“O Conflito Global ou A Guerra da Prosperidade” – Gabor Steingart

pre-global“O Conflito Global ou a Guerra de Prosperidade” é uma útil obra assinada pelo jornalista alemão Gabor Steingart (editada pela Presença na colecção Sociedade Global) que aborda os problemas que a globalização pode originar (nomeadamente aos Estados Unidos), se for não for encarada de uma forma diferente da quem tem sido encarada até agora. É um tema que nos últimos tempos, devido à crise económica, tem sido algo esquecido, mas, assim que a recuperação surja, estará novamente na ordem do dia e voltaremos a ouvir falar insistentemente das economias emergentes, com a China e a Índia à cabeça.
Mas mesmo estando parcialmente desactualizado face à velocidade a que as transformações têm ocorrido devido à crise, o livro ainda assim permite fazer o enquadramento para o que sucede agora. Recorrendo a uma linguagem relativamente simples (note-se que não é um livro para leigos na matéria, mas para quem já nutra simpatia pela temática), Steingart consegue expor bem os seus pontos de vista, socorrendo-se para tal de esclarecedores quadros que podem, contudo, a nível de previsões, vir a precisar de acertos, já que foram elaborados antes do eclodir da crise global – um reflexo do “lado negro” da globalização.
Basicamente, Steingart tenta esclarecer à dúvida base nesta questão: a globalização será boa ou má para a Europa e Estados Unidos América? E para melhor responder a esta dúvida, o autor faz um enquadramento histórico que recua alguns séculos, recordando outras globalizações, como aquelas em que Portugal era uma nação dominante.
O autor alerta para o facto de com a globalização os habituais países lideres, com os EUA à frente, estarem a perder o seu poder político e económico no mapa-mundo, facto tanto mais relevante tendo em conta que são as nações que se sustentam na democracia que estão a perder terreno. Steingart aponta contudo algumas soluções que podem ajudar a impedir que as economias dominantes passem a ser aquelas em que os direitos humanos são menos respeitados; aliás, esse é um dos factores que favorecem o crescimento destas economias emergentes, já que se aproveitam da mão-de-obra barata e explorada que não é possível encontrar nos países ocidentais em tão grande escala.
Steingart estabelece comparações entre o que apelida de “estados atacantes”, como a China e a Índia, países cujos perfis apresenta, com a antiga União Soviética (a ameaça do passado recente), destacando, nomeadamente, que esta nova dupla é mais imponente pois sustenta-se na produtividade das pessoas e não da propaganda. Fala ainda do Japão, onde “tudo” começou, de Singapura, Hong King e “estados tigre” – Coreia do Sul e Taiwan. Destaca ainda que são estados com grande população e que não lançam o debate ideológico, antes preferindo a eficiência económica. 
O que poderá estar em causa, segundo Steingart, é a paz mundial, e apelida de “ricos e atrevidos” os estados emergentes. O perigo maior, diz, reside portanto na Ásia, já que nesta região, por exemplo, as despesas militares têm crescido imenso – cerca de dez vezes mais entre 1993 e 2002 em relação ao resto do mundo.
No final de “O Conflito Global ou a Guerra de Prosperidade”  é apresentada uma entrevista com o economista norte-americano Paul A. Samuelson, Prémio Nobel da Economia em 1970, sobre o desemprego crescente, a retracção dos estados sociais e a sua vida na era da globalização.

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