“A Princesa de Gelo” – Camilla Läckberg

Embalada pelo sucesso da saga Millenium, a literatura policial escandinava (e neste caso particular a sueca) tem conquistado espaço nas montras e estantes das livrarias portuguesas. Assim, foi possível conhecer Camilla Läckberg, através do seu romance A Princesa de Gelo, editado em Portugal pela Oceanos, precisamente a chancela que por cá revelou Stieg Larsson.
Läckberg é apresentada pela editora como “a nova Agatha Christie que vem do frio”. Será um exagero optar por esta comparação, mas decerto que os amantes da escritora britânica encontrarão alguns pontos em comum entre as suas obras. Nomeadamente, A Princesa do Gelo é um romance muito “caseiro”, ou seja, grande parte da acção decorre nas casas das personagens, já que há pouco a acontecer em espaços comuns, fruto, também, da realidade sueca, onde o frio (a acção tem lugar em pleno Inverno) inviabiliza contactos pessoais ao ar livre.
Trata-se de um policial de estrutura clássica, onde o surgimento de um corpo (o de uma mulher, Alex) numa pequena cidade, Fjällbacka, acaba por mexer com a estabilidade local, levando ao desenterrar de segredos do passado (por muitos convenientemente esquecidos) que afectam transversalmente a sociedade local. O que aparentava ser um suicídio revela ser antes um assassínio. Paralelamente à investigação feita pela polícia, segue uma outra, protagonizada por Erica, amiga de infância de Alex. Erica é uma autora de biografias que é desafiada pelos pais de Alex a escrever sobre a falecida amiga. Assim, acaba por se envolver irremediavelmente na investigação, colaborando até com a polícia através do seu amigo Patrik.
A autora doseia bem a informação que vai fornecendo ao leitor e, tal como num clássico policial, vários suspeitos se vão alinhando (e substituindo) ao longo do romance. Todos são, efectivamente, potenciais culpados, por isso mais vale ao leitor deixar-se levar pela leitura e surpreender-se, de qualquer forma, no final.
Paralelamente ao enredo principal, decorrem outras histórias, não directamente ligadas ao essencial da trama mas que funcionam como uma espécie de alerta social lançado pela autora relativamente a temas como a violência doméstica, a infidelidade, a procura de novos horizontes, etc.
A ideia que fica, portanto, após a leitura deste cativante A Princesa de Gelo é que a sociedade sueca vive muito das aparências, do que parece bem; mas se se observar bem nota-se que há ali demasiada coisa que não funciona. É portanto um romance sobre as aparências, sobre os podres “arquivados”, sobre o pouco peso das relações humanas quando postas em competição com o próprio eu. Sobre o egoísmo, em suma.
A sueca Camilla Läckberg, nascida em 1974, estreou-se em 2002 com este A Princesa de Gelo e veio a impor-se como um dos nomes mais importantes da nova literatura sueca, ultrapassando as fronteiras do seu país. Após este bom romance de estreia espera-se com expectativa a continuação da publicação da sua obra em Portugal, até porque os protagonistas de A Princesa do Gelo deram origem a uma série de livros.

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16 responses to ““A Princesa de Gelo” – Camilla Läckberg

  1. Acabei de ler o livro, bem, o que posso falar?
    Ruim, bem ruim! Eh dificil escrever isso de qq tipo de leitura, mas nao acho outro adjetivo para descreve-lo.
    Pessima traducao, cheia de erros de concordancia e ortografia e um enredo cliche, faci de adivinhar.
    Nao indico o livro!

    • Bom-dia. Só para esclarecer, calculo que esteja a referir-se à edição brasileira e não à portuguesa, que é a que vem referida neste post, certo?

  2. Com certeza que será a tradução brasileira que tanto a incomoda, deixem os brasileiros preocupar-se com o tamanho das extensões, das unhas e do silicone e os portugueses com a literatura.

    • Acredito que existe um desrrespeito a opinião da pessoa,nao compactuo com o falar que o livro é ruim, o melhor sempre é ler no origina, agora criticas todos tem o direito de o fazerem de forma respeitosa e aqui vai um grave desresepeito aos brasileiros e brasileiras, se os lusos sao tao letrados como querem aparentar aqui, deveriam no minimo ter educaçao e respeito ao povo brasileiro e nao colocar algo tao perjorativo e machista como este que esta senhora colocou

  3. Pingback: Policiais nórdicos « Aliquid Novi

  4. certamente um exagero compará-la a eterna rainha do crime Agatha Christie. Apontei alguns aspectos positivos e negativos, citados abaixo:

    Positivos:
    1- aborda temas que interessam a população moderna (aqui no Brasil ainda mais), como a agressão a mulheres e pedofilia
    2-cenas de sexo. apesar de não gostar quando livros “apelam” para o sexo para chamar a atenção dos leitores, neste em especial mostrou-me uma evolução, se é que posso chamar assim, com relação aos livros de Agatha, claro, devido as épocas diferentes.
    3- personalidade intrigante de algumas personagens
    4- o lugar em que se passa a história, que é pouco visto tanto em filmes quanto em livros.

