“A Guerra é para os Velhos” – John Scalzi

A Guerra é para os Velhos, de John Scalzi, uma edição Gailivro), é uma agradável surpresa para os amantes da ficção científica (FC) clássica, ou seja, aquela onde ainda há lugar para heróis humanos, para aventura, combate, conquista. A tecnologia e os avanços científicos também estão bem presentes neste romance, mas são bem doseados em relação à componente humana e social. Assim, Scalzi, um dos novos nomes da ficção científica norte-americana, apresenta uma obra capaz de cativar logo desde o início o leitor, especialmente se este estiver algo cansado das deambulações filosóficas porque têm entrado muitas das obras recentes do género e prefira uma boa aventura, ainda por cima sustentada por uma história credível e por personagens bem construídas.
O ponto de partida é um achado. No futuro, aos velhos é dada a possibilidade de uma nova vida, de um recomeço. Em troca do alistamento nas Forças de Defesa Coloniais (FDC), os seus corpos são regenerados e geneticamente aperfeiçoados. Depois, têm de partir para o combate. Ou seja, têm de assegurar a posse dos novos planetas com recursos para sustentarem os humanos que foram sendo descobertos e conquistados. Há raças alienígenas dispostas a lutar por eles e cabe às FDC entrar em acção. Se o novo recruta aguentar a sua comissão de dois anos é-lha dado um terreno num desses planetas, onde pode dar início a uma nova vida, depois de ter deixado tudo para trás na Terra. Só que a taxa de sobrevivência destes soldados é muito reduzida. Mas, na verdade, o que têm estes velhos a perder, eles que já estavam perto da morte? E que soldados há melhores do que aqueles que nada têm a perder?
É assim – saltando para o desconhecido (ninguém na Terra sabe muito bem o que são as FDC e como decorre a guerra no espaço) – que um grupo de velhos se transforma num poderoso e pujante corpo militar, e na primeira fase do romance acompanhamos a surpresa e a adaptação destes novos-jovens através da visão de John Perry, um viúvo que se alistou no dia em fez 75 anos. Scalzi conseguiu neste ponto elaborar uma história credível (tanto quanto isso é possível em FC!), já que apresenta várias perspectivas das reacções humanas perante uma nova oportunidade de vida, recorrendo para tal aos comportamentos de Perry e dos seus novos amigos; é curioso verificar a diversidade de reacções humanas possíveis perante a descoberta de estar na posse de um corpo mais jovem e mais forte do que alguma vez fora.
Depois desta fase de adaptação, estão prontos a entra em combate contra os aliens e entra-se na segunda fase da obra, onde a guerra passa a ser a protagonista.
As cenas de combate idealizadas por Scalzi estão a nível do que de melhor se tem feito em ficção científica: empolgantes, vivas, não absurdas, e extremamente cinematográficas.
E quanto aos novos recrutas, perante os novos desafios com que se confrontam, rapidamente percebem que um novo corpo e uma nova vida não são “prendas” assim tão primordiais.
A Guerra é para os Velhos é uma excelente aventura de FC – que, paralelamente, deixa muito em que pensar – bem escrita e imaginada por Scalzi, um nome a reter neste tipo de literatura.

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