“O Cavalheiro do Gibão Amarelo” – Arturo Pérez-Reverte

asa-gibao“O Cavalheiro do Gibão Amarelo” é o quinto volume de As Aventuras do Capitão Alatriste, colecção de livros assinada pelo espanhol Arturo Pérez-Reverte e editada em Portugal pela ASA.
Reproduzindo de forma brilhante a linguagem, o vocabulário e a escrita da época, Reverte transporta-nos de novo até à Madrid do século XVII, fazendo-nos viver uma verdadeira história bem ao estilo dos tradicionais livros de aventuras que, aliás, pretende homenagear. E aqui com a vantagem de surgir primorosamente escrito (e traduzido, diga-se). Duelos de espadas, conspirações, intrigas palacianas, raptos, becos escuros, capas, máscaras, tabernas, traições, etc., tudo serve para ilustrar este “O Cavalheiro do Gibão Amarelo”, que tem por protagonistas os inevitáveis espadachim Alatriste e o pajem Iñigo Balboa, que desta vez se envolvem, sem querer, naturalmente, numa conspiração para derrubar o rei Filipe IV – realce-se o crescimento de protagonismo do narrador Iñigo Balboa, assumindo cada vez mais importância na vida do capitão e, por tabela, no desenvolvimento do enredo.
Os ambientes são descritos ao pormenor, com um detalhe e uma precisão que vem aumentando desde o início da série, colocando estas obras ao nível das “outras” do autor. Contudo, é também de “alertar” que todo este detalhe acaba por roubar um pouco de acção à história, algo que é recuperado progressivamente do meio do livro até ao final, esse sim já bem ao frenético estilo capa e espada.
Um “simples” caso de saias para o Capitão Alatriste torna-se então uma perigosa jogada na qual se vê envolvido e a qual, naturalmente, ajudará a resolver. E pelo meio vai reencontrar velhos “conhecidos”, como Gualterio Malatesta, que de novo vai enfrentar. Sempre pela voz (ou pela pena) de Iñigo ficamos a saber que Alatriste se envolveu com a actriz María de Castro (inevitavelmente bela) e também cortejada pelo próprio rei. Esta espécie de triângulo amoroso acaba por cair numa trama bem maior e mais grave (uma espécie de figura geográfica com bem mais que três vértice) onde o fito final é derrubar o próprio rei do trono. Alatriste, sempre ajudado por iñigo, não só se tem de desenvencilhar da enrascada em que se meteu como ao mesmo tempo tem de salvar o rei, porque, como em qualquer livro de capa e espada, o herói é sempre dotado de um apurado sentido do dever. Isto mesmo estando profundamente desencantado com o modo como, em geral, se comporta a corte e quem a rodeia, mais interessados no benefício próprio (dinheiro e poder) do que no bem-estar do povo, e com o modo como foi tratado.
“O Cavalheiro do Gibão Amarelo”  é, como já deu para perceber, um livro a não perder por parte quem gosta de aventuras e de uma obra bem escrita com uma história bem desenvolvida.
Os outros livros de As Aventuras do Capitão Alatriste já editados em Portugal são “O Capitão Alatriste”, “Limpeza de Sangue”, “O Sol de Breda” e “O Ouro do Rei”.

2 pensamentos sobre ““O Cavalheiro do Gibão Amarelo” – Arturo Pérez-Reverte

  1. Rosa Anastácio

    Este livro é fantástico.
    Dá-nos uma percepção muito realista de como era a sociedade naquela época misturando a história com o romance.
    O amor impossível do Capitão Alatriste e a paixão desenfreada de Inigo levam-nos a desejar acabar mesmo antes de começar e começar de novo quando se está a acabar.

  2. Pingback: «O Tango da Velha Guarda» é o novo romance de Arturo Pérez-Reverte | Porta-Livros

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