“O Círculo de Sangue” – Jérôme Delafosse

pre_O_Círculo_de_Sangue“O Círculo de Sangue”, romance de estreia do francês Jérôme Delafosse, revelou-se um thriller bastante cativante, com uma trama bem urdida capaz de prender a atenção do leitor logo desde o início.
O ponto de partida até não parece promissor de tão gasto estar. Um homem perde a memória num acidente e quando busca o seu passado percebe que está envolvido numa trama de grandes dimensões com implicações que vão bem além da sua própria vida. Já vimos isto na saga Bourne e na série de banda desenhada XIII, entre outras obras. Mas aqui – em “O Círculo de Sangue”, editado entre nós pela Presença – trata-se afinal do ponto de partida para uma aventura com bastante mistério, investigação, perigo e emoção, cujo argumento tem valor por si só para aguentar o romance, para lá do recurso à perda de memória do protagonista.
A história foi bem desenvolvida por Delafosse, que consegue prender o leitor sem recorrer às sempre fáceis e habituais (e às vezes inverosímeis) reviravoltas que no fundo acabam por retirar credibilidade aos argumentos de muitos thrillers.
“O Círculo de Sangue” envolve misticismo, maldições, religião e armas biológicas, mas sem sair do plano do real e relacionando bem estes temas com o mundo da ciência e da experimentação. Como um bom e animado thriller deve ser, o livro passa por varias regiões e épocas, desde o Ruanda (genocídio de 1994 e presente), à Martinica (no tempo da escravatura), ao Egipto e ao Sudão. Como pano de fundo está a religião, mais precisamente os coptas, defensores dos cristãos maltratados já quase desde o tempo de Jesus Cristo.
Nathan, o herói desta aventura, tem um acidente no Árctico que o leva a perder a memória e quando sai do coma onde se afundou tenta desvendar o mistério da sua identidade. Depois de se deparar com um manuscrito antigo existente na biblioteca Malatestiana, em Itália, descobre que uma antiga seita, O Círculo de Sangue, está prestes a lançar no mundo uma pandemia, curiosamente sustentada na gripe suína, agora tão em voga. A seita, associada aos coptas, pretende assim vingar todo o mal que é feito sobre os cristãos, sendo essa uma tarefa a que se dedica praticamente desde a época de Cristo. E agora prepara o seu maior golpe. À medida que vai desvendando o seu passado, Nathan envolve-se então numa trama bem mais importante, que pode pôr em causa a segurança mundial, e ele próprio tem dificuldade em perceber o seu papel no seio desta seita. Não sabe se no seu passado “apagado” se ligou a ela pelo lado bom (combatendo-a) ou pelo mau (integrando-a). De qualquer forma, sente que agora tem de a combater.   
É um bom livro de estreia para Jérôme Delafosse que deixa perspectivar futuras obras interessantes, caso o escritor não se deixe levar por entusiasmos de grandiosidade, como aqueles que às vezes prejudicam a coerência da obra do seu compatriota Jean-Cristophe Grangé. É um romance bem trabalhado e estudado, embora não deva ser comparado a Grangé só por ser francês, nem a Dan Brown só por envolver um manuscrito misterioso vindo do passado. “O Círculo de Sangue” vale por si só e merece uma leitura atenta por parte de quem gosta de bons thrillers.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.