ou o essencial são as personagens e o resto é “acessório”?
Neste tom de paródia, quando assumo isto como paródia, isento-me de responsabilidades, de dizer: “Isto vai acontecer.” É evidente que o passado é outra responsabilidade, porque requer uma exactidão. Afinal de contas, as coisas já se passaram e não podemos escrever sobre elas: “Foi mais ou menos isto que se passou. É capaz de ter sido assim.” Requer-se alguma afirmação. Em relação ao futuro… costuma dizer-se o futuro a deus pertence, mas nós podemos fazer conjecturas sobre as coisas, sobre a progressiva importância das máquinas nas nossas vidas e no comando das nossas vidas. Eu já não consigo comer uma sandes sem ser numa máquina que me venda sandes, já não consigo tirar um bilhete de autocarro ou de metro sem ser numa máquina, há imensas máquinas que estão a tomar o papel daquelas pessoas simpáticas que diziam: “Olá, está bom? Então o que é hoje?”

Como é que chega às suas personagens? Inspira-se em pessoas reais, em comportamentos que vai observando ou simplesmente saem-lhe da imaginação?
Não me inspiro em ninguém específico, mas, quando criamos uma personagem, estamos a criar figuras à semelhança daquelas que existem, ou seja, tem o cabelo no lugar do cabelo, tem as orelhas no lugar das orelhas, os braços, as pernas, está tudo no lugar das pessoas reais. E, mesmo do ponto de vista mental e psicológico, ninguém inventa sentimentos, e, portanto, as pessoas são como são as pessoas. As pessoas irreais, as personagens, no fundo são como são muitas pessoas: ou são invejosas, ou generosas, ou bem-dispostas, ou carrancudas, e a personagem construída constrói-se com base naquilo que existe, naquilo que reconhecemos como são as pessoas. Sob pena de serem induzíveis. Eu posso dizer que não quero fazer as pessoas como são as pessoas e pôr a orelha atrás da nuca. É uma coisa estúpida. E se quiser inventar um sentimento não consigo. Os sentimentos são os que existem, são os da condição humana.

Como é que se sente ao criar vidas ou ao tirar-lhes a vida?
É um exercício que me dá prazer. Eu, como entusiasta jornalista (foi profissão a que me dediquei de alma e coração, com entusiasmo), hoje não tenho a menor dúvida que prefiro fazer a minha ficção, a minha fuga deste mundo real para outros que vou inventando. Hoje não queria ser jornalista, não sei porquê, não sei se por o jornalismo estar mais… (pausa) Temos grandes jornalistas em Portugal e mesmo entre a rapaziada nova, mas também temos um jornalismo em que não se respeita muito alguns deveres, mesmo deontológicos.

Tem uma escrita simples, directa e objectiva. Sai assim naturalmente ou é uma “regra” que impõe a si próprio?
Um bom livro, para mim, é um acto de comunicação, é como um jornal. Eu tenho alguma coisa para contar e vou contar. E a comunicação reclama que aquele a quem a dirigimos a receba e a compreenda. E, portanto, tenho essa coisa do jornalista… os jornais têm um público heterogéneo e não vale a pena estar a escrever um jornal de informação geral como se fossem todos arquitectos e engenheiros. As palavras não podem ser compreendidas só por um determinado núcleo de pessoas, há uma necessidade de clareza. E a clareza é uma coisa que pode passar a ser a claridade. Se for uma bela prosa, tem claridade, que é já um estado superior da clareza.

Numa época em que há a moda dos romances com várias centenas de páginas teme não ser “levado a sério” por ter optado por escrever um livro com “apenas” 120 páginas?
Acho que como autor reflicto aquilo que sou como leitor. Eh pá, e num calhamaço muito grande já não pego ou, então, perco-me à página 48 ou 74 ou 128, acabando por desistir. E como sou a mesma pessoa enquanto leitor e enquanto autor, tenho uma necessidade, que acho que é fundamental (a ministra da Educação até falou nisso), que é querer saber o fim, prender um espectador a uma narrativa. E isso não se faz em 700 ou 800 páginas. Vivemos uma época diferente, de solicitações, distracções, é muito difícil ter uma vida tão vazia de outras coisas que pegue num livro de 700 páginas. Mas há pessoas diferentes de mim e podem adorar livros muito grandes.