    NEGATIVOS:
    1- o final não me surpreendeu em absolutamente nada
    2- o desfecho de muitas personagens importantes não foram precisos (Vera, Dan, Anna e Lucas, por exemplo)
    3- “palavrões” em demasia… podem me chamar de careta, mas tal coisa me lembra livros de adolescentes.
    4- personagens secundários, que a meu ver, foram mais importantes que a principal, Erica.
    5- um apelo sexual, principalmente com relação à mulher, que no livro era tratada como um “objeto” ou um “brinquedo” para os homens.
    7- achei a justificativa para o assassinato de Alex tão banal.

    CONCLUSÃO: Camilla Läckberg não chega aos pés de Agatha Christie.

  5. tudo bem, talvez tenha sido mimada por Agatha com relação aos finais surpreendentes. tanto que me decepciono toda vez que, ao ler um livro dela, chego ao assassino antes do final. mas não gostei do livro

  6. na minha opinião, os brasileiros é que não estão aptos a leitura, e quando enfim resolvem ler, acabam se surpreendo com o tamanho da falta de intelectualidade, e de imaginação para imaginar os fatos relatados no livro. Parabéns a autora, e para vocês tentando dar uma de importantes na leitura, uma dica:
    LEIAM MAIS, SE INFORMEM, E DEPOIS, SÓ DEPOIS, COMENTEM UM FATO DOS RELATOS DE UM LIVRO !!!

  7. Isso continuem xingando os brasileiros. Pois bem, eu sou uma brasileira e eu encontrei o seu site e eu fiquei decepcionada por tamanhas ofensivas. Uma pena, por que eu ia indicar pra uns “amigos”…

    • Bom-dia, Ana, lamento que por não ter gostado dos comentários se «desligue» do blog, mas a verdade é que se fizer sempre assim infelizmente qualquer dia deixará de aceder à internet, pois comentários desagradáveis há-os por toda a parte e bem mais ofensivos do que estes. Espero que continue a visitar o Porta-Livros, que vale bem mais do que dfeterminados comentários. Cumprimentos, Rui Azeredo

  8. Algo sobre 90% das traduções que encontro:

    Leio em média um livro por semana – há dias que gasto até 8, 9 horas em leitura. Tenho hábito de ler livros em Português (BR, PT), Inglês, Francês e, em menor frequência, Espanhol e Alemão. É raro, é muito raro encontrar boas traduções.

    Resolvi me aventurar num processo árduo que simplesmente poderia comprovar minha ideia sobre tradutores: Compro o livro nas duas línguas, original L2 e alguma tradução, L1 (geralmente PTBR ou PTPT). Escaneio-os, faço reconhecimento ótico (OCR), e coloco o texto em colunas paralelas por sentenças. TODAS traduções têm erros crassos, omissões, improvisos e o peso da caneta do tradutor.

    Cabe o provérbio “tradutore, traditore” seja o sujeito PTPT ou PTBR. O resto é a briguinha eterna que têm PT e BT.

    Abdalan

    • Nesse caso…

      (In)felizmente Camilla Läckberg é Sueca (de Bohuslän, Fjällbacka mesmo, onde se desenrolam as suas tramas) e não tenho acesso ao livro na língua original. Mas farei uma comparação entre 3 traduções incluindo PTBR, PTPT e uma francesa, e posso postar minhas impressões, se desejarem ou acharem que se pode ter alguma surpresa; não, não haverá nenhuma. Creia, as traduções são ainda piores em livros sem valor literário (Harry, Twilight e CIA).

      Se toda comparação entre autores é despropósito, nesse caso, com Agatha Christie o é ainda mais. Vejam que ela faz parte do mesmo movimento sueco que se incluiu postumamente (ele morreu em 2004, acho) Stieg Larsson (Millennium, umas 30 ou 40 milhões de cópias) e aí sim pode-se tentar uma comparação mais apropriada.

      Um abraço cordial, Abdalan.

  9. Bem… Gostei do livro, sou extremamente sensível às traduções e não posso considerar a tradução portuguesa má, muito pelo contrário! Não encontrei palavrões, o tradutor optou por utilizar o termo “sacana”, nada que me escandalize!

    Quanto ao enredo, não o considerei de todo previsível e acho que está bem construído! Só bem perto do final é que vislumbrei o possível culpado e costumo ser bastante intuitiva em relação a essas questões.
    Por outro lado, considero que a autora chama a atenção para temáticas actuais e preocupantes!

    Não podemos gostar todos do mesmo… Eu gosto desta autora e penso continuar a seguir esta saga!

  10. Pingback: «A Raiz do Ódio» – Anne Holt | Porta-Livros

  11. Boa tarde,
    Penso que ao comentarem este livro, há quem não tenha a mínima noção de que este é o primeiro livro de Camilla Lackberg. De certo que há algumas imperfeições mas são apenas aspectos minoritários não justificando os comentários tão pesados a este livro.
    Eu li, gostei mesmo muito e estou a ler os próximos para ter a certeza daquilo que suspeito: Lackberg tem um enorme talento!!

  12. Pingback: «A Ilha dos Espíritos», de Camilla Läckberg, editado pela Dom Quixote | Porta-Livros

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