As Publicações Europa-América acabam de lançar, na colecção Grandes Clássicos do Século XX, a obra “Confesso que Vivi”, livro de memórias do poeta chileno Pablo Neruda.
Sobre esta obra, nada melhor do que ver (ler), o que o próprio Neruda disse: “Estas memórias ou recordações são intermitentes e por vezes fugidias na memória, porque a vida é precisamente assim. É a intermitência do sono que nos permite aguentar os dias de trabalho. Muitas das minhas recordações desvaneceram-se ao evocá-las, ficaram em pó como um vidro irremediavelmente ferido.
As memórias do memorialista não são as memórias do poeta. Aquele viveu talvez menos, mas fotografou muito mais, recreando-nos com a perfeição dos pormenores. Este entrega-nos uma galeria de fantasmas sacudidos pelo fogo e pela sombra da sua época.
Não vivi, talvez, em mim mesmo; vivi, talvez, a vida dos outros.
De quanto nestas páginas deixei escrito se desprenderão sempre — como nos arvoredos de Outono, como no tempo das vindimas — as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho sagrado.
A minha vida é uma vida feita de todas as vidas – as vidas do poeta.”
“Pablo Neruda, nobre inspirador de sonhadores, acalentador de sonhos, de almas, de mãos que trabalham e que escrevem, de gaivotas que voam, de barcos que flutuam na magnitude da vida”. Euclides Riquetti – Poeta ourense, catarinense, brasileiro, autor do poema O Voo da Garça.