O seu primeiro livro, Crónica dos Bons Malandros, conheceu um sucesso estrondoso e quase trinta anos depois continua a ser uma referência. Acha que esse sucesso de alguma forma ofuscou os seus trabalhos literários posteriores ou nem sequer pensa no assunto?
É espantoso que o livro saiu há trinta anos, em 1980, e ao longo deste tempo vejo nas livrarias o meu último livro, seja ele qual for, e o primeiro, que é o Crónica dos Bons Malandros. Isso tem que ver com a adesão nas escolas porque é um livro que incita à leitura. Segundo o que alguns professores me têm dito, quando eles (alunos) não querem ler mais nada, espeta-se com a Crónica dos Bons Malandros e talvez assim eles vão lá. Foi um livro escrito sem nenhuma presunção de ser útil para coisa nenhuma, era só uma brincadeira com os meus amigos, e pasmo como é que trinta anos depois está aí nas livrarias em 32.ª edição, fora as do Círculo de Leitores.

Esse sucesso não lhe pesa demasiado em cima dos ombros?
Pesa só neste sentido: agora estou a escrever um livro, acredito que seja o meu melhor livro, admito, admito, mas, seja o que for, hei-de estar sempre marcado pela Crónica dos Bons Malandros. Desse não me liberto, porque foi um livro que pela sua simplicidade de escrita ganhou uma horizontalidade. Tanto é lido por professores da universidade como pelo gajo que me lavava o carro – leu aquilo vezes sem conta.

Já tem algum romance novo em preparação? Pode revelar algo sobre o mesmo?
É um livro de amores, de encontros e desencontros, e de como a vida às vezes parece que torna impossível um encontro e depois, bruscamente, esse encontro é perfeitamente natural e de como pode a vida dar outra volta e já não ser assim.

Entende que o livro no seu actual formato chegará a 2044 ou acabará por ser substituído pelos “livros” de formato electrónico?
Sim, não tenho a menor dúvida que chega. A modernidade, as inovações, além da sua importância, têm uma coisa, o fascínio da novidade. É algo que vai desaparecendo à medida que a novidade deixa de o ser. A importância das comunicações electrónicas é um processo adquirido pela humanidade. Em relação aos livros, estou convencido que o livro de papel há-de ter sempre o privilégio de ser o livro de papel, porque, mesmo com todo o fascínio que tem a informática, o que pode acontecer? Pego num livro de papel, vou para a beira-rio, abro quando abro, vejo quando vejo. Podem dizer que o computador também o faz, mas como diz o anúncio… “não era a mesma coisa”.   

Já trabalhou em rádio, televisão e na imprensa. É capaz de escolher o seu meio de comunicação de eleição?
Eu gosto da escrita, sou decididamente da escrita. Mesmo quando parti para essas coisas das televisões, era um homem da escrita. Foi muito difícil convencer-me, e ainda hoje não sei como me deixei dobrar para ir para a televisão, porque tinha aversão autêntica. As maquinarias assustavam-me e tinha noção que a televisão era uma coisa de aparências de onde ninguém sai igual ao que realmente é. Pode aparentar ser melhor ou pior, porque exige telegenia e ter capacidade de enfrentar uma câmara.

Tem tido várias actividades ao longo da sua vida. Se tivesse de se apresentar a alguém que não o conhecesse, como o faria? «Olá, chamo-me Mário Zambujal e sou…»
Há uma palavra que para mim é “a” palavra: autor. Porque autor é uma coisa irrefutável, é autor de alguma coisa que se fez, quer seja um livro quer seja um crime. Depois, há as discussões se este é poeta ou não é poeta, se é escritor ou não é escritor, que é o conceito de rótulo e o que cabe lá. E isso a mim não me interessa absolutamente nada, o que me interessa é esta palavra autor. A palavra autor significa uma coisa concreta que se fez, o resto são rótulos que dependem de conceitos.

Reedição de “O Oito”, de Katherine Neville, abre caminho à sequela “O Fogo”

8 de Abril foi a data escolhida pela Porto Editora para reeditar O Oito, romance de Katherine Neville que já vendeu mais de um milhão de exemplares em trinta línguas – a obra tinha já sido editada em 1990 pela Europa-América. O livro, explica a Porto Editora, “parte de uma lendária oferta que os Mouros teriam feito a Carlos Magno: um tabuleiro de xadrez que continha a chave para dominar o mundo.” A Porto Editora anunciou ainda que em Setembro de 2010 será lançado O Fogo, a sequela inédita de O Oito.

Sobre o livro: No sul de França, em 1790, no auge da Revolução Francesa, o lendário tabuleiro de xadrez de Carlos Magno, oculto há mais de um milénio nas profundezas da Abadia de Montglane, corria o risco de ser descoberto. As suas peças encerram um intricado enigma e quem o decifrar terá acesso a uma antiga fórmula alquímica que lhe concederá um poder ilimitado. Para mantê-las fora do alcance de mãos erradas, as noviças Mireille e Valentine deverão espalhá-las pelos quatro cantos do mundo.
Dois séculos depois, Catherine Velis, uma jovem perita informática, é enviada para a Argélia com o objectivo de desenvolver um software para a OPEP. Nas vésperas da sua partida de Nova Iorque, um negociante de antiguidades faz-lhe uma proposta misteriosa: reunir as peças de um antigo xadrez.
Cat vê-se assim envolvida na busca do lendário jogo de xadrez e torna-se numa das peças desta partida milenar, jogada ao longo dos séculos por reis e artistas, políticos e matemáticos, músicos e filósofos, libertinos e o próprio clero. Quem está de que lado? De quem será o próximo lance?»

Noddy veste a camisola das Edições ASA

Os livros do Noddy, personagem infantil criado em 1959 por Enid Blyton, vão passar a ser publicados pela ASA a partir de Junho.
Os livros serão baseados na série televisiva “Abram Alas para o Noddy”, que foi transmitida em Portugal entre 2001 e 2009, mas também na nova produção “Noddy no País dos Brinquedos”, que se estreou em 2010 no nosso país.
Noddy vende cerca de três milhões de livros por ano em mais de 40 línguas.

“A Filha do Regedor” marca a estreia de Andrea Vitali em Portugal

A Porto Editora publica a 25 de Março A Filha do Regedor, do italiano Andrea Vitali, apresentado como “um romance satírico sobre o quotidiano numa pequena vila italiana, no período conturbado dos anos 30 do século passado”. O livro ganhou em 2006 o prémio Bancarella.

Sobre o livro: «O romance de Andrea Vitali – prémio Bocaccio em 2008 –, leva-nos a 1931, a uma pequena cidade em polvorosa, situada nas margens do lago de Como, numa Itália que dá os primeiros passos no fascismo.
Em A Filha do Regedor, Agostino Meccia, o regedor de Bellano, está determinado a implementar na localidade um projecto ambicioso: uma linha de hidroaviões que ligará Como, Lugano e Bellano. O empreendimento dará prestígio à sua administração, atrairá uma multidão de turistas e fará a inveja dos municípios vizinhos. Uma ideia brilhante, não fosse um problema de tesouraria. Porém, contra todas as contestações, Agostino Meccia não se coíbe de exercer o seu poder totalitário, recorrendo aos fundos reservados do município para levar os seus planos avante. Tudo parece estar a correr-lhe de feição, até que as complicações começam a surgir…
Por outro lado, a súbita paixão entre a sua filha, a jovem Renata, e Vittorio, o filho do padeiro Barbieri, ameaça trazer a lume um segredo que porá em causa a honra de ambas as famílias.
Entre escândalos e intrigas, paixões e fraquezas, Andrea Vitali faz desfilar diante do leitor uma miríade de personagens de opereta que compõem este retrato picaresco e absorvente da Itália dos anos 30.»

“O Livro do Pastor”, de Joann Davis, chega a 25 de Março

A Planeta lança a 25 de Março O Livro do Pastor, de Joann Davis, apresentado como “a história de uma oração simples e de como mudou o mundo”.

Sobre o livro: «Quando um livro raro e muito antigo é descoberto no escritório desarrumado de uma velha casa de quinta em Vermont, a nova proprietária da casa decide mandá-lo traduzir. O resultado é O Livro do Pastor, uma narrativa intemporal, repleta de lições de vida para todos nós.
A acção decorre num tempo mítico, numa terra sem nome, e conta a história de um pastor, Josué, que decide questionar a velha lei “olho por olho, dente por dente” que governa o seu mundo. Recebendo o chamamento num sonho, o pastor parte numa viagem incerta em busca de “o novo caminho”. Acompanhado por Isabel, uma antiga escrava que irradia bondade, e David, um rapaz que tem de reaprender a caminhar, o pastor conduz os seus novos amigos por montes e vales, aldeias e vilas, motivado pela profecia de que sobrevirá “uma idade de milagres” quando o novo caminho for encontrado. Numa gruta, junto ao Grande Mar Interior, Josué, Isabel e David conhecem o Contador de Histórias, o Boticário, o Cego e o Desconhecido. Cada personagem transmite uma história e lição importantes que impelem os viajantes rumo ao seu encontro com o destino. Talvez o tesouro que procuram os tenha, afinal, acompanhado sempre.»

Pergaminho edita “O Livro da Luz”, de Alexandra Solnado

O Livro da Luz, novo livro da Alexandra Solnado, editado pela Pergaminho, está à venda a partir de 26 de Março e reúne as obras que compõem a trilogia Luz (Luz, Mais Luz e Muito Maiz Luz).

Sobre o livro: «O Livro da Luz reúne os livros que compõem a trilogia Luz (Luz, Mais Luz e Muito Maiz Luz). Numa tentativa, da parte do céu, de dar respostas às nossas dúvidas e anseios, esta trilogia oferece-nos mensagens de Luz que tentam esclarecer questões essenciais da nossa vida.
Para encontrarmos a resposta para a questão que nos preocupa, basta retirar dois símbolos do conjunto de 17 caracteres aramaicos que acompanha este livro. A junção desses dois símbolos dar-nos-á o comentário de Jesus sobre a pergunta que gostaríamos de Lhe fazer e que tanto gostaríamos de ver respondida.»

“Uma Aventura no Pulo do Lobo” apresentada em Mértola a 23 de Março

Uma Aventura no Pulo do Lobo é o novo título (52.º) da bem-sucedida colecção de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, editada pela Caminho. As autoras da colecção Uma Aventura vão apresentar esta obra a 23 de Março, em Mértola, precisamente onde decorre a acção da história, mais precisamente nas Minas de São Domingos e no próprio Pulo do Lobo. A sessão tem lugar às 11h00 horas no Cine Teatro Marques Duque, em Mértola, e conta com a presença das autoras. A 24 de Março há uma apresentação em Lisboa, na Livraria Leya na Barata, também as 11h00.

Sobre o livro: «Quando os cinco amigos se juntam, uma simples ida ao cinema pode transformar-se rapidamente numa perseguição trepidante! E a resolução de um mistério com dezenas de anos leva-o às planícies alentejanas, onde os aguardam surpresas fantásticas, pessoas especiais e paisagens que falam ao coração!
Com muita acção e emoção, esta é Uma Aventura ao alcance de um “pulo de lobo”!»

Pergaminho lança “Pura Vida”, de Deepak Chopra

A Pergaminho acaba de editar Pura Vida, mais um livro assinado por Deepak Chopra, este em parceria com o seu colaborador David Simon, que apresenta um modo simples de purificar o corpo, a mente e o espírito.

Sobre o livro: «No nosso dia-a-dia, estamos constantemente expostos à contaminação pelos mais diversos elementos tóxicos: a poluição, o stresse, a ansiedade, a sedentariedade, os maus hábitos alimentares, relacionais e de sono, entre muitos outros. Isto pode traduzir-se em diversos comportamentos destrutivos, desde o excesso de comida até ao fumo, à bebida, ao jogo e a outras compulsões.
Por vezes, todos nós precisamos de fazer um detox à nossa vida. O Chopra Centre desenvolveu um trabalho de integração mental e física de eficácia comprovada e com uma taxa de sucesso invejável, que ajudou já milhares de pessoas a abandonar os hábitos e comportamentos auto-destrutivos.»